segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

3 - Santo Inácio de Antioquia (35-107) - Carta à Policarpo

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Estudo sobre os Pais da Igreja: Vida e Obra
Santo Inácio de Antioquia (35-107)
Carta a Policarpo



Patrologia: Vida do Pai da Igreja
Inácio (35-98 ou 107) foi bispo de Antioquia da Síria entre 68 e 107, discípulo do apóstolo João, e que também conheceu o apóstolo Paulo.
Segundo Eusébio de Cesareia (263-339), em seu livro História Eclesiástica, Inácio foi o terceiro bispo de Antioquia da Síria. Com a perseguição da Igreja, Inácio foi detido pelas autoridades e transportado para Roma, onde foi condenado à morte no Coliseu, e foi martirizado por leões.
As autoridades romanas esperavam fazer dele um exemplo e, assim, desencorajar o cristianismo, porém sua viagem a Roma ofereceu-lhe a oportunidade de conhecer e ensinar os conceitos cristãos, e no seu percurso, Inácio escreveu seis cartas para as igrejas da região e uma para um colega bispo, Policarpo. Ao falar sobre sua execução, Inácio disse a famosa expressão: "Trigo de Cristo, moído nos dentes das feras".
Inácio escreveu sete cartas, as chamadas Epístolas de Inácio:
·         Epístola a Policarpo,
·         Epístola aos Efésios,
·         Epístola aos Esmirniotas,
·         Epístola aos Filadélfos,
·         Epístola aos Magnésios,
·         Epístola aos Romanos
·         Epístola aos Trálios.

Inácio orientou a Igreja sobre vários assuntos doutrinários principalmente sobre o respeito ao Bispo, ao Presbítero e ao Diácono, sobre a Trindade, sobre a Eucaristia e o Culto Cristão.
Sobre o dia de Culto, Inácio declara que os cristãos herdeiros da Nova Aliança não guardam mais o sábado, mas se reúnem no dia do Senhor (o domingo).
            Eusébio diz que Inácio escreveu à igreja de Roma uma carta em que expõe sua súplica para que não intercedam por ele, para não privá-lo do martírio, sua sonhada esperança:
            "Oxalá pudesse eu usufruir das feras que me estão preparadas! Espero encontrá-las bem ligeiras para comigo. Chegarei até a adulá-las para que me devorem rapidamente e não me façam o que fizeram a alguns, que por temor não tocaram, e se fazem de preguiçosas e não querem, eu mesmo as forçarei. Perdoai-me. Eu sei o que me convém. Agora estou começando a ser discí­pulo. Que nenhuma coisa visível ou invisível tenha ciúme de que eu alcance a Jesus Cristo. Fogo, cruz e manadas de feras, dispersão de ossos, destroçamento de membros, trituração do corpo todo e tormentos do diabo venham sobre mim, contanto somente que eu alcance a Jesus Cristo." (História Eclesiástica – Livro II – 26.6-9).

Patrística: Escrito do Pai da Igreja

Carta a Policarpo
Esta carta foi escrita em Trôade, proximadamente em 107 d.C..
Esta carta Inácio destina a Policarpo, discípulo do Apóstolo São João e bispo de Esmirna.
A carta trata de recomendações quanto à direção da Igreja e ao combate aos hereges. Através dela podemos notar que Policarpo era muito mais jovem que Inácio e possui pouca experiência no episcopado.
Como em todas suas cartas, Inácio também recomenda à comunidade a união com a hierarquia da Igreja, para a glória de Deus (Carta a Policarpo 6) e confessa a fé na divindade de Jesus Cristo (Carta a Policarpo 8:3).

A Carta de Inácio de Antioquia a Policarpo
Inácio, também chamado Teóforo, a Policarpo, bispo da Igreja dos Esmirnianos, que, antes, tem por bispo Deus Pai e o Senhor Jesus Cristo, muitas saudações

I 1. Saudando o teu caráter firmado em Deus, como sobre uma pedra irremovível, considero muitíssimo, és digno da tua imagem irrepreensível, em que me agrado em Deus. 2. Exorto-te, na graça em que estás revestido, a cuidar da tua corrida e exortar todos, a fim de que se salvem. Defende o teu lugar com todo cuidado carnal e espiritual. Pensa na união, de que não há nada melhor. Sustenta todos, como também o Senhor a ti. Suporta todos em amor, assim como também fazes. 3. Entrega-te a orações incessantes. Pede mais inteligência do que tens. Mantém desperto o espírito adquirido. Fala aos que são segundo o homem e aos que são segundo o caráter de Deus. Sustenta as doenças de todos, como um atleta perfeito. Onde há muito trabalho, há muito ganho.

II 1. Se amas discípulos bons, não há graça em ti. Antes, submete os mais contaminados em mansidão. Nem todo ferimento é tratado com o mesmo emplastro. Faz cessar as agitações provocadas pelas fomentações. 2. Torna-te prudente como a serpente em tudo e puro para sempre como a pomba. Por isso és carnal e espiritual, para que cultives as coisas reveladas à tua pessoa. Pede para que as coisas invisíveis te sejam reveladas, de modo que nada abandones e superabundes em toda graça. 3. A época te chama – como o piloto, os ventos e o agitado pela tempestade, um porto – para fazer a vontade de Deus. Sê sóbrio, como um atleta de Deus; o prêmio é a incorruptibilidade e a vida eterna, a respeito das quais estás convencido. Em todas as coisas, eu e as minhas cadeias, que tu amas, somos a tua garantia.

III 1. Não te espantem os que parecem dignos de confiança e têm outro ensino. Coloca-te firme como uma bigorna golpeada. Ser castigado e vencer é próprio do grande atleta. Principalmente, é-nos preciso suportar todas as coisas por causa de Deus, a fim de que Ele também nos suporte. 2. Torna-te mais dedicado do que és. Entende os tempos. Aguarda o que está acima do tempo, atemporal, invisível, por nós visível, impalpável, o que nada sofre, por nós sofredor, o que por nós suporta tudo, de todas as maneiras.

IV 1. As viúvas não sejam negligenciadas. Depois do Senhor, sê tu o cuidador delas. Nada seja feito sem o teu conhecimento, nem tu faças algo sem o conhecimento de Deus, como não fazes. Mantém-te firme. 2. As reuniões sejam feitas com freqüência. Busca todos pelo nome. 3. Não trata escravos e escravas com arrogância; mas eles não sejam cheios de orgulho, mas sirvam mais, para a glória de Deus, a fim de que obtenham de Deus maior liberdade. Não amem ser libertados do comum, a fim de que não sejam achados escravos da lascívia.

V 1 Foge das más obras, antes, dá instrução sobre elas. Conversa com minhas irmãs, para amar o Senhor e estar satisfeitas com os maridos, na carne e no espírito. Semelhantemente, ordena também aos meus irmãos amar as esposas como o Senhor, a igreja. 2. Se alguém pode permanecer em castidade para honra da carne do Senhor, permaneça sem se vangloriar. Se se vangloriar, perdeu-se, e se vier a ser mais do que o bispo, está corrompido. Convém aos que casam e às que casam fazer a união com o conhecimento do bispo, a fim de que o casamento seja segundo o Senhor e não segundo a paixão. Todas as coisas se tornem para a honra de Deus.

VI 1. Aproximai-vos do bispo, para que também Deus se aproxime de vós. Eu sou a garantia dos que se submetem ao bispo, presbíteros e diáconos. E com eles a minha parte possa se fazer ter em Deus. Trabalhai uns com os outros, combatei juntos, correi juntos, sofrei juntos, dormi juntos, despertai juntos, como administradores, assistentes e servidores de Deus. 2. Agradai aquele por quem estais combatendo, de quem também recebeis o soldo. Nenhum de vós seja encontrado como desertor. O vosso batismo permaneça como armas, a fé, como elmos, o amor, como lança, a perseverança, como armadura. As vossas obras são o vosso depósito, para que recebais os vossos dignos pagamentos. Portanto, tende longanimidade uns para com os outros em mansidão, como Deus tem convosco. Que eu possa me agradar de vós em tudo.

VII 1. Uma vez que a igreja em Antioquia da Síria vive em paz, como me foi mostrado, por vossa oração, também eu me torno mais alegre na segurança em Deus, contanto que, através do sofrer de Deus, eu alcance o desejado para ser-me encontrado vosso discípulo na ressurreição. 2. Convém, Policarpo mais que bem-aventurado de Deus, conduzir uma assembleia mais conveniente a Deus e eleger alguém, que vós tendes como muito amado e diligente, que poderá ser chamado de corredor de Deus. Decida isso, para que passes para a Síria. 3. O cristão não tem poder dele mesmo, mas descansa em Deus. Essa é a obra de Deus e vossa, quando a cumpres. Confio na graça em que estais dispostos a avançar para fazer a boa obra de Deus. Conhecendo a vossa diligência pela verdade, exorto-vos por poucas letras.

VIII 1. Uma vez que não foi possível escrever a todas as igrejas devido ao meu súbito navegar de Trôade para Neápolis, como a vontade ordena, escreve às igrejas em frente, como conhecimento adquirido de Deus, para também elas fazer o mesmo (os que podem enviar andarilhos, outros, epístolas, através dos enviados por ti, a fim de que estejais decididos pela obra eterna), como sendo digno. 2. Saúdo todos pelo nome e a mulher de Epitropo, junto com toda a casa dela e as crianças. Saúdo Átalo, o meu querido. Saúdo o que está para ser declarado digno de ir para a Síria. A graça estará com ele em tudo e com o que o envia, Policarpo. 3. Oro para vos fortalecer em tudo no nosso Deus Jesus Cristo, em quem permaneceis na unidade de Deus e no bispo. Saúdo Alceu, meu nome querido. Andai no Senhor.

Pergunta ao Grupo:
A Vida de Inácio de Antioquia é um desafio para a nossa espiritualidade? Por quê?
Qual o versículo você deseja destacar na carta a Policarpo?

Quais contribuições poderemos retirar desta carta para a nossa espiritualidade?