Hoje lembramos de Antão do Deserto. 17/01.
Santo Antão do Deserto (†356) – Pai dos Monges, Mestre do Combate Espiritual
Hoje, ao lembrarmos Santo Antão, a Igreja cristã contempla uma das figuras mais decisivas da história da espiritualidade. Antão não pertence apenas à tradição oriental ou medieval; ele é patrimônio de toda a Igreja de Cristo. Para nós, da OESI – Ordem Evangélica dos Servos Intercessores, sua vida é um chamado vivo à radicalidade do Evangelho, à simplicidade, à oração perseverante e ao combate espiritual vivido sob a graça de Deus.
Antão nasceu no Egito, no final do século III, e, ao ouvir na congregação a palavra do Senhor — “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá aos pobres e segue-me” (Mt 19,21) — respondeu não com discursos, mas com obediência. Sua leitura das Escrituras era direta, viva e transformadora. Ele não buscava méritos, mas conformar toda a sua vida à vontade de Deus. Aqui reconhecemos um princípio profundamente evangélico: a Palavra de Deus é suficiente e eficaz para conduzir o discípulo à maturidade espiritual.
O retiro de Antão ao deserto não foi fuga do mundo, mas enfrentamento. No silêncio, ele discerniu as batalhas do coração humano, lutou contra tentações, pensamentos desordenados e falsas imagens de Deus. Sua vida testemunha que a verdadeira guerra espiritual não se vence por técnicas, mas pela oração constante, jejum sóbrio, vigilância e confiança total no Senhor. Como escreveu Atanásio de Alexandria, seu biógrafo, Antão aprendeu que “não é o lugar que faz o monge, mas o coração entregue a Deus”.
Como protestantes, reconhecemos em Antão não um mediador, mas um irmão na fé, um testemunho da obra do Espírito Santo na Igreja primitiva. Sua santidade não se fundamenta em obras para salvação, mas numa vida rendida à graça que transforma. Ele nos ensina que a disciplina espiritual não substitui o Evangelho, mas o serve; não nos justifica, mas nos conforma a Cristo.
Para a OESI, formada por servos e servas que vivem no mundo, em igrejas, famílias e vocações diversas, Santo Antão recorda que o “deserto” pode ser vivido no coração: um espaço de silêncio interior, de escuta da Palavra, de intercessão e de fidelidade cotidiana. Seu testemunho ecoa com força em nossa vocação monástica evangélica: orar sem cessar, viver com sobriedade, resistir ao mal e amar profundamente a Cristo.
Neste dia, damos graças a Deus pela vida de Santo Antão. Que seu exemplo nos conduza não à admiração distante, mas à imitação fiel, sempre lembrando que o mesmo Senhor que o sustentou no deserto é aquele que hoje sustenta a sua Igreja.
“O Reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder” (1Co 4,20).
Que o Senhor nos conceda, como concedeu a Antão, um coração indiviso e perseverante. Amém.
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