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SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA
(330-379)
Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 149-168
PERGUNTA 149 Qual é a punição para o
administrador que agir com favoritismo ou por espírito de discórdia?
Resposta Assim como o Apóstolo ora
determina que nada seja feito por preferência pessoal (1Tm 5,21), ora afirma:
"Se alguém quiser criar discórdia, nós não temos esse costume, e nem as
igrejas de Deus" (1Cor 11,16), quem agir de tal forma deve ser declarado
contrário à Igreja de Deus até que se corrija. Deve-se avaliar, com muito
critério e cuidado, a competência de cada pessoa antes de lhe confiar qualquer
tarefa. Isso evita que aqueles que delegam a função a alguém incapaz sejam
condenados como maus gestores das almas e do mandamento do Senhor. Da mesma
forma, evita que os escolhidos tentem encontrar desculpas para os seus erros.
PERGUNTA 150 Se alguém, por negligência,
deixar de dar a um irmão o que lhe é necessário.
Resposta O seu julgamento revela-se nas
palavras do Senhor: "Afastem-se de mim, malditos! Vão para o fogo eterno
preparado para o diabo e para os seus anjos. Porque tive fome e não me destes
de comer, tive sede e não me destes de beber" (Mt 25,41-42). E ainda:
"Maldito aquele que faz com negligência a obra do Senhor" (Jr 48,10).
PERGUNTA 151 Se é permitido falar em voz
mais alta durante o trabalho.
Resposta A necessidade de quem escuta é o
que determina a intensidade da voz. Se for muito baixa e fraca, assemelha-se a
um sussurro e deve ser evitada. Por outro lado, se for mais alta do que o
necessário — quando o ouvinte poderia muito bem escutar quem fala em tom
moderado —, torna-se uma gritaria reprovável (Ef 4,31). A menos, é claro, que a
falta de atenção do ouvinte nos obrigue a falar mais alto para, de certa forma,
despertá-lo de seu torpor. Narra-se que o Senhor também agiu assim, como diz o
evangelista: "Jesus exclamou em alta voz: Aquele que crê em mim, crê não
em mim, mas naquele que me enviou" (Jo 12,44).
PERGUNTA 152 Se alguém, ao chegar a sua
vez de servir na cozinha, trabalhar além de suas forças a ponto de ficar
impossibilitado de trabalhar habitualmente por alguns dias, convém impor-lhe
essa função?
Resposta Já foi dito que o responsável por
distribuir as tarefas deve dar as ordens considerando a habilidade e os limites
de quem trabalha, para que não se aplique o ditado: "Aquele que cria
dificuldades sob a aparência de lei" (Sl 93,20). Por outro lado, quem
recebe a ordem não deve contestar, porque o dever da obediência estende-se até
a morte.
PERGUNTA 153 Como a encarregada das lãs
deve guardá-las, e de que maneira atenderá as que trabalham?
Resposta Ela deve guardar as lãs como se
estivesse cuidando de um bem confiado por Deus. Deve também organizar e
distribuir o trabalho de cada irmã sem rivalidade nem favoritismo.
PERGUNTA 154 Se os irmãos forem poucos e
tiverem que servir a muitas irmãs, de modo que precisem se separar para dividir
o trabalho, haverá perigo?
Resposta Se esse serviço é fundamentado no
mandamento do Senhor e realizado segundo a vontade de Deus, cada um dos que se
dedicam à sua própria tarefa agrada a Deus. A união mútua entre eles consiste
em estarem todos unidos no mesmo propósito e em plena harmonia, cumprindo a
palavra do Apóstolo: "Porque, embora esteja ausente no corpo, estou
presente convosco em espírito" (Cl 2,5).
PERGUNTA 155 Aprendemos que devemos servir
aos doentes no hospital como a irmãos do Senhor; mas se aquele que é servido
não agir como tal, como devemos tratá-lo?
Resposta O Senhor disse: "Todo aquele
que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, minha irmã e
minha mãe" (Mt 12,50). Se alguém não se enquadra nisso, mas se mostra um
pecador obstinado, aplicando-se a ele a sentença: "Todo homem que se
entrega ao pecado é seu escravo" (Jo 8,34), essa pessoa precisa, primeiro,
receber uma advertência e orientação do superior. Se ela persistir nos mesmos
vícios, fica evidente que recai sobre ela a outra frase do Senhor: "O
escravo não fica na casa para sempre" (Jo 8,35), bem como a ordem do Apóstolo
que determina: "Tirai o perverso do vosso meio" (1Cor 5,13). Dessa
forma, quem serve não terá dúvidas sobre como agir e todos os que vivem juntos
se sentirão em segurança.
PERGUNTA 156 Se o responsável pelo celeiro
ou por uma função semelhante deve ser mantido no cargo, ou se seria bom
substituí-lo.
Resposta Se ele demonstra conhecimento das
normas e integridade no cumprimento da regra, não há motivo para trocá-lo.
Fazer isso seria, na verdade, desgastante e difícil. O ideal é que ele tenha um
auxiliar que aprenda a função aos poucos para que, se uma mudança for realmente
necessária, não sejamos pegos de surpresa pela falta de um sucessor. Isso evita
que sejamos obrigados a colocar alguém despreparado à frente do trabalho que,
por falta de experiência, acabe desrespeitando as regras e prejudicando a
disciplina.
PERGUNTA 157 Com que atitude se deve
servir a Deus; e o que é, em resumo, essa atitude?
Resposta Considero que a atitude correta é
a intenção de agradar a Deus de forma intensa, constante, firme e inabalável.
Isso se alcança por meio da reflexão consciente e frequente sobre a grandeza da
glória de Deus, acompanhada por pensamentos de gratidão e pela lembrança
contínua dos bens que Ele nos concedeu. Dessa forma, nasce na alma o amor:
"Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de
todo o teu entendimento e de todas as tuas forças" (Mc 12,30), como bem
disse aquele que escreveu: "Como a corça anseia pelas águas correntes,
assim a minha alma suspira por vós, ó Deus" (Sl 41,1). Deus deve ser
servido com uma disposição de espírito tamanha que se cumpra a palavra do
Apóstolo: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia?
A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada?" (Rm 8,35).
PERGUNTA 158 Com que atitude se deve
receber uma punição?
Resposta Com a mesma atitude de um filho
doente e em perigo de vida para com o pai ou o médico que o trata. Mesmo que o
remédio seja amargo e doloroso, ele deve estar convencido do amor e da
competência de quem o corrige, movido pelo profundo desejo de recuperar a
saúde.
PERGUNTA 159 O que se deve pensar de quem
fica ressentido com a pessoa que o repreende?
Resposta Essa pessoa não compreende o
perigo do pecado, especialmente diante de Deus, nem o valor do arrependimento.
Ela não acredita naquele que disse: "Quem ama, corrige" (Pr 13,24) e
deixa de receber o benefício desejado por aquele que afirmou: "Se o justo
me bate, é um favor; se ele me repreende..." (Sl 140,5). Além disso, ela
se torna prejudicial para a comunidade, pois faz com que aqueles que se dedicam
a ajudar os outros desanimem de sua missão.
PERGUNTA 160 Com que atitude devemos
servir aos irmãos?
Resposta Com a atitude de quem presta
serviço ao próprio Senhor, que disse: "Todas as vezes que fizestes isto a
um destes meus irmãos mais pequenos, foi a mim mesmo que o fizestes" (Mt
25,40). Se as pessoas que recebem essa atenção agirem de forma correta, essa
atitude se torna mais fácil. Por isso, os superiores devem cuidar com zelo para
que os irmãos não se tornem escravos da gula e dos prazeres, como aqueles que
apenas mimam o próprio corpo. Pelo contrário, como amigos de Deus e de Cristo,
por meio de uma paciência perfeita à semelhança do justo Jó, eles devem se
tornar uma glorificação do Senhor, para a vergonha e derrota do diabo.
PERGUNTA 161 Com que humildade se deve
receber um serviço prestado por um irmão?
Resposta Com a mesma humildade com que um
servo recebe o serviço de seu senhor, e com a atitude demonstrada por Pedro
quando o Senhor o servia; exemplo pelo qual aprendemos também o grave perigo em
que incorrem aqueles que se recusam a aceitar um serviço.
PERGUNTA 162 Como deve ser o amor e a
caridade para com os outros?
Resposta Conforme o Senhor mostrou e
ensinou quando disse: "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei" (Jo
15,12). "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus
amigos" (Jo 15,13). Se devemos estar prontos para dar até a nossa própria
vida, quanto mais precisamos demonstrar boa vontade e disposição nas pequenas
coisas do dia a dia; não por obrigação humana, mas com o objetivo de agradar a
Deus e promover o bem de todos.
PERGUNTA 163 De que modo alguém deve
praticar o amor e a caridade para com o próximo?
Resposta Primeiro, se tiver temor ao
julgamento daqueles que desobedecem ao mandamento do Senhor, que disse:
"Quem não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de
Deus" (Jo 3,36). Segundo, se estiver em busca da vida eterna, pois:
"O seu mandamento é a vida eterna" (Jo 12,50). "Amarás o Senhor,
teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças.
Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é:
Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 22,37-39).
Depois, se desejar parecer-se com o Senhor, que
disse: "Dou-vos um novo mandamento: Que vos ameis uns aos outros; assim
como eu vos amei" (Jo 13,34).
Finalmente, se guardar os seguintes pensamentos:
se o nosso irmão nos faz o bem, devemos a ele — até por uma questão de
humanidade — aquele amor que os próprios pagãos praticam, conforme a afirmação
do Senhor no Evangelho: "Se amais os que vos amam, que recompensa
mereceis? Também os pecadores amam aqueles que os amam" (Lc 6,32). Por
outro lado, se ele nos faz o mal, ainda assim devemos amá-lo; não apenas por
causa do mandamento, mas porque ele se torna um benfeitor ainda maior para nós,
caso acreditemos no Senhor, que disse: "Bem-aventurados sois vós quando
vos caluniarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por
minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos céus"
(Mt 5,11-12).
PERGUNTA 164 O que quer dizer: "Não
julgueis e não sereis julgados" (Lc 6,37)?
Resposta Como o Senhor disse: "Não
julgueis e não sereis julgados", mas também ordena que se julgue
"segundo a reta justiça" (Jo 7,24), Ele não proíbe inteiramente o
julgamento, mas nos ensina a distinguir entre os diferentes tipos de juízo. O
Apóstolo nos ensinou claramente o que convém e o que não convém julgar. Quanto
àquilo que está no poder de escolha de cada um e não foi prescrito na
Escritura, ele diz: "Por que julgas o teu irmão?" (Rm 14,10), e
ainda: "Cessemos, pois, de julgar uns aos outros" (Rm 14,13). No
entanto, relativamente àquilo que desagrada a Deus, o Apóstolo condena os que
não julgam e apresenta-lhes o seu próprio julgamento: "Pois eu, em verdade,
ainda que ausente em corpo, mas presente em espírito, já julguei, como se estivesse presente, aquele que assim se comportou. Em
nome de Nosso Senhor Jesus Cristo — reunidos vós e o meu espírito com o poder
de Nosso Senhor Jesus —, seja este homem entregue a Satanás para a destruição
de sua carne, a fim de que o seu espírito seja salvo no dia de Nosso
Senhor Jesus" (1Cor 5,3-5).
Portanto, se alguma coisa depende do arbítrio de
cada um ou, por vezes, é incerta, não devemos julgar o irmão por isso, conforme
o que o Apóstolo diz a respeito do que se ignora: "Não julgueis antes do
tempo; esperai que venha o Senhor. Ele trará à luz o que está escondido nas
trevas e manifestará as intenções dos corações" (1Cor 4,5). Por outro
lado, é de absoluta necessidade defender os julgamentos de Deus, para que
aquele que se cala não fique sujeito à ira divina; a não ser que a pessoa, por
praticar o mesmo erro que censura no outro, não tenha coerência para julgar o
irmão, ouvindo o Senhor que diz: "Tira primeiro a trave do teu olho, e
então verás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão" (Mt 7,5).
PERGUNTA
165
Como pode
alguém saber se é por zelo de Deus que se irrita contra o irmão
que pecou, ou por ira?
Resposta
Se sentir
contra qualquer pecado aquilo que foi escrito: Sinto-me esgotado pelo zelo ao ver meus inimigos esquecerem vossas palavras (Sl 118,139),
é claro que possui o zelo de
Deus. Mas também aqui é necessária uma inteligente
sabedoria, para a construção
da fé. Se não houver previamente esta disposição que mova o coração, suas atitudes serão inconstantes
e não se alcançará o objetivo da
devoção.
PERGUNTA
166
Com que postura se deve ouvir quem pede com insistência para obedecermos
ao mandamento?
Resposta
Com a mesma pressa com que o menino com fome
obedece a quem o chama para comer; e como o homem que procura o seu sustento atende a quem lhe oferece o alimento; e muito mais ainda, já que a vida eterna vale mais do que a vida de agora. Pois o mandamento de
Deus, diz o Senhor, é vida eterna (Jo 12,50). O que o comer representa para o pão, a prática da boa ação representa para o
mandamento, conforme o que diz o Senhor: Meu alimento é fazer a vontade
daquele que me enviou, o Pai (Jo 4,34)
.
PERGUNTA
167
Como deve
ser o coração de quem for
considerado digno de trabalhar
na obra de Deus?
Resposta
Deve ser
como o de quem dizia: Quem
sou eu, ó meu Senhor, e qual é a minha família, para que me ame tanto? (2Sm 7,18). Deve viver
o que foi escrito: Agradeçam ao Pai, que nos tornou capazes de participar da herança dos santos na luz. Ele nos arrancou
do poder das trevas e nos transferiu para o reino de seu Filho muito amado (Cl
1,12-13).
PERGUNTA
168
Com que atitude deve ser recebida o hábito (a roupa) e o calçado, sejam quais forem?
Resposta
Se o
tamanho for maior ou menor, explique a sua necessidade com educação e equilíbrio. Se, porém, você não gostar da roupa pela má qualidade ou por não ser
nova, lembre-se do Senhor que disse: O trabalhador — e não qualquer pessoa de fora — merece o seu
sustento (Mt 10,10). Examine-se
a si mesmo se você tem feito algo à altura dos mandamentos do Senhor ou de Suas
promessas. Assim, você não reclamará de nada; pelo contrário, ficará sem graça com o que receber, achando que está ganhando mais do que merece.
Como regra geral, para todas as necessidades
do corpo, vale o mesmo que já foi ensinado sobre a alimentação.
1. Qual ensinamento ou frase desse texto mais chamou a sua atenção e por quê?
2. Como você pode colocar essa mensagem em prática na sua vida espiritual?
3. De que forma esse texto desafia ou fortalece a nossa missão e os nossos valores aqui na OESI?