quarta-feira, 29 de abril de 2026

310 SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras). - Interrogações 65 a 80

 


310

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon

As Regras Menos Extensas (313 regras).

Interrogações 65 a 80

 

INTERROGAÇÃO 65

Como alguém injustamente detém a verdade?

 

Resposta

Quando abusa dos bens dados por Deus para realizar suas próprias vontades. Desaprova-o o Apóstolo, dizendo: Não somos, como tantos outros, falsificadores da palavra de Deus (2Cor 2,17). E ainda: Nunca usamos de adulação, como sabeis, nem fomos levados por interesse algum. Não buscamos glórias humanas, nem de vós nem de outros (lTs 2,5.6).

 

INTERROGAÇÃO 66

Que é emulação e que é rivalidade?

 

Resposta

A imitação se resume em se dedicar alguém por fazer certa coisa, com o objetivo de não parecer pior que outra pessoa; a rivalidade, no entanto, em estimular e desafiar os outros a fazerem obras parecidas às suas, com exibicionismo e orgulho. Por isso, o Apóstolo, às vezes cita a rivalidade e inclui o orgulho, dizendo: Nada façais por espírito de conflito ou de orgulho (Fl 2,3), outras vezes, tendo feito menção do orgulho, depois impede a rivalidade, sob outro nome, dizendo: Não sejamos desejosos de orgulho. Nada de desafio entre nós (Gl 5,26).

 

INTERROGAÇÃO 67

Que é imundície e que é impureza?

 

Resposta

A lei se refere à sujeira, usando esta expressão para os acontecimentos necessários e involuntários da natureza. Parece-me que o sábio Salomão indica a sujeira quando fala do sensual e do que não suporta a dor, de modo que sujeira seria uma atitude de espírito que não sofre ou não suporta a dor própria do combate, como falta de controle é não ter o domínio sobre os prazeres que nos atacam.

 

INTERROGAÇÃO 68

Que é próprio do furor ou da justa indignação? Como é que, frequentemente, começando pela indignação, encontramo-nos enfurecidos?

 

Resposta

É característico do furor o impulso da alma com a intenção de fazer mal àquele que nos irritou; é característico da revolta sensata, a justa indignação, buscar a correção do pecador, devido ao profundo desgosto perante o acontecido. Não é de admirar que a alma comece bem e caia para o mal; é fácil encontrar muitos exemplos disto. É preciso lembrar-se das Escrituras divinas que dizem: Junto ao caminho me colocam obstáculos (Sl 139,6), e ainda: Também o que luta nos jogos públicos não é premiado, se não tiver lutado segundo as regras (2Tm 2,5); e cuidar-se sempre da falta de equilíbrio, de ocasião e de ordem. Por esta razão, o que acaba de ser mencionado, embora tenha aparência de bem, com frequência se transforma em mal.

 

 

 

INTERROGAÇÃO 69

Como agir com aquele que não come menos que os outros, nem consta estar inválido ou doente, mas se queixa de falta de forças para o trabalho?

 

Resposta

Todo motivo para preguiça é motivo para pecado; porque é preciso mostrar dedicação até à morte, e da mesma forma paciência. É evidente que a preguiça unida à maldade condena o preguiçoso, como se conclui das palavras do Senhor: Servo mau e preguiçoso! (Mt 25,26).

 

INTERROGAÇÃO 70

Como deve ser tratado o que faz mau uso das vestes e dos calçados; se for repreendido, suspeita-se haver em quem o repreende parcimônia ou murmuração. Que convém fazer- lhe, se, depois da segunda e terceira admoestação justa, continuar do mesmo modo?

 

Resposta

O Apóstolo retira o desleixo ao dizer: Os que usam deste mundo, mas como se dele não usassem (1Cor 7,31). A medida dos gastos é a necessidade obrigatória; o que passa da necessidade é doença: apego ao dinheiro, prazer exagerado ou orgulho. Se alguém continuar no pecado, sofrerá a condenação de quem não faz arrependimento.

 

INTERROGAÇÃO 71

Há alguns que procuram mais o sabor dos alimentos do que a quantidade; outros, porém, mais a quantidade do que o sabor, a fim de se saciarem. Como proceder para com ambos?

 

Resposta

Os dois estão doentes; uns de prazer, outros de ganância. Nem o sensual, nem o desejoso de uma coisa qualquer evita a condenação. Os dois precisam ser cuidados com compaixão, para se curarem. Se não se recuperarem da doença, certamente sofrerão a condenação dos que não fazem arrependimento.

 

INTERROGAÇÃO 72

Se alguém, ao tomar a refeição em comunidade, se comportar sem polidez, comendo e bebendo vorazmente, deve ser repreendido?

 

Resposta

Essa pessoa não obedece o mandamento do Apóstolo que diz: Quer comais, quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus (1Cor 10,31), e ainda: Faça-se tudo com respeito e ordem (1Cor 14,40), e precisa de ajuste. A não ser que haja necessidade de trabalho ou pressa; mas ainda assim, fuja-se cuidadosamente do que possa causar má impressão.

 

INTERROGAÇÃO 73

Como deve ser corrigido quem repreender um delinquente não pelo desejo de correção fraterna, mas com sentimento de vingança, se, muitas vezes admoestado, persistir no mesmo vício?

 

Resposta

Seja considerado egoísta e desejoso de poder; indique-se a ele o modo de se melhorar, segundo o conhecimento da devoção. Se continuar no mal, é evidente que sofrerá o castigo dos que não se arrependem.

 

 

 

 

 

 

 

INTERROGAÇÃO 74

Devem ser separados dos demais os que se apartam da comunidade e querem viver uma vida solitária, ou seguir, na companhia de poucos, o mesmo escopo de piedade? Desejamos saber o que ensina a Escritura.

 

Resposta

Tendo dito muitas vezes: O Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma (Jo 5,19) e: Desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou, o Pai (ibid. 6,38) e segundo o relato do Apóstolo: Porque os desejos da natureza humana se opõem aos do Espírito, e estes aos da natureza humana; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazemos o que queremos (Gl 5,17), tudo o que se escolhe segundo a própria vontade é contrário à vida dos que praticam a devoção. A este respeito respondemos nas explicações mais longas.

 

INTERROGAÇÃO 75

Se convém dizer que Satanás é a causa de todos os pecados, por pensamentos, palavras e obras.

 

Resposta

De modo geral, penso que, por si mesmo, o diabo não pode ser a causa de pecado de outra pessoa; ora aproveita os impulsos naturais, ora os desejos proibidos, e por eles tenta levar os que não estão atentos aos resultados próprios dos vícios. Usa dos impulsos naturais, como tentou fazer em relação ao Senhor, ao notar que estava faminto, dizendo: Se és o Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães (Mt 4,3). Emprega os sentimentos proibidos, como o fez com Judas; porque, percebendo que sofria do apego da ganância, aproveitou-se desta fraqueza e empurrou o ganancioso ao crime da traição, por meio de trinta moedas de prata. Mostra claramente o Senhor que também os males vêm de nós mesmos: É do coração que saem os maus pensamentos (Mt 15,19). É o que acontece àqueles que, por descuido, deixam sem cuidar as boas sementes naturais, conforme foi dito nos Provérbios: Como um campo, o homem sem juízo, e como uma vinha, o homem tolo. Se o deixares, tornar-se-á um deserto e encher-se-á de mato e ficará abandonado (Pr 24,30.31, LXX). A alma que, por tal falta de cuidado, permanece sem cultivo e abandonada, inevitavelmente produzirá espinhos e mato seco e sofrerá o que foi dito: Eu esperava vê-la produzir uvas, ela não deu senão uvas verdes (Is 5,4). Dela foi dito anteriormente: Eu plantei uma vinha de Sorec (ibid. 2), isto é, escolhida. Coisa parecida acha-se em Jeremias, que fala em nome de Deus: Eu que te havia plantado de plantas escolhidas, todas de boa origem; como te transformaste em galhos ruins de uma videira estranha (Jr 2,22)?

 

INTERROGAÇÃO 76

Se é lícito mentir por utilidade.

 

Resposta

A decisão do Senhor não o permite, uma vez que disse vir do diabo a mentira (Jo 8,44), sem fazer diferenças em assuntos de mentira. Da mesma forma o Apóstolo o confirma, ao escrever: Também o que luta nos jogos públicos não é premiado, se não tiver lutado segundo as regras (2Tm 2,5).

 

INTERROGAÇÃO 77

Que é dolo, e que é malignidade?

 

Resposta

A malignidade é, a meu ver, a maldade antiga e escondida dos costumes; o engano, porém, é o esforço em armar armadilhas, isto é, quando alguém fingiu um bem qualquer e o apresenta a outra pessoa, como isca, e assim lhe arma emboscadas.

 

 

 

 

 

 

INTERROGAÇÃO 78

Quem é inventor de maldades?

 

Resposta

Aqueles que, além dos males habituais e conhecidos de muitos, inventam e encontram ainda outros.

 

INTERROGAÇÃO 79

Como corrigir alguém que é com frequência surpreendido a tratar com dureza um irmão?

 

Resposta

O acontecimento vem, a meu ver, da falsa ideia de ser melhor ou da tristeza por causa dos erros daqueles que deviam agir bem. Diante de um acontecimento incômodo e contrário ao bem que esperava, a alma, não sei como, é atingida com maior força. É preciso, então, maior cuidado, a fim de, no primeiro caso, segurarmos o vício do orgulho; no segundo, antes que cheguemos à revolta, demonstremos compaixão, com conselhos e avisos. Se, porém, este tratamento foi sem efeito, por causa da maldade do vício escondido, por fim, usemos de modo correto a ocasião da força da revolta, unida à compaixão, para a utilidade e melhora do pecador.

 

INTERROGAÇÃO 80

Por que, de certo modo, faltam a nossa mente bons pensamentos e cuidados agradáveis a Deus, e como evitaremos isto?

 

Resposta

Se Davi disse: Pegou no sono de tristeza a minha alma (Sl 118,28) é bem evidente que isto acontece devido à preguiça e à falta de sentimento da alma. À alma atenta e lúcida não podem faltar a preocupação agradável a Deus e os bons pensamentos; ao contrário, vê que ela é que lhes falta. Se os olhos do corpo não bastam para a observação, até mesmo de poucas obras de Deus, nem por ter visto uma vez se enchem, mas ainda que sempre olhem a mesma coisa, não se cansam de olhar, com maior razão os olhos da alma, se atentos e despertos, são insuficientes para a observação das maravilhas e das decisões de Deus. Vossas decisões, diz-se, são profundas como o mar (Sl 35,7) e em outra parte: Conhecimento assim maravilhoso me supera, ele é tão alto que não posso alcançá-lo (Sl 138,6) etc. Se faltarem à alma os bons pensamentos, é claro que ainda precisa de luz; não significa isto que falte o que dá luz, e sim, que dorme aquele que deve receber a luz.

 

O que você destaca no texto?

O que você destaca na fala do seus irmão/ã?

Como serve para sua vida espiritual?

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