domingo, 19 de julho de 2026

319 - SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 205-222

 

Demétrius, Victor Hugo, Kris, Leopoldo e Edson




319

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 205-222

 

 

INTERROGAÇÃO 205

Quem são os "pobres de espírito" mencionados em Mateus 5,3?

 

Resposta O Senhor diz que as palavras que Ele nos transmite são "espírito e vida" (Jo 6,63) e que o Espírito Santo nos ensinará tudo o que Ele nos disse (Jo 14,26), pois o Espírito não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir do Pai (Jo 16,13). Portanto, "pobres de espírito" são aqueles que se tornaram pobres motivados unicamente pela doutrina do Senhor, que ordenou: "Vai, vende os teus bens, dá-os aos pobres" (Mt 19,21). No entanto, se alguém aceitar a pobreza que lhe sobrevier por qualquer outra circunstância da vida, mas a orientar para a vontade do Senhor — a exemplo de Lázaro —, essa pessoa também não está excluída dessa bem-aventurança.

 

INTERROGAÇÃO 206

O Senhor ordena que não nos inquietemos com o que comeremos, beberemos ou vestiremos (Mt 6,31). Até onde vai esse mandamento e como devemos praticá-lo?

 

Resposta Este mandamento, como todos os outros do Senhor, estende-se até o momento da morte (cf. Fl 2,8), pois o próprio Senhor obedeceu até à morte. A prática desse mandamento se realiza por meio da confiança plena em Deus. Após proibir a ansiedade, o Senhor nos dá uma promessa de segurança, ao declarar: "Vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso" (Mt 6,32). Assim era o Apóstolo, que dizia: "Sentimos dentro de nós a sentença de morte; isso aconteceu para que aprendêssemos a não confiar em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos" (2 Coríntios 1,9). Pela sua disposição e prontidão de espírito, ele morria todos os dias; contudo, era preservado pela bondade de Deus. Por isso, afirmava com plena confiança: "Somos vistos como quem está morrendo, embora estejamos vivos" (2 Coríntios 6,9). Esse propósito é fortalecido por um zelo ardente e por um desejo insaciável de cumprir os mandamentos do Senhor. Quando esses sentimentos predominam em alguém, eles não permitem que a pessoa se distraia com as preocupações e necessidades do corpo.

 

INTERROGAÇÃO 207

Uma vez que não devemos nos inquietar com o nosso próprio sustento, e considerando que há outro mandamento que diz: "Trabalhai, não pela comida que perece" (Jo 6,27), seria supérfluo trabalhar?

 

Resposta O próprio Senhor explicou o sentido desse mandamento em outras passagens.

Primeiramente, ao proibir a preocupação com o sustento — dizendo: "Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que se preocupam com tudo isso" (Mt 6,31-32) —, Ele nos ordenou: "Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça" (Mt 6,33). Ele deixou claro que esse Reino deve ser buscado por meio de ações dignas. Ao proibir o trabalho focado apenas na sobrevivência pessoal (alimento perecível), Ele nos ensinou a trabalhar pelo alimento que permanece para a vida eterna. O próprio Jesus revelou isso ao dizer: "Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou" (Jo 4,34). Sendo a vontade de Deus que alimentemos o faminto, que demos de beber ao sedento e que vistamos o que está nu (Mt 25,35-36), devemos imitar o Apóstolo Paulo, que afirmou: "Em tudo vos tenho mostrado que, trabalhando assim, convém acudir aos fracos" (At 20,35). Devemos obedecer ao que ele ensina: "Trabalhe, executando com as próprias mãos o que é bom, para ter com que socorrer os necessitados" (Ef 4,28). Portanto, esta instrução do Senhor, tanto no Evangelho quanto nos ensinamentos dos Apóstolos, nos mostra que é proibido viver preocupado consigo mesmo ou trabalhar apenas para o próprio benefício. Segundo o mandamento do Senhor, devemos trabalhar e nos dedicar às necessidades do próximo. Isso é especialmente importante porque o Senhor considera como feitas a Ele mesmo todas as atenções prestadas aos que sofrem, prometendo, por causa disso, o Reino dos Céus.

 

NTERROGAÇÃO 208

A Ascese do silêncio contínuo é sempre algo bom?

 

Resposta A utilidade do silêncio depende do momento e da pessoa, como aprendemos nas Escrituras. Quanto ao momento: O profeta diz: "Por isso, o prudente se cala neste tempo, porque é tempo mau" (Amós 5,13); e o salmista afirma: "Porei um freio em minha boca enquanto o ímpio estiver diante de mim" (Salmo 39,1). Quanto à pessoa: O Apóstolo orienta que, se alguém estiver falando e outro receber uma revelação, o primeiro deve calar-se (1 Coríntios 14,30). Ele também instrui que as mulheres devem manter-se caladas nas assembleias (1 Coríntios 14,34). Além disso, para aqueles que não conseguem controlar a língua — e, portanto, falham em seguir o mandamento: "Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas apenas palavras boas que sirvam para a edificação da fé" (Efésios 4,29) —, o silêncio total é necessário. Essa prática deve ser mantida até que eles se curem do vício da fala imprudente. Assim, aprenderão, através da abstinência, o momento certo, o conteúdo adequado e a maneira correta de falar, para que suas palavras sejam, de fato, um benefício para quem as ouve.

 

INTERROGAÇÃO 209

Como podemos desenvolver o temor aos juízos de Deus?

 

Resposta O medo surge naturalmente quando esperamos que algo ruim aconteça. É assim que tememos as feras ou os governantes, quando receamos algum dano vindo deles. Da mesma forma, se alguém crê profundamente que as advertências do Senhor são verdadeiras e reflete sobre o que significará vivenciar a severidade dessas promessas, naturalmente temerá os juízos de Deus.

 

INTERROGAÇÃO 210

O que constitui uma vestimenta decente, segundo o ensinamento do Apóstolo?

 

Resposta Para vestir-se de maneira honesta e adequada ao seu propósito de vida, deve-se considerar o contexto: o tempo, o lugar, a pessoa e a necessidade. A própria lógica desaconselha o uso da mesma roupa no inverno e no verão, ou o mesmo hábito para quem está trabalhando e para quem está descansando. Da mesma forma, o vestuário deve ser apropriado conforme a função e a identidade de cada um — seja servo ou senhor, soldado ou civil, homem ou mulher.

 

INTERROGAÇÃO 211

Qual é a medida do amor a Deus?

 

Resposta A medida do amor a Deus é a disposição constante da alma em realizar a vontade dEle, sempre com o máximo esforço — indo além de nossas próprias forças —, tendo como único foco e desejo a Sua glória.

 

INTERROGAÇÃO 212

Como alcançar a verdadeira caridade (amor) para com Deus?

 

Resposta Alcançamos esse amor quando, agindo com prudência e uma consciência reta, nos deixamos tocar pelos benefícios que Ele nos concede. Isso é algo que até os seres irracionais compreendem: observamos que até os cães demonstram afeição por aqueles que lhes garantem o sustento. Aprendemos isso também pela repreensão do profeta Isaías, que diz: "Criei filhos e os enaltecí, mas eles se revoltaram contra mim. O boi conhece o seu dono, e o asno, a manjedoura de quem o alimenta; mas Israel não conhece nada, e o meu povo não tem entendimento" (Isaías 1,2-3). Assim como o boi e o asno sentem, por instinto, afeição por quem os alimenta — por causa do benefício recebido —, da mesma forma, se estivermos atentos e formos prudentes, como não amaríamos a Deus, o autor de tantas e tão grandes bênçãos? Afinal, em uma alma que está saudável, essa disposição de gratidão é algo quase inato, algo que surge naturalmente, mesmo sem que um mestre precise nos ensinar.

 

INTERROGAÇÃO 213

Quais são os sinais da verdadeira caridade (amor) para com Deus?

 

Resposta O próprio Senhor nos ensinou o sinal principal: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos" (João 14,15).

 

INTERROGAÇÃO 214

Qual é a diferença entre benignidade e bondade?

 

Resposta Ao observarmos os Salmos e Jeremias, vemos que o termo "benigno" é usado de forma mais ampla, referindo-se àquele que se compadece e estende ajuda a qualquer pessoa necessitada (cf. Sl 145,9; 112,5). Já a "bondade" parece ser mais específica, aplicada quando alguém age com benevolência guiado por critérios de justiça e retidão (cf. Sl 125,4; Lm 3,25).

 

INTERROGAÇÃO 215

Quem é o "pacífico" que o Senhor chama de bem-aventurado?

 

Resposta É aquele que colabora com a obra de Deus, agindo como embaixador de Cristo para promover a reconciliação entre as pessoas e o Criador (2 Coríntios 5,20). Esse pacífico é aquele que, tendo sido justificado pela fé, vive a verdadeira paz com Deus (Romanos 5,1). Essa paz é diferente da paz que o mundo oferece, pois foi o próprio Cristo quem disse: "Dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá" (João 14,27).

 

INTERROGAÇÃO 216

Em que aspectos devemos nos converter e nos tornar como crianças (Mateus 18,3)?

 

Resposta O próprio Evangelho esclarece o motivo: devemos renunciar à busca por privilégios ou superioridade, reconhecendo a igualdade de natureza entre todos e tratando com simplicidade aqueles que parecem inferiores a nós. As crianças agem assim entre si, enquanto ainda não foram corrompidas pela malícia do convívio social.

 

INTERROGAÇÃO 217

Como receber o Reino de Deus "como uma criança"?

 

Resposta Devemos nos comportar diante da doutrina do Senhor da mesma maneira que as crianças se comportam diante de seus professores: sem contradizer ou discutir as lições, mas recebendo as instruções com fé, docilidade e obediência sincera.

 

INTERROGAÇÃO 218

Que tipo de entendimento devemos pedir a Deus e como nos tornamos dignos de recebê-lo?

 

Resposta Deus mesmo nos ensina pelo profeta o que é o verdadeiro entendimento: "Não se orgulhe o sábio do seu saber, nem o forte de sua força, nem o rico de sua riqueza! Mas quem quiser vangloriar-se, glorie-se de possuir inteligência e de saber que Eu sou o Senhor" (Jeremias 9,23-24). O Apóstolo reforça: "Procurai compreender qual é a vontade de Deus" (Efésios 5,17). Tornamo-nos dignos desse entendimento quando atendemos ao chamado: "Parai e reconhecei que Eu sou Deus" (Salmo 46,10), e quando acreditamos firmemente que toda palavra de Deus é verdadeira, lembrando o que está escrito: "Se não crerdes, não subsistireis" (Isaías 7,9).

 

 

 

INTERROGAÇÃO 219

Quando recebemos um benefício de alguém, como podemos oferecer a Deus uma ação de graças pura, total e equilibrada?

 

Resposta Oferecemos essa gratidão quando estamos convictos de que Deus é a fonte de todo bem e Aquele que o realiza. Devemos reconhecer que a pessoa que nos prestou o serviço é, na verdade, um instrumento, um "ministro" do benefício que Deus nos enviou.

 

INTERROGAÇÃO 220

Deve-se permitir que qualquer pessoa tenha um encontro com as irmãs? Quem, quando e como se deve falar com elas?

 

Resposta Este tema já foi abordado anteriormente: ninguém deve buscar um encontro com outra pessoa por vontade própria, ao acaso ou sem um motivo claro. Deve-se haver um exame prévio para garantir que o encontro seja proveitoso para quem ajuda e para quem é ajudado — e esse cuidado deve ser redobrado quando se trata de um encontro com uma mulher. Aquele que se recorda do aviso do Senhor — "No dia do juízo, os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido" (Mateus 12,36) — teme essa sentença e obedece à orientação apostólica: "Quer comais, ou bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (1 Coríntios 10,31) e "tudo se faça para a edificação" (1 Coríntios 14,26). Portanto, nada deve ser feito de modo ocioso ou inútil.  Quanto ao quem, quando e como: escolha-se sempre um tempo, um lugar e uma companhia que não deem margem a qualquer suspeita. O encontro deve ter como objetivo a edificação da fé e ser realizado com cautela para não causar escândalo. Não é sensato que uma pessoa esteja a sós com outra; a Escritura nos lembra: "Melhor dois do que um" (Eclesiástico 4,9), pois oferecem mais segurança e testemunho. Como diz o mesmo texto: "Ai do que está só, porque, quando cair, não tem quem o levante" (Eclesiástico 4,10).

 

INTERROGAÇÃO 221

Como o Senhor nos ensinou a orar para não cairmos em tentação, devemos pedir especificamente para não sofrermos dores físicas? E, se as dores surgirem, como devemos suportá-las?

 

Resposta O Senhor não especificou quais tipos de tentações devemos evitar, mas deu uma ordem geral: "Orai para que não caiais em tentação" (Lucas 22,40). Por isso, aquele que se encontra diante de uma prova ou dor deve pedir a Deus que lhe conceda um meio de escapar dela, ou, caso não seja possível, que lhe dê forças para suportá-la. O objetivo é cumprir o que está escrito: "Aquele que perseverar até o fim, será salvo" (Mateus 24,13).

 

INTERROGAÇÃO 222

Quem é o nosso "adversário" e de que maneira devemos "concordar" com ele?

 

Resposta Nesta passagem, o Senhor chama de "adversário" aquele que tenta nos retirar algo que consideramos de nosso interesse. Nós "concordamos" com ele quando seguimos o mandamento do Senhor: "Se alguém te levar ao tribunal para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa" (Mateus 5,40). Devemos agir da mesma forma em todas as situações semelhantes.

 

1.         O que você destaca no texto?

2.         Como serve para a sua espiritualidade?

3.         De que forma esse texto desafia ou fortalece a nossa missão e os nossos valores aqui na OESI?

segunda-feira, 13 de julho de 2026

318 - SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 185-204

 


Irmã Kris, Frei Leopoldo, Irmão Ganisson e irmão Edson


318

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 185-204

 

 INTERROGAÇÃO 185

Se alguém, ao notar que suas palavras tocaram os ouvintes, sente alegria, como poderá discernir se esse regozijo provém de uma boa disposição ou de um amor-próprio vicioso?

Resposta

Se a sua satisfação repousa unicamente nos elogios, é evidente que se trata de amor-próprio vicioso. Contudo, se você se alegra ao perceber que aqueles que o exaltam compreenderam prontamente a mensagem, vislumbrando ali a semente da obediência; e se, na sequência, se alegra por verificar — zeloso pelo bem alheio — que as obras deles estão em harmonia com os louvores proferidos; ou ainda, se ao notar que os elogios não geraram proveito algum, você se entristece: então, dê graças a Deus. Pois, nesses casos, seus sentimentos são dignos de um amigo de Deus e dos irmãos, uma vez que não buscou a glória própria, mas sim a glória do Senhor e a edificação do próximo.

 

INTERROGAÇÃO 186

Tendo sido instruídos a cultivar um amor tamanha, a ponto de dar a vida pelos amigos, queremos saber por quais amigos devemos estar dispostos a tal sacrifício.

Resposta

            É preciso compreender que existem diferenças na atitude e no modo como esse sacrifício se concretiza: certas ações devem ser empreendidas em favor dos pecadores, enquanto outras são devidas aos justos. Contudo, fomos ensinados a manifestar, sem distinção, um amor que vá até a morte, tanto pelos justos quanto pelos pecadores. Como está escrito: "Deus prova o seu amor para conosco, porque Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores" (Rm 5, 8-9). Por outro lado, o Apóstolo diz aos santos: "Como uma mãe que cuida com ternura dos filhos que amamenta, assim, em nossa afeição por vós, desejávamos não apenas vos comunicar o Evangelho de Deus, mas dar a própria vida, porquanto nos sois muito queridos" (1Ts 2, 7-8).

 

INTERROGAÇÃO 187

Se todos devem receber algum auxílio de seus parentes carnais.

Resposta

É necessário que os parentes entreguem àqueles que se aproximam do Senhor o que lhes é de direito, sem nada subtrair, para que não incorram na sentença de sacrilégio. No entanto, o fato de os bens serem gastos à vista daqueles a quem parecem pertencer torna-se, com frequência, um pretexto de orgulho para estes e, para os pobres que abraçaram o mesmo gênero de vida, uma ocasião de tristeza. Ocorre, então, aquilo que o Apóstolo censura nos coríntios ao perguntar: "Porventura quereis envergonhar os que nada têm?" (1Cor 11,22). Por isso, se o responsável pelas igrejas do lugar for um administrador fiel e prudente, deve-se proceder conforme relatado nos Atos dos Apóstolos: "Traziam e depositavam [os bens] aos pés dos apóstolos" (At 4,35). Caso nem todos sejam aptos a administrar tais recursos, mas somente os encarregados, caberá a estes — após serem devidamente examinados — dispor do que lhes for entregue da maneira que julgarem mais justa e conveniente.

 

INTERROGAÇÃO 188

Como devemos receber os antigos companheiros ou os parentes que nos vêm visitar?

Resposta

Devemos proceder conforme o exemplo e o ensinamento do Senhor. Quando lhe anunciaram: "Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e desejam ver-te" (Lc 8,20), Ele respondeu com palavras severas: "Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? Todo aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe" (Mt 12,48-50).

 

INTERROGAÇÃO 189

Devemos ouvi-los caso queiram, por meio de exortações, induzir-nos a retornar para casa?

Resposta

Se o intuito for edificar o próximo na fé, aquele que for capaz de cumprir tal missão poderá ser enviado, após ser devidamente experimentado. Contudo, se o motivo for meramente por afeição humana, recorde-se do que o Senhor respondeu àquele que lhe disse: "Permite primeiro que eu me despeça dos que estão em casa". Ele respondeu: "Aquele que põe a mão no arado e olha para trás não é apto para o Reino de Deus" (Lc 9,61-62). Se esta é a sentença para quem apenas desejava despedir-se, que dizer daquele que cogita retornar?

 

INTERROGAÇÃO 190

Devemos compadecer-nos dos parentes carnais e desejar a sua salvação?

Resposta

Aquele que nasceu do Espírito, conforme a palavra do Senhor (Jo 3,8), e recebeu o poder de se tornar filho de Deus (Jo 1,12), deixa de considerar o parentesco carnal como seu foco, reconhecendo como verdadeiros familiares aqueles que estão próximos na fé. Sobre estes, o Senhor atesta: "Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam" (Lc 8,21). Contudo, cumpre compadecer-se de todos os que estão distantes do Senhor, sejam parentes carnais ou não. Se alguém, nutrindo maior afeição pelos seus, julga ter no Apóstolo um patrono para tal sentimento — ao dizer ele: "Porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, que são da minha raça segundo a carne" (Rm 9,3) — deve compreender, pela sequência do texto, que o Apóstolo não exalta o laço sanguíneo em si, mas a Israel e aos privilégios concedidos por Deus. Ele não se refere aos israelitas por serem meramente de sua raça, mas porque foram honrados com tantos e tão grandiosos benefícios divinos: "Porque deles é a adoção, a glória, a aliança, a legislação, o culto, as promessas e os patriarcas; e deles descende o Cristo segundo a carne" (Rm 9,4-5). É por tudo isto que ele dá tamanha importância à salvação deles: não por causa do parentesco, mas em razão da encarnação do Senhor, realizada em favor daquele povo. Afinal, o próprio Cristo disse: "Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel" (Mt 15,24).

 

INTERROGAÇÃO 191

O que significa ser manso?

Resposta

Significa manter a constância inabalável no propósito de agradar a Deus.

 

NTERROGAÇÃO 192

Qual é a tristeza segundo Deus e qual é a tristeza segundo o mundo?

Resposta

A tristeza segundo Deus ocorre quando alguém se angustia ao ver o mandamento divino sendo desprezado, conforme está escrito: "Um ardor de indignação apodera-se de mim por causa dos ímpios que abandonam a vossa Lei" (Sl 118,53). Já a tristeza segundo o mundo é aquela cuja causa é puramente humana ou mundana.

 

INTERROGAÇÃO 193

O que é o júbilo no Senhor e por quais das nossas ações devemos nos alegrar?

Resposta

O júbilo no Senhor consiste em alegrar-se com o que é realizado segundo o mandamento divino e para a glória de Deus. Portanto, devemos nos rejubilar e nos congratular mutuamente sempre que colocarmos em prática os preceitos do Senhor ou sofrermos algum padecimento em Seu nome.

 

INTERROGAÇÃO 194

De que modo devemos chorar para sermos dignos da bem-aventurança?

Resposta

Esta questão encontra-se implícita na que trata da tristeza segundo Deus. Choramos de maneira digna quando nossas lágrimas brotam da contrição pelos pecados — seja pela ofensa cometida contra o Senhor, uma vez que a transgressão da lei O desonra, seja por compaixão por aqueles que perecem no pecado. Pois está escrito: "A alma que pecar, essa morrerá" (Ez 18,4). Devemos, portanto, imitar aquele que disse: "Terei de chorar por muitos daqueles que pecaram anteriormente" (2Cor 12,21).

 

INTERROGAÇÃO 195

Como alguém pode fazer tudo para a glória de Deus?

Resposta

Alguém realiza tudo para a glória de Deus quando age segundo o Seu mandamento e, em nada, busca ou considera os louvores dos homens. Em todos os momentos, deve-se manter presente a advertência do Senhor: "Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus" (Mt 5,16).

 

INTERROGAÇÃO 196

Como alguém pode comer e beber para a glória de Deus?

Resposta

Pode fazê-lo ao manter viva a lembrança do seu Benfeitor e ao adotar tal disposição de ânimo que até a postura do corpo ateste que não se alimenta despreocupadamente, mas consciente de ter Deus como espectador. Além disso, o propósito da refeição não deve ser o prazer — para não se tornar escravo do próprio ventre —, mas sim o sustento de um operário de Deus, buscando o vigor necessário para realizar as obras conforme o mandamento de Cristo.

 

INTERROGAÇÃO 197

Como agirá a mão direita de modo que a esquerda não o saiba?

Resposta

A mão direita age sem que a esquerda o saiba quando a mente está inteiramente ocupada em não falhar no seu dever, movida por um desejo estável e veemente de agradar a Deus, combatendo de maneira legítima. Nesse estado, o espírito não se detém em reflexões sobre si mesmo, nem sobre qualquer outro membro, concentrando-se apenas naquilo que é útil para a execução do projeto; tal como o artífice, durante o trabalho, volta o seu olhar unicamente para a ferramenta necessária à sua atividade.

 

INTERROGAÇÃO 198

O que é a humildade e como a alcançaremos?

Resposta

A humildade consiste em considerar todos os outros como superiores a si mesmo, conforme a orientação do Apóstolo (Fl 2,3). Pode praticá-la, primeiramente, aquele que mantém viva a memória do mandamento do Senhor: "Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração" (Mt 11,29) — lição que Ele demonstrou e ensinou de múltiplas formas e em diversas ocasiões. Além disso, alcança-a quem crê verdadeiramente na promessa divina: "Todo aquele que se humilhar será exaltado" (Lc 14,11).

 

INTERROGAÇÃO 199

Como poderá alguém estar inteiramente pronto para enfrentar até mesmo os perigos, por causa do mandamento do Senhor?

Resposta

Alguém alcança essa disposição, primeiramente, ao manter viva a lembrança de que o Senhor, por amor a nós, obedeceu ao Pai até à morte (Fl 2,8). Em seguida, ao estar convicto da força do mandamento, que é vida eterna, conforme está escrito (Jo 12,50). Finalmente, ao depositar absoluta fé no que disse o Senhor: "Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á" (Mc 8,35).

 

INTERROGAÇÃO 200

Como poderão aqueles que, por longo tempo, já se dedicaram à obra de Deus, ajudar os recém-chegados?

Resposta

Se possuírem vigor físico, devem demonstrar um zelo incansável e apresentar-se como modelos de toda boa obra. Se, contudo, estiverem enfermos, devem manter tal disposição de ânimo que demonstrem, em sua fisionomia e em todos os seus movimentos, a profunda convicção de que Deus os vê e a certeza da presença (parusia) do Senhor. Devem, ainda, manifestar as qualidades da caridade enumeradas pelo Apóstolo: "A caridade é paciente, a caridade é benigna. A caridade não é invejosa, não se ufana, não se ensoberbece. Não faz nada de inconveniente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade jamais acabará" (1Cor 13,4-8). Todas essas virtudes podem ser praticadas mesmo em um corpo enfermo.

 

NTERROGAÇÃO 201

Como poderá alguém manter-se plenamente atento durante a oração?

Resposta

Mantendo a convicção de que Deus está diante de seus olhos. Se aquele que contempla um príncipe ou uma autoridade, ao conversar com tal personalidade, mantém o olhar fixo e atento, quanto mais aquele que ora a Deus deve conservar a mente voltada para Aquele que perscruta os corações e os rins! Assim, cumprirá o que está escrito: "Levantando mãos puras, sem ressentimento e sem contenda" (1Tm 2,8).

 

INTERROGAÇÃO 202

É possível manter-se, em todas as circunstâncias e de forma ininterrupta, livre de distrações? Se sim, como realizar tal propósito?

Resposta

A possibilidade de alcançar tal estado é demonstrada por aquele que afirmou: "Meus olhos estão sempre fixos no Senhor" (Sl 24,15) e: "Ponho sempre o Senhor diante de mim; com Ele à minha direita, não vacilarei" (Sl 15,8). Anteriormente, expusemos o modo de realizá-lo: a alma jamais deve cessar de meditar em Deus, em Suas obras e em Seus dons, permanecendo sempre em atitude de confissão e gratidão por tudo.

 

INTERROGAÇÃO 203

Na realização dos mandamentos do Senhor, existe uma única medida para todos, ou alguns possuem uma proporção maior e outros, menor?

Resposta

Evidencia-se que a medida não é a mesma para todos; a um é confiado mais, a outro menos, conforme as palavras do Senhor. Ele declara: "A semente que caiu em terra boa é aquele que ouve a palavra, compreende-a e produz fruto: cem por um, sessenta por um, trinta por um" (Mt 13,23), o que também se observa na parábola daqueles que receberam as minas (Lc 19,16). E, em outra ocasião, afirma: "A um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um" (Mt 25,15).

 

INTERROGAÇÃO 204

Como alguém se tornará apto a participar do Espírito Santo?

Resposta

Nosso Senhor Jesus Cristo o ensinou ao dizer: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Advogado, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber" (Jo 14,15-17). Portanto, enquanto não guardarmos todos os mandamentos do Senhor, nem pudermos receber d'Ele o testemunho de que "não sois do mundo" (Jo 15,19), não devemos esperar que nos tornaremos aptos a receber o Espírito Santo.

 

1.         O que você destaca no texto?

2.         Como serve para a sua espiritualidade?

3.         De que forma esse texto desafia ou fortalece a nossa missão e os nossos valores aqui na OESI?