303
SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA
(330-379)
Regra Monástica - Asketikon
As Regras Menos
Extensas (313 regras)
Introdução
Resumo
da Vida de Basílio
1.
São Basílio
Magno foi um bispo, teólogo e monge que viveu na Capadócia (atual Turquia)
no século IV. Foi um dos mais influentes defensores do Credo de
Niceia. Principalmente no tratado do Espírito Santo.
2.
Basílio empenhou todas
as suas forças intelectuais e físicas na interpretação da doutrina cristã, na
reforma da liturgia, na edificação da vida monástica, na defesa da ortodoxia,
sem se descuidar, ao mesmo tempo, dos necessitados.
3.
Pertenceu a uma
família rica, numerosa (10 irmãos) e de santos. Seu avô morreu mártir na
perseguição romana. Sua avó Macrina lhe transmitiu os ensinos de Gregório
(o Taumaturgo – 213-270). Seu irmão Pedro foi bispo de Sebaste. Sua irmã
Macrina e seu irmão Gregório de Nissa também foram canonizados. Por motivação
de Macrina, visitou os ascetas do Egito, da Palestina, da Síria e
Mesopotâmia (cf. Carta 1 e 223). De volta para sua terra, em
358, foi batizado pelo velho bispo de Cesareia, Diânios. Foi um homem de
saúde frágil.
4.
Formação: Estudou em Bizâncio,
Antioquia e Atenas. Em Antioquia conhece Eustácio de Sebástia.
Importante no Monaquismo da Ásia Menor. Sua irmã Macrina interpretava as
cartas Eustácio. Conheceu Gregório de Nazianzo em Atenas.
5.
Viveu uma experiência
monástica no deserto. Com a morte do pai, vende tudo e vai viver no
deserto. Retirou-se, na companhia de sua mãe e da irmã Macrina, para
Anesi, no Ponto, numa propriedade da família, às margens do rio Íris, vivendo
como eremita.
6.
Gregório de Nazianzo
vai juntar-se a eles. Funda uma pequena comunidade monacal. Juntos estudam
as obras de Orígenes.
7.
Redigiu as Grandes e
Pequenas Regras, que são a base do monaquismo oriental. Teve que abandonar o
monastério para ser sacerdote e depois Bispo. Escreveu 366 cartas, comentários
sobre a Sagrada Escritura, obras dogmáticas, morais, ascéticas e polêmicas.
8.
Fundou hospitais, asilos e orfanatos. Trabalhou em favor dos pobres.
Defendeu o Credo de Niceia. Lutou contra as heresias que surgiram nos primeiros
anos do cristianismo. Foi um adversário do arianismo e dos seguidores de
Apolinário de Laodiceia
9.
Faleceu
esgotado pelas austeridades e pelas tribulações, prematuramente, à idade
de cinquenta anos, em 1º de janeiro de 379.
Introdução a Regra
Monástica
Os princípios do monaquismo brasiliano
10.
São Basílio Magno está
na origem do movimento monástico, não no sentido absoluto, pois o monaquismo já
existia antes dele até na forma comunitária-cenobítica, mas está na origem de
uma determinada forma desse estilo de vida, que se estendeu por todo o Oriente,
com importantes influências também no monaquismo ocidental.
11.
Os princípios do
monaquismo basiliano estão contidos fundamentalmente no “Pequeno Asketikon” (ou
“Regras Breves”) e no “Grande Asketikon” (ou “Regras Extensas”), com
referências também em outras obras, como “Ética” (“Regras Morais”), “Sobre o
Batismo” e outras mais.
12.
Os “Asketikons” foram
escritos por Basílio já bispo e que têm o caráter mais de ensinamentos
espirituais que de normas para quem deseje seguir Cristo de forma radical.
13.
Esses ensinamentos são
totalmente deduzidos da Sagrada Escritura, são a própria Palavra de Deus
aplicada à vida.
14.
Por conseguinte, as
“Regras” de São Basílio não são “regras” no sentido atual; não são
“Constituições” ou “Estatutos” que configurem uma instituição.
15.
São Basílio não fundou
nenhuma “Ordem” ou “Congregação” no sentido institucional ou canônico, como
entendemos hoje.
16.
No entanto, devemos
reconhecer que Basílio é o iniciador de um amplo movimento monástico e seus
ensinamentos são fonte da espiritualidade monástica que marca uma determinada
característica a esse movimento.
17.
Podemos dizer, no
tocante ao lugar de São Basílio no monaquismo, que ele se define como “mestre”,
e não “fundador”.
Características
18.
A vida em
comunidade. Para Basílio, a vida em
comunidade é inquestionavelmente superior à vida eremítica. Por uma simples
razão: a essência do Evangelho de Cristo é a caridade, o amor a Deus e ao
próximo. E como praticar a caridade vivendo sozinho?
19.
A comunidade como
comunhão carismática. A vida
cenobítica-comunitária já existia antes de Basílio. Ele, no entanto, pretende
imprimir um determinado fundamento e uma determinada forma para a comunidade
monástica. E esse fundamento ele vai buscar exclusivamente na Sagrada
Escritura. Para tanto, Basílio tem na Sagrada Escritura duas referências
básicas e constantes para formar sua ideia de comunidade.
20.
A primeira é a imagem
da comunidade dos primeiros cristãos de Jerusalém, como descrito nos Atos dos
Apóstolos (At 2, 42-47). Basílio crê firmemente na utopia cristã: é possível
vivê-la concretamente, é possível existir uma fraternidade, uma comunidade de
irmãos, na qual todos têm “todas as coisas em comum” e na qual
há “uma só alma e um só coração”.
21.
A segunda referência,
pela qual Basílio tem uma verdadeira devoção, é a imagem da comunidade ou da
Igreja como Corpo de Cristo, animado pelo Espírito Santo, como comunhão de
carismas, conforme vem na Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 12. Essa
imagem ilumina todas as relações entre os membros da comunidade: são membros
uns para os outros, sempre em função da unidade. Todo o dom é para o serviço
aos irmãos, no sentido de complementariedade e unidade, para a construção da
comunidade do Corpo de Cristo.
22.
A primazia da
Palavra de Deus. A Palavra de Deus
contida na Sagrada Escritura se entende como fonte de todas as normas e de
todas as práticas na vida monástica. É o fundamento absoluto da espiritualidade
monástica. Com isso, São Basílio vem a purificar a “ideologia” do monaquismo
anterior, que muitas vezes continha elementos dúbios, procedentes da filosofia
neoplatônica e estoica, e até de religiões mistéricas.
23.
Em tudo o que Basílio
afirma, ele vai primeiro ouvir a Sagrada Escritura, ou vai ler a Sagrada
Escritura. Vai primeiro ouvir a Sagrada Escritura para depois compor as suas
ideias. A Sagrada Escritura é fonte de todas as normas e regras. Norma para a
prática das virtudes, para todo o comportamento, para o que se deve e o que não
se deve fazer, para as relações comunitárias e até para as coisas práticas na
vida comunitária concreta.
24.
São Basílio sustenta
um princípio de que, no tocante à Sagrada Escritura, é o Espírito Santo que nos
fala diretamente. Por isso, para ele, a Sagrada Escritura não necessita de
interpretação; é necessário colocar-se à escuta do Espírito e basta. Não são
necessários recursos auxiliares para a leitura da Palavra de Deus, como não é
necessário acender velas quando brilha o sol.
25.
Inserção na
Igreja. Outro ponto importante em São
Basílio é a inserção da comunidade monástica na Igreja. Os ascetas ou monges de
Basílio têm de participar da vida da Igreja. Quando Basílio fundou as suas
comunidades, pensou na Igreja como um núcleo eclesial. Basílio tinha em vista
restaurar o vigor original da Igreja. Ele acreditava na utopia da primitiva
comunidade de cristãos. Vivendo em profundidade o mandamento da caridade e
realizando a comunhão dos carismas, essas comunidades iriam contribuir para o
crescimento e para a unidade do Corpo de Cristo total, que é a Igreja.
26.
O próprio Basílio deu
seu próprio exemplo de serviço à Igreja quando, mesmo estando determinado a
viver o ideal ascético, ouviu a voz da Igreja e aceitou o episcopado e
dedicou-se intensamente à defesa da fé e ao pastoreio do povo de Deus.
27.
Historicamente, os
mosteiros que seguiam as “Regras” de São Basílio, em todos os lugares,
cumpriram importante papel pastoral, de serviço à Igreja, e mesmo de serviço
social, de serviço à comunidade humana.
A influência de Eustácio de Sebaste
28.
Não há dúvida de que
Basílio e sua família estavam sob a influência de Eustácio de Sebaste, que
fundou muitas comunidades monásticas. (Lembre-se de Naucrácio, irmão de
Basílio, que se tornou asceta. E quatro dos membros da família de Basílio
permaneceram celibatários).
29.
Eustácio era conhecido
por sua estrita vida ascética e obras de misericórdia. (Quando Basílio
tornou-se bispo, ele abriu uma casa para os pobres e doentes, dirigida pelos
discípulos de Eustácio).
30.
Basílio comunicou-se
com Eustácio “desde a infância” (Carta 1 – A Eustácio de Sebaste) e isso
indica que a família de Basílio foi de fato influenciada por seu
ascetismo.
31.
Eustácio, juntamente
com seus discípulos, repetidamente visitou Basílio e passou “noites inteiras em
oração, falando e ouvindo palestras de Deus” (Carta 223,
5). Pode-se dizer com segurança que Eustácio era o pai espiritual de
Basílio.
32.
Em Anessi, sem dúvida,
Basílio tinha amigos, que compartilhavam seu ideal. Seu amigo dos tempos
de estudante, Gregório, viveu com ele e estudou essa “verdadeira filosofia”, a
ciência de Cristo.
33.
Alguns estudiosos
atribuem a eles a coleção baseada nos escritos de Orígenes chamada Filocália.
34.
Basílio já havia tido
um projeto comum de vida monástica: a renúncia ao mundo, uma vida de pobreza e
oração, e a frequente leitura da Sagrada Escritura (Carta 2 – A
Gregório (Bose), 21). Então, é claro, ele escreveu a primeira edição
das Regras Morais (Cremaschi Lisa, 29).
35.
Os temas não foram
inventados por Basílio, mas foram baseados em 1500 citações retiradas do Novo
Testamento e divididas por um título e um resumo introdutório.
36.
Segundo suas próprias
palavras, Basílio fez isso para entender melhor as Escrituras. Em resumo,
as RM são uma antologia de textos bíblicos.
37.
À primeira vista,
as RM parecem ser uma peça sem forma (sem um esboço claro),
mas sobre elas Basílio constrói todos os seus outros escritos, revelando sua
originalidade e a continuidade de seu pensamento.
38.
As RM estão
no centro de seus trabalhos ascéticos. É o núcleo (a parte mais
importante) de seu pensamento ascético.
O Pequeno Asketikon
39.
Naquela época, Basílio
visitou as comunidades de Eustácio, que viviam de maneira caótica em vários
lugares do Ponto, sem qualquer orientação.
40.
Foi então que publicou
sua primeira edição do Pequeno Asketikon, existente
apenas na tradução latina de Rufino Aquitânia, em 397.
41.
Sobreviveu apenas na
língua síria. Consiste em 200 perguntas e respostas. As respostas são
curtas e pode-se ver que as questões foram formadas pelos discípulos de Eustácio.
42.
Basílio expandiu
esse Pequeno Asketikon e, subsequentemente,
publicou o Grande Asketikon .
43.
Em 365, o bispo
Eusébio mais uma vez chamou Basílio à Capadócia e deu-lhe liberdade de
ação. Em 369, quando a grande seca causou uma fome sem precedentes em toda
a Capadócia, Basílio chamou os ricos para ajudar os pobres e ele mesmo
organizou assistência para os famintos. Neste momento, ele compôs suas
homilias: Deus não é a causa do mal, Contra
os ricos (dois sermões) e durante os tempos de fome e seca .
44.
Em 370, quando o bispo
Eusébio morreu, Basílio, não sem dificuldade, tornou-se bispo de
Cesareia. Em menos de dez anos, embora sem boa saúde, ele realizou uma
atividade extensiva.
45.
No entanto, vamos nos
concentrar principalmente em suas comunidades ascéticas, que ele frequentemente
visitou, falou e instruiu a observar estritamente todas as coisas que as
Escrituras exigem de um cristão; então, examinaremos as Regras Extensas (RE)
e as Regras Breves (RB).
46.
Durante a vida de
Basílio, elas foram chamados de Asketikon (Ascentismo); somente
após sua morte, um compilador desconhecido renomeou as Regras Extensas e
as Regras Breves.
47.
Basílio afirmou que
estava muito feliz em responder a qualquer pergunta, abordando questões de fé e
moral de acordo com o Evangelho (Introdução às RB).
48.
Ele nunca as chamou de
regras, já que o cristão tem apenas uma regra – a Escritura.
49.
Ele nunca compôs
quaisquer regras para comunidades monásticas, ou formou uma Ordem no
entendimento de hoje, mas apenas explicou as Escrituras àqueles que desejam
viver uma vida verdadeiramente ascética. Ele nem queria ser considerado um
mestre, mas um instrumento dado por Deus para explicar as Escrituras.
As Regras Extensas (55 regras)
50.
Este trabalho é uma
expansão do Pequeno Asketikon. As regras são tão sistematicamente
estruturadas que alguns autores até chamam as RE de “um
catecismo sistemático”.
51.
Primeiro, elas
explicam os Mandamentos de Deus e sua ordem; então falam do amor de Deus e
do próximo e do temor de Deus; além disso, elas advertem contra as ilusões
e os assuntos deste mundo que são um grande obstáculo para a vida cristã e
ascética; enfim, falam da renúncia e das várias categorias de pessoas que
desejam consagrar-se ao Senhor, as virtudes e os diversos problemas associados
à vida cenobítico-comunitária.
As Regras Breves (313 regras)
52.
Apesar de chamá-las de
“breves”, elas são, na verdade, mais longas. Eles não estão em uma ordem
sistemática, embora haja uma associação entre elas.
53.
Os discípulos de São
Basílio estavam bastante familiarizados com as Escrituras e desejavam
aprofundar seu conhecimento e esclarecer algumas dúvidas, até mesmo
exegéticas. Muitas perguntas são de natureza prática.
54.
Além de RM, RE e RB,
todos relacionados com a vida ascético-monástica, Basílio escreveu várias
cartas que delineavam os princípios da vida monástica, como a Carta 22 e Carta 173
(para as irmãs) que fala de profissão monástica e dá uma breve lista de
responsabilidades para aqueles que desejam obedecer incondicionalmente ao
Evangelho (por exemplo, Carta 374).
55.
Que duradouro
serviço São Basílio Magno fez pela vida monástica?
56.
Como sabemos, São
Basílio não era o “criador” nem o “proto-patriarca” do monasticismo
oriental. Antes dele, havia várias tentativas e exemplos de vida
monástica. Sua genialidade e mérito, no entanto, é que ele sabiamente
aperfeiçoou o que já existia.
57.
Desde o século V, o
monasticismo oriental geralmente se baseia quase exclusivamente nas Regras de
São Basílio Magno, embora nem ele nem outros legisladores monásticos tenham
estabelecido no Oriente uma Ordem religiosa no sentido atual do termo, nem
deixaram um resumo de regras disciplinares, como São Bento de Núrsia, São
Domingos e São Francisco de Assis fizeram no Ocidente.
58.
No entanto, sem
dúvida, as Regras de São Basílio influenciaram fortemente a vida cenobítica,
isto é, o sistema comunal da vida monástica, embora os typikons bizantinos
raramente citem as Regras de Basílio (os typikons são as diretrizes e rubricas que estabelece na
Igreja Ortodoxa Cristã)
59.
O grande mérito dos
trabalhos ascéticos de São Basílio é sua incontestabilidade – eles estão
fundamentados nas Escrituras. Mas ainda mais para o seu crédito é a sua
concepção de vida monástica.
60.
São Basílio foi um
criador de um ideal monástico particular, que pode ser representado em várias
áreas:
61.
A vida comunal é
melhor que a vida eremítica-anacorética. Corresponde
melhor à natureza humana, pois o amor ao próximo é melhor vivido na vida
comunitária, permitindo que se cumpra mais facilmente o mandamento de Cristo,
pois cada dom individual é empregado no serviço do bem comum e, assim, a
serviço do bem comum. O próprio Cristo… Os ideais ascéticos da comunidade devem
ser os mesmos da primeira comunidade cristã, onde todos eram de um só coração e
uma só alma. Tudo era em comum: oração, trabalho, refeições…
62.
O superior (proestos)
é o pai espiritual, líder da comunidade. Ele
é responsável pelas almas dos monges e por seu progresso na perfeição. Ele
deve conhecer todo mundo; portanto, o mosteiro não deve ser muito
grande. Ele deve ter o controle sobre tudo que os ascetas fazem, incluindo
o jejum e outras práticas penitenciais …
63.
O propósito da vida
monástica é ser como Deus em amor. E
não apenas praticar o amor por si mesmo em oração e trabalho, mas em relação
aos outros por palavras e ações. São Basílio exorta seus monges a ter
fervor espiritual, adquirido vivendo na presença de Deus e dedicando seu
conhecimento e trabalho ao serviço de seu próximo – a Igreja. Basílio
exemplificou e provou isso em sua própria vida. O programa de seus ascetas
incluía o trabalho social e educacional.
O
que você destaca no texto?
Como
ele serve para sua espiritualidade?
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