sexta-feira, 28 de novembro de 2025

296 - SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica - Asketikon - As Regras Extensas (55 regras) - Questões 23 a 30

 

                                                                             


                                          296

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA

(330-379)

Regra Monástica - Asketikon

As Regras Extensas (55 regras) 

Questões 23 a 30

 

QUESTÃO 23 - O CINTO

Resposta

1.      Os santos das épocas anteriores manifestam ser necessário o cinto. João cingia os rins com um cinto de couro (Mt 3,4); já antes dele, Elias. Está escrito como característica sua: Era um homem coberto de peles e que trazia um cinto em volta dos rins (2Rs 1,8). Pedro também usava cinto, o que se evidencia das palavras do anjo: Cinge-te e calça as tuas sandálias (At 12,8). Igualmente se pode verificar que São Paulo usava cinto, pela profecia de Ágabo a seu respeito: Assim, em Jerusalém, ligarão o homem a quem pertence este cinto (ibid. 21,11). E o Senhor ordena a Jó que se cinja, como símbolo de ânimo viril e pronto para obrar, ao dizer: Cinge os teus rins como um homem (Jo 38,3).

2.      É evidente ter sido habitual a todos os discípulos do Senhor usar cinto, pois foi-lhes proibido levar dinheiro nos cintos (Mt 10,9).

3.      Aliás, é indispensável a quem quer por si fazer um trabalho cingir-se e ter movimentos livres. Daí vem a necessidade do cinto, para a túnica se ajustar ao corpo.

4.      Se forem bem distribuídas as pregas, isto ajudá-lo-á a ter movimentos desimpedidos.

5.      Por esta razão, também o Senhor, quando se preparava para prestar o ministério aos discípulos, pegando duma toalha, cingiu-se (Jo 13,4).

6.      Acerca da quantidade das vestes nada precisamos dizer, uma vez que dispusemos o suficiente ao tratarmos da pobreza. Se, pois, ordena-se a quem tem duas túnicas dar uma a quem não tem (Lc 3,11), é claro ser proibido ter muitas só para si. Para aquele a quem é vedado ter duas túnicas, de que serve legislar sobre o uso delas?

 

QUESTÃO 24 -TUDO ISSO NOS FOI BEM TRANSMITIDO. CONVIRÍA AGORA APRENDERMOS COMO CONVIVER

 

Resposta

7.      Tendo dito o Apóstolo: Mas faça-se tudo com decência e ordem (ICor 14,40), julgamos ser honesto e bem ordenado um modo de viver na sociedade dos fiéis que salvaguarde a relação de membros de um só corpo.

8.      Que a um se faculte ser olho, entregando-se-lhe o cuidado dos bens comuns; examinará o que já tiver sido feito e preverá e considerará o que há de fazer. Um outro fará de ouvidos ou de mãos: ouvirá ou fará o que convier; e assim por diante, cada um terá a sua atribuição.

9.      Saibam que, entre os membros, é perigoso para um descuidar-se do que lhe compete ou usar de um outro membro para fim diverso daquele em vista do qual Deus o fez.

10.  Se a mão ou o pé não obedecerem à direção do olho, a primeira tocará forçosamente em coisas perniciosas para a ruína do todo; o segundo tropeçará ou mesmo se precipitará num abismo.

11.  Se o olho se fechar para não ver, necessariamente também ele perecerá com os demais membros, que sofrerem o que foi dito. Assim, ao prepósito é perigoso qualquer descuido, porque ao ser julgado dará contas de todos.

12.  Ao súdito, a desobediência é detrimento e dano. Pior ainda, se ele escandalizar os outros. Todo aquele que, em seu próprio lugar, mostrar um zelo incansável e cumprir o preceito do Apóstolo que diz: Não relaxeis o vosso selo (Rm 12,11), receberá o louvor devido à sua solicitude; se, ao invés, for negligente, será denominado infeliz e merecerá aquele ai: Maldito, diz-se, aquele que fez com negligência a obra do Senhor (Jr 48,10).

 

QUESTÃO 25 - TERRÍVEL O JUÍZO DO SUPERIOR QUE NÃO REPREENDER OS QUE PECAM

 

Resposta

13.  Por esta razão, aquele ao qual foi confiada a direção de todos, considere que terá de certo modo de dar contas de cada um.

14.  Na verdade, se um dos irmãos cair em pecado por não lhe haver ele antes anunciado os juízos de Deus, ou se permanecer na queda por não lhe ter o superior ensinado o modo de se corrigir, o sangue dele será requerido das suas mãos (Ez 3,20), como está escrito; mas, principalmente, se negligenciar, não por ignorância, alguma das coisas que agradam a Deus, mas se, por conivência com os vícios de cada um, arruinar a austeridade da vida comum.

15.  Os que te chamam bem-aventurado, diz-se, esses mesmos te enganam e destroem o caminho por onde tu passas (Is 3,11). Aquele que vos perturbar, responderá por isto; seja quem for, sofrerá a condenação (G1 5,10).

16.  Para não sofrermos tal coisa, cabe-nos seguir a regra apostólica nos colóquios com os irmãos. Nunca usamos de adulação, como sabeis, nem fomos levados por interesse algum. Deus é testemunha. Não buscamos as glórias humanas, nem de vós, nem de outros (lTs 2,5-6).

17.  Quem está livre destes vícios, poderá, talvez, sem erro, orientar, de maneira proveitosa para si, e salutar para os que o seguirem. Aquele que está verdadeiramente estabelecido na caridade e não age no intuito de obter honras humanas, nem para evitar ofender aos delinquentes e ser- lhes suave e grato, anunciará a palavra com liberdade, sinceridade e pureza, porque em nada quer adulterar a verdade.

18.  São-lhe bem aplicáveis as seguintes palavras:  Sentindo, assim, tanta afeição, decidimos dar a vocês não somente o evangelho de Deus, mas também a nossa própria vida, porque vocês se tornaram muito amados por nós (lTs 2,8).

19.  Quem assim não proceder, é um guia cego e lança-se no precipício, arrastando juntamente consigo os que o seguem.

20.  Do acima referido se vê o grande mal em ser para o irmão, ao invés de direção segura, causa de erro. Além do mais, é sinal de que o mandamento da caridade não foi cumprido.

21.  Não há pai que veja o filho em perigo de cair numa fossa, ou já caído, e o abandone na queda. Quem pode dizer quanto é pior abandonar na perdição a alma que caiu no abismo dos males?

22.  É dever, portanto, vigiar pelas almas dos irmãos e preocupar-se com a salvação de cada um deles, pois disso há de prestar contas. Preocupar-se, até à morte mostrar solicitude para com eles, não só seguindo a palavra do Senhor sobre a caridade, dirigida a todos geralmente: Que cada um dê a sua vida por seus amigos (Jo 15,13), mas também aquela especial dita pelo Apóstolo: Em nossa ternura por vós desejavamos não só comunicar-vos o Evangelho de Deus, mas até a nossa própria vida (lTs 2,8).

 

QUESTÃO 26 - DE QUE TUDO, ATÉ MESMO OS SEGREDOS DO CORAÇÃO, DEVE SER MANIFESTADO AO SUPERIOR

 

Resposta

23.  O súdito que quiser fazer grande progresso e permanecer num estado de vida segundo os preceitos de Nosso Senhor Jesus Cristo, não oculte nenhum dos sentimentos da alma, nem profira palavras inconsideradas, mas descubra os segredos do coração aos irmãos aos quais foi confiado o cuidado de curar os fracos com misericórdia e compaixão.

24.  Deste modo consolida-se o que é louvável e ao que é reprovável aplicam-se remédios apropriados. Esta mútua ascese, por um progresso lento, leva-nos a adquirir a perfeição.

 

 

QUESTÃO 27

O PRÓPRIO SUPERIOR, SE ERRAR, SEJA ADVERTIDO PELOS IRMÃOS MAIS ANTIGOS DA COMUNIDADE

 

Resposta

25.  Como o superior em tudo deve ser o guia da comunidade dos irmãos, assim, vice-versa, aos demais toca adverti-lo, se o superior foi suspeito de um delito.

26.  Para não arruinar a disciplina, a advertência compete aos mais avançados tanto em idade quanto em prudência.

27.  Se houver algo merecedor de correção, auxiliaremos a um irmão e através dele, a nós mesmos, fazendo voltar ao bom caminho aquele que é uma espécie de regra de nossa própria vida e que deve redarguir os nossos desvios com sua retidão.

28.  Se, porém, foi em vão que se perturbaram alguns, persuadidos, pela evidência, da falsidade de sua suspeita, ver-se-ão livres da suposição.

 

QUESTÃO 28 - COMO SE COMPORTARÃO TODOS EM RELAÇÃO A UM DESOBEDIENTE

 

Resposta

29.  Em primeiro lugar, todos se compadeçam, como de um membro doente, de quem obedece aos mandamentos do Senhor com negligência.

30.  O superior tente curar esta doença com exortações oportunas. Mas, se ele perseverar na sua obstinação, e não aceitar a correção, seja repreendido mais severamente diante de toda a comunidade dos irmãos, e tratado com toda a espécie de admoestações.

31.  Se não se emendar após muitas advertências e não quiser por si sanar seu modo de agir, sendo para si mesmo uma peste, como diz o provérbio, com muitas lágrimas e gemidos, seja amputado do corpo como um membro gangrenado e completamente inútil, à imitação do que fazem os médicos.

32.  Se estes encontram um membro atingido de doença incurável, para que a infecção não se alastre muito e não contagie as partes contíguas e próximas, costumam tirá-lo, cortando ou cauterizando.

33.  Assim façamos também nós, com os que odeiam e impedem os mandamentos do Senhor, segundo o preceito do Senhor, que diz: Se o teu olho direito é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o longe de ti (Mt 5,29).

34.  Quem lhes mostra amizade, imita a bondade desordenada de Eli, arguida por não ter sido empregada para com os filhos de modo agradável a Deus (lRs 3,13).

35.  Fingir bondade para com os maus seria trair a verdade, armar insídias à comunidade e facilitar a indiferença diante do pecado.

36.  De modo algum realiza o que foi escrito: Nem tendes manifestado tristeza para que seja tirado dentre vós o que cometeu tal ação? (ICor 5,2).

37.  Forçosamente acontece o que se segue: Um pouco de fermento leveda a massa toda (ibid. 6). Aos faltosos, diz o Apóstolo, repreende-os diante de todos (ITm 5,20), e acrescenta imediatamente a causa, quando diz: Para que também os demais se atemorizem.

38.  Em resumo, aquele que não aceita bem o corretivo ministrado pelo superior, é inconsequente consigo mesmo. Se recusa submeter-se e defende sua própria vontade, por que permanece em companhia dele? Por que o declara preposto à sua vida?

39.  Uma vez que consentiu em ser agregado ao corpo da comunidade dos irmãos, se foi considerado instrumento idôneo para um serviço, mesmo no caso de julgar que a ordem está acima de suas forças, deixará a responsabilidade a quem ordena o que ultrapassa suas forças e mostrar-se-á dócil e obediente até a morte, lembrado do Senhor que se tornou obediente até a morte e morte de cruz (F1 2,8).

40.  Rebelar-se e contradizer seria demonstrar muitos males: doença na fé, dúvida na esperança, orgulho e soberba nos costumes.

41.  Ninguém desobedece sem ter antes menosprezado quem tal determinou. Se alguém acredita nas promessas de Deus e deposita nelas firme esperança, não hesitará nem ainda quando as ordens são árduas, sabendo que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que deve ser manifestada (Rm 8,18). E, persuadido de que quem se humilhar, será exaltado (Mt 23,12), mostrará maior prontidão ainda do que espera quem manda, ciente de que a nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, produz em nós um peso eterno de glória incomensurável (2Cor 4,17).

 

 

QUESTÃO 29 - ORGULHO OU MURMURAÇÃO NO TRABALHO

 

Resposta

42.  Não se junte a obra de quem murmurar ou que for surpreendido a se orgulhar às dos humildes de coração e de espírito contrito; os piedosos não a utilizem de modo algum. Porque o que é elevado aos olhos dos homens é abominável aos olhos de Deus (Lc 16,15).

43.  Há outro preceito do Apóstolo assim formulado: Nem murmureis, como murmuraram alguns deles e foram mortos pelo exterminador (2Cor 10,10). E: Sem tristeza nem constrangimento cada um dê segundo propôs em seu coração, pois Deus ama ao que dá com alegria (2Cor 9,7).

44.  Não se aceite sua obra como sendo um sacrifício abominável. Não convém misturá-la às obras dos demais. Se os que ofereceram ao altar um fogo estranho experimentaram tal ira (Lv 10,1.2), como seria inofensivo utilizar na prática dos mandamentos o trabalho resultante de um ânimo infenso a Deus? Que união pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que parte tem o fiel com o infiel? (2Cor 6,14.15).

45.  Por esta razão se diz: O iníquo que imola um boi é como o que parte a nuca de um cão e o que apresenta a oblação é o que derrama sangue de porco (Is 66,3). Daí ser mister remover da comunidade dos irmãos as obras do preguiçoso e do rebelde.

46.  É preciso que os superiores zelem muito por isto. Que não se destrua o preceito daquele que disse: Será meu ministro o que segue o caminho reto. O soberbo não há de morar jamais em minha casa (SI 100,6.7).

47.  Não consintam permaneça em sua perversidade aquele que junta ao preceito o pecado, ou contamina a obra por unir ao trabalho a preguiça ou o orgulho da própria suficiência, porque os que o acolherem tomam-no insensível aos próprios males.

48.  Persuada-se o superior de que se não dirigir a seu irmão como convém, atrairá sobre si ira grave e inevitável. Pedir-se-á conta de seu sangue a este (Ez 3,18), segundo está escrito.

49.  O súdito se disponha a cumprir sem preguiça qualquer ordem, mesmo se dificílima, certo de que sua recompensa será grande nos céus. Rejubile ao obediente a esperança da glória, a fim de realizar a obra do Senhor com grande alegria e paciência.

 

QUESTÃO 30 - QUAL DEVE SER A ATITUDE DOS SUPERIORES AO CUIDAREM DOS IRMÃOS

Resposta

 

50.  Não se exalte o superior por causa da dignidade, para não perder a bem-aventurança prometida à humildade (Mt 5,3), nem envaidecido venha a cair na mesma condenação do demônio (lTm 3,6); mas esteja persuadido de que ter muitos a seu cuidado é servir a muitos.

51.  Como aquele que serve a muitos feridos, tira o pus de cada ferida, aplica remédios de acordo com a natureza do mal e não faz deste ministério ocasião de soberba, mas antes de humildade, de solicitude e de luta, assim, e até mais, o encarregado de tratar das doenças dos irmãos, servo de todos e que de todos há de prestar contas, deve ser refletido e solícito. Deste modo atingirá o termo, porque diz o Senhor: Se alguém quer ser o primeiro, será o último de todos e o servo de todos (Mc 9,34).

 

 

O que você destaca em cada Questão?

Como este estudo serve para sua espiritualidade?

O que Você destaca na fala do seu irmão?

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