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SÃO
BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)
Regra
Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 138-148
PERGUNTA 138 Se na comunidade será permitido a
alguém jejuar ou fazer vigílias mais do que os outros, por iniciativa própria.
Resposta Tendo dito o Senhor: "Desci
do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou, o
Pai" (Jo 6,38), tudo o que alguém fizer por vontade própria, sendo uma
escolha isolada de quem o faz, é contrário à devoção; essa pessoa deve temer
ouvir de Deus o seguinte: "Teus desejos se voltarão para ti e tu os
dominarás" (Gn 3,16).
Querer fazer mais do
que os outros, mesmo nas coisas boas, é uma rivalidade prejudicial que nasce da
vaidade. O Apóstolo mostra que isso é proibido ao dizer: "Não ousamos nos
comparar com alguns que elogiam a si mesmos" (2Cor 10,12). Por isso, deixando
de lado as próprias vontades e o desejo de parecer que fazemos melhor do que os
outros, devemos obedecer ao Apóstolo, que aconselha e diz: "Quer comais,
quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de
Deus" (1Cor 10,31).
A disputa, a vaidade
e o orgulho próprio são absolutamente contrários aos que lutam honestamente o
bom combate. Por isso, a Escritura diz: "Não sejamos cheios de
vaidade" (Gl 5,26) ou: "Se alguém quiser criar polêmica, nós não
temos esse costume, nem as igrejas de Deus" (1Cor 11,16) e, em outro
lugar: "Não devemos procurar agradar a nós mesmos" (Rm 15,1),
acrescentando palavras ainda mais impactantes: "Cristo não buscou o
próprio agrado" (Rm 15,3).
Se alguém notar que
precisa ser mais rigoroso em relação ao jejum, às vigílias ou a qualquer outra
prática, revele aos responsáveis pelo cuidado de todos o motivo que o leva a
pensar que precisa de mais rigor, e siga o que eles aprovarem. Muitas vezes, é
melhor atender à necessidade dessa pessoa de uma maneira diferente.
PERGUNTA 139 Se intensificamos o jejum,
tornamo-nos mais fracos para o trabalho. O que é preferível? Prejudicar o
trabalho por causa do jejum ou negligenciar este último por causa do trabalho?
Resposta É preciso jejuar e comer com um
equilíbrio voltado à devoção. Assim, se o maior dever for cumprir o mandamento
de Deus pelo jejum, jejuemos; quando, porém, o mandamento de Deus exigir que
nos alimentemos para fortalecer o corpo, comamos — não como pessoas gulosas,
mas como trabalhadores de Deus. Guarde-se o ensinamento do Apóstolo: "Quer
comais, quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de
Deus" (1Cor 10,31).
PERGUNTA 140 Se alguém não se privar dos
alimentos que lhe fazem mal e, comendo-os em excesso, ficar doente, deve ser
tratado?
Resposta A falta de controle é um mal
reconhecido. Em primeiro lugar, é necessário preocupar-se em curar esse vício.
Deus, que ama os seres humanos, querendo mostrar a gravidade do mal da falta de
domínio próprio, permite muitas vezes que a pessoa caia no vício do
descontrole, consumindo o que é prejudicial ao corpo, a fim de que possa, pela
doença física decorrente da gula, perceber o próprio prejuízo e ser levada ao
equilíbrio em todas as coisas.
Quanto ao tratamento
do corpo dos que adoeceram devido à gula, é sensato e bondoso aplicá-lo
imediatamente, mas não de forma impensada, e sim com atenção cuidadosa, para
não acontecer que, cuidando do corpo, deixemos a alma sem o devido remédio.
Se percebermos que a
pessoa aprende com bom senso durante o tratamento do corpo e cuida da alma que
estava mergulhada no vício, devem ser aplicados os cuidados físicos. Se houver
a certeza de que, cuidando do corpo, ela deixa de lado a alma, é melhor deixar
com suas dores aquele que sofre por causa do seu próprio descontrole. Isso
porque, talvez com o tempo, ao ganhar consciência de si mesmo e dos castigos
eternos, ele possa cuidar do bem de sua alma. Afinal, quando somos julgados
pelo Senhor, ele nos corrige para não sermos condenados com este mundo (1Cor
11,32).
PERGUNTA 141 Se é correto que fiquem hóspedes
nas oficinas, ou que alguns membros da casa saiam dos seus próprios lugares de
trabalho.
Resposta Exceto o responsável por
supervisionar os trabalhadores ou por distribuir as tarefas, quem for flagrado
agindo dessa forma — como alguém que atrapalha a boa ordem e a harmonia entre
os membros — deve ser proibido até mesmo das saídas autorizadas. Essa pessoa
deve se sentar no local considerado adequado para a sua correção e realizar,
com dedicação, uma tarefa mais pesada do que o costume, até que aprenda a
guardar a palavra do Apóstolo: "Cada um permaneça na condição em que
estava quando Deus o chamou" (1Cor 7,24).
PERGUNTA 142 Se os artesãos devem aceitar
alguma encomenda sem o conhecimento do responsável por esses trabalhos.
Resposta Sujeita-se à mesma condenação de
um ladrão, ou de quem é cúmplice de um ladrão, tanto quem faz a encomenda
quanto quem a aceita.
PERGUNTA 143 De que modo os que trabalham devem
cuidar das ferramentas sob sua responsabilidade?
Resposta Primeiro, considerando-as como
objetos dedicados e consagrados a Deus; em seguida, como algo sem o qual não se
pode demonstrar um esforço dedicado, como é necessário.
PERGUNTA 144 Se alguém perder alguma coisa por
descuido, ou fizer mau uso dela com desprezo.
Resposta Quem fizer mau uso de algo deve
ser considerado culpado de sacrilégio; quem perder, deve ser julgado como o
causador do sacrilégio, pois todas as coisas são dedicadas e consagradas a
Deus.
PERGUNTA 145 Se alguém, por conta própria,
emprestar ou pegar algo emprestado.
Resposta Seja considerado imprudente e
desobediente. Essas decisões cabem ao responsável por cuidar dos objetos e da
sua distribuição.
PERGUNTA 146 Se, por necessidade urgente, o
responsável pela comunidade lhe pedir uma ferramenta, mas a pessoa se recusar a
entregar.
Resposta Quem entregou a si mesmo e a suas
próprias forças para o bem dos outros, no amor de Cristo, como poderá discutir
por causa desses objetos com o responsável, a quem compete também o cuidado das
ferramentas?
PERGUNTA 147 Quem estiver ocupado no celeiro,
na cozinha ou em atividade semelhante, se não comparecer no momento dos salmos
e da oração, sofrerá prejuízo espiritual?
Resposta Cada um, em seu trabalho, seguirá,
como um membro do corpo, a regra que é própria da sua função. Se deixar de lado
o que lhe foi ordenado, sofrerá ele próprio o prejuízo. O perigo será ainda
maior se criar armadilhas para a comunidade. Portanto, cumpra, de acordo com o
sentido exato das palavras, o que está escrito: "Cantando e louvando ao
Senhor em vossos corações" (Ef 5,19). Se não puder comparecer fisicamente
com os demais, não se preocupe, mas coloque em prática a palavra: "Cada um
permaneça na condição em que estava quando Deus o chamou" (1Cor 7,24).
É preciso cuidado,
porém, para não acontecer que alguém, tendo condições de terminar a tempo o que
lhe foi mandado e dar aos outros um bom exemplo, use o trabalho como pretexto
ou desculpa, servindo de tropeço para os demais, e assim receba a condenação dos
que são negligentes.
PERGUNTA 148 Qual é o limite da autoridade do
responsável pelo celeiro?
Resposta Em relação ao superior que o
avaliou e lhe confiou essa tarefa, lembre-se do Senhor, que disse: "De mim
mesmo não posso fazer coisa alguma" (Jo 5,30). Já em relação aos que
dependem de sua gestão, leve em consideração o que cada um precisa, pois está
escrito: "Repartia-se a cada um deles, conforme a sua necessidade"
(At 4,35). Esse mesmo critério deve ser seguido por todos os responsáveis por
funções semelhantes.
1. Qual ensinamento ou frase desse
texto mais chamou a sua atenção e por quê?
2. Como você pode colocar essa
mensagem em prática na sua vida espiritual?
3. De que forma esse texto desafia ou
fortalece a nossa missão e os nossos valores aqui na OESI?