quarta-feira, 18 de março de 2026

306 - SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica - Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 30 a 47

 


306

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA

(330-379)

Regra Monástica - Asketikon

As Regras Menos Extensas (313 regras)

Interrogações 30 a 47

 

INTERROGAÇÃO 30

Como eliminaremos o vício da concupiscência má?

 

Resposta

            Com o desejo ardente da vontade de Deus, tal como demonstrou possuir aquele que disse: Os juízos do Senhor são verdadeiros, todos igualmente justos. Mais desejáveis que o ouro, que muito ouro fino. Mais doces que o mel, que o puro mel dos favos (SI 18,10.11). O desejo das coisas melhores, quando se tem a capacidade e a força de fruir do que se deseja, sempre impõe o desprezo e o afastamento das mais insignificantes, como o ensinaram todos os santos; com quanto maior razão das coisas más e vergonhosas!

 

INTERROGAÇÃO 31

Se não é lícito, absolutamente, rir-se.

 

Resposta

            Como o Senhor condena os que riem agora (Lc 6,25), é evidente não haver para o fiel tempo algum próprio ao riso, principalmente sendo tão grande a multidão dos que ofendem a Deus (Rm 2,23), por violação da lei, e morrem no pecado; por todos eles devemos contristar-nos e gemer.

 

INTERROGAÇÃO 32

Donde vem o torpor (preguiça) inoportuno e excessivo e como o repeliremos?

 

Resposta

            Este torpor sobrevém ao se tornar a alma mais indolente quanto aos pensamentos de Deus, menosprezando os juízos divinos. Sacudimo-lo se pensarmos sincera e dignamente na grandeza de Deus e desejarmos sua vontade, conforme aquele que disse: Não darei sono aos meus olhos, nem repouso às minhas

pálpebras, nem descanso às minhas têmporas, até que encontre residência para o Senhor, uma morada ao Poderoso de Jacó (SI 131,4.5).

 

INTERROGAÇÃO 33

Como se descobre que alguém está procurando agradar aos homens?

 

Resposta

            Quando mostra solicitude pelos que o louvam e indolência para com os que o censuram. Se quer agradar a Deus, sempre e em toda a parte será o mesmo, realizando a palavra: Pelas armas da justiça ofensivas e defensivas; através da honra e da desonra, da boa e da má fama; embora sejamos tidos como impostores, somos, no entanto, sinceros (2Cor 6,7.8).

 

INTERROGAÇÃO 34

Como fugir do vício de agradar aos homens e como menoscabar (diminuir a importância) os louvores dos homens?

 

Resposta

            Com a convicção firme da presença de Deus, com a solicitude contínua de agradar a Deus, com o desejo ardente das bem-aventuranças prometidas pelo Senhor. Ninguém, sob o olhar de seu senhor, oscila, buscando agradar a um companheiro de servidão, com desacato a seu senhor e condenação para si mesmo.

 

 

INTERROGAÇÃO 35

Como se conhecerá o soberbo e como ficará curado?

 

Resposta

            Conhecer-se-á pelo fato de procurar o predomínio; curar-se-á, se tiver fé no julgamento daquele que disse: O Senhor resiste aos soberbos, mas dá sua graça aos humildes (Tg 4,6). Convém saber que, apesar do receio de ser julgado soberbo, ninguém se curará desse vício se não abandonar inteiramente a ambição de prevalecer, como não poderá esquecer uma língua ou uma arte, quem não deixar completamente não só de fazer ou de falar a respeito de tal arte, mas até de ouvir os que falam, e de olhar os que fazem; o mesmo seja observado em relação a qualquer vício.

 

INTERROGAÇÃO 36

Se as honras devem ser ambicionadas.

 

Resposta

            Foi-nos ensinado que devemos prestar honras a quem a honra é devida (Rm 13,7); ambicioná-la, porém, foi proibido pelo Senhor que disse: Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros e não buscais a glória que é só de Deus (Jo 5,44)? Portanto, buscar a glória que vem dos homens é demonstração de infidelidade e oposição à piedade, pois diz o Apóstolo: Se quisesse ainda agradar aos homens, não seria servo de Cristo (G1 1,10). Se de tal modo são condenados os que aceitam a glória que os homens lhes dão, os que procuram a que lhes não é oferecida sofrerão um juízo indizível.

 

INTERROGAÇÃO 37

De que modo o preguiçoso em cumprir o mandamento poderá recuperar a diligência?

 

Resposta

            Se estiver firmemente persuadido da presença do Senhor Deus que tudo vê, das ameaças contra o preguiçoso, da esperança da grande recompensa por parte do Senhor que prometeu por meio do apóstolo Paulo haver de alcançar cada qual a própria recompensa de acordo com o labor (ICor 3,8); e ainda quanto de semelhante foi escrito para suscitar o zelo de cada um, ou a paciência para a glória de Deus.

 

INTERROGAÇÃO 38

Se um irmão receber uma ordem e contradisser, mas depois for espontaneamente.

 

Resposta

            Pelo fato de contradizer, enquanto é contumaz e provoca os outros a agirem de igual modo, saiba que é réu daquela sentença: O perverso só busca a rebeldia (Pr 17,11). Persuada-se bem de não ser a um homem que contradiz ou obedece, mas ao próprio Senhor, que disse: Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita (Lc 10,16). E arrependido primeiro, apresente escusas, e assim, se lho permitirem, faça o trabalho.

 

INTERROGAÇÃO 39

Se alguém obedecer murmurando.

 

Resposta

            Uma vez que disse o Apóstolo: Fazei todas as coisas sem murmurações e sem hesitações (F1 2,14), quem murmura aliena-se da unidade dos irmãos e o seu trabalho é excluído do uso dos mesmos. Evidencia-se estar enfermo de incredulidade e hesitação na esperança.

 

INTERROGAÇÃO 40

Se um irmão contrista a outro, como deve ser corrigido?

 

Resposta

            Se o entristeceu da mesma forma que o Apóstolo, quando diz: Fostes entristecidos segundo Deus, de modo que nenhum dano sofrestes de nossa parte (2Cor 7,9), não é quem entristece que necessita de correção, e sim o entristecido é quem deve mostrar as propriedades da tristeza, segundo Deus. Se o entristeceu em coisas indiferentes, quem contristou lembre-se do Apóstolo que diz: Se, por uma questão de comida, entristeces o teu irmão, já não vives segundo a caridade (Rm 14,15), e tendo reconhecido o seu pecado, cumpra o que foi dito pelo Senhor: Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; então vem fazer a tua oferta (Mt 5,23.24).

 

INTERROGAÇÃO 41

Se aquele que contristou se recusar a pedir desculpas.

 

Resposta

            Cumpram-se as palavras do Senhor sobre o pecador impenitente: Se recusar ouvir a Igreja, seja ele para ti como um pagão ou um publicano (Mt 18,17).

 

INTERROGAÇÃO 42

Se quem contristou pedir desculpas, mas o entristecido recusar reconciliar-se.

 

Resposta

            É clara a sentença do Senhor a seu respeito, na parábola do servo em relação a seu companheiro de serviço; o primeiro, rogado, não quis ter paciência: Vendo isto, os outros servos vieram contar a seu senhor o que se tinha passado. E o senhor, encolerizado, retirou-lhe o seu favor, entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a dívida (Mt 18,31.34).

 

INTERROGAÇÃO 43

Como atender àquele que nos desperta para a oração?

 

Resposta

            Quem reconhece o detrimento proveniente do sono, já que a alma perde até a percepção de si mesma, e compreende a vantagem das vigílias, especialmente como é excelente e glorioso aproximar-se de Deus para rezar, atenderá àquele que o desperta, seja para a oração, seja para cumprir uma ordem, como a alguém que lhe presta os maiores benefícios, acima de todos os desejos.

 

INTERROGAÇÃO 44

Que merece quem ficar de mau humor ou mesmo se irritar, ao ser despertado?

 

Resposta

            Seja, por algum tempo, castigado com o isolamento e o jejum, se for capaz de compreender, arrependido, de quantos e de quais bens se privou imperceptivelmente e, assim, convertido, alegre-se de receber idêntico benefício ao daquele que afirmou: Alegra-me a lembrança de Deus (SI 76,4). Se, porém, continuar insensível, seja cortado do corpo corno um membro gangrenado e corrupto. Está escrito, em verdade: É preferível perder-se um só dos teus membros a que o teu corpo inteiro seja atirado na geena (Mt 5,30).

 

INTERROGAÇÃO 45

Se alguém, tendo ouvido do Senhor que: O servo que, apesar de conhecer a vontade de seu Senhor, não a fez, nada preparou e lhe desobedeceu, será açoitado com muitos golpes, e aquele que a ignorou e fez coisas repreensíveis será açoitado com poucos golpes (Lc 12,47-48), negligencia, no entanto, conhecer a vontade do Senhor, terá ele alguma desculpa?

 

Resposta

            É evidente que simula ignorância e não pode fugir à condenação do seu pecado. Se eu não viesse, diz o Senhor, e não lhe tivesse falado, não teriam pecado, mas agora não há desculpa para o seu pecado (Jo 15,22), porque a Sagrada Escritura em toda parte e a todos anuncia a vontade de Deus. Esse, portanto, não sofrerá menor condenação em companhia dos ignorantes, mas ao contrário será condenado mais severamente com aqueles, dos quais está escrito: Semelhante ao veneno da víbora que fecha os ouvidos, para não ouvir a voz dos fascinadores, do mágico que enfeitiça habilmente (SI 57,5-6). Se, porém, o encarregado do ministério da palavra negligenciar anunciá-la, será condenado como homicida, conforme está escrito (Ez 33,8).

 

INTERROGAÇÃO 46

Se é réu de pecado quem permite a outrem pecar.

Resposta

            Sua sentença evidencia-se das palavras do Senhor a Pilatos: Quem entregou a ti tem pecado maior (Jo 19,11). Daí se deduz que também Pilatos, ao tolerar os que o entregaram, tornou-se réu de pecado, embora mais leve. Vemo-lo igualmente em Adão que suportou a Eva; em Eva, que tolerou a serpente. Nenhum deles ficou impune, como se fosse inocente. A própria indignação de Deus contra eles, ponderada bem a questão, o

demonstra, pois quando Adão, à guisa de escusa, disse aquela palavra: A mulher que deste apresentou-me deste fruto e eu (Gn 3,12), Deus respondeu: Porque ouviste a voz de tua mulher e comeste do fruto da árvore que eu te havia proibido comer, a terra será maldita por tua causa (Gn 3,17), etc.

 

INTERROGAÇÃO 47 Se convém calar diante dos que pecam.

Resposta

            Verifica-se pelos preceitos do Senhor que não convém; disse ele no Antigo Testamento: Repreende publicamente o teu irmão, para que não incorras em pecado por sua causa (Lv 19,17).

            No Evangelho, porém: Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente: se te ouvir, terás ganho teu irmão. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar também ouvir a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano (Mt 18,15-17).

            Depreende-se a gravidade da sentença desse pecado, primeiro da palavra do Senhor, quando afirmou, em geral: Quem não crê no Filho, não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus (Jo 3,36). A seguir, das histórias narradas na Escritura, antiga e nova.

            Eis, por exemplo, quando Acã roubou o lingote de ouro e a veste, a ira do Senhor recaiu sobre todo o povo, embora esse ignorasse o autor do pecado e o próprio pecado, até que o acima mencionado fosse descoberto e sofresse, com todos os seus, aquela horrível ruína (Js 7,21-26).

            Eli, ainda que não tivesse guardado silêncio para com seus filhos, que eram pestilentos, mas frequentemente os admoestasse, dizendo: Não façais assim, meus filhos, não são boas as informações que chegam a vosso respeito (ISm 2,24) e ainda, com outras palavras, mostrasse o absurdo do pecado e sua inevitável condenação, porque não os punira devidamente, nem demonstrara a energia conveniente contra eles, de tal modo exasperou a ira de Deus que o povo pereceu com os filhos, a própria arca foi tomada pelos estrangeiros e ele mesmo teve um fim miserável.

            Se tamanha ira se inflamou contra aqueles que não estavam cientes do autor do pecado e contra os que proibiram o pecado e testemunharam contra ele, que se dirá dos que sabem, contudo se calam? A não ser que façam o que recomendou o Apóstolo aos coríntios com as seguintes palavras: Nem tendes manifestado tristeza, para que seja tirado dentre vós o que cometeu tal ação (ICor 5,2). Ele mesmo atesta como os coríntios agiram a seguir, escrevendo: Vede, pois, que  disposições operou em vós a tristeza segundo Deus! Que digo eu? Que escusas! Que indignação! Que temor! Que ardor! Que zelo! Que severidade! Mostrastes em tudo que não tínheis culpa neste assunto (2Cor 7,11).

            Mesmo agora existe em geral o perigo para todos juntos de serem sujeitos à mesma ruína, ou até mais grave, na medida em que é pior do que aquele que despreza a lei de Moisés, quem despreza o Senhor (Hb 10,29) e ousa cometer o mesmo pecado que aquele que anteriormente pecou e foi condenado. Se Caim será vingado sete vezes, Lameque, que cometeu pecado semelhante, o será setenta vezes sete (Gn 4,24).

 

O que você destaca no texto?

Como ele serve para sua vida espiritual?

O que você destaca na fala do seu/sua irmãos/ã?

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