sábado, 2 de maio de 2026

311 - SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 81 a 90

 

311

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 81 a 90

 

INTERROGAÇÃO 81

Se devem de igual modo ser repreendidos os piedosos e os indiferentes, quando ambos forem surpreendidos no mesmo pecado.

 Resposta

Se considerarmos a disposição do pecador e o modo do pecado, saberemos também como repreender. Embora pareça idêntico o pecado do indiferente e o do piedoso, há entre eles

enorme diferença. O piedoso, por ser piedoso, luta e simultaneamente se esforça por agradar a Deus e devido às circunstâncias, e quase involuntariamente, resvala e cai; o indiferente não faz caso nem de si nem de Deus e não vê diferença entre pecar e proceder bem, como o demonstra o próprio nome, e sofre dos principais e maiores males; isto é, despreza a Deus ou não crê que Deus existe. São as duas causas pelas quais a alma peca, como testemunha a Escritura ao dizer: O injusto disse em si mesmo que queria pecar; não existe o temor de Deus ante os seus olhos (SI 35,1) ou: Diz o insensato em seu coração: Não há Deus. Corromperam-se os homens, sua conduta é abominável (SI 13,1). Portanto, ou despreza e por isto peca, ou nega que Deus existe e por esta razão corrompe-se quanto aos costumes embora pareça confessar. Diz-se: Pretendem conhecer

a Deus, e renegam-no pelas obras (Tt 1,16). Sendo assim, também o respectivo modo de repreender, a meu ver, deve diferir. O piedoso necessita de uma espécie de aplicação local e deve sofrer a repreensão a respeito do ponto em que resvalou. O indiferente, porém, tendo o bem da alma completamente corrompido, e estando atacado de males mais gerais, deve ser lamentado, admoestado e repreendido ou como desprezador, conforme já disse, ou como incrédulo, até que se persuada de ser Deus um juiz justo e o tema; ou fique absolutamente convicto da existência de Deus e encha-se de susto. É bom saber também que, muitas vezes, os piedosos pecam por dispensação divina, para seu bem: Deus permite, por vezes, que caiam para curar a soberba anterior, à semelhança do que foi predito a Pedro e, de fato, lhe sucedeu.

 

INTERROGAÇÃO 82

Está escrito: As anciãs como a mães (I Tm 5,2). Se acontecer que uma anciã cometa o mesmo pecado que uma jovem, devem sofrer igual castigo?

 

Resposta

O Apóstolo ensinou que as anciãs devem ser veneradas como mães, enquanto nada fizerem de repreensível. Se acontecer que uma anciã cometa o mesmo pecado que uma jovem, primeiro sejam considerados os vícios, por assim dizer, naturais a cada idade e assim determine-se a respectiva medida da repreensão. Por exemplo, é quase natural à velhice a preguiça; não, porém, à juventude. A divagação, a agitação, a audácia e coisas semelhantes são inerentes à juventude e não à velhice; parecem estimuladas pelo ardor natural da juventude. Pelo que o mesmo pecado, a preguiça, por exemplo, na mais jovem, merece repreensão mais severa, porque nada na idade a escusa. E o mesmo pecado, a divagação, a audácia ou a agitação é mais condenável na anciã, pois a idade fomenta a mansidão e a tranquilidade. Por isto, deve-se julgar do pecado conforme a pessoa e assim empregar a terapia adequada por um castigo próprio.

 

INTERROGAÇÃO 83

Se alguém, tendo praticado assiduamente o bem, cair uma vez, como o trataremos?

 

Resposta

Como o Senhor a Pedro.

 

INTERROGAÇÃO 84

Se alguém, de modos turbulentos e agitados, for repreendido e disser que Deus fez a uns bons e a outros maus, falou a verdade?

 

Resposta

Esta opinião, há muito, foi condenada como herética; é blasfema e ímpia e torna a alma propensa ao pecado. Portanto, corrija-se ou seja afastado (I Co 5,2), para não acontecer que um pouco de fermento levede a massa toda (G1 5,9).

 

INTERROGAÇÃO 85

Se convém ter algo de próprio na comunidade.

 

Resposta

É oposto ao testemunho dos Atos acerca dos fiéis; neles está escrito: Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía (At 4,32). Quem diz ter algo de próprio faz-se alheio à igreja de Deus e à caridade do Senhor que ensinou por palavras e obras que se deve dar a vida pelos amigos; quanto mais os bens exteriores.

 

INTERROGAÇÃO 86

Se alguém disser: Nada recebo da comunidade dos irmãos, nem dou, mas contento-me com o que é meu, como agir com ele?

 

Resposta

Se não obedecer ao ensino do Senhor que disse: Amai- vos uns aos outros, como eu vos tenho amado (Jo 13,34), obedeçamos ao Apóstolo que disse: Seja tirado dentre vós o que cometeu tal ação (I Co 5,2), para não suceder que um pouco de fermento levede a massa toda (G1 5,9).

 

INTERROGAÇÃO 87

Se é lícito a cada um dar a quem quiser o manto velho ou os sapatos, segundo o mandamento.

 

Resposta

Dar e receber, mesmo segundo o mandamento, não compete a todos, mas sim àquele que, depois de experimentado, tiver a seu cargo a distribuição. Portanto, seja velho ou novo, no tempo adequado a cada coisa ele dará e receberá.

 

INTERROGAÇÃO 88

Que é a solicitude desta vida?

 

Resposta

Toda solicitude, mesmo que pareça não se estender às coisas proibidas, se não adianta para a piedade, é solicitude desta vida.

 

INTERROGAÇÃO 89

Já que está escrito: A riqueza de um homem é o resgate de sua vida (Pr 13,8), nós que as não possuímos, o que faremos?

 

Resposta

Se temos zelo por tal e não podemos praticá-lo, lembremo-nos da resposta do Senhor a Pedro, preocupado por isto, que dissera: Eis que deixamos tudo para te seguir. Que haverá então para nós? (Mt 19,27). Ele lhe respondeu: Todo aquele que por minha causa deixar casa, irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras, receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna (ibid. 29). Se não o praticamos por incúria, agora mostremos zelo. Se não temos mais nem tempo, nem forças, console-nos o Apóstolo ao dizer: Não busco os vossos bens, mas, sim, a vós mesmos (2Cor 12,14).

 

INTERROGAÇÃO 90

Se é lícito ter uma veste para a noite, quer de pelos, quer de outra espécie.

 

Resposta

O uso das vestes de pelos tem um tempo adequado. Não são usadas por causa de necessidade corporal, mas para afligir o corpo e humilhar a alma. Sendo proibido ter duas vestes, julgue cada um se é possível seu uso além da causa supracitada.

 

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