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SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA
(330-379)
Regra Monástica - Asketikon
As Regras Menos
Extensas (313 regras)
Interrogações 13
a 29
INTERROGAÇÃO 13
Quem pecou depois
do batismo deve desesperar de sua salvação, por se achar envolvido numa multidão
de pecados, ou até que quantidade de pecados deve confiar na benignidade de
Deus, por meio da penitência?
Resposta
Se for possível enumerar a multidão
das comiserações de Deus e medir a grandeza das suas misericórdias, em
confronto com a quantidade e a grandeza dos pecados, então, perca-se a esperança.
Se as últimas, porém, como se sabe, estão sujeitas a medida e número, e se é
impossível medir a misericórdia de Deus e calcular as suas comiserações, não é
tempo de desesperar, e sim, de reconhecer a misericórdia e de detestar os pecados,
cuja remissão é proposta por meio do sangue de Cristo, como está escrito.
Aprendemos que não se deve
desesperar, de muitos lugares e de muitas maneiras, principalmente da parábola
de Nosso Senhor Jesus Cristo acerca do filho que, tendo recebido as riquezas
paternas, desperdiçou-as em pecados (Lc 15,13s). Instruem-nos as próprias
palavras do Senhor sobre que grande festa mereceu a penitência.
Também por Isaías diz Deus: Se vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão
brancos como a neve! se forem vermelhos como a purpura, ficarão brancos como a
lã! (Is 1,18). Devemos saber que isto só será verdade, se for
adequado o modo de penitência, procedente de uma disposição de horror ao
pecado, conforme está escrito no Antigo e no Novo Testamento; e se der dignos
frutos, como foi dito na interrogação que trata deste assunto.
INTERROGAÇÃO 14
Com que espécie de
frutos se há de comprovar a verdadeira penitência?
Resposta
A atitude dos próprios penitentes, a
disposição dos que abandonam o pecado e o zelo pelos dignos frutos de
penitência foram descritos no devido lugar.
INTERROGAÇÃO 15
Que significa a
palavra: Quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim?
(Mt 18,21). E quais os pecados que devo perdoar?
Resposta
O poder de perdoar não foi dado de
modo absoluto, mas depende da obediência do pecador arrependido e de sua
concórdia com aquele que está cuidando de sua alma. Pois está escrito a
respeito desses: Se dois de vós se
unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que
está nos céus (ibid. 19).
Quanto à espécie
de pecados, nem se deve perguntar. O Novo Testamento não faz diferença alguma,
mas promete a remissão de todos os pecados aos que se penitenciam devidamente;
e, principalmente, porque o Senhor em pessoa o prometeu a respeito de todos.
INTERROGAÇÃO 16
Por que é que às
vezes a alma sem esforço sente compunção por um pesar espontâneo que dela de
repente se apossa; e por vezes de tal modo não sente contrição que, mesmo
fazendo-se violência, não pode se compungir?
Resposta
Tal compunção é dom de Deus, ou para
excitar o desejo, de modo que a alma, tendo provado a doçura de tal pesar, empenhasse
em cultivá-lo, ou para demonstrar que o espírito pode, por meio de uma
aplicação mais diligente, ter sempre a compunção, de maneira que não há
desculpas para os que a perdem por negligência; mas, o fato de esforçar-se e
não poder, acusa nosso desleixo no passado (pois não é possível alguém de
repente enfrentar uma tarefa e conseguir fazê-la, sem aplicação e muitos e
assíduos exercícios), e simultaneamente mostra que a alma está dominada por outros
vícios, que não a deixam livre de fazer o que quer, segundo a sentença
proferida pelo Apóstolo: Mas eu sou carnal, vendido ao pecado. Não faço o
que quero, mas faço o que aborreço (Rm 7,14-15). E ainda: Mas
então, não sou eu que o faço, mas o pecado que em mim habita (ibid.
17). Deus permite que isto aconteça para nosso bem, a fim de que, talvez, possa
a alma, pelo que sofre a contragosto, sentir qual o poder que a subjuga e conhecer
em que ponto involuntariamente serve ao pecado, e assim rejeitar as ciladas do
diabo e encontrar a misericórdia de Deus, pronta a receber os que se arrependem
sinceramente.
INTERROGAÇÃO 17
Se alguém pensar
em comer, depois censurar-se a si mesmo, deve ser acusado de ter sido inquieto?
Resposta
Se vem a lembrança da fome antes da
hora, sem que a natureza o moleste, é claro que foi um desvio da mente, onde se
trai a propensão para as coisas presentes e a negligência pelas coisas que
agradam a Deus. Mesmo assim lhe está reservada a misericórdia de Deus. Porque,
ao acusar-se alguém, é absolvido do crime pela penitência e se para o futuro se
precaver da queda, lembrado do Senhor que disse: Eis que ficaste são; já
não peques, para não te acontecer coisa pior (Jo 54). Se, porém, por necessidade natural, a fome
aumentar, a sensação de fato mover a memória, mas a razão vencê-la por meio de
zelo, ou ocupação com coisas melhores, esta lembrança não é condenável e sim, a
vitória, louvável.
INTERROGAÇÃO 18
Se deve um membro
ãa comunidade que pecou, depois de muitos exercidos, receber um ofício. E se
deve, qual?
Resposta
Lembrados do Apóstolo que disse: Não
vos torneis causa de escândalo, nem para os judeus, nem para os gentios, nem
para a Igreja de Deus. Fazei como eu: em todas as circunstâncias procuro agradar
a todos, não buscando o meu interesse próprio, mas o de muitos, para que sejam
salvos (ICor 10,32.33), devemos empregar grande cuidado em não sermos
obstáculo ao Evangelho de Cristo e um impedimento para os fracos, nem
instruirmos a alguns no mal. Nestas questões, considere-se e julgue-se o que
contribui para a edificação da fé e o progresso das virtudes em Cristo.
INTERROGAÇÃO 19
Se incorrer em
suspeita de pecado alguém que não o comete às claras, deve ser vigiado a fim de
que se depreenda o que se suspeitou?
Resposta
As suspeitas más e as provenientes
de um preconceito malévolo são condenadas pelo Apóstolo. O encarregado de cuidar
de todos deve observar a todos na caridade de Cristo, desejando a cura do
suspeito, a fim de que se realize a palavra do Apóstolo: Para tornar todo
o homem perfeito em Cristo (Cl 1,28).
INTERROGAÇÃO 2Ò
Se deve o que
viveu no pecado fugir da companhia dos heterodoxos ou também evitar a dos que
vivem mal.
Resposta
Tendo dito o Apóstolo: que vos
aparteis de qualquer irmão que viva na preguiça, sem observar as instruções que
de nós tendes recebido (2Ts 3,6), de modo geral é muito
perigoso e prejudicial para todos qualquer participação em pontos proibidos,
seja por pensamento, palavra ou obra. Os que viveram no pecado devem ter ainda
mais cautela. Primeiro, porque a alma acostumada ao pecado é na maior parte das
vezes mais inclinada a ele; em seguida, porque, como o tratamento dos corpos
enfermos exige a maior atenção, a ponto de, muitas vezes, se lhes proibir o que
é útil aos sãos, assim também os doentes de espírito necessitam de muito maior vigilância
e cuidado. O próprio Apóstolo declara como é grande o prejuízo da sociedade com
os pecadores, com o seguinte argumento: Um pouco de fermento leveda a
massa toda (ICor 5,6). Se é tamanho o dano causado pelos que erram
moralmente, que dizer dos que opinam falsamente de Deus?
Seu parecer malvado não lhes permite
terem juízo reto no restante, porque ele os entrega, de uma vez, às paixões
ignominiosas; isto se evidencia em muitas passagens e principalmente no trecho
da epístola aos Romanos: Como se recusaram a procurar uma noção exata de
Deus, Deus entregou-os a um sentimento depravado, e daí seu procedimento
indigno. Então, cheios de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça,
maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade, são difamadores,
maldizentes, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de
maldades, desobedientes aos pais. São insensatos, imodestos, sem afeição, sem
palavra e sem misericórdia. Apesar de conhecerem o justo decreto de Deus que
considera dignos de morte aqueles que fazem tais coisas, eles não somente as
fazem, mas também aplaudem os que as cometem (Rm 1,28-32).
INTERROGAÇÃO 21
Donde vêm as
divagações e as cogitações e como corrigi-las?
Resposta
A divagação se origina na ociosidade
da mente, que não se ocupa do necessário. A mente torna-se ociosa e descuidada,
porque não crê estar presente Deus, que perscruta os corações e os rins. Se
acreditasse nisto, realizaria plenamente a palavra: Ponho sempre o Senhor
diante dos olhos; pois que ele está à minha direita, não vacilarei (SI
15,8). Quem faz isto e outras coisas semelhantes, jamais ousará, nem terá tempo
para cogitar algo que não se destine à edificação da fé, mesmo que pareça bom,
e muito menos o que é proibido e não agrada a Deus.
INTERROGAÇÃO 22 Donde
provêm os sonhos indecorosos?
Resposta
Vêm dos impulsos desordenados da
alma durante o dia. Se, porém, a alma ocupada com os juízos de Deus se purifica
e medita continuamente coisas boas e agradáveis a Deus, também sonhará com
isto.
INTERROGAÇÃO 23
Que espécie de
palavras torna ociosa uma conversa?
Resposta
Em suma, qualquer palavra que não
vise um fim útil, no Senhor, é ociosa. É tão grande o perigo de tal palavra que,
embora seja bom o que for dito, se não servir para a edificação da fé, a
bondade da palavra não afasta do perigo a quem falou, mas porque este não a
empregou para edificar, contrista o Espírito Santo de Deus. O Apóstolo
ensinou-o claramente: Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só boas palavras
que eventualmente sirvam para a edificação da fé, e sejam benfazejas aos que as
ouvem (Ef 4,29), e acrescentou: Não contristeis o Espírito Santo
de Deus, com o qual estais selados (ibid. 30). Será preciso dizer que é
grande mal entristecer o Espírito Santo de Deus?
INTERROGAÇÃO 24
O que é a
injúria?
Resposta
Toda palavra dita com o propósito de
insultar é injúria, mesmo se a palavra não parecer ofensiva. Evidencia-se pelo Evangelho,
que diz dos judeus: Então eles o cobriram de injúrias e lhe disseram: Tu
que és discípulo dele! (Jo 9,28).
INTERROGAÇÃO 25
O que é a
detração?
Resposta
Há duas ocasiões, a meu ver, em que
é lícito falar mal de outrem: quando alguém precisa aconselhar-se com pessoas idôneas,
sobre como corrigir o pecador; e ainda quando for necessário prevenir a alguns
que, por ignorância, poderiam associar-se a um mau, julgando-o bom, pois o
Apóstolo proíbe (2Ts 3,14) unir-se a eles, a fim de que ninguém arme laços para
a própria alma. Vemos que o Apóstolo agiu assim, através do que escreveu a
Timóteo: Alexandre, o ferreiro, tem-me feito muito mal. Evita-o também tu,
porque faz grande oposição às nossas palavras (2Tm 4,14.15). Exceto
esses casos necessários, quem fala qualquer coisa contra alguém, para
incriminá-lo ou denegri-lo, é maldizente, mesmo se falar a verdade.
INTERROGAÇÃO 26
Que merece quem
fala mal de seu irmão ou escuta a um detrator e o tolera?
Resposta
Ambos sejam excluídos da companhia
dos demais. Exterminarei o que em segredo caluniar seu próximo (SI
100,5). E em outra passagem foi dito: Não ouças com agrado um falador (Pr
20,13), para não seres derrubado.
INTERROGAÇÃO 27
Como receberemos
alguém que fale mal do superior?
Resposta
Manifesta-se o seu julgamento pela
ira de Deus contra Marian, quando falou mal de Moisés. Deus não deixou sem
castigo este pecado, nem mesmo a pedido de Moisés.
INTERROGAÇÃO 28
Deve-se acreditar,
quando alguém com palavras ousadas e tom insolente responder a outrem e,
advertido, disser que nada de mal tem no coração?
Resposta
Nem todos os vícios da alma são
conhecidos de todos, mesmo daquele que deles sofre, como acontece com os males
corporais. Os peritos descobrem no corpo certos sinais de doenças ocultas que
escapam à percepção do próprio doente; assim também, mesmo se o pecador não
sentir a doença da alma, deve crer no Senhor ao lhe dizer e a seus sequazes que
o mau retira males do mau tesouro de seu coração. Pois o mau, algumas vezes,
simula o bem em palavras e obras; o bom, porém, não pode simular mal algum. Aplicai-vos
a fazer o bem, não só diante de Deus, mas também diante de todos
os homens (Rm 12,17).
INTERROGAÇÃO 29
Como pode alguém
evitar a ira?
Resposta
Se julgar estar sempre sendo visto
por Deus que o observa, pelo Senhor presente. Qual o súdito que, diante dos
olhos de seu príncipe, ousará fazer qualquer coisa que lhe desagrade? E mesmo
se não esperar obediência da parte dos outros, esteja pronto a obedecer,
considerando os demais como acima de si. Se procura ser obedecido por sua
própria causa, saiba que a palavra do Senhor ensina a cada um a servir aos
outros; se, porém, castiga a transgressão a um mandamento do Senhor, não há necessidade
de ira e sim de misericórdia e de compaixão, segundo a palavra: Quem é
fraco, que eu também não seja fraco? (2Cor 11,29).
O
que você destaca no texto?
Como
ele serve para sua vida espiritual?
O
que você destaca na fala do seu/sua irmãos/ã?
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