segunda-feira, 7 de maio de 2018

47 - Teófilo de Antioquia (†181) Primeiro Livro a Autólico (Capítulo 6 ao 10)


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47
Estudo sobre os Pais da Igreja: Vida e Obra
Teófilo de Antioquia (†181)
Primeiro Livro a Autólico (Capítulo 6 ao 10)

Capítulo VI – Condições intelectuais para o conhecimento de Deus (cont.)
Ó homem, considera, portanto, as obras de Deus: a variedade das estações segundo os tempos, a mudança dos ares, o curso bem regrado dos elementos, a marcha também ordenada dos dias e das noites, dos meses e dos anos; a variada formosura das sementes, das plantas e dos frutos; a grande diversidade de criações: quadrúpedes e aves, répteis e peixes, seja de água doce, seja do mar; o instinto dado aos mesmos animais para gerar e criar, não para sua própria utilidade, mas para que o homem aproveite; a providência com que Deus prepara o alimento para toda carne, a submissão à humanidade que ele impôs a todas as coisas; as torrentes das fontes doces e dos rios perenes, o aparecimento oportuno do orvalho, das chuvas e das tempestades que acontecem segundo os tempos; o movimento tão variado dos elementos celestes, o luzeiro da manhã que surge para anunciar a vinda do grande astro, a conjunção da Plêiade e do Órion, o Arturo e o coro dos outros astros que circulam na abóbada celeste, aos quais a infinita sabedoria de Deus pôs nomes próprios.
É unicamente esse Deus que tirou a luz das trevas, que tira a luz de seus depósitos, que conserva os depósitos do vento, os reservatórios do abismo, os limites dos mares, os depósitos das neves e granizos, que junta as águas nos reservatórios do abismo ejunta as trevas em seus depósitos, tira a luz doce, desejada e grata, de seus depósitos, faz subir as nuvens da extremidade da terra, multiplica os relâmpagos para chover, envia o trovão para infundir medo, anuncia de antemão o seu estrondo por meio do relâmpago, para que a alma não sofra emoção súbita que a deixaria inanimada, e ainda modera a força do relâmpago que vem dos céus, para que não abrase a terra. De fato, se o relâmpago desenvolvesse todo o seu poder, abrasaria a terra e igualmente o trovão transtornaria tudo o que há nela.


Capítulo VII – Condições intelectuais para o conhecimento de Deus (cont.)
Esse é o meu Deus, Senhor do universo, o Único que estendeu os céus e estabeleceu a largura da terra sob o céu, que perturba a profundeza do mar e faz ressoar suas ondas, que domina a sua força e acalma a agitação de suas ondas, que alicerçou a terra sobre as águas e deu seu espírito que a alimenta, cujo sopro tudo vivifica e, se ele o retivesse, tudo desfaleceria. Esse sopro, ó homem, faz a tua voz; tu respiras o espírito dele, e tu não o conheces. Isso acontece por causa da cegueira de tua alma e endurecimento do teu coração. Mas, se quiseres, podes curar-te. Coloca-te nas mãos do médico e ele operará os olhos de tua alma e do teu coração. Quem é esse médico? É Deus que cura e vivifica através do Verbo e da Sabedoria. Deus fez tudo a través do seu Verbo e da sua Sabedoria. Por seu Verbo foram estabelecidos os céus e por seu Espírito toda a força deles. Sua Sabedoria é poderosíssima. Por sua Sabedoria, Deus colocou os alicerces da terra, por sua inteligência dispôs os céus, em sua prudência os abismos se abriram e as nuvens derramaram o orvalho. Fé e visão Ó homem, se compreenderes isso, e viveres de maneira pura, piedosa e justa, poderás ver a Deus. Antes de tudo, porém, entrem em teu coração a fé e o temor de Deus, e então compreenderás isso. Quando depuseres a mortalidade e te revestires da incorruptibilidade, verás a Deus de maneira digna. Com efeito, Deus ressuscitará a tua carne, imortal, juntamente com tua alma. Então, tornado imortal, verás o imortal, contanto que agora tenhas fé nele. Então reconhecerás que falaste injustamente contra ele.

Capítulo VIII – Crer na ressurreição é razoável
Tu, porém, não crês que os mortos ressuscitam. Quando isso acontecer, então crerás, queiras ou não. E essa crença será considerada incredulidade, se não creres desde agora. Mas, por que não crês? Não sabes que a fé vai à frente de todas as coisas? De fato, qual lavrador pode colher, se antes não confia a semente à terra? Ou quem pode atravessar ornar, se antes não se confia à embarcação e ao piloto? Qual doente pode curar-se, se antes não se confia ao médico? Qual arte ou ciência pode alguém aprender, se antes não se entrega e se confia ao mestre? Portanto, se o lavrador crê na terra, o viajante no navio, o doente no médico, por que tu não queres confiar-te a Deus, do qual recebeste tantos dons? O primeiro dom é te haver tirado do nada para o ser. Se houve momento em que nem teu pai, nem tua mãe existiam, muito menos existias tu. Ele te plasmou de uma substância úmida e pequena e de uma pequenina gota, que também não existia antes, e finalmente te introduziu neste mundo. Além disso, crês que as imagens fabricadas por homens são deuses e que operam prodígios, e não crês que Deus, que te fez, possa novamente tornar a fazer-te?

Capítulo XIX – Vós credes em outros deuses
Os nomes dos deuses, aos quais dizes cultuar, são nomes de homens mortos. Quem eram esses e que valiam? Não se diz que Cronos era comedor de crianças e que devorava seus próprios filhos? Se falas de Zeus, filho dele, conheças bem sua vida e prodígios. Primeiramente, foi alimentado no Ida por uma cabra; depois, matando-a e esfolando-a, da pele fez para si, conforme as fábulas, uma vestimenta. Seus outros feitos, como, por exemplo, seu casamento com sua irmã, seus adultérios e corrupções de rapazes, Homero e os outros poetas os cantam melhor do que eu. Além disso, para que fazer a lista de seus filhos, um Héracles que se queima vivo; um Dioniso embriagado e louco; um ApoIo que tem medo de Aquiles e dele foge, e depois se enamora de Dafne e não fica sabendo da morte de Jacinto; uma Afrodite ferida; um Ares que é perdição dos mortais e, finalmente, o sangue que escorre de todos esses pretensos deuses? E isso tudo ainda é moderado, quando vemos um deus esquartejado que chamam de Osíris, do qual a cada ano se celebram mistérios, como se se perdesse e se encontrasse e fosse procurado membro por membro. Não se sabe se foi perdido, nem se mostra se foi achado! Por que devo falar de Átis mutilado, ou de Adônis, que anda errante pela selva, que caça e é ferido por um javali, ou de Asclépio fulminado, ou de Serápis, que vai fugitivo de Sínope para Alexandria, ou da frígia Artemis, tonta, fugitiva, assassina, caçadora e enamorada de Eudimião? Não somos nós que dizemos tudo isso, mas os vossos escritores e poetas que os apregoam.

Capítulo X – Vós credes em outros deuses (cont.)
Para que também fazer o catálogo da multidão de animais que os egípcios cultuam? Répteis e bestas, feras e aves, peixes das águas, e até os banhos dos pés e os ruídos vergonhosos. Se me falas dos gregos e das outras nações, elas cultuam pedras, madeiras e outras matérias, como dissemos antes, que são representações de homens mortos. Com efeito, sabemos que Fídias fez em Pisa o Zeus Olímpico para os éleos e a Atena da Acrópole para os atenienses. E agora, eu pergunto também a ti, homem: Quantos Zeus existem? Em primeiro lugar, chama-se Zeus o olímpico; depois, há um Zeus latino, um Zeus cássio, um Zeus fulminador, um Zeus Propator, um Zeus noturno, um Zeus defensor da cidade, um Zeus capitolino. E ainda o Zeus, filho de Cronos, que foi rei dos cretenses e tem sua sepultura em Creta. Quanto aos outros, não foram sequer considerados dignos de sepultura. Falar-me-ás da mãe dos pretensos deuses? Deus me livre nomear com minha boca suas ações, pois não nos é lícito sequer nomear tais coisas, ou as ações com que seus servidores lhe prestam culto e as contribuições e tributos que eles e seus filhos pagam ao imperador. Não são deuses, mas ídolos, como anteriormente dissemos, obras das mãos dos homens e demônios impuros. Que aqueles que os fabricam se tornem como eles e aqueles que neles põem a sua confiança.


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