313
SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA
(330-379)
Regra Monástica – Asketikon - As Regras
Menos Extensas (313 regras) Interrogações 103-120
INTERROGAÇÃO 103
Já aprendemos que devemos obedecer aos mais velhos até à morte. Acontece
algumas vezes que o próprio velho erra. Deve ser admoestado? Como e por quem?
Desejamos sabê-lo. Se não aceitar, o que se deve fazer?
Resposta
A este respeito foi dito o bastante na resposta mais
extensa (Basílio se refere a Regra Mais Extensa 27 - Como deve ser
admoestado o superior, se porventura cair em algum erro.
"O
irmão que notar que o superior caiu em algum erro ou cometeu um deslize na
observância dos mandamentos não deve calar-se por negligência, nem tampouco
deve ele mesmo, por conta própria, proferir a censura ou espalhar a murmuração
entre os outros irmãos, o que geraria o pecado da discórdia. Em vez disso, se o
irmão for jovem ou não tiver a devida autoridade, deve relatar o fato em
particular aos irmãos que se destacam pela sabedoria, maturidade e capacidade
de discernimento dentro da comunidade. Estes anciãos, após examinarem a questão
à luz das Sagradas Escrituras, devem admoestar o superior em segredo, com toda
a mansidão, respeito e caridade fraterna, para que ele reconheça a sua falta e
se corrija. Se o superior aceitar a correção, o erro é perdoado e a paz é
restaurada. Porém, se ele rejeitar a advertência dos anciãos e persistir no
erro, violando os mandamentos de Deus, o caso deve ser levado ao conhecimento
daqueles que presidem as outras fraternidades ou à autoridade maior, pois a
obediência humana cessa quando se opõe à soberana vontade de Deus."
INTERROGAÇÃO 104
Como entregar os ofícios aos irmãos? Só a juízo do superior, ou com o
voto dos irmãos? E o mesmo, quanto às irmãs.
Resposta
Se cada um
aprendeu a propor aos outros o que pensa, quanto mais devem tais coisas ser
feitas com a aprovação daqueles que são capazes de julgar! Por isso, a
administração das coisas de Deus, segundo Deus, seja confiada àqueles que já
deram provas de poderem exercer o ofício que lhes foi entregue, de modo agradável
ao Senhor. Em suma, é necessário que o superior em todos os negócios se lembre
da Sagrada Escritura, que diz: Nada façais sem conselheiro (Eclo 32,24).
INTERROGAÇÃO 105
Se devem os
recém-vindos para a comunidade aprender logo os ofícios.
Resposta
Julguem
os superiores.
INTERROGAÇÃO 106
Que penas serão
usadas na comunidade em vista da conversão dos pecadores?
Resposta
Depende do juízo
do superior o tempo e o modo, de acordo com o vigor do corpo, a disposição da
alma e a diferença dos pecados.
INTERROGAÇÃO 107
Se alguém disser
que deseja viver na comunidade dos irmãos, mas, devido aos cuidados com os
parentes carnais, ou por causa dos
tributos, estiver muitas vezes impedido de se entregar de uma vez a esta vida,
deve ser-lhe permitido o acesso junto dos irmãos?
Resposta
É perigoso cortar
um bom desejo; não é seguro, contudo, dar ao que entrou oportunidade de tratar
de coisas externas e alheias à vida segundo Deus. Se o que entrou entregar-se
às obras internas e nada trouxer das de fora, dá melhores esperanças.
INTERROGAÇÃO 108
Se convém que o superior, na ausência da superiora, fale com uma irmã do
que se refere à edificação da fé.
Resposta
Seria
inobservância do preceito do Apóstolo, que diz: Faça-se tudo com decência e ordem (ICor 14,40).
INTERROGAÇÃO 109
Se convém que o superior fale com frequência com a superiora,
principalmente se
alguns dos irmãos se aborrecem com
isto.
Resposta
Tendo dito o
Apóstolo: Por que razão seria
julgada a minha liberdade pela consciência alheia? (ICor 10,29) é
bom imitá-lo, quando diz: Não temos
feito uso deste direito, para não pôr obstáculo algum ao Evangelho de Cristo (ICor
9,12), e na medida do possível, os colóquios sejam raros e breves.
INTERROGAÇÃO 110
Se deve estar presente a superiora quando una irmã se confessa a um
presbítero.
Resposta
Será mais importante e precavida a confissão feita diante da superiora a
um presbítero que possa com conhecimento e prudência sugerir o modo da penitência
e da correção.
INTERROGAÇÃO 111
Se o presbítero ordenar algo às irmãs, sem conhecimento da superiora, tem
ela o direito de se indignar?
Resposta
E muito.
INTERROGAÇÃO 112
Se é conveniente, quando alguém vem seguir uma vida dedicada a Deus, ser
recebido pelo superior sem o conhecimento dos irmãos, ou deve isto ser-lhes
comunicado primeiro?
Resposta
O Senhor ensina a convocar os amigos e vizinhos, por causa de um arrependido.
É bem mais necessário, pois, receber o recém-vindo com o conhecimento de todos
os irmãos, para que juntos se alegrem e orem.
INTERROGAÇÃO 113
Se é possível àquele que tem a responsabilidade das almas observar a
palavra: Se não vos transformardes e vos tomar como criancinhas (Mt 18,3), visto ter relação
com muitas e diferentes pessoas.
Resposta
Conforme disse o
sábio Salomão: Para tudo há um tempo
(Ecl 3,1), é notório haver um tempo próprio para a humildade, outro para
a autoridade, a repreensão, a exortação, a misericórdia, a liberdade no falar,
a benignidade, a severidade, em uma palavra, para cada coisa. Por vezes,
deve-se manifestar atitude humilde e imitar a humildade das crianças,
principalmente por ocasião de honras e obséquios mútuos, de serviços e tratamentos
corporais, como o ensinou o Senhor; às vezes, usar da autoridade concedida pelo
Senhor para edificar e não para destruir (2Cor 13,10), quando a necessidade
exigir liberdade no falar. E se na hora da exortação faz-se mister mostrar
benignidade, no momento da severidade mostre-se zelo e no restante faça-se de igual
modo.
INTERROGAÇÃO 114
Se é dever obedecer a todos os que dão ordens e
a qualquer um deles, porque o Senhor ordenou: Se alguém vem obrigar-te a andar mil
passos com ele, vai com ele dois mil (Mt 5,41) e c Apóstolo ensinou a nos
sujeitarmos uns aos outros, no temor de Cristo (Ef 5,21)
Resposta
A diferença entre
os que dão ordens em nada prejudique a obediência dos que as recebem. Moisés
não desprezou a Jetro que lhe dava bons conselhos. Como não são pequenas as
diferenças entre as ordens (algumas são contrárias ao mandamento do Senhor, ou
o destroem, ou o mancham porque se misturam a coisas proibidas; outras
coincidem com o mandamento; outras, embora visivelmente não coincidam com ele,
concordam com ele e como que o reforçam) é preciso lembrar-se do Apóstolo que
diz: Não desprezeis as profecias.
Examinai tudo. Retende o que for bom. Guardai-vos de toda a espécie de mal (lTs
5,20-22). E ainda: Nós aniquilamos
todo o raciocínio e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus
e cativamos todo o pensamento e o reduzimos à obediência a Cristo (2Cor
10,4.5). Por isto, se alguma coisa nos é ordenada que coincida
com o mandamento
do Senhor, ou concorde com ele, devemos recebê-la zelosa e diligentemente, como
vontade de Deus, cumprindo o que foi dito: Suportai-vos caridosamente uns aos outros (Ef 4,2). Quando,
porém, nos é prescrito algo de contrário
ao mandamento do
Senhor, ou que o destrua, ou manche, é o momento de dizermos: Importa obedecer mais a Deus do que aos homens
(At 5,29), lembrados do Senhor, que disse: Mas não seguem o estranho, antes fogem dele,
porque não conhecem a voz dos estranhos (Jo 10,5), e do Apóstolo que
ousou, para nossa segurança, referir-se aos anjos, dizendo: Mas, ainda que alguém, ou nós ou um anjo baixado do céu; vos
anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja
rejeitado (G11,8). Daí deduzimos que, por mais próximo ou por mais
ilustre que for, quem proíba aquilo que o Senhor ordenou, ou persuada a fazer o
que ele proibiu, deve ser evitado a execrado por
qualquer
um dos que amam o Senhor.
INTERROGAÇÃO 115
Como hão de obedecer uns aos outros?
Resposta
Como servos a seus
senhores, segundo a ordem do Senhor: E
todo o que entre vós quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o escravo
de todos (Mc 10,44). Acrescentou palavras mais persuasivas: Porque o Filho do homem não veio para ser
servido, mas para servir (ibid. 45); e ainda foi dito pelo Apóstolo:
Fazei-vos servos uns dos outros pela
caridade (G1 5,13).
INTERROGAÇÃO 116
Até onde vai a obediência, segundo as normas para agradarmos a Deus?
Resposta
Mostrou-o o
Apóstolo, propondo-nos a obediência do Senhor, que se tornou obediente até à morte, e morte de cruz (PI 2,8).
Disse anteriormente: Tende em vós a
estima que se deve em Cristo Jesus (ibid. 5).
INTERROGAÇÃO 117
De que vício sofre quem não aceita receber ordens diárias para a realização
de um mandamento, mas quer aprender um ofício? Deve ser tolerado?
Resposta
É presunçoso,
complacente consigo e incrédulo, porque não teme o juízo do Senhor que disse: Estai, pois, preparados porque, à hora em que
não pensais, virá o Filho do homem (Lc 12,40). Se alguém a cada dia
e hora espera o Senhor, preocupa-se de não passar ocioso aquele dia e de nada
mais cuida. Se lhe ordenar aprender um ofício, pela obediência terá a
recompensa de comprazer a Deus e não sofrerá a condenação por causa das delongas.
INTERROGAÇÃO 118
Qual será a recompensa de quem é zeloso em cumprir o mandamento, mas não
faz aquilo que lhe é ordenado e sim o que quer?
Resposta
A da autocomplacência.
Como o Apóstolo diz: Cada um de vós
procure agradar a seu próximo, para seu bem e sua edificação (Rm
15,2), e mais ainda nos convida, acrescentando: Cristo não se comprazeu em si mesmo (ibid. 3), conheça o
autocomplacente o perigo em que incorre. Será também convencido de ser
insubordinado.
INTERROGAÇÃO 119
Se é lícito a alguém recusar o trabalho que lhe é confiado e procurar
outro.
Resposta
Como a medida da
obediência, conforme já foi dito, vai até à morte, quem recusa o que lhe é
entregue e procura outro trabalho, primeiro destrói a obediência e manifesta
não ter renunciado a si mesmo; segundo, torna-se causa de muitos outros males para
si e para os demais. Além disso, abre a porta da contradição para os outros e
acostuma-se à mesma. Uma vez: que não pode cada um julgar o que é bom para si,
escolhe muitas vezes um serviço que lhe é prejudicial. Também desperta suspeitas
entre os irmãos de que é mais propenso ao trabalho que escolhe do que àqueles
nos quais deve colaborar. Em suma, desobedecer torna-se a raiz de muitos e
grandes males. Se julga ter uma razão para recusar o trabalho, declare-a aos
superiores e deixe a questão a seu juízo.
INTERROGAÇÃO 120
Se convém sair para algum lugar, sem avisar ao superior.
Resposta
O Senhor diz: Não vim de mim mesmo, mas (é verdadeiro) aquele
que me enviou (Jo 7,28). Quanto maior razão não temos de não nos
permitirmos agir assim? Quem toma essa liberdade, mostra claramente que sofre
de soberba e está sujeito ao juízo do Senhor, que disse: O que é elevado aos olhos dos homens é
abominável aos olhos de Deus (Lc 16,15). Em resumo, é culpada
qualquer concessão a si mesmo.
O que você destaca no texto? Como Serve para sua
espiritualidade?
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