sábado, 27 de junho de 2026

317 - SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 167-184

 

 

317

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 167-184

 

Pergunta 169

Como deve agir um irmão mais novo quando precisar orientar alguém mais velho?

Resposta

Deve agir encarando sua orientação como uma missão dada por Deus. Ele deve realizá-la com muito cuidado e seriedade, temendo a advertência bíblica: "Maldito aquele que faz o trabalho do Senhor com desleixo" (Jeremias 48:10). Além disso, deve agir com humildade, para não se tornar orgulhoso e acabar caindo na mesma condenação que o diabo (1 Timóteo 3:6).

 

Pergunta 170

Devemos tratar da mesma forma aqueles que agem corretamente e aqueles que não agem tão bem?

Resposta

Acredito que, para tratar de todos, devemos seguir o que o Senhor ensinou sobre o perdão dos pecados: "Seus muitos pecados foram perdoados, porque ela demonstrou muito amor. Mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama" (Lucas 7:47). Devemos seguir também a instrução do Apóstolo sobre os líderes da igreja: "Os líderes que cumprem bem a sua função são dignos de receber honra em dobro, especialmente aqueles que se dedicam à pregação e ao ensino" (1 Timóteo 5:17). Portanto, na minha visão, devemos aplicar esse mesmo critério em todas as situações semelhantes.

 

Pergunta 171

Como devemos tratar um subordinado que se sente chateado por alguém mais piedoso ser preferido a ele?

Resposta

Essa atitude é claramente reprovável por causa da inveja, conforme a parábola do Evangelho, na qual o Senhor responde àqueles que ficaram tristes porque outros receberam o mesmo prêmio que eles: "Acaso você está com inveja porque eu sou bom?" (Mateus 20:15). Deve-se deixar claro para ele e para os que pensam da mesma forma o que Deus diz através do profeta: "Ele despreza o perverso, mas honra os que temem ao Senhor" (Salmo 15:4).

 

Pergunta 172

Com que temor, convicção e atitude devemos receber o corpo e o sangue de Cristo?

Resposta

Sobre o temor, o Apóstolo nos ensinou ao dizer: "Aquele que come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe a própria condenação" (1 Coríntios 11:29).

Sobre a convicção, ela nasce da fé nas palavras do Senhor, que disse: "Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim" (Lucas 22:19). Ela vem também do testemunho de João, que narra a glória de Deus e o modo como ele se tornou homem: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória..." (João 1:14). E do Apóstolo, que escreveu sobre Cristo: "Sendo ele de condição divina, não se apegou a essa igualdade com Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens" (Filipenses 2:6-7). Quando a alma acredita nestas palavras, ela compreende a grandeza da glória de Deus e se admira diante de tanta humildade e obediência. Ele, sendo tão grande, obedeceu ao Pai até a morte para nos dar a vida.

Sobre a atitude, acredito que a pessoa deve se aproximar com amor a Deus, o Pai, que "não poupou o seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós" (Romanos 8:32), e com amor ao seu Filho, que obedeceu até a morte para nossa salvação. Assim, poderá seguir a regra do Apóstolo: "O amor de Cristo nos impulsiona, considerando que, se um só morreu por todos, todos morreram. Cristo morreu por todos, para que os que vivem já não vivam para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou" (2 Coríntios 5:14-15). Esta é a atitude e a preparação adequada para quem participa do pão e do cálice.

 

Pergunta 173

É permitido conversar sobre assuntos comuns durante o momento da salmodia (oração cantada) em casa?

Resposta

Não convém. A única exceção é para aqueles que possuem a responsabilidade de organizar as atividades e garantir a ordem, caso surja uma necessidade urgente. Mesmo assim, isso não deve ser feito de qualquer jeito, mas com respeito ao local, à disciplina e à reverência, evitando causar qualquer escândalo. Para todos os outros, o silêncio é obrigatório. Se, até mesmo durante uma pregação e entre aqueles que têm o dom de ensinar, o Apóstolo orienta que "se algo for revelado a outro, o primeiro deve calar-se" (1 Coríntios 14:30), quanto mais o silêncio não é necessário para todos os demais durante o tempo da salmodia?

 

Pergunta 174

Como alguém pode praticar os mandamentos do Senhor com ânimo e grande desejo?

Resposta

Por natureza, nossa alma tende a desejar aquilo que consideramos agradável, útil ou que esperamos que nos faça bem. Por isso, para ter esse desejo pelos mandamentos, é preciso primeiro "odiar a iniquidade" (Salmo 119:163) e purificar-se de todo pecado. O pecado age como uma doença: assim como um corpo doente perde o apetite e sente repulsa pela comida, a alma carregada de pecado sente preguiça e lentidão para cumprir os ensinamentos de Deus. Quando a pessoa se limpa do pecado e se convence de que os mandamentos de Deus são o caminho para a vida eterna — e que as promessas de Deus são totalmente confiáveis — ela passa a ter a mesma atitude daquele que disse: "Os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente justos. São mais desejáveis que o ouro, até mesmo que muito ouro fino, e são mais doces que o mel, que o puro mel dos favos. Por isso, o vosso servo os guarda com todo o cuidado" (Salmo 19:9-11).

 

Pergunta 175

Como podemos demonstrar que amamos o irmão conforme o mandamento do Senhor, e como podemos saber se não o amamos desta forma?

Resposta

O amor verdadeiro (caridade) possui dois sinais principais: preocupar-se e entristecer-se com aquilo que prejudica a pessoa amada, e alegrar-se com o seu bem-estar, esforçando-se para ajudá-la. É feliz aquele que chora pelo irmão que peca, pois o seu perigo é grave; e aquele que se alegra com quem age corretamente, pois a sua recompensa é incomparável, como está escrito. O Apóstolo Paulo confirma isso ao dizer: "Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os membros se alegram com ele" (1 Coríntios 12:26), sempre seguindo o princípio do amor em Cristo. Quem não possui esse sentimento, certamente não ama o seu irmão como deveria.

 

Pergunta 176

Quais inimigos temos o dever de amar? Como devemos amá-los: apenas ajudando-os ou também com sentimentos? E isso é possível?

Resposta

O inimigo é, por natureza, alguém que busca prejudicar e armar ciladas. Qualquer um que cause dano a outro pode ser considerado um inimigo, especialmente quem vive na prática do pecado, pois prejudica de diversas formas aqueles que convivem com ele. Como o ser humano é composto de corpo e alma, devemos amá-los destas duas formas: Quanto à alma: Amamos ao repreender, aconselhar e fazer de tudo para levá-los à conversão. Quanto ao corpo: Amamos ao oferecer ajuda e benefícios caso lhes falte o necessário para viver. O amor verdadeiro depende da disposição do nosso coração. O Senhor nos mostrou que isso é possível através do seu próprio exemplo: Ele demonstrou amor e obediência ao Pai ao morrer pelos seus inimigos, e não apenas pelos seus amigos. Como testemunha o Apóstolo: "Mas Deus prova o seu amor para conosco, pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5:8-9). Ele nos exorta a fazer o mesmo: "Sejam, pois, imitadores de Deus, como filhos amados. Vivam em amor, como Cristo que nos amou e se entregou por nós" (Efésios 5:1-2). Deus, sendo bom e justo, não nos daria esse mandamento se não fosse possível cumpri-lo; Ele o tornou parte da nossa própria natureza. Afinal, até os animais amam naturalmente quem lhes faz o bem. Além disso, que amigo nos daria um benefício tão grande quanto os nossos inimigos? Eles nos proporcionam a chance de alcançar a bem-aventurança que o Senhor anunciou: "Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem, e vos perseguirem, e disserem todo o mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus" (Mateus 5:11-12).

 

Pergunta 177

Como os mais fortes devem "carregar as fraquezas dos fracos" (Romanos 15:1)?

Resposta

"Carregar" aqui pode ser entendido no sentido de eliminar e curar. É como está escrito sobre Cristo: "Ele tomou sobre si as nossas fraquezas e carregou com as nossas dores" (Isaías 53:4). Isso não significa que Ele tenha assumido essas fraquezas para si, mas que Ele curou aqueles que estavam doentes. Da mesma forma, esse ensinamento se aplica ao modo como ajudamos uns aos outros: os mais fortes devem cuidar dos mais fracos, auxiliando-os no processo de cura e de superação de suas dificuldades, com paciência e dedicação.

 

Pergunta 178

O que significa a passagem: "Ajuda-vos uns aos outros a levar os vossos fardos" (Gálatas 6:2)? E qual lei cumprimos ao fazer isso?

Resposta

O significado é o mesmo que explicamos anteriormente. O "fardo" pesado é, na verdade, o pecado, que arrasta a alma para a perdição. Nós "tiramos" ou "apagamos" o pecado dos outros quando ajudamos esses pecadores a se arrependerem e buscarem a conversão. O uso da palavra "levar" no texto, em vez de "tirar", era uma forma comum de falar entre os habitantes daquela região. Ao fazer isso, cumprimos a lei de Cristo, que disse: "Não vim chamar os justos ao arrependimento, mas sim os pecadores" (Lucas 5:32). Além disso, obedecemos à regra que Ele nos deixou: "Se o teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste o teu irmão" (Mateus 18:15).

 

Pergunta 179

Como é possível que alguém que não possui o amor verdadeiro (caridade) tenha fé suficiente para mover montanhas, dê todos os seus bens aos pobres ou até entregue o próprio corpo para ser queimado?

Resposta

Se lembrarmos do que o Senhor disse sobre aqueles que fazem boas obras apenas "para serem vistos pelos homens" (Mateus 6:5), e da resposta que Ele dará aos que disserem: "Senhor, não profetizamos nós em teu nome, não expulsamos demônios e não fizemos muitos milagres?" (Mateus 7:22) — quando Ele dirá que não os conhece — entenderemos facilmente a questão. Eles não mentiram sobre os milagres, mas usaram os dons de Deus para satisfazer a própria vontade, o que é contrário ao amor de Deus. Não é de se espantar que alguém indigno receba um dom de Deus. Como Deus é bom e paciente, Ele faz o sol nascer sobre os bons e sobre os maus (Mateus 5:45). Muitas vezes, Ele concede esses dons para o bem da própria pessoa, esperando que, ao ver a bondade de Deus, ela se sinta inspirada a mudar e a agradá-Lo. Outras vezes, concede para o bem dos outros, como disse o Apóstolo Paulo: "É verdade que alguns pregam a Cristo por inveja e discórdia, mas outros fazem isso com boas intenções". E, pouco depois, acrescenta: "Mas não importa; de qualquer modo, seja por motivos falsos ou por sinceridade, Cristo está sendo anunciado, e isso me alegra" (Filipenses 1:15-18).

 

Pergunta 180

Com que atitude e atenção devemos ouvir a leitura durante as refeições?

Resposta

Devemos ouvir com um prazer ainda maior do que aquele que sentimos ao comer e beber. Isso serve para que a nossa mente não se distraia apenas com o prazer do corpo, mas se delicie com as palavras do Senhor. Devemos adotar a mesma disposição daquele que escreveu: "Elas são mais doces que o mel, que o puro mel dos favos" (Salmo 19:10).

 

Pergunta 181

Se existirem duas comunidades de irmãos vizinhas, sendo uma muito pobre e a outra tendo condições, mas que dificilmente ajuda a primeira, como a comunidade pobre deve se comportar?

Resposta

Como é possível que aqueles que foram instruídos a dar, por amor a Cristo, até a própria vida pelos outros, sejam tão mesquinhos com as necessidades materiais? É um sinal de que, de certa forma, esqueceram-se daquele que disse: "Tive fome e não me destes de comer" (Mateus 25:42). Se isso acontecer, os membros da comunidade pobre devem suportar a situação com paciência, seguindo o exemplo de Lázaro, convencidos de que serão consolados na vida futura.

 

Pergunta 182

Quais sinais demonstram que existe compaixão real em alguém que repreende um irmão que pecou?

Resposta

Existem dois frutos principais que comprovam essa compaixão: A solidariedade no sofrimento: Conforme ensinou o Apóstolo Paulo: "Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele" (1 Coríntios 12:26) e "Quem tropeça, que eu não me sinta também atingido?" (2 Coríntios 11:29). A compaixão se manifesta quando o sofrimento do outro é sentido como próprio. O zelo pela correção: Manifesta-se quando a pessoa realmente se entristece, angustia-se e lamenta profundamente ao ver o pecado, seja ele cometido contra si mesma ou contra outros. Além disso, ao fazer a correção, ela deve agir sempre seguindo o modo e a tradição que o Senhor nos deixou, sem desvios.

 

Pergunta 183

Se houver um desentendimento entre pessoas que vivem em comunidade, é correto concordar com elas apenas para manter a harmonia (a caridade)?

Resposta

Devemos olhar para o que o Senhor pediu: "Pai, faze que, assim como eu e tu somos um, também eles sejam um em nós" (João 17:21). O Apóstolo Paulo também escreveu sobre ter "uma só alma e os mesmos pensamentos" (Filipenses 2:2), e o livro de Atos descreve que "a multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma" (Atos 4:32). Portanto, aqueles que criam discórdia e divisões estão agindo contra esses princípios de unidade. A verdadeira caridade deve ser sensata e baseada na razão, lembrando que "quem ama, corrige no momento certo" (Provérbios 13:24). Já a caridade que se afasta da razão — ou seja, aquela que busca apenas agradar pessoas em vez de buscar a verdade — é condenável. O Senhor foi claro ao dizer: "Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim" (Mateus 10:37). Ou seja, não podemos colocar o agrado humano acima dos mandamentos de Deus.

 

Pergunta 184

Como alguém, ao exortar ou repreender, pode não apenas falar com sabedoria, mas também manter a atitude correta diante de Deus e das pessoas com quem fala?

Resposta

Se a pessoa se lembrar do que o Apóstolo Paulo disse: "Os homens devem nos considerar simples servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus" (1 Coríntios 4:1), ela não apresentará o conhecimento como se fosse seu ou por autoridade própria. Pelo contrário, falará com temor e respeito diante de Deus, como um servo encarregado de cuidar de almas que foram salvas pelo sangue de Cristo. Isso significa agir conforme o que está escrito: "Falamos não para agradar aos homens, mas a Deus, que sonda os nossos corações" (1 Tessalonicenses 2:4). E, ao tratar com os ouvintes, deve agir com carinho e compaixão, seguindo o exemplo dado pelo Apóstolo: "Como uma mãe que cuida com ternura dos filhos que amamenta, assim, pelo afeto que temos por vós, desejávamos compartilhar convosco não apenas o Evangelho de Deus, mas até a nossa própria vida" (1 Tessalonicenses 2:7-8).

 

1.      O que você destaca no texto?

2.      Como serve para a sua espiritualidade?

3.      De que forma esse texto desafia ou fortalece a nossa missão e os nossos valores aqui na OESI?

terça-feira, 23 de junho de 2026

316 SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras)- Interrogações 149-168

Frei Leopoldo, Marleide, Demetrio, Maria e Edson




316

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 149-168

 

PERGUNTA 149 Qual é a punição para o administrador que agir com favoritismo ou por espírito de discórdia?

Resposta Assim como o Apóstolo ora determina que nada seja feito por preferência pessoal (1Tm 5,21), ora afirma: "Se alguém quiser criar discórdia, nós não temos esse costume, e nem as igrejas de Deus" (1Cor 11,16), quem agir de tal forma deve ser declarado contrário à Igreja de Deus até que se corrija. Deve-se avaliar, com muito critério e cuidado, a competência de cada pessoa antes de lhe confiar qualquer tarefa. Isso evita que aqueles que delegam a função a alguém incapaz sejam condenados como maus gestores das almas e do mandamento do Senhor. Da mesma forma, evita que os escolhidos tentem encontrar desculpas para os seus erros.

PERGUNTA 150 Se alguém, por negligência, deixar de dar a um irmão o que lhe é necessário.

Resposta O seu julgamento revela-se nas palavras do Senhor: "Afastem-se de mim, malditos! Vão para o fogo eterno preparado para o diabo e para os seus anjos. Porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber" (Mt 25,41-42). E ainda: "Maldito aquele que faz com negligência a obra do Senhor" (Jr 48,10).

PERGUNTA 151 Se é permitido falar em voz mais alta durante o trabalho.

Resposta A necessidade de quem escuta é o que determina a intensidade da voz. Se for muito baixa e fraca, assemelha-se a um sussurro e deve ser evitada. Por outro lado, se for mais alta do que o necessário — quando o ouvinte poderia muito bem escutar quem fala em tom moderado —, torna-se uma gritaria reprovável (Ef 4,31). A menos, é claro, que a falta de atenção do ouvinte nos obrigue a falar mais alto para, de certa forma, despertá-lo de seu torpor. Narra-se que o Senhor também agiu assim, como diz o evangelista: "Jesus exclamou em alta voz: Aquele que crê em mim, crê não em mim, mas naquele que me enviou" (Jo 12,44).

PERGUNTA 152 Se alguém, ao chegar a sua vez de servir na cozinha, trabalhar além de suas forças a ponto de ficar impossibilitado de trabalhar habitualmente por alguns dias, convém impor-lhe essa função?

Resposta Já foi dito que o responsável por distribuir as tarefas deve dar as ordens considerando a habilidade e os limites de quem trabalha, para que não se aplique o ditado: "Aquele que cria dificuldades sob a aparência de lei" (Sl 93,20). Por outro lado, quem recebe a ordem não deve contestar, porque o dever da obediência estende-se até a morte.

PERGUNTA 153 Como a encarregada das lãs deve guardá-las, e de que maneira atenderá as que trabalham?

Resposta Ela deve guardar as lãs como se estivesse cuidando de um bem confiado por Deus. Deve também organizar e distribuir o trabalho de cada irmã sem rivalidade nem favoritismo.

PERGUNTA 154 Se os irmãos forem poucos e tiverem que servir a muitas irmãs, de modo que precisem se separar para dividir o trabalho, haverá perigo?

Resposta Se esse serviço é fundamentado no mandamento do Senhor e realizado segundo a vontade de Deus, cada um dos que se dedicam à sua própria tarefa agrada a Deus. A união mútua entre eles consiste em estarem todos unidos no mesmo propósito e em plena harmonia, cumprindo a palavra do Apóstolo: "Porque, embora esteja ausente no corpo, estou presente convosco em espírito" (Cl 2,5).

PERGUNTA 155 Aprendemos que devemos servir aos doentes no hospital como a irmãos do Senhor; mas se aquele que é servido não agir como tal, como devemos tratá-lo?

Resposta O Senhor disse: "Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe" (Mt 12,50). Se alguém não se enquadra nisso, mas se mostra um pecador obstinado, aplicando-se a ele a sentença: "Todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo" (Jo 8,34), essa pessoa precisa, primeiro, receber uma advertência e orientação do superior. Se ela persistir nos mesmos vícios, fica evidente que recai sobre ela a outra frase do Senhor: "O escravo não fica na casa para sempre" (Jo 8,35), bem como a ordem do Apóstolo que determina: "Tirai o perverso do vosso meio" (1Cor 5,13). Dessa forma, quem serve não terá dúvidas sobre como agir e todos os que vivem juntos se sentirão em segurança.

PERGUNTA 156 Se o responsável pelo celeiro ou por uma função semelhante deve ser mantido no cargo, ou se seria bom substituí-lo.

Resposta Se ele demonstra conhecimento das normas e integridade no cumprimento da regra, não há motivo para trocá-lo. Fazer isso seria, na verdade, desgastante e difícil. O ideal é que ele tenha um auxiliar que aprenda a função aos poucos para que, se uma mudança for realmente necessária, não sejamos pegos de surpresa pela falta de um sucessor. Isso evita que sejamos obrigados a colocar alguém despreparado à frente do trabalho que, por falta de experiência, acabe desrespeitando as regras e prejudicando a disciplina.

PERGUNTA 157 Com que atitude se deve servir a Deus; e o que é, em resumo, essa atitude?

Resposta Considero que a atitude correta é a intenção de agradar a Deus de forma intensa, constante, firme e inabalável. Isso se alcança por meio da reflexão consciente e frequente sobre a grandeza da glória de Deus, acompanhada por pensamentos de gratidão e pela lembrança contínua dos bens que Ele nos concedeu. Dessa forma, nasce na alma o amor: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças" (Mc 12,30), como bem disse aquele que escreveu: "Como a corça anseia pelas águas correntes, assim a minha alma suspira por vós, ó Deus" (Sl 41,1). Deus deve ser servido com uma disposição de espírito tamanha que se cumpra a palavra do Apóstolo: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada?" (Rm 8,35).

PERGUNTA 158 Com que atitude se deve receber uma punição?

Resposta Com a mesma atitude de um filho doente e em perigo de vida para com o pai ou o médico que o trata. Mesmo que o remédio seja amargo e doloroso, ele deve estar convencido do amor e da competência de quem o corrige, movido pelo profundo desejo de recuperar a saúde.

PERGUNTA 159 O que se deve pensar de quem fica ressentido com a pessoa que o repreende?

Resposta Essa pessoa não compreende o perigo do pecado, especialmente diante de Deus, nem o valor do arrependimento. Ela não acredita naquele que disse: "Quem ama, corrige" (Pr 13,24) e deixa de receber o benefício desejado por aquele que afirmou: "Se o justo me bate, é um favor; se ele me repreende..." (Sl 140,5). Além disso, ela se torna prejudicial para a comunidade, pois faz com que aqueles que se dedicam a ajudar os outros desanimem de sua missão.

PERGUNTA 160 Com que atitude devemos servir aos irmãos?

Resposta Com a atitude de quem presta serviço ao próprio Senhor, que disse: "Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequenos, foi a mim mesmo que o fizestes" (Mt 25,40). Se as pessoas que recebem essa atenção agirem de forma correta, essa atitude se torna mais fácil. Por isso, os superiores devem cuidar com zelo para que os irmãos não se tornem escravos da gula e dos prazeres, como aqueles que apenas mimam o próprio corpo. Pelo contrário, como amigos de Deus e de Cristo, por meio de uma paciência perfeita à semelhança do justo Jó, eles devem se tornar uma glorificação do Senhor, para a vergonha e derrota do diabo.

PERGUNTA 161 Com que humildade se deve receber um serviço prestado por um irmão?

Resposta Com a mesma humildade com que um servo recebe o serviço de seu senhor, e com a atitude demonstrada por Pedro quando o Senhor o servia; exemplo pelo qual aprendemos também o grave perigo em que incorrem aqueles que se recusam a aceitar um serviço.

PERGUNTA 162 Como deve ser o amor e a caridade para com os outros?

Resposta Conforme o Senhor mostrou e ensinou quando disse: "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei" (Jo 15,12). "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos" (Jo 15,13). Se devemos estar prontos para dar até a nossa própria vida, quanto mais precisamos demonstrar boa vontade e disposição nas pequenas coisas do dia a dia; não por obrigação humana, mas com o objetivo de agradar a Deus e promover o bem de todos.

PERGUNTA 163 De que modo alguém deve praticar o amor e a caridade para com o próximo?

Resposta Primeiro, se tiver temor ao julgamento daqueles que desobedecem ao mandamento do Senhor, que disse: "Quem não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus" (Jo 3,36). Segundo, se estiver em busca da vida eterna, pois: "O seu mandamento é a vida eterna" (Jo 12,50). "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças. Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 22,37-39).

Depois, se desejar parecer-se com o Senhor, que disse: "Dou-vos um novo mandamento: Que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei" (Jo 13,34).

Finalmente, se guardar os seguintes pensamentos: se o nosso irmão nos faz o bem, devemos a ele — até por uma questão de humanidade — aquele amor que os próprios pagãos praticam, conforme a afirmação do Senhor no Evangelho: "Se amais os que vos amam, que recompensa mereceis? Também os pecadores amam aqueles que os amam" (Lc 6,32). Por outro lado, se ele nos faz o mal, ainda assim devemos amá-lo; não apenas por causa do mandamento, mas porque ele se torna um benfeitor ainda maior para nós, caso acreditemos no Senhor, que disse: "Bem-aventurados sois vós quando vos caluniarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos céus" (Mt 5,11-12).

PERGUNTA 164 O que quer dizer: "Não julgueis e não sereis julgados" (Lc 6,37)?

Resposta Como o Senhor disse: "Não julgueis e não sereis julgados", mas também ordena que se julgue "segundo a reta justiça" (Jo 7,24), Ele não proíbe inteiramente o julgamento, mas nos ensina a distinguir entre os diferentes tipos de juízo. O Apóstolo nos ensinou claramente o que convém e o que não convém julgar. Quanto àquilo que está no poder de escolha de cada um e não foi prescrito na Escritura, ele diz: "Por que julgas o teu irmão?" (Rm 14,10), e ainda: "Cessemos, pois, de julgar uns aos outros" (Rm 14,13). No entanto, relativamente àquilo que desagrada a Deus, o Apóstolo condena os que não julgam e apresenta-lhes o seu próprio julgamento: "Pois eu, em verdade, ainda que ausente em corpo, mas presente em espírito, já julguei, como se estivesse presente, aquele que assim se comportou. Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo — reunidos vós e o meu espírito com o poder de Nosso Senhor Jesus —, seja este homem entregue a Satanás para a destruição de sua carne, a fim de que o seu espírito seja salvo no dia de Nosso Senhor Jesus" (1Cor 5,3-5).

Portanto, se alguma coisa depende do arbítrio de cada um ou, por vezes, é incerta, não devemos julgar o irmão por isso, conforme o que o Apóstolo diz a respeito do que se ignora: "Não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. Ele trará à luz o que está escondido nas trevas e manifestará as intenções dos corações" (1Cor 4,5). Por outro lado, é de absoluta necessidade defender os julgamentos de Deus, para que aquele que se cala não fique sujeito à ira divina; a não ser que a pessoa, por praticar o mesmo erro que censura no outro, não tenha coerência para julgar o irmão, ouvindo o Senhor que diz: "Tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão" (Mt 7,5).

PERGUNTA 165

Como pode alguém saber se é por zelo de Deus que se irrita contra o irmão que pecou, ou por ira?

 

Resposta

Se sentir contra qualquer pecado aquilo que foi escrito: Sinto-me esgotado pelo zelo ao ver meus inimigos esquecerem vossas palavras (Sl 118,139), é claro que possui o zelo de Deus. Mas também aqui é necessária uma inteligente sabedoria, para a construção da fé. Se não houver previamente esta disposição que mova o coração, suas atitudes serão inconstantes e não se alcançará o objetivo da devoção.

 

PERGUNTA 166

Com que postura se deve ouvir quem pede com insistência para obedecermos ao mandamento?

 

Resposta

Com a mesma pressa com que o menino com fome obedece a quem o chama para comer; e como o homem que procura o seu sustento atende a quem lhe oferece o alimento; e muito mais ainda, já que a vida eterna vale mais do que a vida de agora. Pois o mandamento de Deus, diz o Senhor, é vida eterna (Jo 12,50). O que o comer representa para o pão, a prática da boa ação representa para o mandamento, conforme o que diz o Senhor: Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou, o Pai (Jo 4,34)

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PERGUNTA 167

Como deve ser o coração de quem for considerado digno de trabalhar na obra de Deus?

 

Resposta

Deve ser como o de quem dizia: Quem sou eu, ó meu Senhor, e qual é a minha família, para que me ame tanto? (2Sm 7,18). Deve viver o que foi escrito: Agradeçam ao Pai, que nos tornou capazes de participar da herança dos santos na luz. Ele nos arrancou do poder das trevas e nos transferiu para o reino de seu Filho muito amado (Cl 1,12-13).

 

PERGUNTA 168

Com que atitude deve ser recebida o hábito (a roupa) e o calçado, sejam quais forem?

 

Resposta

Se o tamanho for maior ou menor, explique a sua necessidade com educação e equilíbrio. Se, porém, você não gostar da roupa pela má qualidade ou por não ser nova, lembre-se do Senhor que disse: O trabalhador — e não qualquer pessoa de fora — merece o seu sustento (Mt 10,10). Examine-se a si mesmo se você tem feito algo à altura dos mandamentos do Senhor ou de Suas promessas. Assim, você não reclamará de nada; pelo contrário, ficará sem graça com o que receber, achando que está ganhando mais do que merece. Como regra geral, para todas as necessidades do corpo, vale o mesmo que já foi ensinado sobre a alimentação.

1. Qual ensinamento ou frase desse texto mais chamou a sua atenção e por quê?

2. Como você pode colocar essa mensagem em prática na sua vida espiritual?

3. De que forma esse texto desafia ou fortalece a nossa missão e os nossos valores aqui na OESI?

 


quarta-feira, 17 de junho de 2026

315 SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 138-148

 

Frei Leopoldo, Kris, Luiz, Genisson, Edson e Marisa


315

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 138-148

 

PERGUNTA 138 Se na comunidade será permitido a alguém jejuar ou fazer vigílias mais do que os outros, por iniciativa própria.

 

Resposta Tendo dito o Senhor: "Desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou, o Pai" (Jo 6,38), tudo o que alguém fizer por vontade própria, sendo uma escolha isolada de quem o faz, é contrário à devoção; essa pessoa deve temer ouvir de Deus o seguinte: "Teus desejos se voltarão para ti e tu os dominarás" (Gn 3,16).

Querer fazer mais do que os outros, mesmo nas coisas boas, é uma rivalidade prejudicial que nasce da vaidade. O Apóstolo mostra que isso é proibido ao dizer: "Não ousamos nos comparar com alguns que elogiam a si mesmos" (2Cor 10,12). Por isso, deixando de lado as próprias vontades e o desejo de parecer que fazemos melhor do que os outros, devemos obedecer ao Apóstolo, que aconselha e diz: "Quer comais, quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (1Cor 10,31).

A disputa, a vaidade e o orgulho próprio são absolutamente contrários aos que lutam honestamente o bom combate. Por isso, a Escritura diz: "Não sejamos cheios de vaidade" (Gl 5,26) ou: "Se alguém quiser criar polêmica, nós não temos esse costume, nem as igrejas de Deus" (1Cor 11,16) e, em outro lugar: "Não devemos procurar agradar a nós mesmos" (Rm 15,1), acrescentando palavras ainda mais impactantes: "Cristo não buscou o próprio agrado" (Rm 15,3).

Se alguém notar que precisa ser mais rigoroso em relação ao jejum, às vigílias ou a qualquer outra prática, revele aos responsáveis pelo cuidado de todos o motivo que o leva a pensar que precisa de mais rigor, e siga o que eles aprovarem. Muitas vezes, é melhor atender à necessidade dessa pessoa de uma maneira diferente.

 

PERGUNTA 139 Se intensificamos o jejum, tornamo-nos mais fracos para o trabalho. O que é preferível? Prejudicar o trabalho por causa do jejum ou negligenciar este último por causa do trabalho?

Resposta É preciso jejuar e comer com um equilíbrio voltado à devoção. Assim, se o maior dever for cumprir o mandamento de Deus pelo jejum, jejuemos; quando, porém, o mandamento de Deus exigir que nos alimentemos para fortalecer o corpo, comamos — não como pessoas gulosas, mas como trabalhadores de Deus. Guarde-se o ensinamento do Apóstolo: "Quer comais, quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (1Cor 10,31).

 

PERGUNTA 140 Se alguém não se privar dos alimentos que lhe fazem mal e, comendo-os em excesso, ficar doente, deve ser tratado?

Resposta A falta de controle é um mal reconhecido. Em primeiro lugar, é necessário preocupar-se em curar esse vício. Deus, que ama os seres humanos, querendo mostrar a gravidade do mal da falta de domínio próprio, permite muitas vezes que a pessoa caia no vício do descontrole, consumindo o que é prejudicial ao corpo, a fim de que possa, pela doença física decorrente da gula, perceber o próprio prejuízo e ser levada ao equilíbrio em todas as coisas.

Quanto ao tratamento do corpo dos que adoeceram devido à gula, é sensato e bondoso aplicá-lo imediatamente, mas não de forma impensada, e sim com atenção cuidadosa, para não acontecer que, cuidando do corpo, deixemos a alma sem o devido remédio.

Se percebermos que a pessoa aprende com bom senso durante o tratamento do corpo e cuida da alma que estava mergulhada no vício, devem ser aplicados os cuidados físicos. Se houver a certeza de que, cuidando do corpo, ela deixa de lado a alma, é melhor deixar com suas dores aquele que sofre por causa do seu próprio descontrole. Isso porque, talvez com o tempo, ao ganhar consciência de si mesmo e dos castigos eternos, ele possa cuidar do bem de sua alma. Afinal, quando somos julgados pelo Senhor, ele nos corrige para não sermos condenados com este mundo (1Cor 11,32).

 

PERGUNTA 141 Se é correto que fiquem hóspedes nas oficinas, ou que alguns membros da casa saiam dos seus próprios lugares de trabalho.

Resposta Exceto o responsável por supervisionar os trabalhadores ou por distribuir as tarefas, quem for flagrado agindo dessa forma — como alguém que atrapalha a boa ordem e a harmonia entre os membros — deve ser proibido até mesmo das saídas autorizadas. Essa pessoa deve se sentar no local considerado adequado para a sua correção e realizar, com dedicação, uma tarefa mais pesada do que o costume, até que aprenda a guardar a palavra do Apóstolo: "Cada um permaneça na condição em que estava quando Deus o chamou" (1Cor 7,24).

 

PERGUNTA 142 Se os artesãos devem aceitar alguma encomenda sem o conhecimento do responsável por esses trabalhos.

Resposta Sujeita-se à mesma condenação de um ladrão, ou de quem é cúmplice de um ladrão, tanto quem faz a encomenda quanto quem a aceita.

 

PERGUNTA 143 De que modo os que trabalham devem cuidar das ferramentas sob sua responsabilidade?

Resposta Primeiro, considerando-as como objetos dedicados e consagrados a Deus; em seguida, como algo sem o qual não se pode demonstrar um esforço dedicado, como é necessário.

 

PERGUNTA 144 Se alguém perder alguma coisa por descuido, ou fizer mau uso dela com desprezo.

Resposta Quem fizer mau uso de algo deve ser considerado culpado de sacrilégio; quem perder, deve ser julgado como o causador do sacrilégio, pois todas as coisas são dedicadas e consagradas a Deus.

 

PERGUNTA 145 Se alguém, por conta própria, emprestar ou pegar algo emprestado.

Resposta Seja considerado imprudente e desobediente. Essas decisões cabem ao responsável por cuidar dos objetos e da sua distribuição.

 

PERGUNTA 146 Se, por necessidade urgente, o responsável pela comunidade lhe pedir uma ferramenta, mas a pessoa se recusar a entregar.

Resposta Quem entregou a si mesmo e a suas próprias forças para o bem dos outros, no amor de Cristo, como poderá discutir por causa desses objetos com o responsável, a quem compete também o cuidado das ferramentas?

 

PERGUNTA 147 Quem estiver ocupado no celeiro, na cozinha ou em atividade semelhante, se não comparecer no momento dos salmos e da oração, sofrerá prejuízo espiritual?

Resposta Cada um, em seu trabalho, seguirá, como um membro do corpo, a regra que é própria da sua função. Se deixar de lado o que lhe foi ordenado, sofrerá ele próprio o prejuízo. O perigo será ainda maior se criar armadilhas para a comunidade. Portanto, cumpra, de acordo com o sentido exato das palavras, o que está escrito: "Cantando e louvando ao Senhor em vossos corações" (Ef 5,19). Se não puder comparecer fisicamente com os demais, não se preocupe, mas coloque em prática a palavra: "Cada um permaneça na condição em que estava quando Deus o chamou" (1Cor 7,24).

É preciso cuidado, porém, para não acontecer que alguém, tendo condições de terminar a tempo o que lhe foi mandado e dar aos outros um bom exemplo, use o trabalho como pretexto ou desculpa, servindo de tropeço para os demais, e assim receba a condenação dos que são negligentes.

 

PERGUNTA 148 Qual é o limite da autoridade do responsável pelo celeiro?

Resposta Em relação ao superior que o avaliou e lhe confiou essa tarefa, lembre-se do Senhor, que disse: "De mim mesmo não posso fazer coisa alguma" (Jo 5,30). Já em relação aos que dependem de sua gestão, leve em consideração o que cada um precisa, pois está escrito: "Repartia-se a cada um deles, conforme a sua necessidade" (At 4,35). Esse mesmo critério deve ser seguido por todos os responsáveis por funções semelhantes.

 

1. Qual ensinamento ou frase desse texto mais chamou a sua atenção e por quê?

2. Como você pode colocar essa mensagem em prática na sua vida espiritual?

3. De que forma esse texto desafia ou fortalece a nossa missão e os nossos valores aqui na OESI?

quarta-feira, 3 de junho de 2026

314 SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 121-137

 

Frei Isaac, Nathalie, Demétrius, Marisa e Edson



314

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 121-137

 

Pergunta 121

É permitido ou aceitável recusar os trabalhos mais pesados e difíceis?

 

Resposta

Quem ama a Deus de verdade e confia plenamente na recompensa divina nunca se dá por satisfeito com o que já alcançou; pelo contrário, busca sempre ir além e deseja fazer mais. Mesmo que essa pessoa pareça estar trabalhando um pouco acima de suas forças, ela não se acomoda como se já tivesse cumprido sua meta. Ela se mantém sempre zelosa, como se tivesse feito menos do que deveria, guardando no coração a ordem do Senhor: "Depois de terdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos apenas o que devíamos fazer" (Lc17.10). Essa é a mesma postura do Apóstolo Paulo, para quem o mundo estava crucificado (e ele para o mundo) (Gl 6,14), e que não teve vergonha de dizer: "Não julgo que já o tenha alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (Fl 3,13-14). Além disso, embora Paulo tivesse o direito de viver do Evangelho por pregá-lo (1 Cor 9,14), ele afirmou: "Trabalhamos dia e noite com esforço e fadiga... não porque não tivéssemos esse direito, mas para vos dar em nós mesmos um modelo a imitar" (2 Ts 3,8-9). Diante disso, quem seria tão insensível ou sem fé a ponto de se contentar com o que já fez, ou de rejeitar um trabalho só por ser mais pesado e trabalhoso?

 

INTERROGAÇÃO 122

Deve-se permitir a recusa da eulógia (grego: abençoado) a alguém que disser: Se não receber a eulógia não como?

 

Resposta

Se o pecado merece o castigo de ser ele excluído da refeição, julgue-o quem impôs a pena. Se alguém for julgado indigno somente da eulógia e tenha licença de comer, mas recuse, seja considerado desobediente, amante de disputas. Conheça-se a si mesmo e simultaneamente entenda que, ao proceder assim, não obtém a cura, mas acrescenta pecado a pecado.

 

INTERROGAÇÃO 123

Se alguém se entristece porque não lhe permitem fazer aquilo que não é capaz de fazer, isto deve ser tolerado?

 

Resposta

Em vários lugares foi dito que, geralmente, seguir a própria vontade ou agir ao próprio arbítrio é contrário à reta razão, e não se submeter ao juízo de muitos é incorrer no perigo de desobediência e de contradição.

 

INTERROGAÇÃO 124

Se deve alguém que se encontrou com hereges ou gentios comer com eles ou saudá-los.

 

Resposta

O Senhor não proibiu a saudação comum, ao dizer: Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? (Mt 5,47). Quanto a comer à mesma mesa, temos o preceito do Apóstolo de que se deve evitá-lo, quando diz: Na minha carta vos escrevi que não tivésseis comunicação com os impudicos. Mas não se tratava de um modo absoluto de todos os impudicos deste mundo, ou os avarentos e ladrões, ou os idólatras, pois neste caso deveríeis sair deste mundo. Mas eu simplesmente quis dizer-vos que não tenhais comunicação com aquele que, chamando-se irmão, é impudico ou avarento, ou idólatra, ou difamador, ou bêbado, ou ladrão; com esse nem sequer deveis comer (I Cor 5,9-11).

 

INTERROGAÇÃO 125

Se alguém a quem foi confiado um trabalho e sem avisar fizer algo aquém da ordem ou além do prescrito, deve ser mantido no trabalho?

 

Resposta

De modo geral, desagrada a Deus o que alguém assume por si mesmo; e isto não convém, nem é proveitoso aos que têm empenho de conservar o vínculo da paz. Se continuar a ser

precipitado, é útil retirá-lo do trabalho. Pois não observa o preceito daquele que disse: Irmãos, cada um permaneça diante de Deus na condição em que estava quando (Deus) o chamou (Icor 7,24), e o que é ainda mais convincente: Não façam de si próprios uma opinião maior do que convém, mas um conceito razoavelmente modesto, de acordo com o grau de fé que Deus lhe distribuiu (Rm 12,3).

 

Pergunta 126

Como podemos evitar ser dominados ou vencidos pelo prazer da comida?

 

Resposta

A regra é decidir que a utilidade real e a necessidade do corpo sejam sempre as guias e mestras na hora de se alimentar, independentemente de a comida ser agradável ao paladar ou não.

 

INTERROGAÇÃO 127

Dizem alguns ser impossível ao homem não se irar.

 

Resposta

Mesmo se fosse possível ao soldado irar-se diante dos olhos do rei, nem assim seria razoável tal afirmação. Se o olhar de um homem, igual por natureza, reprime o mal, devido à preeminência da dignidade, quanto mais não o fará a convicção de ter a Deus por observador de seus sentimentos? Deus, que perscruta os corações e as entranhas, vê muito melhor os atos da alma do que o homem contempla o que está diante de si.

 

INTERROGAÇÃO 128

Se é lícito permitir a quem quiser fazer abstinência além de suas forças, de modo a ficar tolhido de praticar o mandamento que lhe é proposto.

 

Resposta

Esta pergunta não me parece bem feita. A abstinência não consiste numa abstenção de alimentos indiferentes, a qual teria como consequência aquela aflição do corpo condenada pelo Apóstolo (Cl 2,23), e sim, no perfeito abandono das próprias vontades. Evidencia-se das palavras do Apóstolo quão perigoso é apartar-se do mandamento do Senhor, por causa da própria vontade, quando diz: Fazendo a vontade da carne e da concupiscência, éramos, por natureza, objetos da ira (Ef 2,3).

 

Pergunta 129

Se alguém faz um jejum muito rigoroso e, por causa disso, não consegue comer o que é servido na mesa comum da comunidade, o que é mais recomendável? Que essa pessoa jejue junto com os irmãos e coma a mesma refeição que eles, ou que, devido ao seu jejum extremo, precise de alimentos especiais na hora de comer?

 

Resposta

O momento e a prática do jejum não devem ser decididos pelo desejo ou vontade de cada um. O jejum deve seguir o que é necessário para o culto e o serviço a Deus, como vemos nos relatos dos Atos dos Apóstolos e no exemplo do rei Davi ($At\ 13,2\text{-}3$; $Sl\ 34,13$). Se alguém jejua com esse propósito correto, Deus também lhe dará as condições físicas para suportá-lo, pois aquele que fez a promessa é fiel ($Hb\ 10,23$).

 

INTERROGAÇÃO 130

Como se deve jejuar, quando for preciso jejuar por motivo de piedade? Por obrigação? Ou de boa vontade?

 

Resposta

Se o Senhor diz: Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça (Mt 5,6), tudo o que se faz por causa da piedade, se não for realizado de boa vontade e com empenho, é perigoso. Quem jejua, mas de má vontade, não está seguro. Visto que é necessário jejuar no tempo em que é prescrito o jejum, o Apóstolo o enumera entre outras boas ações suas, para nosso ensinamento: com frequentes jejuns (2Cor 11,27).

 

Pergunta 131

Está correto alguém recusar a refeição que é servida quando os irmãos estão comendo e, em vez disso, ir procurar outros alimentos por conta própria?

 

Resposta

De modo geral, andar à procura de alimentos especiais vai contra o mandamento do Senhor, que disse: "Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber, e não andeis com preocupações vãs" ($Lc\ 12,29$). E Ele ainda acrescenta um alerta importante: "Porque os pagãos do mundo é que se preocupam com todas essas coisas" ($Lc\ 12,30$). Por outro lado, cabe ao responsável pela comunidade cumprir com dedicação a palavra da Escritura: "Repartia-se, então, a cada um conforme a sua necessidade" ($At\ 4,35$).

 

Pergunta 132

O que devemos pensar daquele que diz: "Isto me faz mal", e fica profundamente chateado ou ressentido se não lhe derem outra opção de comida?

 

Resposta

Essa atitude demonstra que a pessoa não possui a paciência e a esperança que o pobre Lázaro teve, e que também não reconhece o amor e o zelo daquele que foi encarregado de cuidar de todos. De modo geral, não se deve permitir que cada indivíduo decida por si mesmo o que lhe faz bem ou mal. Em vez disso, deve-se confiar ao responsável a tarefa de avaliar as reais necessidades de cada um. O encarregado, por sua vez, deve priorizar o bem da alma e, em segundo lugar, distribuir o que é necessário para o corpo, sempre de acordo com a vontade de Deus.

 

 

INTERROGAÇÃO 133

Se alguém murmurar por causa da comida.

 

Resposta

Sofrerá o juízo dos que murmuraram no deserto (Nm 11,1). Diz o Apóstolo: Não murmureis como murmuraram alguns deles, e foram mortos pelo exterminador (ICor 10,10).

 

INTERROGAÇÃO 134

Se alguém, irado, se recusar a tomar o necessário.

 

Resposta

Merece não receber, mesmo se depois o pedir, até que o superior julgue curado o vício, ou antes os vícios.

 

Pergunta 135

É correto que alguém, por realizar um trabalho muito cansativo ou pesado, peça ou procure receber algo a mais além do que já é oferecido habitualmente a todos?

 

Resposta

Se essa pessoa assumiu o cansaço do trabalho de olho na recompensa que vem de Deus, ela não deve ficar buscando privilégios ou alívios por conta própria. Em vez disso, deve focar na recompensa do Senhor, sabendo que receberá de Deus — que ama a humanidade — a justa retribuição pelo seu esforço e o consolo pelo seu desgaste. Por outro lado, o responsável por colocar em prática a palavra da Escritura — "Repartia-se a cada um conforme a sua necessidade" ($At\ 4,35$) — tem a obrigação de conhecer bem a realidade de cada trabalhador e cuidar de suas necessidades físicas de maneira adequada.

 

INTERROGAÇÃO 136

Se é de obrigação reunirem-se todos à hora do almoço; e como receberemos o que estiver ausente e chegar depois do almoço?

 

Resposta

Se esteve ausente por necessidade, devido ao lugar ou ao trabalho, observando a ordem daquele que disse: Irmãos, cada um permaneça diante de Deus na condição em que estava quando (Deus) o chamou (ICor 7,24), o responsável pela disciplina comum, tendo examinado o caso, desculpe-o; se, porém, podia chegar com os outros e não se apressou, reconhecida a culpa da negligência, permaneça em jejum até à hora determinada do dia

seguinte.

 

INTERROGAÇÃO 137

Se é bom que alguém decida, por exemplo, por algum tempo, abster-se de alguma coisa na comida ou na bebida.

 

Resposta

Como diz o Senhor: Não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou (Jo 6,38), qualquer juízo por própria vontade não é seguro. Ciente disto, dizia Davi: Faço juramento e determino guardar os vossos justos decretos (SI 118,106) e não as minhas vontades.

 

O que você destaca no texto?

Como serve para sua vida espiritual?