sábado, 9 de maio de 2026

312 312 - SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 91 a 101


312

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 91 a 101

 

INTERROGAÇÃO 91

Se a um irmão, que nada possui de próprio, for pedido aquilo que usa, o que fazer, principalmente se estiver nu o pedinte?

 

Resposta

Esteja nu, seja mau, peça por necessidade ou por avareza, já foi dito uma vez que dar ou receber não é tarefa de todos e sim daquele a quem, depois de experimentado, for confiada esta distribuição. Observe-se o dito: Cada um permaneça na condição em que foi chamado por Deus (ICor 7,24).

 

INTERROGAÇÃO 92

O Senhor ordenou vender as propriedades. Por que faze-lo? Será porque os bens prejudicam por natureza, ou por causa da dispersão do espírito que deles costuma provir?

 

Resposta

Primeiro pode-se afirmar que, se as riquezas fossem más em si mesmas, não teriam sido criadas por Deus. Pois Toda a criatura de Deus é boa, e nada deve ser rejeitado (lTm 4,4). A seguir, que o mandamento do Senhor não ensina a rejeitá-las como más ou a fugir delas, mas a administrá-las. Não se condena simplesmente quem as possui, porém quem pensa errado a seu respeito ou as emprega mal. Uma disposição de ânimo livre e sã em relação a elas e a sua distribuição, segundo o mandamento, serve-nos muito e em pontos bem necessários. Às vezes, para a purificação de nossos pecados, conforme está escrito: Dai antes em esmola o conteúdo e todas as coisas vos serão limpas (Lc 11,41); outras, para a herança do reino dos céus e posse de um tesouro indefectível, segundo outra passagem: Não temas, pequenino rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o reino. Vendei o que possuís e dai esmolas; fazei para vós bolsas que não se gastam, um tesouro inesgotável nos céus (Lc 12,32.33).

 

INTERROGAÇÃO 93

Com que espírito aquele que renunciou já a seus bens e prometeu nada ter de próprio, deve usar do necessário para viver, como a roupa e o alimento?

 

Resposta

Lembre-se conforme está escrito (SI 135,25) de que Deus é quem dá o alimento a toda carne. Contudo, precisa ter cuidado, como operário de Deus, de ser digno de receber seu alimento, o qual não esteja a seu arbítrio, mas seja distribuído pelo encarregado, em tempo e medida oportunos, segundo está escrito: Repartia-se, então, a cada um deles conforme

a sua necessidade (At 4,35).

 

INTERROGAÇÃO 94

Se alguém, tendo impostos a pagar, entrar na comunidade, e seus parentes forem importunados pelos cobradores, há motivo de dúvida ou de prejuízo para ele, ou para os que o receberam?

 

Resposta

Nosso Senhor Jesus Cristo, aos que lhe perguntavam se era lícito dar o tributo a César ou não, disse: Mostrai-me um denário. De quem leva a imagem e a inscrição? Responderam: De César! Então lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus (Lc 20,22-24). Daí se evidencia estarem sujeitos às ordens de César aqueles que retêm o que pertence a César. Se aquele que entrou na comunidade trouxe consigo algo que pertence a César, deve pagar o imposto. Se, ao partir, deixou tudo para os seus, não há dúvida; nem para ele, nem para os que o receberam.

 

 

INTERROGAÇÃO 95

Se convém aos recém-vindos aprender imediatamente as palavras das Escrituras.

 

Resposta

Também esta questão seja entendida pelo que se disse acima. É conveniente e indispensável que cada um aprenda aquilo de que necessita das Escrituras divinas, para ter uma piedade convicta e não se habituar a tradições humanas.

 

INTERROGAÇÃO 96

Se convém permitir a quem quiser aprender as letras ou entregar-se a leituras.

 

Resposta

Se o Apóstolo diz: Para que não façais o que quereríeis (G1 5,17), em qualquer questão é pernicioso permitir uma escolha por vontade própria. Deve-se, porém, aceitar tudo o que os superiores aprovarem, mesmo contra a própria vontade. Além disso, incriminasse-lhe incredulidade, pois diz o Senhor: Estai, pois, preparados, porque, à hora em que não pensais, virá o Filho do homem (Lc 12,40). É evidente que se propõe um longo tempo de vida.

 

INTERROGAÇÃO 97

Se alguém disser: Quero por pouco tempo aproveitar-me de vossa  companhia, deve ser recebido?

 

Resposta

Tendo dito o Senhor: O que vier a mim, não o lançarei fora (Jo 6,37) e afirmado o Apóstolo: Mas, por causa dos falsos irmãos intrusos, que furtivamente se introduziram entre nós para espionar a liberdade de que gozamos em Cristo Jesus, a fim de nos escravizar. Aos quais nem só uma hora quisemos estar sujeitos, para que permaneça entre vós a verdade do Evangelho (G1 2,4.5), é conveniente permitir o ingresso, mesmo por ser incerto o resultado; muitas vezes, tendo aproveitado por algum tempo, aceita de uma vez para sempre a nossa vida, como frequentemente aconteceu. Também serve para manifestação da disciplina que mantemos e que talvez se suspeite ser bem diferente. É necessário observar diante dele a disciplina mais rigorosa, para se manifestar a verdade e afastar qualquer suspeita de negligência. Assim, nós agradaremos a Deus e ele ou terá proveito ou será confundido.

 

INTERROGAÇÃO 98

Que atitude deve manter o superior quando ordena ou dispõe?

 

Resposta

Para com Deus, seja como servo de Cristo e dispensa- dor dos mistérios de Deus (cf. ICor 4,1), receando dizer ou instituir algo contra a vontade de Deus, atestada na Escritura, porque do contrário se apresentaria como testemunha falsa de Deus e sacrílego, introduzindo alguma coisa oposta ao ensinamento do Senhor, ou omitindo algo do que agrada a Deus. Para com os irmãos, qual mãe que com ternura cuida dos filhos (lTs 2,7),

desejosa de entregar a cada um, para aprazer a Deus, e em vista do bem de todos em comum, não só o evangelho de Deus, mas a própria vida, segundo o mandamento de nosso Deus e Senhor Jesus Cristo, que disse: Dou-vos um mandamento novo. Como eu

vos tenho amado, assim vós deveis amar-vos uns aos outros (Jo 13,14). Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos (Jo 15,13).

 

 

INTERROGAÇÃO 99

Com que disposição deve alguém repreender?

 

Resposta

Para com Deus, tenha a mesma que teve Davi, quando disse: Vi os prevaricadores e consumia-me, porque eles não observam a vossa palavra (SI 118,158). Para com os repreendidos, tenha o ânimo de um pai e de um médico, que cura o filho com perícia, unindo a misericórdia à comiseração. Principalmente, se causar dor e o tratamento for penoso.

 

INTERROGAÇÃO 100

Como despediremos os mendigos de fora? Dar-lhes-á, quem o quiser, pão ou qualquer outra coisa? Ou deve haver um designado para tal fim?

 

Resposta

Como o Senhor afirmou não ser bom tirar o pão dos filhos e lançá-lo aos cães, e contudo aprovou a palavra: Mas os cachorrinhos ao menos comem as migalhas que caem da mesa de seus donos (Mt 15,27), o encarregado de distribuir, após ter sido experimentado, faça-o. Todo aquele que o fizer fora deste parecer, seja repreendido como transgressor da disciplina, para que aprenda a manter-se em seu lugar, segundo a palavra do Apóstolo: Cada um, irmãos, permaneça na condição em que estava quando Deus o chamou (ICor 7,24).

 

INTERROGAÇÃO 101

Deverá o encarregado da dispensação das ofertas a Deus cumprir a palavra: Dá a todo o que te pedir e ao que te tomar o que é teu, não Iho reclames (Lc 6,30)?

 

Resposta

A palavra: Dá a quem te pede e não te desvies daquele que te pedir emprestado é uma espécie de prova, como o demonstra a sequência imediata; é um preceito em relação aos maus, a ser praticado, não por razão primária, mas em certas circunstâncias. Primário é aquele preceito do Senhor: Vende tudo o que tens e dá aos pobres (Lc 18,22), e ainda: Vendei o que possuís e dai esmolas (Lc 12,33). Se há perigo em transferir a uns o que é destinado a outros, uma vez que disse o Senhor: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt 15,24), e: Não convém jogar aos cachorrinhos o pão dos filhos (Mt 15,26), como não julgará cada um, e por si mesmo, o que é justo?

 

INTERROGAÇÃO 102

Se convém, ou não, ser retido por exortações aquele que sai da comunidade dos irmãos por qualquer razão. Se é conveniente, sob que condições?

 

Resposta

Se o Senhor disse: O que vier a mim, não o lançarei fora (Jo 6,37), e: Não são os que estão bem os que precisam de médico, mas sim os doentes (Mt 9,12) e em outra parte: Quem de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove e vai em busca da que se havia perdido, até encontrá-la (Mt 18,19). De todos os modos deve-se curar o enfermo e com zelo tratar do membro luxado, como se diz, para que volte ao lugar. Se perseverar em seu vício, seja qual for, deve ser despedido como um estranho. Está escrito: Toda a planta que meu Pai Celeste não plantou, será arrancada pela raiz. Deixai-os. São cegos (Mt 15,13.14).

 

O que você destaca no texto?

Como serve para a sua espiritualidade?

 

 

 


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