sábado, 29 de agosto de 2026

323 - SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 276-286

 


323

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 276-286

 

INTERROGAÇÃO 276

O que significa a palavra do Apóstolo: Para que saibais avaliar qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito (Rm 12,2)?

Resposta:

a) Muitas são as coisas que Deus quer: umas, procedentes de sua tolerância e bondade, são chamadas de boas; outras, decorrentes de sua repreensão aos nossos pecados, são chamadas de males. Ele mesmo diz: Sou eu quem faço a paz e envio os males (Is 45,7).

b) Esses males ocorrem não para nos castigar, mas para nos corrigir. Como nos educam e nos levam à conversão por meio das provações, acabam se transformando em bem. Tudo o que Deus, bom e paciente, deseja, também nós devemos desejar e imitar: Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso (Lc 6,36). Da mesma forma, diz o Apóstolo: Sede imitadores de Deus, como filhos muito amados. Crescei no amor, segundo o exemplo de Cristo que nos amou (Ef 5,1-2).

c) Por outro lado, o que Ele nos envia em sua correção por causa dos nossos pecados — a que chamamos de mal —, de maneira nenhuma nos é lícito praticar. Mesmo que seja da vontade de Deus que os homens muitas vezes morram de fome, peste, guerra ou tragédias semelhantes, não nos convém cooperar para que esses males aconteçam. Para realizar tais propósitos, Deus se utiliza até mesmo de ministros severos, conforme diz a Escritura: Descarregou o ardor de sua cólera, indignação e furor, enviando anjos de desgraça (Sl 77,49).

Em primeiro lugar, portanto, deve-se discernir o que é a vontade de Deus e o que é o bem; depois, uma vez conhecido o bem, é preciso verificar se ele é realizado de modo agradável a Deus. Há atitudes que, por si mesmas, são boas e desejadas por Deus, mas deixam de ser agradáveis se forem praticadas por pessoas impróprias ou em momentos inadequados. Por exemplo, era da vontade de Deus que se oferecesse incenso, mas não era aceitável quando apresentado por Corá, Datã e Abirão. Igualmente, dar esmola é um bem, mas fazê-lo apenas para ser elogiado pelos homens de maneira alguma agrada a Deus. Da mesma forma, era vontade de Deus que os discípulos pregassem abertamente o que ouviram em segredo, mas falar antes do tempo oportuno não era agradável a Ele, como disse: Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do homem ressuscite dos mortos (Mt 17,9).

d) Em resumo, toda vontade de Deus que constitui um bem só nos agrada quando nela se cumpre a palavra do Apóstolo: Fazei tudo para a glória de Deus (1Cor 10,31), e tudo com decência e ordem (1Cor 14,40). Além disso, quando algo é a vontade de Deus, é bom e Lhe agrada, não devemos agir com descuido; é preciso ter o máximo de zelo e cuidado para realizá-lo com perfeição e integridade, avaliando tanto a conformidade com o mandamento quanto as forças de quem o executa. Como Ele declara: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento, e ao teu próximo como a ti mesmo (Lc 10,27), conforme o Senhor ensinou no Evangelho. O mesmo vale para todos os mandamentos, segundo o escrito: Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, na sua volta, encontrar agindo assim (Mt 24,46).

 

INTERROGAÇÃO 277

Qual é o aposento secreto onde o Senhor mandou entrar aquele que vai orar?

Resposta: Costuma-se chamar de aposento a parte reservada e privativa da casa onde guardamos nossos pertences, ou onde alguém pode se esconder, conforme disse o profeta: Vai, povo meu, entra nos teus quartos e esconde-te (Is 26,20). O próprio contexto esclarece o sentido do mandamento, que se dirige àqueles que sofrem da fraqueza de buscar a aprovação humana. Quem padece desse mal faz bem em retirar-se para orar em segredo, até alcançar o hábito de não se importar com os louvores dos homens e voltar seus olhos unicamente para Deus, como expressa o salmista: Como os olhos dos servos estão fixos nas mãos de seus senhores, e os olhos das servas nas mãos de suas senhoras, assim os nossos olhos estão voltados para o Senhor, nosso Deus (Sl 122,2).

No entanto, se alguém, pela graça de Deus, já estiver curado dessa fraqueza, não precisa esconder as suas boas ações. É o que o próprio Senhor nos ensina: Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha, nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim sobre o candeeiro, para que brilhe a todos os que estão em casa. Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus (Mt 5,14-16). O mesmo princípio se aplica à esmola, ao jejum e a todas as demais práticas de piedade.

 

INTERROGAÇÃO 278

Como pode o espírito de alguém orar, mas o seu entendimento ficar sem fruto?

Resposta: Isso se refere àqueles que oram em uma língua desconhecida por quem ouve. Por isso está escrito: Se eu orar em uma língua estranha, o meu espírito ora, mas o meu entendimento fica sem fruto (1Cor 14,14). Quando as palavras da oração são incompreensíveis aos presentes, o entendimento de quem ora não produz frutos, pois não traz proveito para ninguém. Porém, se os presentes compreendem a prece e são ajudados por ela, então aquele que ora colhe o fruto da melhoria espiritual daqueles que se beneficiaram. O mesmo vale para toda proclamação da Palavra de Deus, conforme está escrito: Dizei apenas palavras boas que sirvam para a edificação da fé, conforme a necessidade, para que transmitam graça aos ouvintes (Ef 4,29).

 

INTERROGAÇÃO 279

O que significa: Cantai salmos com sabedoria (Sl 46,8)?

Resposta: A inteligência aplicada às palavras da Sagrada Escritura é o equivalente à percepção do sabor dos alimentos na nutrição. Como diz o texto: O paladar prova os alimentos, e a mente distingue as palavras (Jó 12,11). Se alguém aplica o espírito ao sentido profundo de cada palavra — assim como o paladar aprecia a qualidade de cada alimento —, cumpre o mandamento que diz: Cantai salmos com sabedoria.

 

INTERROGAÇÃO 280

O que quer dizer "puro de coração"?

Resposta: É aquele que não se flagra a si mesmo menosprezando, omitindo ou descuidando de qualquer mandamento de Deus.

 

INTERROGAÇÃO 281

Deve-se obrigar aquele que não quer cantar salmos?

Resposta: Se alguém se recusa a cantar salmos de boa vontade, não demonstra a atitude daquele que disse: Quão saborosas são para mim as tuas palavras, mais doces que o mel à minha boca (Sl 118,103) e ainda trata a própria preguiça com descaso, deve ser corrigido ou afastado. Faz-se isso para que um pouco de fermento não azede toda a massa (Gl 5,9).

 

INTERROGAÇÃO 282

Quais são os que dizem: Comemos e bebemos contigo, e ouvem como resposta: Não sei de onde sois (Lc 13,26-27)?

Resposta: São aqueles descritos pelo Apóstolo quando ele diz: Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, nada disso me aproveita (1Cor 13,1-3). O Apóstolo aprendeu isso com o Senhor, que advertiu sobre alguns: Fazem as coisas para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam sua recompensa (Mt 6,2). Tudo o que se faz — seja o que for —, se não for motivado pelo amor a Deus, mas pelo desejo de obter elogios humanos, não recebe o mérito da piedade. Pelo contrário, atrai a condenação por buscar agradar aos homens ou a si mesmo por vaidade, rivalidade, inveja ou motivos semelhantes.

Por essa razão, o Senhor chama todas essas atitudes de obras de injustiça, respondendo aos que dizem "Comemos contigo": Apartai-vos de mim, todos vós que praticais a iniquidade (Lc 13,26-27). Como não seriam operários da maldade aqueles que usam os dons de Deus apenas para o próprio proveito? Desses fala o Apóstolo: Não somos, como tantos outros, negociantes da Palavra de Deus (2Cor 2,17), e também: Julgam que a piedade é fonte de lucro (1Tm 6,5). O próprio Apóstolo declarou estar livre dessas intenções ao afirmar: Não buscamos agradar aos homens, mas a Deus, que sonda os nossos corações. Com efeito, nunca usamos de bajulação, como sabeis, nem fomos movidos por ganância. Deus é testemunha. Não buscamos glória humana, nem de vós nem de outros (1Ts 2,4-6).

 

 

INTERROGAÇÃO 283

Aquele que faz a vontade de outrem torna-se seu cúmplice?

Resposta: Se acreditamos no Senhor, que disse: Todo aquele que comete pecado é escravo do pecado, e também: Vós tendes por pai o diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai (Jo 8,34.44), compreendemos que tal pessoa não é apenas cúmplice; ela reconhece como seu senhor e pai aquele cujas obras pratica. O Apóstolo confirma isso claramente: Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para lhe obedecer, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a justiça? (Rm 6,16).

 

INTERROGAÇÃO 284

Se uma comunidade empobrecer devido a uma crise ou doença, pode receber ajuda de outros sem hesitação? E, se puder, de quem deve aceitar?

Resposta: Quem se lembra do Senhor, que disse: Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes (Mt 25,40), deve agir com grande zelo e cuidado para ser digno de ser considerado irmão do Cristo. Quem se encontra nessa situação não deve hesitar em receber a ajuda, mas deve fazê-lo com gratidão. Cabe ao responsável pela comunidade avaliar com sabedoria de quem, quando e como aceitar tal auxílio, recordando as palavras: Que o azeite do ímpio não venha a ungir a minha cabeça (Sl 140,5), e: O meu ministro será aquele que anda pelo caminho reto (Sl 101,6).

 

INTERROGAÇÃO 285

Deve uma comunidade, ao negociar com outra, averiguar com cuidado qual é o preço justo de um objeto?

Resposta: Se a Palavra de Deus permite a compra e a venda entre irmãos, cabe lembrar que nos foi ensinado a partilhar nossos bens conforme a necessidade. Como está escrito: No tempo presente, a vossa abundância supra a carência deles, para que a abundância deles também supra a vossa carência; assim se estabelece a igualdade (2Cor 8,14). Se, porém, houver necessidade de transação comercial, o comprador deve ter ainda mais cuidado do que o vendedor para não pagar menos do que é justo. Ambos devem lembrar-se da advertência: Não é bom prejudicar o justo (Pr 17,26).

 

INTERROGAÇÃO 286

Se adoecer um membro da comunidade, deve ser levado ao hospital?

Resposta: Deve-se avaliar cada caso tendo em vista o bem comum e a glória de Deus.

 

1.    O que você destaca no texto?

2.    Como serve para a sua espiritualidade?

3.    De que forma esse texto desafia ou fortalece a nossa missão e os nossos valores aqui na OESI?

 

 

sábado, 22 de agosto de 2026

322 SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 256-275


Genisson, Isaac, Demétrius, Marisa, Edson, Marleide, Wender


                                                                                322

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 256-275

 

INTERROGAÇÃO 256

Pergunta: Qual é a recompensa que eles recebem, do mesmo modo que os últimos?

Resposta: Talvez seja próprio de todos os obedientes não se queixarem por causa das boas obras. Mas serem coroados é próprio daqueles que combateram o bom combate legitimamente, que terminaram sua corrida e guardaram a fé, no amor de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pode a recompensa combinada ser aquele cêntuplo que o Senhor prometeu que receberiam agora aqueles que, por causa do seu mandamento, deixassem todas as coisas presentes; de modo que a palavra "Pega o que é teu" signifique isto. Aqueles que pareciam ser os primeiros no trabalho, por sofrerem da doença da inveja contra os que receberam o mesmo prêmio, não merecem obter a herança da vida eterna, mas somente receber o cêntuplo agora e ouvir no futuro a sentença devida à inveja: "Vai-te".

 

INTERROGAÇÃO 257

Pergunta: Quais são as palhas queimadas em fogo inextinguível?

Resposta: São as pessoas úteis aos que forem dignos do reino dos céus, como a palha ao trigo, mas não por amor de Deus e do próximo — seja quanto aos carismas espirituais, seja quanto aos benefícios corporais —, e assim não atingem o fim.

 

INTERROGAÇÃO 258

Pergunta: Quem é o condenado pelo Apóstolo por afetar humildade e culto aos anjos, etc. (Cl 2,18)?

Resposta: Julgo explicar-se esta sentença pelas palavras acrescentadas a esta passagem. Na sequência, nomeia ele o rigor nos exercícios corporais (ibid. 23); tais são os maniqueus e os que se lhes assemelham.

 

INTERROGAÇÃO 259

Pergunta: Quem é fervoroso de espírito (Rm 12,11)?

Resposta: Aquele que, com disposição ardente, desejo insaciável e zelo incansável, faz a vontade de Deus na caridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo está escrito: "Em seus mandamentos põe o seu prazer" (Sl 111,1).

 

INTERROGAÇÃO 260

Pergunta: O Apóstolo às vezes diz: "Não sejais imprudentes" (Ef 5,17); outras: "Não sejais sábios aos vossos próprios olhos" (Rm 12,16). É possível a quem não é imprudente não ser sábio aos próprios olhos?

Resposta: Cada preceito tem os seus próprios limites. A este: "Não sejais imprudentes", acrescenta: "Mas procurai compreender qual é a vontade de Deus". Ao outro: "Não sejais sábios aos vossos próprios olhos", ajunta-se: "Teme o Senhor e afasta-te do mal" (Pr 3,7). Por isto, é imprudente aquele que não entende a vontade do Senhor; sábio, porém, aos próprios olhos, todo aquele que segue seus próprios pensamentos e não as palavras de Deus, de acordo com a fé. Se alguém, pois, não quer ser imprudente, nem sábio aos próprios olhos, deve entender qual é a vontade de Deus pela fé Nele, e, temendo o Senhor, imitar o Apóstolo que assegura: "Nós aniquilamos todo raciocínio e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento para reduzi-lo à obediência a Cristo" (2Cor 10,4-5).

 

 

INTERROGAÇÃO 261

Pergunta: Tendo prometido o Senhor que "tudo o que pedirdes com fé na oração, vós o alcançareis" (Mt 21,22) e ainda: "Se dois de vós se reunirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão" (Mt 18,19), por que alguns que suplicavam, até mesmo os santos, não receberam? Assim o Apóstolo: "Três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim" (2Cor 12,8), e não recebeu o que pedia; e também o profeta Jeremias e até o próprio Moisés.

Resposta: Como Nosso Senhor Jesus Cristo exprimiu em sua oração: "Pai, se é possível, passe longe de mim este cálice" (Mt 26,39) e logo acrescentou: "Todavia não se faça o que eu quero, mas, sim, o que tu queres".  Primeiro, convém saber que nem tudo o que queremos nos é lícito pedir, nem mesmo sabemos suplicar o que nos é útil, porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém. Por isto, devemos fazer as preces segundo a vontade de Deus, com muita ponderação. Se não formos ouvidos, saibamos que é preciso paciência e insistência, segundo a parábola do Senhor acerca do dever de orar sempre, sem nos fatigarmos, e conforme afirma outra passagem: "Por causa de sua importunação se levantará e lhe dará quantos pães ele necessitar" (Lc 11,8); ou emenda e diligência, de acordo com o dito do profeta a alguns, da parte do Senhor: "Quando estendeis vossas mãos, eu desvio de vós os meus olhos; quando multiplicais vossas preces, eu não as ouço. Vossas mãos estão cheias de sangue, lavai-vos, purificai-vos", etc. (Is 1,15-16). Não duvidem de que mesmo agora tal acontece e de que há alguns com as mãos cheias de sangue: os que creem naquele juízo de Deus proferido contra quem recebeu ordem de anunciar ao povo e calou-se: "É à sentinela que pedirei conta de seu sangue" (Ez 3,18). O Apóstolo, convicto de ser isto verdade indefectível, afirmou: "Hoje protesto diante de vós que sou inocente do sangue de todos; porque não me esquivei de anunciar-vos todo o desígnio de Deus" (At 20,26-27). Se é réu do sangue dos pecadores quem apenas se calou, que se dirá de quem, por obras e palavras, escandaliza os outros? Acontece por vezes, devido à indignidade do suplicante, não ser satisfeito o pedido, como sucedeu quando Davi rogava permissão para construir a casa de Deus, a qual lhe foi negada; embora fosse grato a Deus, não foi julgado digno desta obra. Jeremias, porém, parece não ter sido ouvido por causa da maldade daqueles pelos quais orava. Muitas vezes, também por nossa negligência, perdemos a ocasião oportuna para fazer a prece e, depois, vamos orar debalde em tempo impróprio. Quanto ao dito: "Três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim" (2Cor 12,8), é bom saber que há muitas e variadas razões para as tribulações externas e corporais. Deus as envia ou permite por uma economia melhor do que a libertação delas. Se alguém, portanto, conseguir saber que deve por meio da oração e da súplica livrar-se da adversidade, ao rogar será ouvido, como os dois cegos do Evangelho, os dez leprosos e muitos outros. Se, porém, não conhece a razão por que caiu em tentação (muitas vezes deve obter por meio da paciência o fim pelo qual lhe advêm os males) e for preciso até o fim suportá-la, no caso de pedir que lhe seja retirada a tribulação, não será atendido, porque não concorda com o escopo do amor que Deus tem aos homens. Quanto à afirmação: "Se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir" (Mt 18,19), a própria perícope é muito clara. Trata-se de quem argui o pecador e do arguido. Como Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva, se o arguido, de ânimo contrito, contribui para a finalidade visada por quem censura, em tudo — isto é, a respeito de todos os pecados dos quais pedem a remissão —, esta lhes será concedida por Deus, que ama o homem. Se, porém, o repreendido e quem repreende não entram em acordo, não haverá remissão, e sim vínculo, conforme as palavras seguintes: "Tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no céu" (Mt 18,18), de modo a se realizar a sentença: "Se se recusar a ouvir a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano" (ibid. 17).

 

 

INTERROGAÇÃO 262

Pergunta: Uma vez que a Escritura coloca a pobreza e a indigência entre as coisas louváveis — por exemplo, quando diz: "Bem-aventurados os que têm um coração de pobre" (Mt 5,3) e também: "O pobre e o desvalido louvarão o teu nome" (Sl 9,17; 73,21) —, qual é a diferença entre pobreza e indigência, e como é verdadeira a afirmação de Davi: "Quanto a mim, sou mendigo e pobre" (Sl 39,18)?

Resposta: Lembrado do Apóstolo que diz a respeito do Senhor: "Sendo rico, se fez pobre por nós" (2Cor 8,9), julgo ser pobre aquele que da riqueza caiu na necessidade; indigente, porém, é o que desde o início sofria necessidade e dominou esta tribulação de modo agradável a Deus. Davi, porém, se confessa indigente e pobre talvez na pessoa do Senhor, que é denominado pobre segundo a palavra: "Sendo rico, se fez pobre por nós"; e indigente porque foi julgado filho, segundo a carne, não de um rico, mas de um artífice. Talvez também porque, como Jó, não entesourou bens nem se apropriou de riquezas, mas administrou-as segundo a vontade de Deus.

 

INTERROGAÇÃO 263

Pergunta: Que quer ensinar o Senhor, por meio de exemplos, àqueles aos quais acrescentou: "Assim, pois, qualquer um de vós que não renuncia a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo" (Lc 14,33)? Se quem quer edificar uma torre ou guerrear contra outro rei deve se preparar ou para a construção ou para a guerra, e se não for capaz convém-lhe, de início, não lançar os alicerces ou pedir a paz, então quem quer ser discípulo do Senhor deve renunciar? E se vir que para si é difícil, ser-lhe-á lícito não começar a ser discípulo do Senhor?

Resposta: O fim visado pelo Senhor com estes exemplos não é dar liberdade de ser ou não discípulo seu, mas mostrar ser impossível que alguém, no meio de coisas que distraem o espírito, agrade a Deus; nelas periclita, tornando-se suscetível às ciladas do diabo e merecedor de zombaria e riso por ter deixado inacabadas as coisas nas quais se empenhara. O profeta pedia não lhe sobreviesse isso quando dizia: "Não se alegrem à minha custa os meus inimigos. Não se ensoberbeçam contra mim, quando meu pé resvala" (Sl 37,17).

 

INTERROGAÇÃO 264

Pergunta: Tendo dito o Apóstolo: "Sejais sinceros" (Fl 1,10), e ainda: "Mas com sinceridade" (2Cor 2,17), que é ser sincero?

Resposta: Julgo ser sincero o que está livre de mistura e purificado completamente de elementos contrários, porém unido e ordenado só à piedade; não só, mas ainda ao que é absolutamente requerido para tal escopo, sempre e em todos os casos, de modo que o encarregado de algum ofício não pode se afastar dele, nem para cuidar de problemas afins. A primeira sentença se explica por si mesma no contexto, porque depois das palavras "Mas com sinceridade" acrescenta-se: "Pregamos em Cristo, sob os olhares de Deus"; a segunda, por meio da afirmação: "Não façam de si próprios uma opinião maior do que convém, mas um conceito razoavelmente modesto, de acordo com o grau de fé que Deus distribuiu" (Rm 12,3), e ainda mediante as palavras subsequentes.

 

INTERROGAÇÃO 265

Pergunta: Se somente aos sacerdotes foi dito: "Se estás por fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta" (Mt 5,23-24), ou a todos? E como cada um de nós faz a sua oferta diante do altar?

Resposta: Principalmente e em primeiro lugar refere-se aos sacerdotes, porque está escrito: "A vós chamar-vos-ão sacerdotes do Senhor, ministros de nosso Deus" (Is 61,6). E: "Honra-me quem oferece um sacrifício de louvor" (Sl 49,23). E ainda: "O sacrifício digno de Deus é um espírito contrito" (Sl 50,19). E o Apóstolo diz: "Apresenteis vossos corpos como uma hóstia viva, santa e agradável a Deus, à maneira de um culto espiritual" (Rm 12,1). Cada uma destas palavras destina-se a todos; e é dever de todos nós realizá-las.

 

INTERROGAÇÃO 266

Pergunta: Que é o sal que o Senhor mandou ter, dizendo: "Tende sal em vós" (Mc 9,49)? E o Apóstolo diz: "Que as vossas conversas sejam sempre amáveis, temperadas com sal" (Cl 4,6).

Resposta: Aqui também o sentido torna-se evidente pelo contexto de cada capítulo. Pois aprendemos das palavras do Senhor a não darmos motivo algum de separação e dissídio, mas sempre conservarmos os vínculos da paz, para a unidade do espírito. Com as palavras do Apóstolo, lembremo-nos daquele que disse: "Come-se uma coisa insípida sem sal? Pode alguém saborear aquilo que não tem gosto nenhum?" (Jó 6,6). Aprendamos a ministrar as palavras para edificação da fé, e que sejam benfazejas aos que as ouvem (Ef 4,29), empregando tempo oportuno e ordem conveniente para os ouvintes serem mais dóceis.

 

INTERROGAÇÃO 267

Pergunta: Se um receber muitos açoites, e outro poucos, como diziam alguns que as penas são sem fim? (Lc 12,47).

Resposta: As palavras que parecem ambíguas e obscuras em certos lugares das Escrituras divinas explicam-se pelas sentenças proferidas de modo claro em outras passagens. Como o Senhor ora sentencia que eles irão para o suplício eterno, ora manda alguns para o fogo eterno preparado para o diabo e seus anjos; e em outra parte, mencionando a geena do fogo, acrescenta: "Onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga" (Mc 9,47); e ainda, outrora, pelo profeta predisse de alguns que "O verme deles não morrerá e seu fogo não se extinguirá" (Is 66,24) — e pertencendo estas e semelhantes citações a muitos lugares das Escrituras divinas, um dos artifícios do diabo consiste em fazer com que muitos homens, de certo modo esquecidos de tantas e de tais palavras e sentenças do Senhor, determinem um termo para os suplícios, querendo pecar com maior ousadia. Se for finito o suplício eterno, certamente terá termo também a vida eterna. Se não podemos pensar assim da vida, como será razoável atribuir fim ao suplício eterno? Pois o adjetivo eterno é igual para ambos: "E estes irão para o castigo eterno, e os justos para a vida eterna" (Mt 25,46).  Confessado isto, é preciso saber que nem "receberá muitos açoites", nem "receberá poucos" implica termo, mas sim diferença nos tormentos. Se Deus é justo juiz, não só para os bons, mas também para os maus, dando a cada um conforme as suas obras, pode alguém ser digno do fogo inextinguível que queima menos ou mais; outro, do verme que não morre, e o qual igualmente atormenta com maior ou menor intensidade, segundo o merecimento de cada um; outro, da geena que tem, de fato, tormentos muito variados; e outro, das trevas exteriores, onde para um existe somente choro e para outro ranger de dentes, por causa da veemência das dores. Também as trevas exteriores sugerem haver seguramente outras, interiores. E a palavra dos Provérbios: "Nas profundezas da região dos mortos" (Pr 9,18), declara haver alguns no inferno, contudo não no profundo do inferno, e que são submetidos a penas mais leves. Estes caracteres encontram-se já agora nas doenças corporais. Um sente febre com alguns sintomas e outros incômodos; outro, apenas febre, de modo diferente um do outro. Alguém não está com febre, mas dói-lhe um membro, e mais ou menos do que em um outro. O Senhor empregou as expressões muito e pouco segundo o uso comum, em casos semelhantes. Sabemos, muitas vezes, que este modo de falar é empregado a respeito dos que sofrem de uma doença; assim dizemos, admirados, de alguém que está febril ou sente dor nos olhos: "Quanto sofreu!" ou "Quantos males o atingiram!". De maneira que muitos e poucos açoites, digo-o novamente, não significam duração ou fim do tempo, mas diferença dos tormentos.

 

INTERROGAÇÃO 268 Pergunta: Em que sentido alguns são denominados "filhos da incredulidade" e "filhos da ira"? (Ef 5,6; 2,3).

Resposta: O Senhor costuma denominar filhos de alguém, bom ou mau, os que lhe fazem a vontade. Diz: "Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão" (Jo 8,39), e ainda: "Vós tendes como pai o demônio, e quereis fazer os desejos de vosso pai" (ibid. 44). Por isto, quem faz obras de incredulidade torna-se filho da incredulidade. Talvez também, como o diabo é denominado, a meu ver, não só pecador, mas o próprio pecado — porque é instigador do pecado —, assim também, por idêntica razão, ele pode ser chamado a própria infidelidade. Filho da ira, porém, é todo aquele que se fez digno da ira. Como o Apóstolo denominou aqueles que são dignos do Senhor e fazem as obras da luz e do dia "filhos da luz e filhos do dia", assim, por consequência, deve-se entender a palavra: "Éramos filhos da ira". Importa saber que filho da incredulidade é idêntico a filho da ira, porque proferiu o Senhor: "Quem não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus" (Jo 3,36).

 

INTERROGAÇÃO 269

Pergunta: Está escrito: "Fazendo a vontade da carne e da concupiscência" (Ef 2,3). Acaso são diferentes as vontades da carne e as da concupiscência? E quais são?

Resposta: O Apóstolo enumera separada e nominalmente em outro lugar as vontades da carne, dizendo: "Ora, as obras da carne são estas: adultério, fornicação, impureza, desonestidade, idolatria, magia, inimizades, contendas, ciúmes, iras, rixas, discórdias, partidos, invejas, homicídios, embriaguez, orgias, e outras coisas semelhantes" (Gl 5,19-21); e em outra passagem, de modo mais geral: "Porque o desejo da carne é hostil a Deus; pois a carne não se submete à lei de Deus e nem o pode" (Rm 8,7).

As vontades da concupiscência talvez sejam os planos que não se apoiam no testemunho da Escritura, tais aqueles dos quais se declara: "Aniquilamos todo o raciocínio e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus" (2Cor 10,4-5), e todo entendimento que não está reduzido à sujeição, na obediência a Cristo. Por isto, é imprescindível e seguro, sempre e em toda a parte, observar a palavra de Davi: "Meus conselheiros são as vossas leis" (Sl 118,24).

 

INTERROGAÇÃO 270

Pergunta: Que significa: "Vivemos em completa penúria, mas não desesperamos" (2Cor 4,8)?

Resposta: O Apóstolo mostra sua firme confiança em Deus em contraposição à sabedoria humana, e assim coloca cada uma das coisas referidas nesta passagem. Quanto à sabedoria humana, assevera: "Em tudo sofremos tribulação"; relativamente à confiança em Deus, acrescenta: "Mas não somos oprimidos". Ainda, sobre a prudência humana: "Somos cercados de dificuldades", e no atinente à confiança em Deus: "Não desesperamos". E assim por diante. Como também o que assegurou em outra parte: "Somos considerados agonizantes, embora estejamos com vida; como indigentes, ainda que enriquecendo a muitos; como nada tendo, mas possuindo tudo" (2Cor 6,9-10).

 

INTERROGAÇÃO 271

Pergunta: O Senhor disse: "Dai antes em esmola o conteúdo e todas as coisas vos serão limpas" (Lc 11,41). Acaso será alguém purificado de todos os pecados que cometeu por meio da esmola?

Resposta: A sequência da passagem supracitada esclarece-lhe o significado. Tendo, pois, dito: "Limpais o que está por fora do vaso e do prato; mas o vosso interior está cheio de roubo e de maldade!" (ibid. 39), acrescenta: "Dai antes em esmola o conteúdo, e todas as coisas vos serão limpas" — todas as coisas, quer dizer, tudo em que pecamos e agimos mal pela rapina e avareza. Declara-o Zaqueu, dizendo: "Doravante darei a metade dos meus bens aos pobres, e se tiver defraudado alguém restituirei o quádruplo" (Lc 19,8).

Portanto, todos os pecados desta espécie que podem ser apagados, e para os quais é possível múltipla compensação, são perdoados deste modo. Deste modo, digo, não que por si só baste para a remissão, mas primeiro exigem-se a misericórdia de Deus e o sangue de Cristo, pelo qual também obtemos a remissão de todos os outros, se fizermos dignos frutos de penitência.

 

INTERROGAÇÃO 272

Pergunta: Uma vez que preceituou o Senhor não andarmos inquietos pelo dia de amanhã, como entenderemos bem este preceito? Vemos que temos muito empenho em obter o necessário, a ponto de armazenarmos o bastante para muito tempo.

Resposta: Quem acolhe o ensinamento do Senhor: "Buscai, pois, em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça" (Mt 6,33) e está convicto da verdade de sua promessa ao ajuntar "e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo", não ocupa em vão o espírito com solicitudes desta vida, que sufocam a palavra e a tornam estéril. Combatendo o bom combate para agradar a Deus, crê no Senhor que assegurou: "O operário merece o seu sustento" (Mt 10,10), e por causa dele não se preocupa; mas trabalha e se aflige, não por si, mas por causa do mandamento de Cristo, segundo demonstrou e ensinou o Apóstolo, que afirma: "Em tudo vos tenho mostrado que assim, trabalhando, convém acudir aos fracos" (At 20,35). Preocupar-se consigo mesmo é incorrer em incriminação de egoísmo; preocupar-se e trabalhar por causa do mandamento merece o encômio de se possuir um ânimo amante de Cristo e dos irmãos.

 

INTERROGAÇÃO 273

Pergunta: Em que consiste a blasfêmia contra o Espírito Santo?

Resposta: Pela blasfêmia que proferiram os fariseus, contra os quais igualmente foi lançada esta sentença, evidencia-se que agora blasfema contra o Espírito Santo quem atribui ao adversário a eficácia e os frutos do Espírito Santo. Sofrem desta doença muitos de nós, que amiúde atacam a outrem, acusando-o temerariamente de ambição de uma glória vã, e falsamente de ira, enquanto é zeloso do bem; e ainda, mentirosamente, só à base de suspeitas, dando outras denominações semelhantes.

 

INTERROGAÇÃO 274

Pergunta: Como se fará alguém estulto neste século?

Resposta: Se temer o juízo de Deus, que disse: "Ai daqueles que são sábios aos próprios olhos e prudentes em seu próprio juízo" (Is 5,21), e imitar aquele que disse: "Como um animal irracional, porém, estarei sempre convosco" (Sl 72,22); e se, rejeitando toda pretensão de prudência, não julgar logo boa uma de suas ideias e nem mesmo começar a raciocinar antes de estar habituado, por meio do mandamento do Senhor, a agradar a Deus em obras, palavras ou pensamentos. Conforme disse o Apóstolo: "Tal é a convicção que temos em Deus por Cristo. Não que sejamos capazes por nós mesmos de ter algum pensamento, como de nós mesmos. Nossa capacidade vem de Deus" (2Cor 3,4-5), "que ensina ao homem o saber" (Sl 93,10), como está escrito.

 

INTERROGAÇÃO 275

Pergunta: Se Satanás pode impedir o propósito de um santo, por que está escrito: "Já por duas vezes quisemos ir ter convosco, ao menos eu, Paulo. Satanás, porém, nos impediu" (1Ts 2,18)?

Resposta: Entre as boas obras feitas no Senhor, umas se perfazem por vontade e juízo da alma, outras pelas forças corporais, ou pelo zelo ou pela paciência. De modo algum pode Satanás impedir as dependentes da vontade e do julgamento da alma. Em relação às praticadas pelas energias corporais, frequentemente Deus permite que haja um impedimento, para provação e aviso do que foi impedido, a fim de que ou seja convencido da alteração de seu bom propósito — como aqueles cuja semente caiu sobre um pedregulho, os quais por breve tempo receberam com gosto a palavra, mas, sobrevindo a tentação, logo voltaram atrás —; ou ainda mostre perseverar no bem, pelo zelo das boas obras — como o próprio Apóstolo que, tendo feito várias vezes o propósito de ir ver os romanos, e impedido, como ele próprio o confessa, não desistiu até cumprir o que projetara —; ou também, quanto à paciência, como Jó, que, sofrendo tanto do diabo a instigá-lo a proferir alguma blasfêmia, ou a ser ingrato para com Deus, nem mesmo na extrema tribulação se afastou de seu juízo piedoso, ou de sentimentos retos para com Deus. Dele está escrito: "Em tudo isso, Jó não cometeu nenhum pecado nem proferiu contra Deus nenhuma blasfêmia" (Jó 1,22).

 


 

1.                  O que você destaca no texto?

2.                  Como serve para a sua espiritualidade?

3.                  De que forma esse texto desafia ou fortalece a nossa missão e os nossos valores aqui na OESI?

 

 

 Galardão

Mas serem coroados é próprio daqueles que combateram o bom combate legitimamente, que terminaram sua corrida e guardaram a fé, no amor de Nosso Senhor Jesus Cristo. SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379). Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogação 256

 

Fervoroso

Quem é fervoroso de espírito (Rm 12,11)? Resposta: Aquele que, com disposição ardente, desejo insaciável e zelo incansável, faz a vontade de Deus na caridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo está escrito: "Em seus mandamentos põe o seu prazer" (Sl 111,1). SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379). Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogação 259

 

Prudente

Se alguém, pois, não quer ser imprudente, nem sábio aos próprios olhos, deve entender qual é a vontade de Deus pela fé Nele, e, temendo o Senhor, imitar o Apóstolo que assegura: "Nós aniquilamos todo raciocínio e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento para reduzi-lo à obediência a Cristo" (2Cor 10,4-5). SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379). Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogação 260

 

Oração

Convém saber que nem tudo o que queremos nos é lícito pedir, nem mesmo sabemos suplicar o que nos é útil, porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém. Por isto, devemos fazer as preces segundo a vontade de Deus, com muita ponderação. Se não formos ouvidos, saibamos que é preciso paciência e insistência, segundo a parábola do Senhor acerca do dever de orar sempre, sem nos fatigarmos, SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379). Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogação 261

 

Oração

Quanto ao dito: "Três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim" (2Cor 12,8), é bom saber que há muitas e variadas razões para as tribulações externas e corporais. Deus as envia ou permite por uma economia melhor do que a libertação delas. SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379). Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogação 261

 

 

Sinceridade

Pergunta: que é ser sincero? Resposta: Julgo ser sincero o que está livre de mistura e purificado completamente de elementos contrários, porém unido e ordenado só à piedade; SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379). Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogação 264

 

Pregação

Aprendamos a ministrar as palavras para edificação da fé, e que sejam benfazejas aos que as ouvem (Ef 4,29), empregando tempo oportuno e ordem conveniente para os ouvintes serem mais dóceis. SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379). Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogação 266

 

Hermenêutica

As palavras que parecem ambíguas e obscuras em certos lugares das Escrituras divinas explicam-se pelas sentenças proferidas de modo claro em outras passagens. SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379). Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogação 267

 

Remissão

Deste modo, digo, não que por si só baste para a remissão (a esmola), mas primeiro exigem-se a misericórdia de Deus e o sangue de Cristo, pelo qual também obtemos a remissão de todos os outros, se fizermos dignos frutos de penitência. SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379). Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogação 271

 

Pecado contra o Espírito Santo

Pergunta: Em que consiste a blasfêmia contra o Espírito Santo? Resposta: Pela blasfêmia que proferiram os fariseus, contra os quais igualmente foi lançada esta sentença, evidencia-se que agora blasfema contra o Espírito Santo quem atribui ao adversário a eficácia e os frutos do Espírito Santo. SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379). Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogação 273