quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

1- Estudo sobre os Pais da Igreja - Introdução

I
Estudo sobre os Pais da Igreja
Resumo sobre os Pais da Igreja
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Objetivo do Treinamento sobre os Pais da Igreja:
·         Conhecer o inicio da doutrina Cristã;
·         Experimentar a espiritualidade Clássica a partir dos Pais da Igreja
·         Estudar as fontes da espiritualidade cristocentrica.
·         Perceber as contribuições de cada Pai para a Missão da Igreja e sua influência doutrinária.
·         Vivenciar a coragem, a fé e a experiência com Deus de cada Pai da Igreja.

Introdução:
Padres da Igreja, Santos Padres ou Pais da Igreja, foram influentes teólogos, professores e mestres cristãos e importantes bispos. Seus trabalhos acadêmicos foram utilizados como precedentes doutrinários para séculos vindouros. Os padres da Igreja são classificados entre o século II e VII. O estudo dos escritos dos Padres da Igreja é denominado Patrística. O estudo de suas vidas é chamado de Patrologia.
As Igrejas Romana, Ortodoxa, Luterana, Presbiteriana, Metodistas, Anglicana e Batistas Tradicionais acreditam que os padres da Igreja proporcionam a interpretação correta da Sagrada Escritura, registraram a Sagrada Tradição e distinguiram entre as autênticas doutrinas das heresias.
Foram homens que fizeram diferença na vida da Igreja. O historiador metodista Justos Gonzales chama-os de “Gigantes” no seu livro “A Era dos Gigantes”.
O Inglês John Wesley escreveu sobre a importância doutrinária dos Pais da Igreja:
“...reverencio excessivamente tanto a eles como aos seus escritos e os avalio altamente em amor. Reverencio-os porque eram cristãos, cristãos tais como foi acima descrito. Reverencio os seus escritos porque descrevem um Cristianismo verdadeiro e genuíno e nos guiam à evidência mais forte da doutrina cristã. ...Reverencio muito estes antigos cristãos com todas as suas falhas porque vejo tão poucos cristãos atualmente; porque leio tão pouco nos escritos dos últimos tempos e ouço tão pouco de cristianismo genuíno, e porque a maioria dos cristãos modernos (assim chamados) não contentes com o serem totalmente ignorantes a respeito do cristianismo, têm profundos preconceitos contra ele chamando-o "entusiasmo" e não sei mais o que (Cartas: "Ao Dr. Conyers Middleton").
“Não somente que os "pais" não errassem na sua interpretação do evangelho de Cristo, mas que em todas as partes necessárias do mesmo eles eram tão assistidos pelo Espírito Santo que raramente eram suscetíveis de erro. Nós consequentemente temos de nos voltar para os seus escritos, embora não tenham a mesma autoridade das Sagradas Escrituras (porque nem foram os escritores dos mesmos chamados de modo tão extraordinário nem eram eles dotados de tão grande porção do Espírito Santo), contudo merecem muito maior respeito do que quaisquer outras obras escritas desde então, embora os homens depois deles tenham escrito com mais arte, e muito maior bagagem de cultura humana do que podemos encontrar não somente nos trechos seguintes, mas até mesmo no próprio Novo Testamento. Na verdade o modo pelo qual foram escritos, a verdadeira simplicidade primitiva que aparece em todas as suas partes, não lhes é objeção justa, mas uma grande recomendação a todos os homens sensatos. Eles conheceram a excelência da sua doutrina e a importância das revelações que faziam do estado futuro, e, por isso, eles se contentaram em declarar estas coisas de maneira simples, mas com tal eficácia e poder que sobrepujaram toda a retórica do mundo”.
(Wesley -Obras: "Prefácio às Epístolas dos Pais Apostólicos").

Os principais Pais da Igreja são:

Clemente de Roma (†102), Bispo de Roma (88 - 97)
Inácio de Antioquia (†110)
Aristides de Atenas (†130)
Policarpo de Esmira (†156)
Pastor de Hermas (†160)
Aristides de Atenas (†160)
Hipólito de Roma (160 - 235)
Justino (†165)
Militão de Sardes (†177)
Atenágoras (†180)
Teófilo de Antioquia (†181)
Orígenes de Alexandria (184 - 254)
Ireneu (†202)
Tertuliano de Cartago (†220)
Clemente de Alexandria (†215)
Metódio de Olimpo (sec.III)
Cipriano de Cartago (210-258)
Novaciano (†257)
Atanásio de Alexandria(295 -373)
Efrém - (306 - 373), diácono, Mesopotânia
Hilário de Poitiers - bispo (310 - 367)
Cirilo de Jerusalém, bispo (315 - 386)
Basílio Magno, bispo (330 - 369) - Cesaréia
Gregório Nazianzeno - (330 - 379), bispo
Ambrósio - (340 - 397), bispo, Treves - Itália
Eusébio de Cesaréia (340)
Gregório de Nissa (340)
Prudêncio (384 - 405)
Jerônimo ( 348 - 420), presbítero Strido, Itália
João Cassiano (360 - 407)
João Crisóstomo - (349 - 407), bispo
Agostinho - (354 - 430), bispo
Efrém (†373)
Epifânio (†403)
Cirilo de Alexandria - (370 - 442), bispo
Pedro Crisólogo - (380 - 451), bispo, Itália
Leão Magno (400 - 461), papa de Roma - Toscana, Itália
Paulino de Nola (†431) - Sedúlio (sec V)
Vicente de Lerins (†450)
Pedro Crisólogo (†450)
Benedito de Núrcia (480 - 547)
Venâncio Fortunato (530-600)
Ildefonso de Toledo (617 - 667)
Máximo Confessor (580-662)
Gregório Magno (540 - 604), Papa de Roma
Ildefonso de Sevilha (†636)
Germano de Constantinopla - (610-733)
João Damasceno (675 - 749), bispo, Damasco

Neste estudo vamos apresentar um pouco daquilo que esses grandes Padres da Igreja escreveram.

Clemente de Roma (†102), Papa (88-97), foi o terceiro sucessor de Pedro, nos tempos dos imperadores romanos Domiciano e Trajano (92 a 102). No depoimento de Ireneu “ele viu os Apóstolos e com eles conversou, tendo ouvido diretamente a sua pregação e ensinamento”. (Contra as heresias)

Inácio de Antioquia (†110) foi o terceiro bispo da importante comunidade de Antioquia, fundada por Pedro. Conheceu pessoalmente Paulo e João. Sob o imperador Trajano, foi preso e conduzido a Roma onde morreu nos dentes dos leões no Coliseu. A caminho de Roma escreveu Cartas às igreja de Éfeso, Magnésia, Trales, Filadélfia, Esmirna e ao bispo S. Policarpo de Esmirna. Na carta aos esmirnenses, aparece pela primeira vez a expressão “Igreja Católica”.

Aristides de Atenas († 130) foi um dos primeiros apologistas cristãos; escreveu a sua Apologia ao imperador romano Adriano, falando da vida dos cristãos.

Policarpo (†156)  foi bispo de Esmirna, e uma pessoa muito amada. Conforme escreve Irineu, que foi seu discípulo, Policarpo foi discípulo de João Evangelista. No ano 155 estava em Roma com o bispo Niceto tratando de vários assuntos da Igreja, inclusive a data da Páscoa. Combateu os hereges gnósticos. Foi condenado à fogueira; o relato do seu martírio, feito por testemunhas oculares, é documento mais antigo deste gênero.

Hermas (†160) era irmão do bispo Pio I, sob cujo episcopado escreveu a sua obra Pastor. Suas visões são de estilo apocalíptico.

Didaquè (ou Doutrina dos Doze Apóstolos) é como um antigo catecismo, redigido entre os anos 90 e 100, na Síria, na Palestina ou em Antioquia. Traz no título o nome dos doze Apóstolos. Os Padres da Igreja mencionaram-na muitas vezes. Em 1883 foi encontrado um seu manuscrito grego.
Justino (†165), mártir nasceu em Naplusa, antiga Siquém, em Israel; achou nos Evangelhos “a única filo proveitosa”, filósofo, fundou uma escola em Roma. Dedicou a sua Apologias ao Imperador romano Antonino Pio, no ano 150, defendendo os cristãos; foi martirizado em Roma.

Hipólito de Roma (160-235) discípulo de Irineu (140-202), foi célebre na Igreja de Roma, onde Orígenes o ouviu pregar. Morreu mártir. Escreveu contra os hereges, compôs textos litúrgicos, escreveu a Tradição Apostólica onde retrata os costumes da Igreja no século III: ordenações, catecumenato, batismo e confirmação, jejuns, ágapes, eucaristia, ofícios e horas de oração, sepultamento, etc.

Melitão de Sardes (†177) foi bispo de Sardes, na Lídia, um dos grandes luminares da Ásia Menor. Escreveu a Apologia, dirigida ao imperador Marco Aurélio.

Atenágoras (†180) era filósofo em Atenas, Grécia, autor da Súplica pelos Cristãos, apologia oferecida em tom respeitoso ao imperador Marco Aurélio e seu filho Cômodo; escreveu também o tratado sobre A Ressurreição dos mortos, foi grande apologista.

Teófilo de Antioquia (†após 181) nasceu na Mesopotâmia, converteu-se ao cristianismo já adulto, tornou-se bispo de Antioquia. Apologista, compôs três livros, a Autólico.

Ireneu (†202) nasceu na Ásia Menor, foi discípulo de Policarpo (discípulo de João), foi bispo de Lião, na Gália (hoje França). Combateu eficazmente o gnosticismo em sua obra Adversus Haereses (Refutação da Falsa Gnose) e a Demonstração da Preparação Apostólica. Segundo Gregório de Tours (†594), Irineu morreu mártir. É considerado o “príncipe dos teólogos cristãos”. Salienta nos seus escritos a importância da Tradição oral da Igreja, o primado da Igreja de Roma (fundada por Pedro e Paulo).

Hilário de Poitiers (316-367), doutor da Igreja, foi bispo de Poitiers, combateu o arianismo, foi exilado pelo imperador Constâncio, escreveu a obra Sobre a Santíssima Trindade.

Clemente de Alexandria (†215) Seu nome é Tito Flávio Clemente, nasceu em Atenas por volta de 150. Viajou pela Itália, Síria, Palestina e fixou-se em Alexandria. Durante a perseguição de Setímio Severo (203), deixou o Egito, indo para a Ásia Menor, onde morreu em 215. Seu grande trabalho foi tentar a aliança do pensamento grego com a fé cristã. Dizia: “Como a lei formou os hebreus, a filo formou os gregos para Cristo”. 

Orígenes (184-254) Nasceu em Alexandria, Egito; seu pai Leônidas morreu martirizado em 202. Também desejava o martírio; escreveu ao pai na prisão: “não vás mudar de ideia por causa de nós”. Em 203 foi colocado à frente da escola catequética de Alexandria pelo bispo Demétrio. Em 212 esteve em Roma, Grécia e Palestina. A mãe do imperador Alexandre Severo, Júlia Mammae, chamou-o a Antioquia para ouvir suas lições. Morreu em Cesaréia durante a perseguição do imperador Décio. 

Tertuliano de Cartago (†220), norte da África, culto, era advogado em Roma quando em 195 se converteu ao Cristianismo, passando a servir a Igreja de Cartago como catequista. Combateu as heresias do gnosticismo. É autor das frases: “Vede como se amam” e “ O sangue dos mártires era semente de novos cristãos”.
Cipriano (†258) Cecílio Cipriano nasceu em Cartago, foi bispo e primaz da África Latina. Era casado. Foi perseguido no tempo do imperador Décio, em 250, morreu mártir em 258. Escreveu a bela obra Sobre a unidade da Igreja Católica. Na obra De Lapsis, sobre os que apostataram na perseguição, narra ao vivo o drama sofrido pelos cristãos, a força de uns, o fracasso de outros. Escreveu ainda a obra Sobre a Oração do Senhor, sobre o Pai Nosso.

Eusébio de Cesaréia (260-339) bispo, foi o primeiro historiador da Igreja. Nasceu na Palestina, em Cesaréia, discípulo aí de Orígenes. Escreveu a sua Crônica e a História Eclesiástica, além de A Preparação e a Demonstração Evangélica. Foi perseguido por Dioclesiano, imperador romano.

Atanásio (295-373), doutor da Igreja, nasceu em Alexandria, jovem ainda foi viver o monaquismo nos desertos do Egito, onde conheceu o grande Santo Antão(†376), o “pai dos monges”. Tornou-se diácono da Igreja de Alexandria, e junto com o seu Bispo Alexandre, se destacou no Concílio de Nicéia (325) no combate ao arianismo. Tornou-se bispo de Alexandria em 357 e continuou a sua luta árdua contra o arianismo (Ário negava a divindade de Jesus), o que lhe valeu sete anos de exílio. Gregório Nazianzeno disse dele: “O que foi a cabeleira para Sansão, foi Atanásio para a Igreja.”

Hilário de Poitiers (316-367), doutor da Igreja, nasceu em Poitiers, na Gália (França); em 350 clero e povo o elegiam bispo, apesar de ser casado. Organizou a luta dos bispos gauleses contra o arianismo. Foi exilado pelo imperador Constâncio, na Ásia Menor, voltando para a Gália em 360, fazendo valer as decisões do Concílio de Nicéia. É chamado o “Atanásio do Ocidente”. Escreveu as obras Sobre a Fé, Sobre a Santíssima Trindade.

Efrém, o Sírio (†373) doutor da Igreja é considerado o maior poeta sírio, chamado de “a cítara do Espírito Santo”. Nasceu em Nísibe, de pais cristãos, por volta de 306, deve ter participado do Concílio de Nicéia (325), segundo a tradição, com o seu bispo Tiago. Foi ordenado diácono em 338 e assim ficou até o fim da vida. Escreveu tratados contra os gnósticos, os arianos e contra o imperador Juliano, o apóstata. Escreveu belos hinos.

Cirilo de Jerusalém (†386), doutor da Igreja, Bispo de Jerusalém, guardião da fé professada pela Igreja no Concílio de Nicéia (325). Autor das Catequeses Mistagógicas, esteve no segundo Concílio Ecumênico, em Constantinopla, em 381.

Dâmaso (304-384), Bispo da Igreja de Roma, instruído, de origem espanhola, sucedeu o Bispo Libério que o ordenou diácono; obteve do Imperador Graciano o reconhecimento jurisdicional do bispo de Roma. Mandou que Jerônimo fizesse uma revisão da versão latina da Bíblia, a Vulgata. Descobriu e ornamentou os túmulos dos mártires nas catacumbas, para a visita dos peregrinos.

Basílio Magno (329-379), Bispo e doutor da Igreja, nasceu na Capadócia; seus irmãos Gregório de Nissa e Pedro foram canonizados. Foi íntimo amigo de Gregório Nazianzeno; fez-se monge. Em 370 tornou-se bispo de Cesaréia na Palestina, e metropolita da província da Capadócia. Combateu o arianismo e o apolinarismo (Apolinário negava que Jesus tinha uma alma humana). Destacou-se no estudo a Santíssima Trindade (Três Pessoas e uma Essência).
Gregório Nazianzeno (329-390), doutor da Igreja – nasceu em Nazianzo, na Capadócia, era filho do bispo local, que o ordenou padre; foi um dos maiores oradores cristãos. Foi grande amigo de Basílio, que o sagrou bispo. Lutou contra o arianismo. Sua doutrina sobre a Santíssima Trindade o fez ser chamado de “teólogo”, que o Concílio de Calcedônia confirmou em 481.

Gregório de Nissa (†394) foi bispo de Nissa, e depois de Sebaste, irmão de Basílio e amigo de Gregório Nazianzeno. Os três brilharam na Capadócia. Foi poeta e místico; teve grande influência no primeiro Concílio de Constantinopla (381) que definiu o dogma da Trindade. Combateu o apolinarismo, macedonismo (Macedônio negava a divindade do Espírito Santo) e arianismo.

João Crisóstomo (354-407) ( = boca de ouro), é o mais conhecido dos Padres da Igreja grega. Nasceu em Antioquia. Tornou-se patriarca de Constantinopla, foi grande pregador. Foi exilado na Armênia por causa da defesa da fé sã. Um dos maiores pregadores.

Cirilo de Alexandria (†444) Bispo e doutor da Igreja, sobrinho do patriarca de Alexandria, Teófilo, o substituiu na Sé episcopal em 412. Combateu vivamente o Nestorianismo (Nestório negava que em Jesus havia uma só Pessoa e duas naturezas), com o apoio do Bispo Celestino. Participou do Concílio de Éfeso (431), que condenou as teses de Nestório.

João Cassiano (360-465) recebeu formação religiosa em Belém e viveu no Egito. Foi ordenado diácono por João Crisóstomo, em Constantinopla, e padre pelo bispo Inocêncio, em Roma. Em 415 fundou dois mosteiros em Marselha, um para cada sexo. São Bento recomendou seus escritos.

Paulino de Nola (†431) nasceu na Gália (França), exerceu importantes cargos civis até ser batizado. Vendeu seus bens, distribuindo o dinheiro aos pobres, e com sua esposa Terásia passou a viver vida eremítica. Foi ordenado padre em 394, em 409 bispo de Nola.

Pedro Crisólogo (†450) (= palavra de ouro) bispo e doutor da Igreja – foi bispo de Ravena, Itália. Quando Êutiques, patriarca de Constantinopla pediu o seu apoio para a sua heresia (monofisismo - uma só natureza em Cristo), respondeu: “Não podemos discutir coisas da fé, sem o consentimento do Bispo de Roma”. Temos 170 de suas cartas e escritos sobre o Símbolo e o Pai – Nosso.

Ambrósio (†397), doutor da Igreja, nasceu em Tréveris, de nobre família romana. Com 31 anos governava em Milão as províncias de Emília e Ligúria. Ainda catecúmeno, foi eleito bispo de Milão, pelo povo, tendo, então recebido o batismo, a ordem e o episcopado. Foi conselheiro de vários imperadores e batizou Agostinho, cujas pregações ouvia. Deixou obras admiráveis sobre a fé cristã.

Jerônimo (347-420), “Doutor Bíblico” – nasceu na Dalmácia e educou-se em Roma; é o mais erudito dos Padres da Igreja latina; sabia o grego, latim e hebraico. Viveu alguns anos na Palestina como eremita. Em 379 foi ordenado sacerdote pelo bispo Paulino de Antioquia; foi ouvinte de Gregório Nazianzeno e amigo de Gregório de Nissa. De 382 a 385 foi secretário do Bispo Dâmaso, por cuja ordem fez a revisão da versão latina da Bíblia (Vulgata), em Belém, por 34 anos. Pregava o ideal de santidade entre as mulheres da nobreza romana (Marcela, Paula e Eustochium) e combatia os maus costumes do clero. Na figura de Jerônimo destacam-se a austeridade, o temperamento forte, o amor a Igreja.

Epifânio (†403), Nasceu na Palestina, muito culto, foi superior de uma comunidade monástica em Eleuterópolis (Judéia) e depois, bispo de Salamina, na ilha de Chipre. Batalhou muito contra as heresias, especialmente o origenismo.

Agostinho (354-430), Bispo e Doutor da Igreja - Nasceu em Tagaste, Tunísia, filho de Patrício e Mônica. Grande teólogo, filósofo, moralista e apologista. Aprendeu a retórica em Cartago, onde ensinou gramática até os 29 anos de idade, partindo para Roma e Milão onde foi professor de Retórica na corte do Imperador. Alí se converteu ao cristianismo pelas orações e lágrimas, de sua mãe Mônica e pelas pregações de Ambrósio, bispo de Milão. Foi batizado por esse bispo em 387. Voltou para a África em veste de penitência onde foi ordenado sacerdote e depois bispo de Hipona aos 42 anos de idade. Foi um dos homens mais importantes para a Igreja. Combateu com grande capacidade as heresias do seu tempo, principalmente o Maniqueísmo, o Donatismo e o Pelagianismo, que desprezava a graça de Deus. Agostinho escreveu muitas obras e exerceu decisiva influência sobre o desenvolvimento cultural do mundo ocidental. É chamado de “Doutor da Graça”.

Leão Magno (400-461) – Bispo de Roma - nasceu em Toscana, foi educado em Roma. Foi conselheiro sucessivamente dos papas Celestino I (422-432) e Xisto III (432-440) e foi muito respeitado como teólogo e diplomata. Participou de grandes problemas da Igreja do seu tempo e pôde travar contato pessoal e por cartas com Agostinho, Cirilo de Alexandria e João Cassiano, que o descrevia como “ornamento da Igreja e do divino ministério”. Deixou 96 Sermões e 173 Cartas que chegaram até nós. Participou ativamente na elaboração dogmática sobre o grave problema tratado no Concílio de Calcedônia, a condenação da heresia chamada monofisismo. Leão foi o primeiro bispo de Roma que recebeu o título de Magno (grande). Em sua atuação no plano político, a História registrou e imortalizou duas intervenções de Leão, respectivamente junto a Átila, rei dos Hunos, em 452, e junto a Genserico, em 455, bárbaros que queriam destruir Roma.

Vicente de Lérins (†450) Depois de muitos anos de vida mundana se refugiou no mosteiro de Lérins. Escreveu o seu Commonitorium, “ para descobrir as fraudes e evitar as armadilhas dos hereges”.

Bento de Núrcia (480-547) nasceu em Núrcia, na Úmbria, Itália; estudou Direito em Roma, quando se consagrou a Deus. Tornou-se superior de várias comunidades monásticas; tendo fundado no monte Cassino a célebre Abadia local. A sua Regra dos Mosteiros tornou-se a principal regra de vida dos mosteiros do ocidente, elogiada pelo Bispo Gregório Magno, usada até hoje. O lema dos seus mosteiros era “ora et labora”.

Venâncio Fortunato (530-600) nasceu em Vêneto na Itália, foi para Poitiers (França). Autor de célebres hinos dedicados à Paixão de Cristo, até hoje usados na Igreja.

Gregório Magno (540-604), Bispo de Roma e doutor da Igreja - Nasceu em Roma, de família nobre. Ainda muito jovem foi primeiro ministro do governo de Roma. Grande admirador de Bento, resolveu transformar suas muitas posses em mosteiros. O Bispo Pelágio o enviou como núncio apostólico em Constantinopla até o ano 585. Foi feito Bispo de Roma em 590. Foi um dos maiores bispos que a Igreja já teve. Bossuet considerava-o “modelo perfeito de como se governa a Igreja”. Promoveu na liturgia o canto “gregoriano”. Profunda influência exerceram os seus escritos: Vida de São Bento e Regra Pastoral, usado ainda hoje.

Máximo, o confessor (580 - 662) nasceu em Constantinopla, foi secretário do imperador Heráclio, depois foi para o mosteiro de Crisópolis. Lutou contra o monofisismo e monotelismo, sendo preso, exilado e martirizado por isso. Obteve a condenação do monotelismo no Concílio de Latrão, em 649.

Ildefonso de Sevilha (†636) doutor da Igreja. Considerado o último Padre do ocidente. Bispo de Sevilha, Espanha desde 601. Em 636 dirigiu o IV Sínodo de Toledo. Exerceu notável influência na Idade Média com os seus escritos exegéticos, dogmáticos, ascéticos e litúrgicos.

Germano de Constantinopla - (610-733) Bispo - Patriarca de Constantinopla (715-30), nasceu em Constantinopla ao final do reinado do imperador Heracleo (610-41); morreu em 733 ou 740. Filho de Justiniano, um patriciano, Germano dedicou seus serviços à Igreja e começou como clérigo na catedral de Metrópolis. Logo depois da morte de seu pai que havia ocupado vários altos cargos de oficial, pelas mãos do sobrinho de Herácleo, Germano se consagrou bispo de Chipre, o ano exato, porém, de sua elevação é desconhecido.

João Damasceno (675-749) Bispo e Doutor da Igreja - É considerado o último dos representantes dos Padres gregos. É grande a sua obra literária: poesia, liturgia, filo e apologética. Filho de um alto funcionário do califa de Damasco, foi companheiro do príncipe Yazid que, mais tarde o promoveu ao mesmo encargo do pai, ministro das finanças. A um determinado tempo deixou a corte do califa e retirou-se para o mosteiro de São Sabas, perto de Jerusalém. Tornou-se o pregador titular da basílica do Santo Sepulcro. Enfrentou os iconoclastas. Ficaram famosos os seus Três Discursos a Favor das Imagens Sagradas.

Pergunta ao grupo:
Como os Pais da Igreja podem contribuir com o cristianismo do século XXI?
Você acredita que a vida e os escritos dos Pais da igreja são uteis para a nossa espiritualidade? Porque?

Fonte: http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/os_santos_padres.html