sábado, 28 de março de 2026

307 - Sermão de Santo Agostinho sobre a Páscoa - “SOBRE A RESSURREIÇÃO DE CRISTO, SEGUNDO SÃO MARCOS”

 


307

Sermão de Santo Agostinho sobre a Páscoa

“SOBRE A RESSURREIÇÃO DE CRISTO, SEGUNDO SÃO MARCOS”

Santo Agostinho (*350 - †430) - Bispo de Hipona

 

1.      A ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo lê-se estes dias, como é costume, segundo cada um dos livros do santo Evangelho.

2.      Na leitura de hoje ouvimos Jesus Cristo censurando os discípulos, primeiros membros seus, companheiros seus porque não criam estar vivo aquele mesmo por cuja morte choravam.

3.      Pais da fé, mas ainda não fiéis; mestres - e a terra inteira haveria de crer no que pregariam, pelo que, aliás, morreriam - mas ainda não criam.

4.      Não acreditavam ter ressuscitado aquele que haviam visto ressuscitando os mortos. Com razão, censurados: ficavam patenteados a si mesmos, para saberem o que seriam por si mesmos os que muito seriam graças a ele.

5.      E foi deste modo que Pedro se mostrou quem era: quando iminente a Paixão do Senhor, muito presumiu; chegada a Paixão, titubeou. Mas caiu em si, condoeu-se, chorou, convertendo-se a seu Criador.

6.      Eis quem eram os que ainda não criam, apesar de já verem. Grande, pois, foi a honra a nós concedida por aquele que permitiu crêssemos no que não vemos! Nós cremos pelas palavras deles, ao passo que eles não criam em seus próprios olhos.

7.      A ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo é a vida nova dos que creem em Jesus, e este é o mistério da sua Paixão e Ressurreição, que muito devíeis conhecer e celebrar.

8.      Porque não sem motivo desceu a Vida até a morte. Não foi sem motivo que a fonte da vida, de onde se bebe para viver, bebeu desse cálice que não lhe convinha. Por que a Cristo não convinha a morte.

9.      De onde veio a morte? Vamos investigar a origem da morte. O pai da morte é o pecado. Se nunca houvesse pecado ninguém morreria. O primeiro homem recebeu a lei de Deus, isto é, um preceito de Deus, com a condição de que se o observasse viveria e se o violasse morreria. Não crendo que morreria, fez o que o faria morrer; e verificou a verdade do que dissera quem lhe dera a lei.

10.  Desde então, a morte. Desde então, ainda, a segunda morte, após a primeira, isto é, após a morte temporal a eterna morte. Sujeito a essa condição de morte, a essas leis do inferno, nasce todo homem; mas por causa desse mesmo homem, Deus se fez homem, para que não perecesse o homem. Não veio, pois, ligado às leis da morte, e por isso diz o Salmo: “Livre entre os mortos” [Sl 87].

11.  Concebeu-o, sem concupiscência, uma Virgem; como Virgem deu-lhe à luz, Virgem permaneceu. Ele viveu sem culpa, não morreu por motivo de culpa, comungava conosco no castigo mas não na culpa. O castigo da culpa é a morte.

12.  Nosso Senhor Jesus Cristo veio morrer, mas não veio pecar; comungando conosco no castigo sem a culpa, aboliu tanto a culpa como a castigo.

13.  Que castigo aboliu? O que nos cabia após esta vida. Foi assim crucificado para mostrar na cruz o fim do nosso homem velho; e ressuscitou, para mostrar em sua vida, como é a nossa vida nova. Ensina-o o Apóstolo: “Foi entregue por causa dos nossos pecados, ressurgiu por causa da nossa justificação” [Rm 4,25].

14.  Como sinal disto, fora dada outrora a circuncisão aos patriarcas: no oitavo dia todo indivíduo do sexo masculino devia ser circuncidado. A circuncisão fazia-se com cutelos de pedra: porque Cristo era a pedra. Nessa circuncisão significava-se a espoliação da vida carnal a ser realizada no oitavo dia pela Ressurreição de Cristo.

15.  Pois o sétimo dia da semana é o sábado; no sábado o Senhor jazia no sepulcro, sétimo dia da semana. Ressuscitou no oitavo. A sua Ressurreição nos renova. Eis por que, ressuscitando no oitavo dia, nos circuncidou.

16.  É nessa esperança que vivemos. Ouçamos o Apóstolo dizer. “Se ressuscitasses com Cristo...” [Cl 3,1] Como ressuscitamos, se ainda morremos? Que quer dizer o Apóstolo: “Se ressuscitasses com Cristo?” Acaso ressuscitariam os que não tivessem antes morrido? Mas falava aos vivos, aos que ainda não morreram ... os quais, contudo, ressuscitaram: que quer dizer?

17.  Vede o que ele afirma: “Se ressuscitasses com Cristo, procurai as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus, saboreai o que é do alto, não o que está sobre a terra. Porque estais mortos!”

18.  É o próprio Apóstolo quem está falando, não eu. Ora, ele diz a verdade, e, portanto, digo-a também eu... E por que também a digo? “Acreditei e por causa disto falei” [Sl 115].

19.  Se vivemos bem, é que morremos e ressuscitamos. Quem, porém, ainda não morreu, também não ressuscitou, vive mal ainda; e se vive mal, não vive: morra para que não morra. Que quer dizer: morra para que não morra? Converta-se, para não ser condenado.

20.  “Se ressuscitasses com Cristo”, repito as palavras do Apóstolo, “procurai o que é do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus, saboreai o que é do alto, não o que é da terra. Pois morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a vossa vida, aparecer, então também aparecereis com ele na glória”. São palavras do Apóstolo.

21.  A quem ainda não morreu, digo-lhe que morra; a quem ainda vive mal, digo-lhe que se converta. Se vivia mal, mas já não vive assim, morreu; se vive bem, ressuscitou.

22.  Mas, que é viver bem? Saborear o que está no alto, não o que sobre a terra. Até quando és terra e à terra tornarás? Até quando lambes a terra? Lambes a terra, amando-a, e te tornas inimigo daquele de quem diz o Salmo: “os inimigos dele lamberão a terra” [Sl 79,9].

23.  Que éreis vós? Filhos de homens. Que sois vós? Filhos de Deus. Ó filhos dos homens, até quando tereis o coração pesado? Por que amais a vaidade e buscais a mentira? Que mentira buscais? O mundo.

24.  Quereis ser felizes, sei disto. Dai-me um homem que seja ladrão, criminoso, fornicador, malfeitor, sacrílego, manchado por todos os vícios, soterrado por todas as torpezas e maldades, mas não queira ser feliz.

25.  Sei que todos vós quereis viver felizes, mas o que faz o homem viver feliz, isso não quereis procurar.

26.  Tu, aqui, buscas o ouro, pensando que com o ouro serás feliz; mas o ouro não te faz feliz. Por que buscas a ilusão? E com tudo o que aqui procuras, quando procuras mundanamente, quando o fazes amando a terra, quando o fazes lambendo a terra, sempre visas isto: ser feliz. Ora, coisa alguma da terra te faz feliz.

27.  Por que não cessas de buscar a mentira? Como, pois, haverás de ser feliz? “Ó filhos dos homens, até quando sereis pesados de coração, vós que onerais com as coisas da terra o vosso coração?” [Sl 4,3] Até quando foram os homens pesados de coração? Foram-no antes da vinda de Cristo, antes que ressuscitasse o Cristo. Até quando tereis o coração pesado? E por que amais a vaidade e procurais a mentira?

28.  Querendo tornar-vos felizes, procurais as coisas que vos tornam míseros! Engana-vos o que descaiais, é ilusão o que buscais.

29.  Queres ser feliz? Mostro-te, se te agrada, como o serás. Continuemos ali adiante (no versículo do Salmo): “Até quando sereis pesados de coração? Por que amais a vaidade e buscais a mentira?” “Sabei” - o quê? – “que o Senhor engrandeceu o seu Santo” [Sl 4,3].

30.  O Cristo veio até nossas misérias, sentiu a fone, a sede, a fadiga, dormiu, realizou coisas admiráveis, padeceu duras coisas, foi flagelado, coroado de espinhos, coberto de escarros, esbofeteado, pregado no lenho, traspassado pela lança, posto no sepulcro; mas no terceiro dia ressurgiu, acabando-se o sofrimento, morrendo a morte.

31.  Eia, tende lá os vossos olhos na ressurreição de Cristo; porque tanto quis o Pai engrandecer o seu Santo, que o ressuscitou dos mortos e lhe deu a honra de se assentar no Céu à sua direita.

32.  Mostrou-te o que deves saborear se queres ser feliz, pois aqui não o poderás ser. Nesta vida não podes ser feliz, ninguém o pode.

33.  Boa coisa a que desejas, mas não nesta terra se encontra o que desejas. Que desejas? A vida bem-aventurada. Mas aqui não reside ela.

34.  Se procurasses ouro num lugar onde não houvesse, alguém, sabendo da sua não existência, haveria de te dizer: “Por que estás a cavar? Que pedes à terra? Fazes uma fossa na qual hás de apenas descer, na qual nada encontrarás!” Que responderias a tal conselheiro? “Procuro ouro”. Ele te diria: “Não nego que exista o que descias, mas não existe onde o procuras”.

 

35.  Assim também, quando dizes: “Quero ser feliz”. Boa coisa queres, mas aqui não se encontra. Se aqui a tivesse tido o Cristo, igualmente a teria eu. Vê o que ele encontrou nesta região da tua morte: vindo de outros paramos, que achou aqui senão o que existe em abundância? Sofrimentos, dores, morte. Comeu contigo do que havia na cela de tua miséria. Aqui bebeu vinagre, aqui teve fel. Eis o que encontrou em tua morada.

36.  Contudo, convidou-te à sua grande mesa, à mesa do Céu, à mesa dos anjos, onde ele é o pão. Descendo até cá, e tantos males recebendo de tua cela, não só não rejeitou a tua mesa, mas prometeu-te a sua.

37.  E que nos diz ele? “Crede, crede que chegareis aos bens da minha mesa, pois não recusei os males da vossa”.

38.  Tirou-te o mal e não te dará o seu bem? Sim, da-lo-á. Prometeu-nos sua vida, mas é ainda mais incrível o que fez: ofereceu-nos a sua morte.

39.  Como se dissesse: “À minha mesa vos convido. Nela ninguém morre, nela está a vida verdadeiramente feliz, nela o alimento não se corrompe, mas refaz e não se acaba. Eia para onde vos convido, para a morada dos anjos, para a amizade do Pai e do Espírito Santo, para a ceia eterna, para a fraternidade comigo; enfim, a mim mesmo, à minha vida eu vos conclamo! Não quereis crer que vos darei a minha vida? Retende, como penhor a minha morte”.

40.  Agora, pois, enquanto vivemos nesta carne corruptível, morramos com Cristo pela conversão dos costumes, vivamos com Cristo pelo amor da justiça. Não haveremos de receber a vida bem-aventurada senão quando chegarmos àquele que veio até nós, e quando começarmos a viver com aquele que por nós morreu.

quarta-feira, 18 de março de 2026

306 - SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica - Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 30 a 47

 



Frei Isaac, Edson, Rodrigo, Nathalie, Marleide, Frei Leopoldo



306

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA

(330-379)

Regra Monástica - Asketikon

As Regras Menos Extensas (313 regras)

Interrogações 30 a 47

 

INTERROGAÇÃO 30

Como eliminaremos o vício da concupiscência má?

 

Resposta

            Com o desejo ardente da vontade de Deus, tal como demonstrou possuir aquele que disse: Os juízos do Senhor são verdadeiros, todos igualmente justos. Mais desejáveis que o ouro, que muito ouro fino. Mais doces que o mel, que o puro mel dos favos (SI 18,10.11). O desejo das coisas melhores, quando se tem a capacidade e a força de fruir do que se deseja, sempre impõe o desprezo e o afastamento das mais insignificantes, como o ensinaram todos os santos; com quanto maior razão das coisas más e vergonhosas!

 

INTERROGAÇÃO 31

Se não é lícito, absolutamente, rir-se.

 

Resposta

            Como o Senhor condena os que riem agora (Lc 6,25), é evidente não haver para o fiel tempo algum próprio ao riso, principalmente sendo tão grande a multidão dos que ofendem a Deus (Rm 2,23), por violação da lei, e morrem no pecado; por todos eles devemos contristar-nos e gemer.

 

INTERROGAÇÃO 32

Donde vem o torpor (preguiça) inoportuno e excessivo e como o repeliremos?

 

Resposta

            Este torpor sobrevém ao se tornar a alma mais indolente quanto aos pensamentos de Deus, menosprezando os juízos divinos. Sacudimo-lo se pensarmos sincera e dignamente na grandeza de Deus e desejarmos sua vontade, conforme aquele que disse: Não darei sono aos meus olhos, nem repouso às minhas

pálpebras, nem descanso às minhas têmporas, até que encontre residência para o Senhor, uma morada ao Poderoso de Jacó (SI 131,4.5).

 

INTERROGAÇÃO 33

Como se descobre que alguém está procurando agradar aos homens?

 

Resposta

            Quando mostra solicitude pelos que o louvam e indolência para com os que o censuram. Se quer agradar a Deus, sempre e em toda a parte será o mesmo, realizando a palavra: Pelas armas da justiça ofensivas e defensivas; através da honra e da desonra, da boa e da má fama; embora sejamos tidos como impostores, somos, no entanto, sinceros (2Cor 6,7.8).

 

INTERROGAÇÃO 34

Como fugir do vício de agradar aos homens e como menoscabar (diminuir a importância) os louvores dos homens?

 

Resposta

            Com a convicção firme da presença de Deus, com a solicitude contínua de agradar a Deus, com o desejo ardente das bem-aventuranças prometidas pelo Senhor. Ninguém, sob o olhar de seu senhor, oscila, buscando agradar a um companheiro de servidão, com desacato a seu senhor e condenação para si mesmo.

 

 

INTERROGAÇÃO 35

Como se conhecerá o soberbo e como ficará curado?

 

Resposta

            Conhecer-se-á pelo fato de procurar o predomínio; curar-se-á, se tiver fé no julgamento daquele que disse: O Senhor resiste aos soberbos, mas dá sua graça aos humildes (Tg 4,6). Convém saber que, apesar do receio de ser julgado soberbo, ninguém se curará desse vício se não abandonar inteiramente a ambição de prevalecer, como não poderá esquecer uma língua ou uma arte, quem não deixar completamente não só de fazer ou de falar a respeito de tal arte, mas até de ouvir os que falam, e de olhar os que fazem; o mesmo seja observado em relação a qualquer vício.

 

INTERROGAÇÃO 36

Se as honras devem ser ambicionadas.

 

Resposta

            Foi-nos ensinado que devemos prestar honras a quem a honra é devida (Rm 13,7); ambicioná-la, porém, foi proibido pelo Senhor que disse: Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros e não buscais a glória que é só de Deus (Jo 5,44)? Portanto, buscar a glória que vem dos homens é demonstração de infidelidade e oposição à piedade, pois diz o Apóstolo: Se quisesse ainda agradar aos homens, não seria servo de Cristo (G1 1,10). Se de tal modo são condenados os que aceitam a glória que os homens lhes dão, os que procuram a que lhes não é oferecida sofrerão um juízo indizível.

 

INTERROGAÇÃO 37

De que modo o preguiçoso em cumprir o mandamento poderá recuperar a diligência?

 

Resposta

            Se estiver firmemente persuadido da presença do Senhor Deus que tudo vê, das ameaças contra o preguiçoso, da esperança da grande recompensa por parte do Senhor que prometeu por meio do apóstolo Paulo haver de alcançar cada qual a própria recompensa de acordo com o labor (ICor 3,8); e ainda quanto de semelhante foi escrito para suscitar o zelo de cada um, ou a paciência para a glória de Deus.

 

INTERROGAÇÃO 38

Se um irmão receber uma ordem e contradisser, mas depois for espontaneamente.

 

Resposta

            Pelo fato de contradizer, enquanto é contumaz e provoca os outros a agirem de igual modo, saiba que é réu daquela sentença: O perverso só busca a rebeldia (Pr 17,11). Persuada-se bem de não ser a um homem que contradiz ou obedece, mas ao próprio Senhor, que disse: Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita (Lc 10,16). E arrependido primeiro, apresente escusas, e assim, se lho permitirem, faça o trabalho.

 

INTERROGAÇÃO 39

Se alguém obedecer murmurando.

 

Resposta

            Uma vez que disse o Apóstolo: Fazei todas as coisas sem murmurações e sem hesitações (F1 2,14), quem murmura aliena-se da unidade dos irmãos e o seu trabalho é excluído do uso dos mesmos. Evidencia-se estar enfermo de incredulidade e hesitação na esperança.

 

INTERROGAÇÃO 40

Se um irmão contrista a outro, como deve ser corrigido?

 

Resposta

            Se o entristeceu da mesma forma que o Apóstolo, quando diz: Fostes entristecidos segundo Deus, de modo que nenhum dano sofrestes de nossa parte (2Cor 7,9), não é quem entristece que necessita de correção, e sim o entristecido é quem deve mostrar as propriedades da tristeza, segundo Deus. Se o entristeceu em coisas indiferentes, quem contristou lembre-se do Apóstolo que diz: Se, por uma questão de comida, entristeces o teu irmão, já não vives segundo a caridade (Rm 14,15), e tendo reconhecido o seu pecado, cumpra o que foi dito pelo Senhor: Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; então vem fazer a tua oferta (Mt 5,23.24).

 

INTERROGAÇÃO 41

Se aquele que contristou se recusar a pedir desculpas.

 

Resposta

            Cumpram-se as palavras do Senhor sobre o pecador impenitente: Se recusar ouvir a Igreja, seja ele para ti como um pagão ou um publicano (Mt 18,17).

 

INTERROGAÇÃO 42

Se quem contristou pedir desculpas, mas o entristecido recusar reconciliar-se.

 

Resposta

            É clara a sentença do Senhor a seu respeito, na parábola do servo em relação a seu companheiro de serviço; o primeiro, rogado, não quis ter paciência: Vendo isto, os outros servos vieram contar a seu senhor o que se tinha passado. E o senhor, encolerizado, retirou-lhe o seu favor, entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a dívida (Mt 18,31.34).

 

INTERROGAÇÃO 43

Como atender àquele que nos desperta para a oração?

 

Resposta

            Quem reconhece o detrimento proveniente do sono, já que a alma perde até a percepção de si mesma, e compreende a vantagem das vigílias, especialmente como é excelente e glorioso aproximar-se de Deus para rezar, atenderá àquele que o desperta, seja para a oração, seja para cumprir uma ordem, como a alguém que lhe presta os maiores benefícios, acima de todos os desejos.

 

INTERROGAÇÃO 44

Que merece quem ficar de mau humor ou mesmo se irritar, ao ser despertado?

 

Resposta

            Seja, por algum tempo, castigado com o isolamento e o jejum, se for capaz de compreender, arrependido, de quantos e de quais bens se privou imperceptivelmente e, assim, convertido, alegre-se de receber idêntico benefício ao daquele que afirmou: Alegra-me a lembrança de Deus (SI 76,4). Se, porém, continuar insensível, seja cortado do corpo corno um membro gangrenado e corrupto. Está escrito, em verdade: É preferível perder-se um só dos teus membros a que o teu corpo inteiro seja atirado na geena (Mt 5,30).

 

INTERROGAÇÃO 45

Se alguém, tendo ouvido do Senhor que: O servo que, apesar de conhecer a vontade de seu Senhor, não a fez, nada preparou e lhe desobedeceu, será açoitado com muitos golpes, e aquele que a ignorou e fez coisas repreensíveis será açoitado com poucos golpes (Lc 12,47-48), negligencia, no entanto, conhecer a vontade do Senhor, terá ele alguma desculpa?

 

Resposta

            É evidente que simula ignorância e não pode fugir à condenação do seu pecado. Se eu não viesse, diz o Senhor, e não lhe tivesse falado, não teriam pecado, mas agora não há desculpa para o seu pecado (Jo 15,22), porque a Sagrada Escritura em toda parte e a todos anuncia a vontade de Deus. Esse, portanto, não sofrerá menor condenação em companhia dos ignorantes, mas ao contrário será condenado mais severamente com aqueles, dos quais está escrito: Semelhante ao veneno da víbora que fecha os ouvidos, para não ouvir a voz dos fascinadores, do mágico que enfeitiça habilmente (SI 57,5-6). Se, porém, o encarregado do ministério da palavra negligenciar anunciá-la, será condenado como homicida, conforme está escrito (Ez 33,8).

 

INTERROGAÇÃO 46

Se é réu de pecado quem permite a outrem pecar.

Resposta

            Sua sentença evidencia-se das palavras do Senhor a Pilatos: Quem entregou a ti tem pecado maior (Jo 19,11). Daí se deduz que também Pilatos, ao tolerar os que o entregaram, tornou-se réu de pecado, embora mais leve. Vemo-lo igualmente em Adão que suportou a Eva; em Eva, que tolerou a serpente. Nenhum deles ficou impune, como se fosse inocente. A própria indignação de Deus contra eles, ponderada bem a questão, o

demonstra, pois quando Adão, à guisa de escusa, disse aquela palavra: A mulher que deste apresentou-me deste fruto e eu (Gn 3,12), Deus respondeu: Porque ouviste a voz de tua mulher e comeste do fruto da árvore que eu te havia proibido comer, a terra será maldita por tua causa (Gn 3,17), etc.

 

INTERROGAÇÃO 47 Se convém calar diante dos que pecam.

Resposta

            Verifica-se pelos preceitos do Senhor que não convém; disse ele no Antigo Testamento: Repreende publicamente o teu irmão, para que não incorras em pecado por sua causa (Lv 19,17).

            No Evangelho, porém: Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente: se te ouvir, terás ganho teu irmão. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar também ouvir a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano (Mt 18,15-17).

            Depreende-se a gravidade da sentença desse pecado, primeiro da palavra do Senhor, quando afirmou, em geral: Quem não crê no Filho, não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus (Jo 3,36). A seguir, das histórias narradas na Escritura, antiga e nova.

            Eis, por exemplo, quando Acã roubou o lingote de ouro e a veste, a ira do Senhor recaiu sobre todo o povo, embora esse ignorasse o autor do pecado e o próprio pecado, até que o acima mencionado fosse descoberto e sofresse, com todos os seus, aquela horrível ruína (Js 7,21-26).

            Eli, ainda que não tivesse guardado silêncio para com seus filhos, que eram pestilentos, mas frequentemente os admoestasse, dizendo: Não façais assim, meus filhos, não são boas as informações que chegam a vosso respeito (ISm 2,24) e ainda, com outras palavras, mostrasse o absurdo do pecado e sua inevitável condenação, porque não os punira devidamente, nem demonstrara a energia conveniente contra eles, de tal modo exasperou a ira de Deus que o povo pereceu com os filhos, a própria arca foi tomada pelos estrangeiros e ele mesmo teve um fim miserável.

            Se tamanha ira se inflamou contra aqueles que não estavam cientes do autor do pecado e contra os que proibiram o pecado e testemunharam contra ele, que se dirá dos que sabem, contudo se calam? A não ser que façam o que recomendou o Apóstolo aos coríntios com as seguintes palavras: Nem tendes manifestado tristeza, para que seja tirado dentre vós o que cometeu tal ação (ICor 5,2). Ele mesmo atesta como os coríntios agiram a seguir, escrevendo: Vede, pois, que  disposições operou em vós a tristeza segundo Deus! Que digo eu? Que escusas! Que indignação! Que temor! Que ardor! Que zelo! Que severidade! Mostrastes em tudo que não tínheis culpa neste assunto (2Cor 7,11).

            Mesmo agora existe em geral o perigo para todos juntos de serem sujeitos à mesma ruína, ou até mais grave, na medida em que é pior do que aquele que despreza a lei de Moisés, quem despreza o Senhor (Hb 10,29) e ousa cometer o mesmo pecado que aquele que anteriormente pecou e foi condenado. Se Caim será vingado sete vezes, Lameque, que cometeu pecado semelhante, o será setenta vezes sete (Gn 4,24).

 

O que você destaca no texto?

Como ele serve para sua vida espiritual?

O que você destaca na fala do seu/sua irmãos/ã?

terça-feira, 10 de março de 2026

305 - SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica - Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 13 a 29

 

Edmar, Nathalie, Fredson, Leopoldo, Isaac, Lilian, Luiz Daniel, Edson e Marisa.

Vídeo do Encontro





305

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA

(330-379)

Regra Monástica - Asketikon

As Regras Menos Extensas (313 regras)

Interrogações 13 a 29

 

 

 

INTERROGAÇÃO 13

Quem pecou depois do batismo deve desesperar de sua salvação, por se achar envolvido numa multidão de pecados, ou até que quantidade de pecados deve confiar na benignidade de Deus, por meio da penitência?

 

Resposta

            Se for possível enumerar a multidão das comiserações de Deus e medir a grandeza das suas misericórdias, em confronto com a quantidade e a grandeza dos pecados, então, perca-se a esperança. Se as últimas, porém, como se sabe, estão sujeitas a medida e número, e se é impossível medir a misericórdia de Deus e calcular as suas comiserações, não é tempo de desesperar, e sim, de reconhecer a misericórdia e de detestar os pecados, cuja remissão é proposta por meio do sangue de Cristo, como está escrito.

            Aprendemos que não se deve desesperar, de muitos lugares e de muitas maneiras, principalmente da parábola de Nosso Senhor Jesus Cristo acerca do filho que, tendo recebido as riquezas paternas, desperdiçou-as em pecados (Lc 15,13s). Instruem-nos as próprias palavras do Senhor sobre que grande festa mereceu a penitência.

            Também por Isaías diz Deus: Se vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve! se forem vermelhos como a purpura, ficarão brancos como a lã! (Is 1,18). Devemos saber que isto só será verdade, se for adequado o modo de penitência, procedente de uma disposição de horror ao pecado, conforme está escrito no Antigo e no Novo Testamento; e se der dignos frutos, como foi dito na interrogação que trata deste assunto.

 

INTERROGAÇÃO 14

Com que espécie de frutos se há de comprovar a verdadeira penitência?

 

Resposta

            A atitude dos próprios penitentes, a disposição dos que abandonam o pecado e o zelo pelos dignos frutos de penitência foram descritos no devido lugar.

 

INTERROGAÇÃO 15

Que significa a palavra: Quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? (Mt 18,21). E quais os pecados que devo perdoar?

 

Resposta

            O poder de perdoar não foi dado de modo absoluto, mas depende da obediência do pecador arrependido e de sua concórdia com aquele que está cuidando de sua alma. Pois está escrito a respeito desses: Se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus (ibid. 19).

Quanto à espécie de pecados, nem se deve perguntar. O Novo Testamento não faz diferença alguma, mas promete a remissão de todos os pecados aos que se penitenciam devidamente; e, principalmente, porque o Senhor em pessoa o prometeu a respeito de todos.

 

INTERROGAÇÃO 16

Por que é que às vezes a alma sem esforço sente compunção por um pesar espontâneo que dela de repente se apossa; e por vezes de tal modo não sente contrição que, mesmo fazendo-se violência, não pode se compungir?

 

Resposta

            Tal compunção é dom de Deus, ou para excitar o desejo, de modo que a alma, tendo provado a doçura de tal pesar, empenhasse em cultivá-lo, ou para demonstrar que o espírito pode, por meio de uma aplicação mais diligente, ter sempre a compunção, de maneira que não há desculpas para os que a perdem por negligência; mas, o fato de esforçar-se e não poder, acusa nosso desleixo no passado (pois não é possível alguém de repente enfrentar uma tarefa e conseguir fazê-la, sem aplicação e muitos e assíduos exercícios), e simultaneamente mostra que a alma está dominada por outros vícios, que não a deixam livre de fazer o que quer, segundo a sentença proferida pelo Apóstolo: Mas eu sou carnal, vendido ao pecado. Não faço o que quero, mas faço o que aborreço (Rm 7,14-15). E ainda: Mas então, não sou eu que o faço, mas o pecado que em mim habita (ibid. 17). Deus permite que isto aconteça para nosso bem, a fim de que, talvez, possa a alma, pelo que sofre a contragosto, sentir qual o poder que a subjuga e conhecer em que ponto involuntariamente serve ao pecado, e assim rejeitar as ciladas do diabo e encontrar a misericórdia de Deus, pronta a receber os que se arrependem sinceramente.

 

INTERROGAÇÃO 17

Se alguém pensar em comer, depois censurar-se a si mesmo, deve ser acusado de ter sido inquieto?

 

Resposta

            Se vem a lembrança da fome antes da hora, sem que a natureza o moleste, é claro que foi um desvio da mente, onde se trai a propensão para as coisas presentes e a negligência pelas coisas que agradam a Deus. Mesmo assim lhe está reservada a misericórdia de Deus. Porque, ao acusar-se alguém, é absolvido do crime pela penitência e se para o futuro se precaver da queda, lembrado do Senhor que disse: Eis que ficaste são; já não peques, para não te acontecer coisa pior (Jo 5􀈾4). Se, porém, por necessidade natural, a fome aumentar, a sensação de fato mover a memória, mas a razão vencê-la por meio de zelo, ou ocupação com coisas melhores, esta lembrança não é condenável e sim, a vitória, louvável.

 

INTERROGAÇÃO 18

Se deve um membro ãa comunidade que pecou, depois de muitos exercidos, receber um ofício. E se deve, qual?

 

Resposta

            Lembrados do Apóstolo que disse: Não vos torneis causa de escândalo, nem para os judeus, nem para os gentios, nem para a Igreja de Deus. Fazei como eu: em todas as circunstâncias procuro agradar a todos, não buscando o meu interesse próprio, mas o de muitos, para que sejam salvos (ICor 10,32.33), devemos empregar grande cuidado em não sermos obstáculo ao Evangelho de Cristo e um impedimento para os fracos, nem instruirmos a alguns no mal. Nestas questões, considere-se e julgue-se o que contribui para a edificação da fé e o progresso das virtudes em Cristo.

 

INTERROGAÇÃO 19

Se incorrer em suspeita de pecado alguém que não o comete às claras, deve ser vigiado a fim de que se depreenda o que se suspeitou?

 

Resposta

            As suspeitas más e as provenientes de um preconceito malévolo são condenadas pelo Apóstolo. O encarregado de cuidar de todos deve observar a todos na caridade de Cristo, desejando a cura do suspeito, a fim de que se realize a palavra do Apóstolo: Para tornar todo o homem perfeito em Cristo (Cl 1,28).

 

INTERROGAÇÃO 2Ò

Se deve o que viveu no pecado fugir da companhia dos heterodoxos ou também evitar a dos que vivem mal.

 

Resposta

            Tendo dito o Apóstolo: que vos aparteis de qualquer irmão que viva na preguiça, sem observar as instruções que de nós tendes recebido (2Ts 3,6), de modo geral é muito perigoso e prejudicial para todos qualquer participação em pontos proibidos, seja por pensamento, palavra ou obra. Os que viveram no pecado devem ter ainda mais cautela. Primeiro, porque a alma acostumada ao pecado é na maior parte das vezes mais inclinada a ele; em seguida, porque, como o tratamento dos corpos enfermos exige a maior atenção, a ponto de, muitas vezes, se lhes proibir o que é útil aos sãos, assim também os doentes de espírito necessitam de muito maior vigilância e cuidado. O próprio Apóstolo declara como é grande o prejuízo da sociedade com os pecadores, com o seguinte argumento: Um pouco de fermento leveda a massa toda (ICor 5,6). Se é tamanho o dano causado pelos que erram moralmente, que dizer dos que opinam falsamente de Deus?

            Seu parecer malvado não lhes permite terem juízo reto no restante, porque ele os entrega, de uma vez, às paixões ignominiosas; isto se evidencia em muitas passagens e principalmente no trecho da epístola aos Romanos: Como se recusaram a procurar uma noção exata de Deus, Deus entregou-os a um sentimento depravado, e daí seu procedimento indigno. Então, cheios de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade, são difamadores, maldizentes, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, desobedientes aos pais. São insensatos, imodestos, sem afeição, sem palavra e sem misericórdia. Apesar de conhecerem o justo decreto de Deus que considera dignos de morte aqueles que fazem tais coisas, eles não somente as fazem, mas também aplaudem os que as cometem (Rm 1,28-32).

 

 

INTERROGAÇÃO 21

Donde vêm as divagações e as cogitações e como corrigi-las?

 

Resposta

            A divagação se origina na ociosidade da mente, que não se ocupa do necessário. A mente torna-se ociosa e descuidada, porque não crê estar presente Deus, que perscruta os corações e os rins. Se acreditasse nisto, realizaria plenamente a palavra: Ponho sempre o Senhor diante dos olhos; pois que ele está à minha direita, não vacilarei (SI 15,8). Quem faz isto e outras coisas semelhantes, jamais ousará, nem terá tempo para cogitar algo que não se destine à edificação da fé, mesmo que pareça bom, e muito menos o que é proibido e não agrada a Deus.

 

INTERROGAÇÃO 22 Donde provêm os sonhos indecorosos?

 

Resposta

            Vêm dos impulsos desordenados da alma durante o dia. Se, porém, a alma ocupada com os juízos de Deus se purifica e medita continuamente coisas boas e agradáveis a Deus, também sonhará com isto.

 

INTERROGAÇÃO 23

Que espécie de palavras torna ociosa uma conversa?

 

Resposta

            Em suma, qualquer palavra que não vise um fim útil, no Senhor, é ociosa. É tão grande o perigo de tal palavra que, embora seja bom o que for dito, se não servir para a edificação da fé, a bondade da palavra não afasta do perigo a quem falou, mas porque este não a empregou para edificar, contrista o Espírito Santo de Deus. O Apóstolo ensinou-o claramente: Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só boas palavras que eventualmente sirvam para a edificação da fé, e sejam benfazejas aos que as ouvem (Ef 4,29), e acrescentou: Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados (ibid. 30). Será preciso dizer que é grande mal entristecer o Espírito Santo de Deus?

 

INTERROGAÇÃO 24

O que é a injúria?

 

Resposta

            Toda palavra dita com o propósito de insultar é injúria, mesmo se a palavra não parecer ofensiva. Evidencia-se pelo Evangelho, que diz dos judeus: Então eles o cobriram de injúrias e lhe disseram: Tu que és discípulo dele! (Jo 9,28).

 

 

 

INTERROGAÇÃO 25

O que é a detração?

 

Resposta

            Há duas ocasiões, a meu ver, em que é lícito falar mal de outrem: quando alguém precisa aconselhar-se com pessoas idôneas, sobre como corrigir o pecador; e ainda quando for necessário prevenir a alguns que, por ignorância, poderiam associar-se a um mau, julgando-o bom, pois o Apóstolo proíbe (2Ts 3,14) unir-se a eles, a fim de que ninguém arme laços para a própria alma. Vemos que o Apóstolo agiu assim, através do que escreveu a Timóteo: Alexandre, o ferreiro, tem-me feito muito mal. Evita-o também tu, porque faz grande oposição às nossas palavras (2Tm 4,14.15). Exceto esses casos necessários, quem fala qualquer coisa contra alguém, para incriminá-lo ou denegri-lo, é maldizente, mesmo se falar a verdade.

 

INTERROGAÇÃO 26

Que merece quem fala mal de seu irmão ou escuta a um detrator e o tolera?

 

Resposta

            Ambos sejam excluídos da companhia dos demais. Exterminarei o que em segredo caluniar seu próximo (SI 100,5). E em outra passagem foi dito: Não ouças com agrado um falador (Pr 20,13), para não seres derrubado.

 

INTERROGAÇÃO 27

Como receberemos alguém que fale mal do superior?

 

Resposta

            Manifesta-se o seu julgamento pela ira de Deus contra Marian, quando falou mal de Moisés. Deus não deixou sem castigo este pecado, nem mesmo a pedido de Moisés.

 

INTERROGAÇÃO 28

Deve-se acreditar, quando alguém com palavras ousadas e tom insolente responder a outrem e, advertido, disser que nada de mal tem no coração?

 

Resposta

            Nem todos os vícios da alma são conhecidos de todos, mesmo daquele que deles sofre, como acontece com os males corporais. Os peritos descobrem no corpo certos sinais de doenças ocultas que escapam à percepção do próprio doente; assim também, mesmo se o pecador não sentir a doença da alma, deve crer no Senhor ao lhe dizer e a seus sequazes que o mau retira males do mau tesouro de seu coração. Pois o mau, algumas vezes, simula o bem em palavras e obras; o bom, porém, não pode simular mal algum. Aplicai-vos a fazer o bem, não diante de Deus, mas também diante de todos os homens (Rm 12,17).

 

INTERROGAÇÃO 29

Como pode alguém evitar a ira?

 

Resposta

            Se julgar estar sempre sendo visto por Deus que o observa, pelo Senhor presente. Qual o súdito que, diante dos olhos de seu príncipe, ousará fazer qualquer coisa que lhe desagrade? E mesmo se não esperar obediência da parte dos outros, esteja pronto a obedecer, considerando os demais como acima de si. Se procura ser obedecido por sua própria causa, saiba que a palavra do Senhor ensina a cada um a servir aos outros; se, porém, castiga a transgressão a um mandamento do Senhor, não há necessidade de ira e sim de misericórdia e de compaixão, segundo a palavra: Quem é fraco, que eu também não seja fraco? (2Cor 11,29).

 

O que você destaca no texto?

Como ele serve para sua vida espiritual?

O que você destaca na fala do seu/sua irmãos/ã?