sábado, 8 de agosto de 2026

320 - SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 223-235

 



320

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 223-235

 

Interrogação 223

O Senhor disse: “Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto, para não pareceres aos homens que jejuas” (Mt 6,17-18). Se alguém quiser jejuar por um motivo agradável a Deus — como os santos muitas vezes fizeram — e for visto por outras pessoas, mesmo sem querer, o que deve fazer?

      RESPOSTA

A ordem do Senhor dirige-se àqueles que cumprem os mandamentos buscando a aprovação humana, a fim de curá-los do vício de querer agradar aos homens. Por outro lado, quando a observância do mandamento busca a glória de Deus, torna-se difícil escondê-la por sua própria natureza, se a pessoa realmente ama a Deus. É como o próprio Senhor declarou: “Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte. Nem se acende uma vela para colocá-la debaixo de um cesto, mas sim no candelabro...” (Mt 5,14-15).

 

INTERROGAÇÃO 224

Será que, ainda nos dias de hoje, algumas pessoas começam a servir a Deus desde cedo (na primeira hora) e outras só bem mais tarde (na última hora)? Quem são essas pessoas?

 

RESPOSTA

Pelas Sagradas Escrituras, todos nós sabemos que existem dois tipos de pessoas: Os que começam cedo: Aqueles que, como diz o Apóstolo, aprenderam os ensinamentos de Deus desde a infância. Os que chegam mais tarde: Aqueles que, como o centurião Cornélio, têm uma boa intenção natural para fazer o bem, mas demoram para alcançar a fé completa porque não tiveram quem os ensinasse. Afinal, como o Apóstolo Paulo escreveu: “Como vão crer em alguém de quem nunca ouviram falar?” (Rm 10,14). Sendo assim, se existirem pessoas que — do mesmo jeito que Cornélio — não buscam o mal, têm vontade de melhorar e praticam com sinceridade o pouco de bem que já conhecem, Deus dará a elas a mesma graça que deu a Cornélio. Deus não vai julgá-las nem chamá-las de preguiçosas pelo tempo que passou, porque essa demora não foi culpa delas. Deus se agrada ao ver o bom desejo e o empenho que elas colocam em praticar o bem a partir do momento em que aprendem a verdade, dedicando-se com mais cuidado até o fim.

 

INTERROGAÇÃO 225

Como nos tornaremos dignos da promessa do Senhor: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali no meio deles” (Mt 18,20)?

 

RESPOSTA

Quando as pessoas se reúnem em nome de alguém, elas precisam entender qual é o objetivo de quem as chamou e se adaptar a ele. Só assim serão bem recebidas e não serão acusadas de falsidade ou descuido.

Por exemplo: se quem convida tem o objetivo de fazer uma colheita, os convidados se preparam para colher; se o objetivo é construir, eles se preparam para construir. Da mesma forma, aqueles que foram chamados pelo Senhor devem se lembrar do que escreveu o Apóstolo Paulo: “Peço-vos que leveis uma vida digna do chamado que recebestes, com toda humildade, mansidão e paciência, suportando-vos uns aos outros com amor, e fazendo de tudo para manter a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito” (Ef 4,1-4). O próprio Senhor explica isso de forma ainda mais clara quando faz esta promessa: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e faremos nele morada” (Jo 14,23). Portanto, assim como Deus faz morada na vida de quem obedece aos seus mandamentos, Ele também está no meio de duas ou três pessoas que se alinham à vontade Dele. Já aqueles que se reúnem sem viver de modo digno e sem a intenção de cumprir a vontade de Deus — embora digam que estão reunidos no nome do Senhor —, ouvirão Dele esta repreensão: “Por que me chamais: 'Senhor, Senhor...', e não fazeis o que eu digo?” (Lc 6,46).

 

INTERROGAÇÃO 226

O Apóstolo Paulo disse: “Quando somos amaldiçoados, abençoamos; quando somos caluniados, consolamos” (1Cor 4,12-13). Como a pessoa amaldiçoada deve abençoar, e como a pessoa caluniada deve consolar?

 

RESPOSTA

Acredito que, de modo geral, o Apóstolo nos ensina com o seu próprio exemplo a termos paciência com todos e a pagar o mal com o bem. Não devemos agir assim apenas com quem nos amaldiçoa, mas com qualquer pessoa que pratique o mal contra nós, cumprindo o que está escrito: “Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal pelo bem” (Rm 12,21). Além disso, parece que a Escritura não usa a palavra “consolar” no sentido comum do dia a dia (como apenas dar um abraço de carinho), mas no sentido de ajudar o coração da pessoa a se convencer da verdade. É nesse mesmo sentido que a Bíblia usa a palavra nas seguintes passagens: “Consolai o meu povo, diz o vosso Deus” (Is 40,1); Quando o Apóstolo diz: “Desejo muito ver-vos para compartilhar com vocês algum dom espiritual... ou melhor, para nos encorajarmos juntos pela fé que temos em comum” (Rm 1,11-12); E em outra carta: “Mas Deus, que consola os humildes, nos consolou com a chegada de Tito” (2Cor 7,6).

 

INTERROGAÇÃO 227

A pessoa deve contar para os outros o que pensa, ou deve guardar só para si quando acha que está agradando a Deus com aquilo?

 

RESPOSTA

Devemos nos lembrar da palavra de Deus pelo profeta Isaías, que diz: “Ai daqueles que são sábios aos seus próprios olhos e inteligentes na sua própria opinião!” (Is 5,21). Também devemos nos lembrar do Apóstolo Paulo, quando escreveu: “Desejo muito ver vocês para compartilhar algum dom espiritual e fortalecê-los — ou melhor, para nos encorajarmos juntos pela fé que temos em comum” (Rm 1,11-12). Por isso, entendemos que devemos conversar com irmãos que tenham a mesma fé que nós e que já demonstraram ter maturidade e prudência. Fazemos isso para corrigir o que estiver errado, confirmar o que estiver correto e, assim, não cair no erro de nos acharmos sábios aos próprios olhos.

 

INTERROGAÇÃO 228

Será que devemos fazer a vontade das pessoas que se escandalizam em todas as situações, ou existe alguma coisa que não devemos fingir ou deixar de fazer, mesmo que alguns se escandalizem?

 

RESPOSTA

Quando fomos perguntados sobre isso anteriormente, mostramos, no momento oportuno, que existem diferenças bem claras nessas situações, e tratamos desse assunto com toda a atenção possível.

 

Observação: Na Interrogação 228, São Basílio Magno está se referindo principalmente à Interrogação 84 das Regras Curtas. Nessas interrogações anteriores, Basílio faz uma distinção clara sobre o escândalo: Quando o ato envolve um mandamento de Deus: Não se deve abrir mão da obediência a Deus para agradar a quem se escandaliza. A vontade de Deus e os Seus mandamentos vêm sempre em primeiro lugar. Quando se trata de coisas neutras (ou costumes da comunidade): Deve-se ter caridade e ceder, evitando fazer aquilo que possa fazer o irmão fraco tropeçar ou se chatear sem necessidade (seguindo o princípio de São Paulo em 1Coríntios 8 e 10). Portanto, quando ele diz na Interrogação 228 que "já mostrou haver nítidas diferenças nestas questões", ele remete o leitor ao ensinamento de que não se pode transgredir a lei de Deus para evitar um escândalo, mas deve-se ter paciência e renúncia nas coisas secundárias para não ferir a consciência do próximo.

 

INTERROGAÇÃO 229

Devemos vencer a vergonha e confessar a todas as pessoas as ações proibidas que praticamos, ou apenas a algumas? E a quem devemos confessar?

 

RESPOSTA

A confissão dos pecados deve seguir a mesma regra que a revelação das doenças do corpo. As pessoas não mostram suas enfermidades físicas para qualquer um, nem para todos, mas apenas para aqueles que são peritos em curar. Da mesma forma, a confissão dos pecados deve ser feita àqueles que têm a capacidade de curar, como está escrito: “Vós, que sois fortes, deveis carregar as fraquezas dos fracos” (Rm 15,1) — isto é, com os vossos cuidados, ajudai a eliminá-las.

 

INTERROGAÇÃO 230

O que significa culto e culto racional?

 

RESPOSTA

A meu ver, o culto é a dedicação intensa, constante e firme àquilo que se adora. O Apóstolo Paulo nos mostra a diferença entre o culto racional e o não racional quando diz, por um lado: “Sabeis que, quando éreis pagãos, éreis levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados” (1Cor 12,2); e, por outro lado: “Apresentai os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12,1). Quem vai para onde é levado presta um culto irracional, porque não é guiado pela razão, mas sim movido por impulsos e pela vontade de outros. Essa pessoa segue sem pensar os desejos de quem a guia, e não o que ela própria quer consciente e sabiamente. Já quem segue a reta razão e uma boa vontade, com grande cuidado e buscando sempre praticar em tudo o que agrada a Deus, cumpre o mandamento do culto racional. Vive assim aquele que diz: “A tua palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho” (Sl 118,105), e também: “Os teus ensinamentos são os meus conselheiros” (Sl 118,24).

 

INTERROGAÇÃO 231

Se um irmão, ou até mesmo um sacerdote, me prejudica e age como meu inimigo, é permitido praticar com ele os mandamentos de Deus que falam sobre como tratar os inimigos?

 

RESPOSTA

O Senhor, ao dar os mandamentos sobre como tratar os inimigos, não fez distinção sobre quem é o inimigo nem sobre o tipo de inimizade. Pelo contrário, Ele mostrou que, para aqueles que ocupam uma posição superior, o mesmo pecado é ainda mais grave, ao dizer: “Por que olhas o cisco no olho do teu irmão e não reparas na trave que está no teu próprio olho?” (Mt 7,3). É preciso ter cuidado e atenção principalmente com esses, ou seja, com os que parecem ter uma posição mais elevada. Devemos ter com eles a devida consideração, seja consolando, seja repreendendo com a paciência necessária. Cumprindo tudo o mais segundo o mandamento do Senhor, permaneçamos irrepreensíveis também na forma de agir com eles.

 

INTERROGAÇÃO 232

Se uma pessoa for ofendida por outra, não contar para ninguém por paciência e mansidão, e preferir deixar o assunto para o julgamento de Deus, ela está agindo como Deus quer?

 

RESPOSTA

O Senhor disse, por um lado: “Se tendes algum ressentimento contra alguém, perdoai” (Mc 11,25). E, por outro lado: “Se o teu irmão pecar, vai e repreende-o a sós com ele. Se ele te ouvir, ganhaste o teu irmão. Se não te ouvir, leva contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda questão se resolva pelo depoimento de duas ou três testemunhas. Se ele se recusar a ouvi-los, dize-o à Igreja; e se recusar ouvir também a Igreja, considera-o como um pagão ou um cobrador de impostos” (Mt 18,15-17). Por isso, a pessoa ofendida deve mostrar o fruto da paciência orando a Deus por quem foi injusto, com amor verdadeiro e dizendo: “Senhor, não lhes leves em conta este pecado” (At 7,60), para não cair em julgamento por se irar contra o seu irmão. No entanto, é preciso aconselhar e corrigir quem cometeu a ofensa, para libertá-lo da ira de Deus. Se a pessoa que foi ofendida se omitir, ficar calada e usar a própria paciência como desculpa, ela comete um pecado duplo: Primeiro, porque desobedece ao mandamento que diz: “Repreende com firmeza o teu próximo, para que não te tornes culpado por causa dele” (Lv 19,17). Assim, torna-se cúmplice do pecado ao se calar. Segundo, porque deixa perecer no erro aquele irmão que poderia ter sido salvo pela correção, como o Senhor ordenou.

 

INTERROGAÇÃO 233

Se faltar a uma pessoa apenas uma das boas obras, será que por causa disso ela não vai se salvar?

 

RESPOSTA

Embora existam muitas passagens no Antigo e no Novo Testamento que nos mostram a resposta para isso, penso que para quem tem fé basta lembrar do que o Senhor disse a Pedro. Afinal, Pedro tinha praticado tantas e tão grandes boas obras, e já tinha recebido elogios e bênçãos da parte do Senhor. No entanto, por causa de uma única coisa em que pareceu desobedecer — e ele não fez isso por preguiça ou desprezo, mas por respeito e honra ao Senhor —, apenas por esse detalhe ouviu de Jesus: “Se eu não te lavar, não terás parte comigo” (Jo 13,8).

 

INTERROGAÇÃO 234

Como uma pessoa anunciará a morte do Senhor?

 

RESPOSTA

Como o próprio Senhor ensinou: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). E como o Apóstolo declarou ao afirmar: “O mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gl 6,14). Nós já prometemos isso antes do nosso batismo, pois a Escritura diz: “Todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte” (Rm 6,3). E o Apóstolo acrescenta, explicando o que significa ser batizado na morte do Senhor: “O nosso homem velho foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja destruído e não sejamos mais escravos do pecado” (Rm 6,6). Portanto, livres do amor excessivo a esta vida, tornamo-nos dignos do testemunho do Apóstolo, que diz: “Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3,3). Assim, poderemos dizer com toda a confiança: “Vem o príncipe deste mundo, e ele não tem nenhum poder sobre mim” (Jo 14,30).

 

INTERROGAÇÃO 235

Se é útil aprender bem e em detalhes muitas coisas das Escrituras.

 

RESPOSTA

Existem duas categorias principais de pessoas, conforme os diferentes dons de Deus: aqueles que lideram os outros e aqueles que têm o dever de ouvir e obedecer. Por isso, penso que aquele que é responsável por guiar e cuidar de muitos deve saber e conhecer exatamente tudo o que é necessário para todos, a fim de ensinar a vontade de Deus e mostrar a cada um o seu dever. Já os demais devem se lembrar do que diz o Apóstolo: “Ninguém tenha de si mesmo uma opinião maior do que deve ter, mas pense de forma modesta, de acordo com a medida da fé que Deus lhe deu” (Rm 12,3). Esses devem aprender com dedicação aquilo que diz respeito às suas próprias responsabilidades e colocá-lo em prática, sem se preocupar com o restante. Assim, se tornarão dignos de ouvir do Senhor: “Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel no pouco, eu te confiarei muito” (Mt 25,21).

 

1.                  O que você destaca no texto?

2.                  Como serve para a sua espiritualidade?

3.                  De que forma esse texto desafia ou fortalece a nossa missão e os nossos valores aqui na OESI?

 

 

domingo, 19 de julho de 2026

319 - SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 205-222

 

Demétrius, Victor Hugo, Kris, Leopoldo e Edson




319

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 205-222

 

 

INTERROGAÇÃO 205

Quem são os "pobres de espírito" mencionados em Mateus 5,3?

 

Resposta O Senhor diz que as palavras que Ele nos transmite são "espírito e vida" (Jo 6,63) e que o Espírito Santo nos ensinará tudo o que Ele nos disse (Jo 14,26), pois o Espírito não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir do Pai (Jo 16,13). Portanto, "pobres de espírito" são aqueles que se tornaram pobres motivados unicamente pela doutrina do Senhor, que ordenou: "Vai, vende os teus bens, dá-os aos pobres" (Mt 19,21). No entanto, se alguém aceitar a pobreza que lhe sobrevier por qualquer outra circunstância da vida, mas a orientar para a vontade do Senhor — a exemplo de Lázaro —, essa pessoa também não está excluída dessa bem-aventurança.

 

INTERROGAÇÃO 206

O Senhor ordena que não nos inquietemos com o que comeremos, beberemos ou vestiremos (Mt 6,31). Até onde vai esse mandamento e como devemos praticá-lo?

 

Resposta Este mandamento, como todos os outros do Senhor, estende-se até o momento da morte (cf. Fl 2,8), pois o próprio Senhor obedeceu até à morte. A prática desse mandamento se realiza por meio da confiança plena em Deus. Após proibir a ansiedade, o Senhor nos dá uma promessa de segurança, ao declarar: "Vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso" (Mt 6,32). Assim era o Apóstolo, que dizia: "Sentimos dentro de nós a sentença de morte; isso aconteceu para que aprendêssemos a não confiar em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos" (2 Coríntios 1,9). Pela sua disposição e prontidão de espírito, ele morria todos os dias; contudo, era preservado pela bondade de Deus. Por isso, afirmava com plena confiança: "Somos vistos como quem está morrendo, embora estejamos vivos" (2 Coríntios 6,9). Esse propósito é fortalecido por um zelo ardente e por um desejo insaciável de cumprir os mandamentos do Senhor. Quando esses sentimentos predominam em alguém, eles não permitem que a pessoa se distraia com as preocupações e necessidades do corpo.

 

INTERROGAÇÃO 207

Uma vez que não devemos nos inquietar com o nosso próprio sustento, e considerando que há outro mandamento que diz: "Trabalhai, não pela comida que perece" (Jo 6,27), seria supérfluo trabalhar?

 

Resposta O próprio Senhor explicou o sentido desse mandamento em outras passagens.

Primeiramente, ao proibir a preocupação com o sustento — dizendo: "Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que se preocupam com tudo isso" (Mt 6,31-32) —, Ele nos ordenou: "Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça" (Mt 6,33). Ele deixou claro que esse Reino deve ser buscado por meio de ações dignas. Ao proibir o trabalho focado apenas na sobrevivência pessoal (alimento perecível), Ele nos ensinou a trabalhar pelo alimento que permanece para a vida eterna. O próprio Jesus revelou isso ao dizer: "Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou" (Jo 4,34). Sendo a vontade de Deus que alimentemos o faminto, que demos de beber ao sedento e que vistamos o que está nu (Mt 25,35-36), devemos imitar o Apóstolo Paulo, que afirmou: "Em tudo vos tenho mostrado que, trabalhando assim, convém acudir aos fracos" (At 20,35). Devemos obedecer ao que ele ensina: "Trabalhe, executando com as próprias mãos o que é bom, para ter com que socorrer os necessitados" (Ef 4,28). Portanto, esta instrução do Senhor, tanto no Evangelho quanto nos ensinamentos dos Apóstolos, nos mostra que é proibido viver preocupado consigo mesmo ou trabalhar apenas para o próprio benefício. Segundo o mandamento do Senhor, devemos trabalhar e nos dedicar às necessidades do próximo. Isso é especialmente importante porque o Senhor considera como feitas a Ele mesmo todas as atenções prestadas aos que sofrem, prometendo, por causa disso, o Reino dos Céus.

 

NTERROGAÇÃO 208

A Ascese do silêncio contínuo é sempre algo bom?

 

Resposta A utilidade do silêncio depende do momento e da pessoa, como aprendemos nas Escrituras. Quanto ao momento: O profeta diz: "Por isso, o prudente se cala neste tempo, porque é tempo mau" (Amós 5,13); e o salmista afirma: "Porei um freio em minha boca enquanto o ímpio estiver diante de mim" (Salmo 39,1). Quanto à pessoa: O Apóstolo orienta que, se alguém estiver falando e outro receber uma revelação, o primeiro deve calar-se (1 Coríntios 14,30). Ele também instrui que as mulheres devem manter-se caladas nas assembleias (1 Coríntios 14,34). Além disso, para aqueles que não conseguem controlar a língua — e, portanto, falham em seguir o mandamento: "Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas apenas palavras boas que sirvam para a edificação da fé" (Efésios 4,29) —, o silêncio total é necessário. Essa prática deve ser mantida até que eles se curem do vício da fala imprudente. Assim, aprenderão, através da abstinência, o momento certo, o conteúdo adequado e a maneira correta de falar, para que suas palavras sejam, de fato, um benefício para quem as ouve.

 

INTERROGAÇÃO 209

Como podemos desenvolver o temor aos juízos de Deus?

 

Resposta O medo surge naturalmente quando esperamos que algo ruim aconteça. É assim que tememos as feras ou os governantes, quando receamos algum dano vindo deles. Da mesma forma, se alguém crê profundamente que as advertências do Senhor são verdadeiras e reflete sobre o que significará vivenciar a severidade dessas promessas, naturalmente temerá os juízos de Deus.

 

INTERROGAÇÃO 210

O que constitui uma vestimenta decente, segundo o ensinamento do Apóstolo?

 

Resposta Para vestir-se de maneira honesta e adequada ao seu propósito de vida, deve-se considerar o contexto: o tempo, o lugar, a pessoa e a necessidade. A própria lógica desaconselha o uso da mesma roupa no inverno e no verão, ou o mesmo hábito para quem está trabalhando e para quem está descansando. Da mesma forma, o vestuário deve ser apropriado conforme a função e a identidade de cada um — seja servo ou senhor, soldado ou civil, homem ou mulher.

 

INTERROGAÇÃO 211

Qual é a medida do amor a Deus?

 

Resposta A medida do amor a Deus é a disposição constante da alma em realizar a vontade dEle, sempre com o máximo esforço — indo além de nossas próprias forças —, tendo como único foco e desejo a Sua glória.

 

INTERROGAÇÃO 212

Como alcançar a verdadeira caridade (amor) para com Deus?

 

Resposta Alcançamos esse amor quando, agindo com prudência e uma consciência reta, nos deixamos tocar pelos benefícios que Ele nos concede. Isso é algo que até os seres irracionais compreendem: observamos que até os cães demonstram afeição por aqueles que lhes garantem o sustento. Aprendemos isso também pela repreensão do profeta Isaías, que diz: "Criei filhos e os enaltecí, mas eles se revoltaram contra mim. O boi conhece o seu dono, e o asno, a manjedoura de quem o alimenta; mas Israel não conhece nada, e o meu povo não tem entendimento" (Isaías 1,2-3). Assim como o boi e o asno sentem, por instinto, afeição por quem os alimenta — por causa do benefício recebido —, da mesma forma, se estivermos atentos e formos prudentes, como não amaríamos a Deus, o autor de tantas e tão grandes bênçãos? Afinal, em uma alma que está saudável, essa disposição de gratidão é algo quase inato, algo que surge naturalmente, mesmo sem que um mestre precise nos ensinar.

 

INTERROGAÇÃO 213

Quais são os sinais da verdadeira caridade (amor) para com Deus?

 

Resposta O próprio Senhor nos ensinou o sinal principal: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos" (João 14,15).

 

INTERROGAÇÃO 214

Qual é a diferença entre benignidade e bondade?

 

Resposta Ao observarmos os Salmos e Jeremias, vemos que o termo "benigno" é usado de forma mais ampla, referindo-se àquele que se compadece e estende ajuda a qualquer pessoa necessitada (cf. Sl 145,9; 112,5). Já a "bondade" parece ser mais específica, aplicada quando alguém age com benevolência guiado por critérios de justiça e retidão (cf. Sl 125,4; Lm 3,25).

 

INTERROGAÇÃO 215

Quem é o "pacífico" que o Senhor chama de bem-aventurado?

 

Resposta É aquele que colabora com a obra de Deus, agindo como embaixador de Cristo para promover a reconciliação entre as pessoas e o Criador (2 Coríntios 5,20). Esse pacífico é aquele que, tendo sido justificado pela fé, vive a verdadeira paz com Deus (Romanos 5,1). Essa paz é diferente da paz que o mundo oferece, pois foi o próprio Cristo quem disse: "Dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá" (João 14,27).

 

INTERROGAÇÃO 216

Em que aspectos devemos nos converter e nos tornar como crianças (Mateus 18,3)?

 

Resposta O próprio Evangelho esclarece o motivo: devemos renunciar à busca por privilégios ou superioridade, reconhecendo a igualdade de natureza entre todos e tratando com simplicidade aqueles que parecem inferiores a nós. As crianças agem assim entre si, enquanto ainda não foram corrompidas pela malícia do convívio social.

 

INTERROGAÇÃO 217

Como receber o Reino de Deus "como uma criança"?

 

Resposta Devemos nos comportar diante da doutrina do Senhor da mesma maneira que as crianças se comportam diante de seus professores: sem contradizer ou discutir as lições, mas recebendo as instruções com fé, docilidade e obediência sincera.

 

INTERROGAÇÃO 218

Que tipo de entendimento devemos pedir a Deus e como nos tornamos dignos de recebê-lo?

 

Resposta Deus mesmo nos ensina pelo profeta o que é o verdadeiro entendimento: "Não se orgulhe o sábio do seu saber, nem o forte de sua força, nem o rico de sua riqueza! Mas quem quiser vangloriar-se, glorie-se de possuir inteligência e de saber que Eu sou o Senhor" (Jeremias 9,23-24). O Apóstolo reforça: "Procurai compreender qual é a vontade de Deus" (Efésios 5,17). Tornamo-nos dignos desse entendimento quando atendemos ao chamado: "Parai e reconhecei que Eu sou Deus" (Salmo 46,10), e quando acreditamos firmemente que toda palavra de Deus é verdadeira, lembrando o que está escrito: "Se não crerdes, não subsistireis" (Isaías 7,9).

 

 

 

INTERROGAÇÃO 219

Quando recebemos um benefício de alguém, como podemos oferecer a Deus uma ação de graças pura, total e equilibrada?

 

Resposta Oferecemos essa gratidão quando estamos convictos de que Deus é a fonte de todo bem e Aquele que o realiza. Devemos reconhecer que a pessoa que nos prestou o serviço é, na verdade, um instrumento, um "ministro" do benefício que Deus nos enviou.

 

INTERROGAÇÃO 220

Deve-se permitir que qualquer pessoa tenha um encontro com as irmãs? Quem, quando e como se deve falar com elas?

 

Resposta Este tema já foi abordado anteriormente: ninguém deve buscar um encontro com outra pessoa por vontade própria, ao acaso ou sem um motivo claro. Deve-se haver um exame prévio para garantir que o encontro seja proveitoso para quem ajuda e para quem é ajudado — e esse cuidado deve ser redobrado quando se trata de um encontro com uma mulher. Aquele que se recorda do aviso do Senhor — "No dia do juízo, os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido" (Mateus 12,36) — teme essa sentença e obedece à orientação apostólica: "Quer comais, ou bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (1 Coríntios 10,31) e "tudo se faça para a edificação" (1 Coríntios 14,26). Portanto, nada deve ser feito de modo ocioso ou inútil.  Quanto ao quem, quando e como: escolha-se sempre um tempo, um lugar e uma companhia que não deem margem a qualquer suspeita. O encontro deve ter como objetivo a edificação da fé e ser realizado com cautela para não causar escândalo. Não é sensato que uma pessoa esteja a sós com outra; a Escritura nos lembra: "Melhor dois do que um" (Eclesiástico 4,9), pois oferecem mais segurança e testemunho. Como diz o mesmo texto: "Ai do que está só, porque, quando cair, não tem quem o levante" (Eclesiástico 4,10).

 

INTERROGAÇÃO 221

Como o Senhor nos ensinou a orar para não cairmos em tentação, devemos pedir especificamente para não sofrermos dores físicas? E, se as dores surgirem, como devemos suportá-las?

 

Resposta O Senhor não especificou quais tipos de tentações devemos evitar, mas deu uma ordem geral: "Orai para que não caiais em tentação" (Lucas 22,40). Por isso, aquele que se encontra diante de uma prova ou dor deve pedir a Deus que lhe conceda um meio de escapar dela, ou, caso não seja possível, que lhe dê forças para suportá-la. O objetivo é cumprir o que está escrito: "Aquele que perseverar até o fim, será salvo" (Mateus 24,13).

 

INTERROGAÇÃO 222

Quem é o nosso "adversário" e de que maneira devemos "concordar" com ele?

 

Resposta Nesta passagem, o Senhor chama de "adversário" aquele que tenta nos retirar algo que consideramos de nosso interesse. Nós "concordamos" com ele quando seguimos o mandamento do Senhor: "Se alguém te levar ao tribunal para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa" (Mateus 5,40). Devemos agir da mesma forma em todas as situações semelhantes.

 

1.         O que você destaca no texto?

2.         Como serve para a sua espiritualidade?

3.         De que forma esse texto desafia ou fortalece a nossa missão e os nossos valores aqui na OESI?

segunda-feira, 13 de julho de 2026

318 - SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 185-204

 


Irmã Kris, Frei Leopoldo, Irmão Ganisson e irmão Edson


318

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 185-204

 

 INTERROGAÇÃO 185

Se alguém, ao notar que suas palavras tocaram os ouvintes, sente alegria, como poderá discernir se esse regozijo provém de uma boa disposição ou de um amor-próprio vicioso?

Resposta

Se a sua satisfação repousa unicamente nos elogios, é evidente que se trata de amor-próprio vicioso. Contudo, se você se alegra ao perceber que aqueles que o exaltam compreenderam prontamente a mensagem, vislumbrando ali a semente da obediência; e se, na sequência, se alegra por verificar — zeloso pelo bem alheio — que as obras deles estão em harmonia com os louvores proferidos; ou ainda, se ao notar que os elogios não geraram proveito algum, você se entristece: então, dê graças a Deus. Pois, nesses casos, seus sentimentos são dignos de um amigo de Deus e dos irmãos, uma vez que não buscou a glória própria, mas sim a glória do Senhor e a edificação do próximo.

 

INTERROGAÇÃO 186

Tendo sido instruídos a cultivar um amor tamanha, a ponto de dar a vida pelos amigos, queremos saber por quais amigos devemos estar dispostos a tal sacrifício.

Resposta

            É preciso compreender que existem diferenças na atitude e no modo como esse sacrifício se concretiza: certas ações devem ser empreendidas em favor dos pecadores, enquanto outras são devidas aos justos. Contudo, fomos ensinados a manifestar, sem distinção, um amor que vá até a morte, tanto pelos justos quanto pelos pecadores. Como está escrito: "Deus prova o seu amor para conosco, porque Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores" (Rm 5, 8-9). Por outro lado, o Apóstolo diz aos santos: "Como uma mãe que cuida com ternura dos filhos que amamenta, assim, em nossa afeição por vós, desejávamos não apenas vos comunicar o Evangelho de Deus, mas dar a própria vida, porquanto nos sois muito queridos" (1Ts 2, 7-8).

 

INTERROGAÇÃO 187

Se todos devem receber algum auxílio de seus parentes carnais.

Resposta

É necessário que os parentes entreguem àqueles que se aproximam do Senhor o que lhes é de direito, sem nada subtrair, para que não incorram na sentença de sacrilégio. No entanto, o fato de os bens serem gastos à vista daqueles a quem parecem pertencer torna-se, com frequência, um pretexto de orgulho para estes e, para os pobres que abraçaram o mesmo gênero de vida, uma ocasião de tristeza. Ocorre, então, aquilo que o Apóstolo censura nos coríntios ao perguntar: "Porventura quereis envergonhar os que nada têm?" (1Cor 11,22). Por isso, se o responsável pelas igrejas do lugar for um administrador fiel e prudente, deve-se proceder conforme relatado nos Atos dos Apóstolos: "Traziam e depositavam [os bens] aos pés dos apóstolos" (At 4,35). Caso nem todos sejam aptos a administrar tais recursos, mas somente os encarregados, caberá a estes — após serem devidamente examinados — dispor do que lhes for entregue da maneira que julgarem mais justa e conveniente.

 

INTERROGAÇÃO 188

Como devemos receber os antigos companheiros ou os parentes que nos vêm visitar?

Resposta

Devemos proceder conforme o exemplo e o ensinamento do Senhor. Quando lhe anunciaram: "Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e desejam ver-te" (Lc 8,20), Ele respondeu com palavras severas: "Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? Todo aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe" (Mt 12,48-50).

 

INTERROGAÇÃO 189

Devemos ouvi-los caso queiram, por meio de exortações, induzir-nos a retornar para casa?

Resposta

Se o intuito for edificar o próximo na fé, aquele que for capaz de cumprir tal missão poderá ser enviado, após ser devidamente experimentado. Contudo, se o motivo for meramente por afeição humana, recorde-se do que o Senhor respondeu àquele que lhe disse: "Permite primeiro que eu me despeça dos que estão em casa". Ele respondeu: "Aquele que põe a mão no arado e olha para trás não é apto para o Reino de Deus" (Lc 9,61-62). Se esta é a sentença para quem apenas desejava despedir-se, que dizer daquele que cogita retornar?

 

INTERROGAÇÃO 190

Devemos compadecer-nos dos parentes carnais e desejar a sua salvação?

Resposta

Aquele que nasceu do Espírito, conforme a palavra do Senhor (Jo 3,8), e recebeu o poder de se tornar filho de Deus (Jo 1,12), deixa de considerar o parentesco carnal como seu foco, reconhecendo como verdadeiros familiares aqueles que estão próximos na fé. Sobre estes, o Senhor atesta: "Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam" (Lc 8,21). Contudo, cumpre compadecer-se de todos os que estão distantes do Senhor, sejam parentes carnais ou não. Se alguém, nutrindo maior afeição pelos seus, julga ter no Apóstolo um patrono para tal sentimento — ao dizer ele: "Porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, que são da minha raça segundo a carne" (Rm 9,3) — deve compreender, pela sequência do texto, que o Apóstolo não exalta o laço sanguíneo em si, mas a Israel e aos privilégios concedidos por Deus. Ele não se refere aos israelitas por serem meramente de sua raça, mas porque foram honrados com tantos e tão grandiosos benefícios divinos: "Porque deles é a adoção, a glória, a aliança, a legislação, o culto, as promessas e os patriarcas; e deles descende o Cristo segundo a carne" (Rm 9,4-5). É por tudo isto que ele dá tamanha importância à salvação deles: não por causa do parentesco, mas em razão da encarnação do Senhor, realizada em favor daquele povo. Afinal, o próprio Cristo disse: "Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel" (Mt 15,24).

 

INTERROGAÇÃO 191

O que significa ser manso?

Resposta

Significa manter a constância inabalável no propósito de agradar a Deus.

 

NTERROGAÇÃO 192

Qual é a tristeza segundo Deus e qual é a tristeza segundo o mundo?

Resposta

A tristeza segundo Deus ocorre quando alguém se angustia ao ver o mandamento divino sendo desprezado, conforme está escrito: "Um ardor de indignação apodera-se de mim por causa dos ímpios que abandonam a vossa Lei" (Sl 118,53). Já a tristeza segundo o mundo é aquela cuja causa é puramente humana ou mundana.

 

INTERROGAÇÃO 193

O que é o júbilo no Senhor e por quais das nossas ações devemos nos alegrar?

Resposta

O júbilo no Senhor consiste em alegrar-se com o que é realizado segundo o mandamento divino e para a glória de Deus. Portanto, devemos nos rejubilar e nos congratular mutuamente sempre que colocarmos em prática os preceitos do Senhor ou sofrermos algum padecimento em Seu nome.

 

INTERROGAÇÃO 194

De que modo devemos chorar para sermos dignos da bem-aventurança?

Resposta

Esta questão encontra-se implícita na que trata da tristeza segundo Deus. Choramos de maneira digna quando nossas lágrimas brotam da contrição pelos pecados — seja pela ofensa cometida contra o Senhor, uma vez que a transgressão da lei O desonra, seja por compaixão por aqueles que perecem no pecado. Pois está escrito: "A alma que pecar, essa morrerá" (Ez 18,4). Devemos, portanto, imitar aquele que disse: "Terei de chorar por muitos daqueles que pecaram anteriormente" (2Cor 12,21).

 

INTERROGAÇÃO 195

Como alguém pode fazer tudo para a glória de Deus?

Resposta

Alguém realiza tudo para a glória de Deus quando age segundo o Seu mandamento e, em nada, busca ou considera os louvores dos homens. Em todos os momentos, deve-se manter presente a advertência do Senhor: "Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus" (Mt 5,16).

 

INTERROGAÇÃO 196

Como alguém pode comer e beber para a glória de Deus?

Resposta

Pode fazê-lo ao manter viva a lembrança do seu Benfeitor e ao adotar tal disposição de ânimo que até a postura do corpo ateste que não se alimenta despreocupadamente, mas consciente de ter Deus como espectador. Além disso, o propósito da refeição não deve ser o prazer — para não se tornar escravo do próprio ventre —, mas sim o sustento de um operário de Deus, buscando o vigor necessário para realizar as obras conforme o mandamento de Cristo.

 

INTERROGAÇÃO 197

Como agirá a mão direita de modo que a esquerda não o saiba?

Resposta

A mão direita age sem que a esquerda o saiba quando a mente está inteiramente ocupada em não falhar no seu dever, movida por um desejo estável e veemente de agradar a Deus, combatendo de maneira legítima. Nesse estado, o espírito não se detém em reflexões sobre si mesmo, nem sobre qualquer outro membro, concentrando-se apenas naquilo que é útil para a execução do projeto; tal como o artífice, durante o trabalho, volta o seu olhar unicamente para a ferramenta necessária à sua atividade.

 

INTERROGAÇÃO 198

O que é a humildade e como a alcançaremos?

Resposta

A humildade consiste em considerar todos os outros como superiores a si mesmo, conforme a orientação do Apóstolo (Fl 2,3). Pode praticá-la, primeiramente, aquele que mantém viva a memória do mandamento do Senhor: "Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração" (Mt 11,29) — lição que Ele demonstrou e ensinou de múltiplas formas e em diversas ocasiões. Além disso, alcança-a quem crê verdadeiramente na promessa divina: "Todo aquele que se humilhar será exaltado" (Lc 14,11).

 

INTERROGAÇÃO 199

Como poderá alguém estar inteiramente pronto para enfrentar até mesmo os perigos, por causa do mandamento do Senhor?

Resposta

Alguém alcança essa disposição, primeiramente, ao manter viva a lembrança de que o Senhor, por amor a nós, obedeceu ao Pai até à morte (Fl 2,8). Em seguida, ao estar convicto da força do mandamento, que é vida eterna, conforme está escrito (Jo 12,50). Finalmente, ao depositar absoluta fé no que disse o Senhor: "Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á" (Mc 8,35).

 

INTERROGAÇÃO 200

Como poderão aqueles que, por longo tempo, já se dedicaram à obra de Deus, ajudar os recém-chegados?

Resposta

Se possuírem vigor físico, devem demonstrar um zelo incansável e apresentar-se como modelos de toda boa obra. Se, contudo, estiverem enfermos, devem manter tal disposição de ânimo que demonstrem, em sua fisionomia e em todos os seus movimentos, a profunda convicção de que Deus os vê e a certeza da presença (parusia) do Senhor. Devem, ainda, manifestar as qualidades da caridade enumeradas pelo Apóstolo: "A caridade é paciente, a caridade é benigna. A caridade não é invejosa, não se ufana, não se ensoberbece. Não faz nada de inconveniente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade jamais acabará" (1Cor 13,4-8). Todas essas virtudes podem ser praticadas mesmo em um corpo enfermo.

 

NTERROGAÇÃO 201

Como poderá alguém manter-se plenamente atento durante a oração?

Resposta

Mantendo a convicção de que Deus está diante de seus olhos. Se aquele que contempla um príncipe ou uma autoridade, ao conversar com tal personalidade, mantém o olhar fixo e atento, quanto mais aquele que ora a Deus deve conservar a mente voltada para Aquele que perscruta os corações e os rins! Assim, cumprirá o que está escrito: "Levantando mãos puras, sem ressentimento e sem contenda" (1Tm 2,8).

 

INTERROGAÇÃO 202

É possível manter-se, em todas as circunstâncias e de forma ininterrupta, livre de distrações? Se sim, como realizar tal propósito?

Resposta

A possibilidade de alcançar tal estado é demonstrada por aquele que afirmou: "Meus olhos estão sempre fixos no Senhor" (Sl 24,15) e: "Ponho sempre o Senhor diante de mim; com Ele à minha direita, não vacilarei" (Sl 15,8). Anteriormente, expusemos o modo de realizá-lo: a alma jamais deve cessar de meditar em Deus, em Suas obras e em Seus dons, permanecendo sempre em atitude de confissão e gratidão por tudo.

 

INTERROGAÇÃO 203

Na realização dos mandamentos do Senhor, existe uma única medida para todos, ou alguns possuem uma proporção maior e outros, menor?

Resposta

Evidencia-se que a medida não é a mesma para todos; a um é confiado mais, a outro menos, conforme as palavras do Senhor. Ele declara: "A semente que caiu em terra boa é aquele que ouve a palavra, compreende-a e produz fruto: cem por um, sessenta por um, trinta por um" (Mt 13,23), o que também se observa na parábola daqueles que receberam as minas (Lc 19,16). E, em outra ocasião, afirma: "A um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um" (Mt 25,15).

 

INTERROGAÇÃO 204

Como alguém se tornará apto a participar do Espírito Santo?

Resposta

Nosso Senhor Jesus Cristo o ensinou ao dizer: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Advogado, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber" (Jo 14,15-17). Portanto, enquanto não guardarmos todos os mandamentos do Senhor, nem pudermos receber d'Ele o testemunho de que "não sois do mundo" (Jo 15,19), não devemos esperar que nos tornaremos aptos a receber o Espírito Santo.

 

1.         O que você destaca no texto?

2.         Como serve para a sua espiritualidade?

3.         De que forma esse texto desafia ou fortalece a nossa missão e os nossos valores aqui na OESI?

sábado, 27 de junho de 2026

317 - SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 167-184

 

Frei Isaac, Genisson, Demetrius, Nathalie, Rodrigo, Edson e Marisa


 

317

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 167-184

 

Pergunta 169

Como deve agir um irmão mais novo quando precisar orientar alguém mais velho?

Resposta

Deve agir encarando sua orientação como uma missão dada por Deus. Ele deve realizá-la com muito cuidado e seriedade, temendo a advertência bíblica: "Maldito aquele que faz o trabalho do Senhor com desleixo" (Jeremias 48:10). Além disso, deve agir com humildade, para não se tornar orgulhoso e acabar caindo na mesma condenação que o diabo (1 Timóteo 3:6).

 

Pergunta 170

Devemos tratar da mesma forma aqueles que agem corretamente e aqueles que não agem tão bem?

Resposta

Acredito que, para tratar de todos, devemos seguir o que o Senhor ensinou sobre o perdão dos pecados: "Seus muitos pecados foram perdoados, porque ela demonstrou muito amor. Mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama" (Lucas 7:47). Devemos seguir também a instrução do Apóstolo sobre os líderes da igreja: "Os líderes que cumprem bem a sua função são dignos de receber honra em dobro, especialmente aqueles que se dedicam à pregação e ao ensino" (1 Timóteo 5:17). Portanto, na minha visão, devemos aplicar esse mesmo critério em todas as situações semelhantes.

 

Pergunta 171

Como devemos tratar um subordinado que se sente chateado por alguém mais piedoso ser preferido a ele?

Resposta

Essa atitude é claramente reprovável por causa da inveja, conforme a parábola do Evangelho, na qual o Senhor responde àqueles que ficaram tristes porque outros receberam o mesmo prêmio que eles: "Acaso você está com inveja porque eu sou bom?" (Mateus 20:15). Deve-se deixar claro para ele e para os que pensam da mesma forma o que Deus diz através do profeta: "Ele despreza o perverso, mas honra os que temem ao Senhor" (Salmo 15:4).

 

Pergunta 172

Com que temor, convicção e atitude devemos receber o corpo e o sangue de Cristo?

Resposta

Sobre o temor, o Apóstolo nos ensinou ao dizer: "Aquele que come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe a própria condenação" (1 Coríntios 11:29).

Sobre a convicção, ela nasce da fé nas palavras do Senhor, que disse: "Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim" (Lucas 22:19). Ela vem também do testemunho de João, que narra a glória de Deus e o modo como ele se tornou homem: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória..." (João 1:14). E do Apóstolo, que escreveu sobre Cristo: "Sendo ele de condição divina, não se apegou a essa igualdade com Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens" (Filipenses 2:6-7). Quando a alma acredita nestas palavras, ela compreende a grandeza da glória de Deus e se admira diante de tanta humildade e obediência. Ele, sendo tão grande, obedeceu ao Pai até a morte para nos dar a vida.

Sobre a atitude, acredito que a pessoa deve se aproximar com amor a Deus, o Pai, que "não poupou o seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós" (Romanos 8:32), e com amor ao seu Filho, que obedeceu até a morte para nossa salvação. Assim, poderá seguir a regra do Apóstolo: "O amor de Cristo nos impulsiona, considerando que, se um só morreu por todos, todos morreram. Cristo morreu por todos, para que os que vivem já não vivam para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou" (2 Coríntios 5:14-15). Esta é a atitude e a preparação adequada para quem participa do pão e do cálice.

 

Pergunta 173

É permitido conversar sobre assuntos comuns durante o momento da salmodia (oração cantada) em casa?

Resposta

Não convém. A única exceção é para aqueles que possuem a responsabilidade de organizar as atividades e garantir a ordem, caso surja uma necessidade urgente. Mesmo assim, isso não deve ser feito de qualquer jeito, mas com respeito ao local, à disciplina e à reverência, evitando causar qualquer escândalo. Para todos os outros, o silêncio é obrigatório. Se, até mesmo durante uma pregação e entre aqueles que têm o dom de ensinar, o Apóstolo orienta que "se algo for revelado a outro, o primeiro deve calar-se" (1 Coríntios 14:30), quanto mais o silêncio não é necessário para todos os demais durante o tempo da salmodia?

 

Pergunta 174

Como alguém pode praticar os mandamentos do Senhor com ânimo e grande desejo?

Resposta

Por natureza, nossa alma tende a desejar aquilo que consideramos agradável, útil ou que esperamos que nos faça bem. Por isso, para ter esse desejo pelos mandamentos, é preciso primeiro "odiar a iniquidade" (Salmo 119:163) e purificar-se de todo pecado. O pecado age como uma doença: assim como um corpo doente perde o apetite e sente repulsa pela comida, a alma carregada de pecado sente preguiça e lentidão para cumprir os ensinamentos de Deus. Quando a pessoa se limpa do pecado e se convence de que os mandamentos de Deus são o caminho para a vida eterna — e que as promessas de Deus são totalmente confiáveis — ela passa a ter a mesma atitude daquele que disse: "Os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente justos. São mais desejáveis que o ouro, até mesmo que muito ouro fino, e são mais doces que o mel, que o puro mel dos favos. Por isso, o vosso servo os guarda com todo o cuidado" (Salmo 19:9-11).

 

Pergunta 175

Como podemos demonstrar que amamos o irmão conforme o mandamento do Senhor, e como podemos saber se não o amamos desta forma?

Resposta

O amor verdadeiro (caridade) possui dois sinais principais: preocupar-se e entristecer-se com aquilo que prejudica a pessoa amada, e alegrar-se com o seu bem-estar, esforçando-se para ajudá-la. É feliz aquele que chora pelo irmão que peca, pois o seu perigo é grave; e aquele que se alegra com quem age corretamente, pois a sua recompensa é incomparável, como está escrito. O Apóstolo Paulo confirma isso ao dizer: "Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os membros se alegram com ele" (1 Coríntios 12:26), sempre seguindo o princípio do amor em Cristo. Quem não possui esse sentimento, certamente não ama o seu irmão como deveria.

 

Pergunta 176

Quais inimigos temos o dever de amar? Como devemos amá-los: apenas ajudando-os ou também com sentimentos? E isso é possível?

Resposta

O inimigo é, por natureza, alguém que busca prejudicar e armar ciladas. Qualquer um que cause dano a outro pode ser considerado um inimigo, especialmente quem vive na prática do pecado, pois prejudica de diversas formas aqueles que convivem com ele. Como o ser humano é composto de corpo e alma, devemos amá-los destas duas formas: Quanto à alma: Amamos ao repreender, aconselhar e fazer de tudo para levá-los à conversão. Quanto ao corpo: Amamos ao oferecer ajuda e benefícios caso lhes falte o necessário para viver. O amor verdadeiro depende da disposição do nosso coração. O Senhor nos mostrou que isso é possível através do seu próprio exemplo: Ele demonstrou amor e obediência ao Pai ao morrer pelos seus inimigos, e não apenas pelos seus amigos. Como testemunha o Apóstolo: "Mas Deus prova o seu amor para conosco, pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5:8-9). Ele nos exorta a fazer o mesmo: "Sejam, pois, imitadores de Deus, como filhos amados. Vivam em amor, como Cristo que nos amou e se entregou por nós" (Efésios 5:1-2). Deus, sendo bom e justo, não nos daria esse mandamento se não fosse possível cumpri-lo; Ele o tornou parte da nossa própria natureza. Afinal, até os animais amam naturalmente quem lhes faz o bem. Além disso, que amigo nos daria um benefício tão grande quanto os nossos inimigos? Eles nos proporcionam a chance de alcançar a bem-aventurança que o Senhor anunciou: "Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem, e vos perseguirem, e disserem todo o mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus" (Mateus 5:11-12).

 

Pergunta 177

Como os mais fortes devem "carregar as fraquezas dos fracos" (Romanos 15:1)?

Resposta

"Carregar" aqui pode ser entendido no sentido de eliminar e curar. É como está escrito sobre Cristo: "Ele tomou sobre si as nossas fraquezas e carregou com as nossas dores" (Isaías 53:4). Isso não significa que Ele tenha assumido essas fraquezas para si, mas que Ele curou aqueles que estavam doentes. Da mesma forma, esse ensinamento se aplica ao modo como ajudamos uns aos outros: os mais fortes devem cuidar dos mais fracos, auxiliando-os no processo de cura e de superação de suas dificuldades, com paciência e dedicação.

 

Pergunta 178

O que significa a passagem: "Ajuda-vos uns aos outros a levar os vossos fardos" (Gálatas 6:2)? E qual lei cumprimos ao fazer isso?

Resposta

O significado é o mesmo que explicamos anteriormente. O "fardo" pesado é, na verdade, o pecado, que arrasta a alma para a perdição. Nós "tiramos" ou "apagamos" o pecado dos outros quando ajudamos esses pecadores a se arrependerem e buscarem a conversão. O uso da palavra "levar" no texto, em vez de "tirar", era uma forma comum de falar entre os habitantes daquela região. Ao fazer isso, cumprimos a lei de Cristo, que disse: "Não vim chamar os justos ao arrependimento, mas sim os pecadores" (Lucas 5:32). Além disso, obedecemos à regra que Ele nos deixou: "Se o teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste o teu irmão" (Mateus 18:15).

 

Pergunta 179

Como é possível que alguém que não possui o amor verdadeiro (caridade) tenha fé suficiente para mover montanhas, dê todos os seus bens aos pobres ou até entregue o próprio corpo para ser queimado?

Resposta

Se lembrarmos do que o Senhor disse sobre aqueles que fazem boas obras apenas "para serem vistos pelos homens" (Mateus 6:5), e da resposta que Ele dará aos que disserem: "Senhor, não profetizamos nós em teu nome, não expulsamos demônios e não fizemos muitos milagres?" (Mateus 7:22) — quando Ele dirá que não os conhece — entenderemos facilmente a questão. Eles não mentiram sobre os milagres, mas usaram os dons de Deus para satisfazer a própria vontade, o que é contrário ao amor de Deus. Não é de se espantar que alguém indigno receba um dom de Deus. Como Deus é bom e paciente, Ele faz o sol nascer sobre os bons e sobre os maus (Mateus 5:45). Muitas vezes, Ele concede esses dons para o bem da própria pessoa, esperando que, ao ver a bondade de Deus, ela se sinta inspirada a mudar e a agradá-Lo. Outras vezes, concede para o bem dos outros, como disse o Apóstolo Paulo: "É verdade que alguns pregam a Cristo por inveja e discórdia, mas outros fazem isso com boas intenções". E, pouco depois, acrescenta: "Mas não importa; de qualquer modo, seja por motivos falsos ou por sinceridade, Cristo está sendo anunciado, e isso me alegra" (Filipenses 1:15-18).

 

Pergunta 180

Com que atitude e atenção devemos ouvir a leitura durante as refeições?

Resposta

Devemos ouvir com um prazer ainda maior do que aquele que sentimos ao comer e beber. Isso serve para que a nossa mente não se distraia apenas com o prazer do corpo, mas se delicie com as palavras do Senhor. Devemos adotar a mesma disposição daquele que escreveu: "Elas são mais doces que o mel, que o puro mel dos favos" (Salmo 19:10).

 

Pergunta 181

Se existirem duas comunidades de irmãos vizinhas, sendo uma muito pobre e a outra tendo condições, mas que dificilmente ajuda a primeira, como a comunidade pobre deve se comportar?

Resposta

Como é possível que aqueles que foram instruídos a dar, por amor a Cristo, até a própria vida pelos outros, sejam tão mesquinhos com as necessidades materiais? É um sinal de que, de certa forma, esqueceram-se daquele que disse: "Tive fome e não me destes de comer" (Mateus 25:42). Se isso acontecer, os membros da comunidade pobre devem suportar a situação com paciência, seguindo o exemplo de Lázaro, convencidos de que serão consolados na vida futura.

 

Pergunta 182

Quais sinais demonstram que existe compaixão real em alguém que repreende um irmão que pecou?

Resposta

Existem dois frutos principais que comprovam essa compaixão: A solidariedade no sofrimento: Conforme ensinou o Apóstolo Paulo: "Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele" (1 Coríntios 12:26) e "Quem tropeça, que eu não me sinta também atingido?" (2 Coríntios 11:29). A compaixão se manifesta quando o sofrimento do outro é sentido como próprio. O zelo pela correção: Manifesta-se quando a pessoa realmente se entristece, angustia-se e lamenta profundamente ao ver o pecado, seja ele cometido contra si mesma ou contra outros. Além disso, ao fazer a correção, ela deve agir sempre seguindo o modo e a tradição que o Senhor nos deixou, sem desvios.

 

Pergunta 183

Se houver um desentendimento entre pessoas que vivem em comunidade, é correto concordar com elas apenas para manter a harmonia (a caridade)?

Resposta

Devemos olhar para o que o Senhor pediu: "Pai, faze que, assim como eu e tu somos um, também eles sejam um em nós" (João 17:21). O Apóstolo Paulo também escreveu sobre ter "uma só alma e os mesmos pensamentos" (Filipenses 2:2), e o livro de Atos descreve que "a multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma" (Atos 4:32). Portanto, aqueles que criam discórdia e divisões estão agindo contra esses princípios de unidade. A verdadeira caridade deve ser sensata e baseada na razão, lembrando que "quem ama, corrige no momento certo" (Provérbios 13:24). Já a caridade que se afasta da razão — ou seja, aquela que busca apenas agradar pessoas em vez de buscar a verdade — é condenável. O Senhor foi claro ao dizer: "Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim" (Mateus 10:37). Ou seja, não podemos colocar o agrado humano acima dos mandamentos de Deus.

 

Pergunta 184

Como alguém, ao exortar ou repreender, pode não apenas falar com sabedoria, mas também manter a atitude correta diante de Deus e das pessoas com quem fala?

Resposta

Se a pessoa se lembrar do que o Apóstolo Paulo disse: "Os homens devem nos considerar simples servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus" (1 Coríntios 4:1), ela não apresentará o conhecimento como se fosse seu ou por autoridade própria. Pelo contrário, falará com temor e respeito diante de Deus, como um servo encarregado de cuidar de almas que foram salvas pelo sangue de Cristo. Isso significa agir conforme o que está escrito: "Falamos não para agradar aos homens, mas a Deus, que sonda os nossos corações" (1 Tessalonicenses 2:4). E, ao tratar com os ouvintes, deve agir com carinho e compaixão, seguindo o exemplo dado pelo Apóstolo: "Como uma mãe que cuida com ternura dos filhos que amamenta, assim, pelo afeto que temos por vós, desejávamos compartilhar convosco não apenas o Evangelho de Deus, mas até a nossa própria vida" (1 Tessalonicenses 2:7-8).

 

1.      O que você destaca no texto?

2.      Como serve para a sua espiritualidade?

3.      De que forma esse texto desafia ou fortalece a nossa missão e os nossos valores aqui na OESI?