domingo, 19 de abril de 2026

309 SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras). - Interrogações 57 a 64

 


309

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon

As Regras Menos Extensas (313 regras).

Interrogações 57 a 64

 

INTERROGAÇÃO 57

            Se alguém tiver um mau costume, um vício, que não consegue mudar, mesmo depois de ser avisado muitas vezes, deve ser punido ou é melhor mandá-lo embora?

 

Resposta

            Já foi dito em outro lugar que os pecadores devem ser levados à mudança de vida pela paciência, seguindo o exemplo do Senhor. Se o castigo e a correção de muitos não forem suficientes para sua volta a Deus, como aconteceu com o homem de Corinto, que ele seja considerado um estranho à fé. Para ninguém é seguro manter perto de si aquele que foi julgado pelo Senhor, porque o Senhor disse (Mt 5,29.30) que é melhor alguém entrar no reino com um olho só, com uma só mão, ou tendo perdido um pé do que tentar salvar um deles e ser jogado inteiro no inferno, onde há choro e ranger de dentes. E o Apóstolo afirma que um pouco de fermento faz crescer toda a massa (Gl 5,9).

 

INTERROGAÇÃO 58

            Se é julgado apenas quem mentiu de propósito ou se também aquele que, por não saber, afirmou com toda a certeza alguma coisa que não era verdade.

 

Resposta

            É claro que o julgamento do Senhor cai até sobre os que pecam por não saber, quando diz: Aquele que, sem conhecer a vontade de seu Senhor, fizer coisas erradas, será castigado com poucos golpes (Lc 12,48). Por isso, um arrependimento verdadeiro sempre traz uma esperança certa de perdão.

 

INTERROGAÇÃO 59

            Se alguém planejar uma coisa e não a fizer, será julgado como mentiroso?

 

Resposta

            Se aquilo que ele planejava fazer é obrigatório, não será apenas julgado como mentiroso, mas também como teimoso, porque Deus sonda os corações e os rins (SI 7,10).

 

INTERROGAÇÃO 60

            Se alguém teve a ideia de fazer algo que desagradasse a Deus, e decidiu fazê-lo, será melhor desistir do mau propósito ou cometer pecado, por receio de se desmentir?

 

Resposta

            Como diz o Apóstolo: Não que sejamos capazes, por nossa conta, de ter algum pensamento que venha de nós mesmos (2Cor 3,5). O próprio Senhor declara: Nada posso fazer por mim mesmo (Jo 5,19) e: As palavras que eu digo a vocês não as digo por minha própria conta (Jo 14,10). Em outro lugar, diz: Desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou (Jo 6,38), o Pai.

            Portanto, a pessoa deve se arrepender, em primeiro lugar, porque se atreveu a decidir qualquer coisa sozinha, já que nem mesmo o bem deve ser feito por vontade própria. Em segundo lugar, e principalmente, porque não teve dúvida em decidir algo que vai contra o que agrada a Deus.

            Vemos claramente que devemos mudar de ideia quando uma decisão pensada vai contra a ordem do Senhor. Isso aparece no apóstolo Pedro, que decidiu: Nunca lavarás os meus pés (Jo 13,8.9). Mas, depois que o Senhor afirmou: Se eu não te lavar, você não terá parte comigo, ele logo mudou de opinião e disse: Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça.

 

 

INTERROGAÇÃO 61

            Se alguém não pode trabalhar, nem quer aprender os salmos, que fazer dele?

 

Resposta

            O Senhor disse da figueira que não dava frutos na história: Corte-a; por que ela ainda ocupa o terreno sem serventia? (Lc 13,7). É preciso, então, tomar providências sobre essa pessoa com todo o cuidado; se ela não aceitar, deve-se fazer o que foi ordenado sobre aquele que continua no pecado. Pois quem não faz nada de bom será julgado junto com o diabo e seus anjos.

 

INTERROGAÇÃO 62

            Que é preciso que alguém faça para ser condenado por ocultar o talento?

 

Resposta

            Quem guarda qualquer tipo de graça de Deus, para aproveitar sozinho e não para ajudar os outros, é condenado por esconder o seu talento.

 

INTERROGAÇÃO 63

            Que é preciso que alguém faça para ser condenado como os murmuradores contra os últimos?

 

Resposta

            Cada qual é condenado por seu próprio pecado; os murmuradores por causa da murmuração. Vários são muitas

vezes os motivos por que murmuram. Uns dizem que lhes faltam alimentos, porque são gulosos e fazem do ventre o seu deus; outros, que só receberam honras iguais aos últimos, dando assim mostras de inveja, que é a companheira do homicídio; outros, enfim, por quaisquer outras razões.

 

INTERROGAÇÃO 64

            Como Nosso Senhor Jesus Cristo disse: Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar (Mt 18,6), que é escandalizar? E como nos acautelaremos a fim de não sofrermos esta horrível condenação?

 

Resposta

            Alguém escandaliza quando transgride a lei, por palavra ou obra, induzindo a outros a transgredi-la, como a serpente a Eva e Eva a Adão; ou ainda quando impede a realização da vontade de Deus, como Pedro ao Senhor, dizendo: Que Deus não permita isso, Senhor (Mt 16,22), e ouviu: Afasta-te de mim, Satanás, tu és para mim um escândalo; teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens! (ibid. 23), ou quando incita o ânimo de um fraco para alguma coisa proibida, segundo o que escreveu o Apóstolo, com as palavras: Se alguém te vê a ti, que és esclarecido, sentado à mesa no templo dos ídolos, não se sentirá ele em sua consciência fraca autorizado a comer do sacrifício aos ídolos? (ICor 8,10) e acrescentou: Se a comida serve de ocasião de queda a meu irmão, jamais comerei carne, para não ser para o meu irmão uma ocasião de queda (ibid. 13).

            O escândalo tem muitas causas. Ou provém de quem escandaliza, ou é da parte do escandalizado que se origina o escândalo. E ainda aqui há outras diferenças; algumas vezes vem da malícia, outras da inexperiência deste ou daquele.

            Por vezes, numa conversa sincera, evidencia-se a maldade dos que se escandalizam; assim como nas ações.

            Se alguém, pois, pratica o mandamento de Deus, ou usa livremente do que está em seu poder, escandaliza-se quem se escandalizar. Quando, porém, os homens se ofendem e se escandalizam com o que é feito ou dito de acordo com o mandamento (como no Evangelho alguns, acerca do que o Senhor fazia ou dizia, segundo a vontade do Pai), então é bom lembrar-se de que o Senhor, quando se aproximaram os discípulos e disseram-lhe: Sabes que os fariseus se escandalizaram destas palavras que ouviram? respondeu-lhes: Toda a planta que meu Pai celeste não plantou, será arrancada pela raiz. Deixai-os; são cegos e guias de cegos. Ora, se um cego conduz a outro, tombarão ambos na mesma vala (Mt 15,12-14). Muitas coisas semelhantes encontram- se nos Evangelhos e foram ditas pelo Apóstolo.

            Quando, porém, alguém se ofende ou se escandaliza por coisas que estão em nosso poder, devem então vir à lembrança as palavras do Senhor a Pedro: Os filhos, então, estão isentos. Mas não convém escandalizá-los. Vai ao mar e lança o anzol, e ao primeiro peixe que pegares, abrirás a boca e encontrarás um estáter. Toma-o e dá-o por mim e por ti (Mt 17,25.26); e também estas palavras que o Apóstolo escreveu aos coríntios: Jamais comerei carne, para não escandalizar o meu irmão (ICor 8,13), e ainda: Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem outra coisa que para teu irmão possa ser uma ocasião de queda (Rm 14,21), de escândalo, de fraqueza. O preceito do Senhor mostra quão terrível é, no que parece estar em nosso poder, desprezar o irmão, que por isto se escandaliza; proíbe completamente qualquer espécie de escândalo, dizendo: Guar- ãai-vos de menosprezar um só destes pequenos! Porque eu vos digo que seus anjos no céu contemplam sem cessar a face de meu Pai que está nos céus (Mt 18,10).

            O Apóstolo também o atesta, dizendo: Cuidai em não pôr um tropeço diante de vosso irmão ou dar-lhe uma ocasião de queda (Rm 14,13); ou reprime com maior veemência e palavras mais abundantes este absurdo, dizendo: Se alguém te vê a ti, que és esclarecido, sentado à mesa no templo dos ídolos, não se sentirá ele em sua consciência fraca autorizado a comer do sacrifício aos ídolos? Assim a tua consciência fará cair o fraco, um irmão pelo qual morreu Cristo (ICor 8,10.11). E acrescentou: Assim, pecando vós contra os irmãos e ferindo a sua débil consciência, pecais contra Cristo. Pelo que, se a comida serve de ocasião de queda a meu irmão, jamais comerei carne, para não ser para o meu irmão uma ocasião de queda (ibid. 12.13). Em outro lugar diz: Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar o trabalho? (ICor 9,6), e acrescenta a seguir: Não temos feito uso deste direito; sofremos tudo para não pôr algum obstáculo ao Evangelho de Cristo (ibid. 12).

            Se foi demonstrado como é terrível nas coisas que dependem de nós escandalizar um irmão, que dizer dos que escandalizam fazendo ou falando coisas proibidas? Principalmente, quando o que dá escândalo parece ter uma ciência mais vasta ou está estabelecido num grau sacerdotal. Deverá então estar à frente dos outros como regra e modelo; se negligenciar o mínimo que seja do que está escrito ou fizer uma coisa proibida, ou omitir algum preceito, ou, em resumo, deixar passar em silêncio quaisquer coisas destas, é o bastante para ser severamente julgado, de modo que do sangue do que pecou, como foi dito, ser-lhe-á pedida conta (Ez 3,18).

 

1.      O que você destaca no texto?

2.      Como serve para sua vida espiritual?

3.      O que você destaca na fala do seu irmão?

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