terça-feira, 10 de março de 2026

305 - SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica - Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 13 a 29

 



305

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA

(330-379)

Regra Monástica - Asketikon

As Regras Menos Extensas (313 regras)

Interrogações 13 a 29

 

 

 

INTERROGAÇÃO 13

Quem pecou depois do batismo deve desesperar de sua salvação, por se achar envolvido numa multidão de pecados, ou até que quantidade de pecados deve confiar na benignidade de Deus, por meio da penitência?

 

Resposta

            Se for possível enumerar a multidão das comiserações de Deus e medir a grandeza das suas misericórdias, em confronto com a quantidade e a grandeza dos pecados, então, perca-se a esperança. Se as últimas, porém, como se sabe, estão sujeitas a medida e número, e se é impossível medir a misericórdia de Deus e calcular as suas comiserações, não é tempo de desesperar, e sim, de reconhecer a misericórdia e de detestar os pecados, cuja remissão é proposta por meio do sangue de Cristo, como está escrito.

            Aprendemos que não se deve desesperar, de muitos lugares e de muitas maneiras, principalmente da parábola de Nosso Senhor Jesus Cristo acerca do filho que, tendo recebido as riquezas paternas, desperdiçou-as em pecados (Lc 15,13s). Instruem-nos as próprias palavras do Senhor sobre que grande festa mereceu a penitência.

            Também por Isaías diz Deus: Se vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve! se forem vermelhos como a purpura, ficarão brancos como a lã! (Is 1,18). Devemos saber que isto só será verdade, se for adequado o modo de penitência, procedente de uma disposição de horror ao pecado, conforme está escrito no Antigo e no Novo Testamento; e se der dignos frutos, como foi dito na interrogação que trata deste assunto.

 

INTERROGAÇÃO 14

Com que espécie de frutos se há de comprovar a verdadeira penitência?

 

Resposta

            A atitude dos próprios penitentes, a disposição dos que abandonam o pecado e o zelo pelos dignos frutos de penitência foram descritos no devido lugar.

 

INTERROGAÇÃO 15

Que significa a palavra: Quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? (Mt 18,21). E quais os pecados que devo perdoar?

 

Resposta

            O poder de perdoar não foi dado de modo absoluto, mas depende da obediência do pecador arrependido e de sua concórdia com aquele que está cuidando de sua alma. Pois está escrito a respeito desses: Se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus (ibid. 19).

Quanto à espécie de pecados, nem se deve perguntar. O Novo Testamento não faz diferença alguma, mas promete a remissão de todos os pecados aos que se penitenciam devidamente; e, principalmente, porque o Senhor em pessoa o prometeu a respeito de todos.

 

INTERROGAÇÃO 16

Por que é que às vezes a alma sem esforço sente compunção por um pesar espontâneo que dela de repente se apossa; e por vezes de tal modo não sente contrição que, mesmo fazendo-se violência, não pode se compungir?

 

Resposta

            Tal compunção é dom de Deus, ou para excitar o desejo, de modo que a alma, tendo provado a doçura de tal pesar, empenhasse em cultivá-lo, ou para demonstrar que o espírito pode, por meio de uma aplicação mais diligente, ter sempre a compunção, de maneira que não há desculpas para os que a perdem por negligência; mas, o fato de esforçar-se e não poder, acusa nosso desleixo no passado (pois não é possível alguém de repente enfrentar uma tarefa e conseguir fazê-la, sem aplicação e muitos e assíduos exercícios), e simultaneamente mostra que a alma está dominada por outros vícios, que não a deixam livre de fazer o que quer, segundo a sentença proferida pelo Apóstolo: Mas eu sou carnal, vendido ao pecado. Não faço o que quero, mas faço o que aborreço (Rm 7,14-15). E ainda: Mas então, não sou eu que o faço, mas o pecado que em mim habita (ibid. 17). Deus permite que isto aconteça para nosso bem, a fim de que, talvez, possa a alma, pelo que sofre a contragosto, sentir qual o poder que a subjuga e conhecer em que ponto involuntariamente serve ao pecado, e assim rejeitar as ciladas do diabo e encontrar a misericórdia de Deus, pronta a receber os que se arrependem sinceramente.

 

INTERROGAÇÃO 17

Se alguém pensar em comer, depois censurar-se a si mesmo, deve ser acusado de ter sido inquieto?

 

Resposta

            Se vem a lembrança da fome antes da hora, sem que a natureza o moleste, é claro que foi um desvio da mente, onde se trai a propensão para as coisas presentes e a negligência pelas coisas que agradam a Deus. Mesmo assim lhe está reservada a misericórdia de Deus. Porque, ao acusar-se alguém, é absolvido do crime pela penitência e se para o futuro se precaver da queda, lembrado do Senhor que disse: Eis que ficaste são; já não peques, para não te acontecer coisa pior (Jo 5􀈾4). Se, porém, por necessidade natural, a fome aumentar, a sensação de fato mover a memória, mas a razão vencê-la por meio de zelo, ou ocupação com coisas melhores, esta lembrança não é condenável e sim, a vitória, louvável.

 

INTERROGAÇÃO 18

Se deve um membro ãa comunidade que pecou, depois de muitos exercidos, receber um ofício. E se deve, qual?

 

Resposta

            Lembrados do Apóstolo que disse: Não vos torneis causa de escândalo, nem para os judeus, nem para os gentios, nem para a Igreja de Deus. Fazei como eu: em todas as circunstâncias procuro agradar a todos, não buscando o meu interesse próprio, mas o de muitos, para que sejam salvos (ICor 10,32.33), devemos empregar grande cuidado em não sermos obstáculo ao Evangelho de Cristo e um impedimento para os fracos, nem instruirmos a alguns no mal. Nestas questões, considere-se e julgue-se o que contribui para a edificação da fé e o progresso das virtudes em Cristo.

 

INTERROGAÇÃO 19

Se incorrer em suspeita de pecado alguém que não o comete às claras, deve ser vigiado a fim de que se depreenda o que se suspeitou?

 

Resposta

            As suspeitas más e as provenientes de um preconceito malévolo são condenadas pelo Apóstolo. O encarregado de cuidar de todos deve observar a todos na caridade de Cristo, desejando a cura do suspeito, a fim de que se realize a palavra do Apóstolo: Para tornar todo o homem perfeito em Cristo (Cl 1,28).

 

INTERROGAÇÃO 2Ò

Se deve o que viveu no pecado fugir da companhia dos heterodoxos ou também evitar a dos que vivem mal.

 

Resposta

            Tendo dito o Apóstolo: que vos aparteis de qualquer irmão que viva na preguiça, sem observar as instruções que de nós tendes recebido (2Ts 3,6), de modo geral é muito perigoso e prejudicial para todos qualquer participação em pontos proibidos, seja por pensamento, palavra ou obra. Os que viveram no pecado devem ter ainda mais cautela. Primeiro, porque a alma acostumada ao pecado é na maior parte das vezes mais inclinada a ele; em seguida, porque, como o tratamento dos corpos enfermos exige a maior atenção, a ponto de, muitas vezes, se lhes proibir o que é útil aos sãos, assim também os doentes de espírito necessitam de muito maior vigilância e cuidado. O próprio Apóstolo declara como é grande o prejuízo da sociedade com os pecadores, com o seguinte argumento: Um pouco de fermento leveda a massa toda (ICor 5,6). Se é tamanho o dano causado pelos que erram moralmente, que dizer dos que opinam falsamente de Deus?

            Seu parecer malvado não lhes permite terem juízo reto no restante, porque ele os entrega, de uma vez, às paixões ignominiosas; isto se evidencia em muitas passagens e principalmente no trecho da epístola aos Romanos: Como se recusaram a procurar uma noção exata de Deus, Deus entregou-os a um sentimento depravado, e daí seu procedimento indigno. Então, cheios de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade, são difamadores, maldizentes, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, desobedientes aos pais. São insensatos, imodestos, sem afeição, sem palavra e sem misericórdia. Apesar de conhecerem o justo decreto de Deus que considera dignos de morte aqueles que fazem tais coisas, eles não somente as fazem, mas também aplaudem os que as cometem (Rm 1,28-32).

 

 

INTERROGAÇÃO 21

Donde vêm as divagações e as cogitações e como corrigi-las?

 

Resposta

            A divagação se origina na ociosidade da mente, que não se ocupa do necessário. A mente torna-se ociosa e descuidada, porque não crê estar presente Deus, que perscruta os corações e os rins. Se acreditasse nisto, realizaria plenamente a palavra: Ponho sempre o Senhor diante dos olhos; pois que ele está à minha direita, não vacilarei (SI 15,8). Quem faz isto e outras coisas semelhantes, jamais ousará, nem terá tempo para cogitar algo que não se destine à edificação da fé, mesmo que pareça bom, e muito menos o que é proibido e não agrada a Deus.

 

INTERROGAÇÃO 22 Donde provêm os sonhos indecorosos?

 

Resposta

            Vêm dos impulsos desordenados da alma durante o dia. Se, porém, a alma ocupada com os juízos de Deus se purifica e medita continuamente coisas boas e agradáveis a Deus, também sonhará com isto.

 

INTERROGAÇÃO 23

Que espécie de palavras torna ociosa uma conversa?

 

Resposta

            Em suma, qualquer palavra que não vise um fim útil, no Senhor, é ociosa. É tão grande o perigo de tal palavra que, embora seja bom o que for dito, se não servir para a edificação da fé, a bondade da palavra não afasta do perigo a quem falou, mas porque este não a empregou para edificar, contrista o Espírito Santo de Deus. O Apóstolo ensinou-o claramente: Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só boas palavras que eventualmente sirvam para a edificação da fé, e sejam benfazejas aos que as ouvem (Ef 4,29), e acrescentou: Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados (ibid. 30). Será preciso dizer que é grande mal entristecer o Espírito Santo de Deus?

 

INTERROGAÇÃO 24

O que é a injúria?

 

Resposta

            Toda palavra dita com o propósito de insultar é injúria, mesmo se a palavra não parecer ofensiva. Evidencia-se pelo Evangelho, que diz dos judeus: Então eles o cobriram de injúrias e lhe disseram: Tu que és discípulo dele! (Jo 9,28).

 

 

 

INTERROGAÇÃO 25

O que é a detração?

 

Resposta

            Há duas ocasiões, a meu ver, em que é lícito falar mal de outrem: quando alguém precisa aconselhar-se com pessoas idôneas, sobre como corrigir o pecador; e ainda quando for necessário prevenir a alguns que, por ignorância, poderiam associar-se a um mau, julgando-o bom, pois o Apóstolo proíbe (2Ts 3,14) unir-se a eles, a fim de que ninguém arme laços para a própria alma. Vemos que o Apóstolo agiu assim, através do que escreveu a Timóteo: Alexandre, o ferreiro, tem-me feito muito mal. Evita-o também tu, porque faz grande oposição às nossas palavras (2Tm 4,14.15). Exceto esses casos necessários, quem fala qualquer coisa contra alguém, para incriminá-lo ou denegri-lo, é maldizente, mesmo se falar a verdade.

 

INTERROGAÇÃO 26

Que merece quem fala mal de seu irmão ou escuta a um detrator e o tolera?

 

Resposta

            Ambos sejam excluídos da companhia dos demais. Exterminarei o que em segredo caluniar seu próximo (SI 100,5). E em outra passagem foi dito: Não ouças com agrado um falador (Pr 20,13), para não seres derrubado.

 

INTERROGAÇÃO 27

Como receberemos alguém que fale mal do superior?

 

Resposta

            Manifesta-se o seu julgamento pela ira de Deus contra Marian, quando falou mal de Moisés. Deus não deixou sem castigo este pecado, nem mesmo a pedido de Moisés.

 

INTERROGAÇÃO 28

Deve-se acreditar, quando alguém com palavras ousadas e tom insolente responder a outrem e, advertido, disser que nada de mal tem no coração?

 

Resposta

            Nem todos os vícios da alma são conhecidos de todos, mesmo daquele que deles sofre, como acontece com os males corporais. Os peritos descobrem no corpo certos sinais de doenças ocultas que escapam à percepção do próprio doente; assim também, mesmo se o pecador não sentir a doença da alma, deve crer no Senhor ao lhe dizer e a seus sequazes que o mau retira males do mau tesouro de seu coração. Pois o mau, algumas vezes, simula o bem em palavras e obras; o bom, porém, não pode simular mal algum. Aplicai-vos a fazer o bem, não diante de Deus, mas também diante de todos os homens (Rm 12,17).

 

INTERROGAÇÃO 29

Como pode alguém evitar a ira?

 

Resposta

            Se julgar estar sempre sendo visto por Deus que o observa, pelo Senhor presente. Qual o súdito que, diante dos olhos de seu príncipe, ousará fazer qualquer coisa que lhe desagrade? E mesmo se não esperar obediência da parte dos outros, esteja pronto a obedecer, considerando os demais como acima de si. Se procura ser obedecido por sua própria causa, saiba que a palavra do Senhor ensina a cada um a servir aos outros; se, porém, castiga a transgressão a um mandamento do Senhor, não há necessidade de ira e sim de misericórdia e de compaixão, segundo a palavra: Quem é fraco, que eu também não seja fraco? (2Cor 11,29).

 

O que você destaca no texto?

Como ele serve para sua vida espiritual?

O que você destaca na fala do seu/sua irmãos/ã?

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