terça-feira, 19 de maio de 2026

313 SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 103-120

 

                                                                     313

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 103-120

 

INTERROGAÇÃO 103

Já aprendemos que devemos obedecer aos mais velhos até à morte. Acontece algumas vezes que o próprio velho erra. Deve ser admoestado? Como e por quem? Desejamos sabê-lo. Se não aceitar, o que se deve fazer?

 

Resposta

A este respeito foi dito o bastante na resposta mais extensa (Basílio se refere a Regra Mais Extensa 27 - Como deve ser admoestado o superior, se porventura cair em algum erro.

 

            "O irmão que notar que o superior caiu em algum erro ou cometeu um deslize na observância dos mandamentos não deve calar-se por negligência, nem tampouco deve ele mesmo, por conta própria, proferir a censura ou espalhar a murmuração entre os outros irmãos, o que geraria o pecado da discórdia. Em vez disso, se o irmão for jovem ou não tiver a devida autoridade, deve relatar o fato em particular aos irmãos que se destacam pela sabedoria, maturidade e capacidade de discernimento dentro da comunidade. Estes anciãos, após examinarem a questão à luz das Sagradas Escrituras, devem admoestar o superior em segredo, com toda a mansidão, respeito e caridade fraterna, para que ele reconheça a sua falta e se corrija. Se o superior aceitar a correção, o erro é perdoado e a paz é restaurada. Porém, se ele rejeitar a advertência dos anciãos e persistir no erro, violando os mandamentos de Deus, o caso deve ser levado ao conhecimento daqueles que presidem as outras fraternidades ou à autoridade maior, pois a obediência humana cessa quando se opõe à soberana vontade de Deus."

 

INTERROGAÇÃO 104

Como entregar os ofícios aos irmãos? Só a juízo do superior, ou com o voto dos irmãos? E o mesmo, quanto às irmãs.

 

Resposta

Se cada um aprendeu a propor aos outros o que pensa, quanto mais devem tais coisas ser feitas com a aprovação daqueles que são capazes de julgar! Por isso, a administração das coisas de Deus, segundo Deus, seja confiada àqueles que já deram provas de poderem exercer o ofício que lhes foi entregue, de modo agradável ao Senhor. Em suma, é necessário que o superior em todos os negócios se lembre da Sagrada Escritura, que diz: Nada façais sem conselheiro (Eclo 32,24).

 

INTERROGAÇÃO 105

Se devem os recém-vindos para a comunidade aprender logo os ofícios.

 

Resposta

Julguem os superiores.

 

INTERROGAÇÃO 106

Que penas serão usadas na comunidade em vista da conversão dos pecadores?

 

Resposta

Depende do juízo do superior o tempo e o modo, de acordo com o vigor do corpo, a disposição da alma e a diferença dos pecados.

 

INTERROGAÇÃO 107

Se alguém disser que deseja viver na comunidade dos irmãos, mas, devido aos cuidados com os parentes carnais, ou por causa dos tributos, estiver muitas vezes impedido de se entregar de uma vez a esta vida, deve ser-lhe permitido o acesso junto dos irmãos?

 

Resposta

É perigoso cortar um bom desejo; não é seguro, contudo, dar ao que entrou oportunidade de tratar de coisas externas e alheias à vida segundo Deus. Se o que entrou entregar-se às obras internas e nada trouxer das de fora, dá melhores esperanças.

 

INTERROGAÇÃO 108

Se convém que o superior, na ausência da superiora, fale com uma irmã do que se refere à edificação da fé.

 

Resposta

Seria inobservância do preceito do Apóstolo, que diz: Faça-se tudo com decência e ordem (ICor 14,40).

 

INTERROGAÇÃO 109

Se convém que o superior fale com frequência com a superiora, principalmente se alguns dos irmãos se aborrecem com isto.

 

Resposta

Tendo dito o Apóstolo: Por que razão seria julgada a minha liberdade pela consciência alheia? (ICor 10,29) é bom imitá-lo, quando diz: Não temos feito uso deste direito, para não pôr obstáculo algum ao Evangelho de Cristo (ICor 9,12), e na medida do possível, os colóquios sejam raros e breves.

 

INTERROGAÇÃO 110

Se deve estar presente a superiora quando una irmã se confessa a um presbítero.

 

Resposta

Será mais importante e precavida a confissão feita diante da superiora a um presbítero que possa com conhecimento e prudência sugerir o modo da penitência e da correção.

 

INTERROGAÇÃO 111

Se o presbítero ordenar algo às irmãs, sem conhecimento da superiora, tem ela o direito de se indignar?

 

Resposta

E muito.

 

INTERROGAÇÃO 112

Se é conveniente, quando alguém vem seguir uma vida dedicada a Deus, ser recebido pelo superior sem o conhecimento dos irmãos, ou deve isto ser-lhes comunicado primeiro?

 

Resposta

O Senhor ensina a convocar os amigos e vizinhos, por causa de um arrependido. É bem mais necessário, pois, receber o recém-vindo com o conhecimento de todos os irmãos, para que juntos se alegrem e orem.

 

INTERROGAÇÃO 113

Se é possível àquele que tem a responsabilidade das almas observar a palavra: Se não vos transformardes e vos tomar  como criancinhas (Mt 18,3), visto ter relação com muitas e diferentes pessoas.

 

Resposta

Conforme disse o sábio Salomão: Para tudo há um tempo (Ecl 3,1), é notório haver um tempo próprio para a humildade, outro para a autoridade, a repreensão, a exortação, a misericórdia, a liberdade no falar, a benignidade, a severidade, em uma palavra, para cada coisa. Por vezes, deve-se manifestar atitude humilde e imitar a humildade das crianças, principalmente por ocasião de honras e obséquios mútuos, de serviços e tratamentos corporais, como o ensinou o Senhor; às vezes, usar da autoridade concedida pelo Senhor para edificar e não para destruir (2Cor 13,10), quando a necessidade exigir liberdade no falar. E se na hora da exortação faz-se mister mostrar benignidade, no momento da severidade mostre-se zelo e no restante faça-se de igual modo.

 

INTERROGAÇÃO 114

Se é dever obedecer a todos os que dão ordens e a qualquer um deles, porque o Senhor ordenou: Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, vai com ele dois mil (Mt 5,41) e c Apóstolo ensinou a nos sujeitarmos uns aos outros, no temor de Cristo (Ef 5,21)

 

Resposta

A diferença entre os que dão ordens em nada prejudique a obediência dos que as recebem. Moisés não desprezou a Jetro que lhe dava bons conselhos. Como não são pequenas as diferenças entre as ordens (algumas são contrárias ao mandamento do Senhor, ou o destroem, ou o mancham porque se misturam a coisas proibidas; outras coincidem com o mandamento; outras, embora visivelmente não coincidam com ele, concordam com ele e como que o reforçam) é preciso lembrar-se do Apóstolo que diz: Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o que for bom. Guardai-vos de toda a espécie de mal (lTs 5,20-22). E ainda: Nós aniquilamos todo o raciocínio e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus e cativamos todo o pensamento e o reduzimos à obediência a Cristo (2Cor 10,4.5). Por isto, se alguma coisa nos é ordenada que coincida

com o mandamento do Senhor, ou concorde com ele, devemos recebê-la zelosa e diligentemente, como vontade de Deus, cumprindo o que foi dito: Suportai-vos caridosamente uns aos outros (Ef 4,2). Quando, porém, nos é prescrito algo de contrário

ao mandamento do Senhor, ou que o destrua, ou manche, é o momento de dizermos: Importa obedecer mais a Deus do que aos homens (At 5,29), lembrados do Senhor, que disse: Mas não seguem o estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos (Jo 10,5), e do Apóstolo que ousou, para nossa segurança, referir-se aos anjos, dizendo: Mas, ainda que alguém, ou nós ou um anjo baixado do céu;  vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja rejeitado (G11,8). Daí deduzimos que, por mais próximo ou por mais ilustre que for, quem proíba aquilo que o Senhor ordenou, ou persuada a fazer o que ele proibiu, deve ser evitado a execrado por

qualquer um dos que amam o Senhor.

 

INTERROGAÇÃO 115

Como hão de obedecer uns aos outros?

 

Resposta

Como servos a seus senhores, segundo a ordem do Senhor: E todo o que entre vós quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o escravo de todos (Mc 10,44). Acrescentou palavras mais persuasivas: Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir (ibid. 45); e ainda foi dito pelo Apóstolo: Fazei-vos servos uns dos outros pela caridade (G1 5,13).

 

INTERROGAÇÃO 116

Até onde vai a obediência, segundo as normas para agradarmos a Deus?

 

Resposta

Mostrou-o o Apóstolo, propondo-nos a obediência do Senhor, que se tornou obediente até à morte, e morte de cruz (PI 2,8). Disse anteriormente: Tende em vós a estima que se deve em Cristo Jesus (ibid. 5).

 

INTERROGAÇÃO 117

De que vício sofre quem não aceita receber ordens diárias para a realização de um mandamento, mas quer aprender um ofício? Deve ser tolerado?

 

Resposta

É presunçoso, complacente consigo e incrédulo, porque não teme o juízo do Senhor que disse: Estai, pois, preparados porque, à hora em que não pensais, virá o Filho do homem (Lc 12,40). Se alguém a cada dia e hora espera o Senhor, preocupa-se de não passar ocioso aquele dia e de nada mais cuida. Se lhe ordenar aprender um ofício, pela obediência terá a recompensa de comprazer a Deus e não sofrerá a condenação por causa das delongas.

 

INTERROGAÇÃO 118

Qual será a recompensa de quem é zeloso em cumprir o mandamento, mas não faz aquilo que lhe é ordenado e sim o que quer?

 

Resposta

A da autocomplacência. Como o Apóstolo diz: Cada um de vós procure agradar a seu próximo, para seu bem e sua edificação (Rm 15,2), e mais ainda nos convida, acrescentando: Cristo não se comprazeu em si mesmo (ibid. 3), conheça o autocomplacente o perigo em que incorre. Será também convencido de ser insubordinado.

 

INTERROGAÇÃO 119

Se é lícito a alguém recusar o trabalho que lhe é confiado e procurar outro.

 

Resposta

Como a medida da obediência, conforme já foi dito, vai até à morte, quem recusa o que lhe é entregue e procura outro trabalho, primeiro destrói a obediência e manifesta não ter renunciado a si mesmo; segundo, torna-se causa de muitos outros males para si e para os demais. Além disso, abre a porta da contradição para os outros e acostuma-se à mesma. Uma vez: que não pode cada um julgar o que é bom para si, escolhe muitas vezes um serviço que lhe é prejudicial. Também desperta suspeitas entre os irmãos de que é mais propenso ao trabalho que escolhe do que àqueles nos quais deve colaborar. Em suma, desobedecer torna-se a raiz de muitos e grandes males. Se julga ter uma razão para recusar o trabalho, declare-a aos superiores e deixe a questão a seu juízo.

 

INTERROGAÇÃO 120

Se convém sair para algum lugar, sem avisar ao superior.

 

Resposta

O Senhor diz: Não vim de mim mesmo, mas (é verdadeiro) aquele que me enviou (Jo 7,28). Quanto maior razão não temos de não nos permitirmos agir assim? Quem toma essa liberdade, mostra claramente que sofre de soberba e está sujeito ao juízo do Senhor, que disse: O que é elevado aos olhos dos homens é abominável aos olhos de Deus (Lc 16,15). Em resumo, é culpada qualquer concessão a si mesmo.

 

O que você destaca no texto? Como Serve para sua espiritualidade?

Nenhum comentário:

Postar um comentário