domingo, 19 de julho de 2026

319 - SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 205-222

 


319

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 205-222

 

 

INTERROGAÇÃO 205

Quem são os "pobres de espírito" mencionados em Mateus 5,3?

 

Resposta O Senhor diz que as palavras que Ele nos transmite são "espírito e vida" (Jo 6,63) e que o Espírito Santo nos ensinará tudo o que Ele nos disse (Jo 14,26), pois o Espírito não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir do Pai (Jo 16,13). Portanto, "pobres de espírito" são aqueles que se tornaram pobres motivados unicamente pela doutrina do Senhor, que ordenou: "Vai, vende os teus bens, dá-os aos pobres" (Mt 19,21). No entanto, se alguém aceitar a pobreza que lhe sobrevier por qualquer outra circunstância da vida, mas a orientar para a vontade do Senhor — a exemplo de Lázaro —, essa pessoa também não está excluída dessa bem-aventurança.

 

INTERROGAÇÃO 206

O Senhor ordena que não nos inquietemos com o que comeremos, beberemos ou vestiremos (Mt 6,31). Até onde vai esse mandamento e como devemos praticá-lo?

 

Resposta Este mandamento, como todos os outros do Senhor, estende-se até o momento da morte (cf. Fl 2,8), pois o próprio Senhor obedeceu até à morte. A prática desse mandamento se realiza por meio da confiança plena em Deus. Após proibir a ansiedade, o Senhor nos dá uma promessa de segurança, ao declarar: "Vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso" (Mt 6,32). Assim era o Apóstolo, que dizia: "Sentimos dentro de nós a sentença de morte; isso aconteceu para que aprendêssemos a não confiar em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos" (2 Coríntios 1,9). Pela sua disposição e prontidão de espírito, ele morria todos os dias; contudo, era preservado pela bondade de Deus. Por isso, afirmava com plena confiança: "Somos vistos como quem está morrendo, embora estejamos vivos" (2 Coríntios 6,9). Esse propósito é fortalecido por um zelo ardente e por um desejo insaciável de cumprir os mandamentos do Senhor. Quando esses sentimentos predominam em alguém, eles não permitem que a pessoa se distraia com as preocupações e necessidades do corpo.

 

INTERROGAÇÃO 207

Uma vez que não devemos nos inquietar com o nosso próprio sustento, e considerando que há outro mandamento que diz: "Trabalhai, não pela comida que perece" (Jo 6,27), seria supérfluo trabalhar?

 

Resposta O próprio Senhor explicou o sentido desse mandamento em outras passagens.

Primeiramente, ao proibir a preocupação com o sustento — dizendo: "Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que se preocupam com tudo isso" (Mt 6,31-32) —, Ele nos ordenou: "Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça" (Mt 6,33). Ele deixou claro que esse Reino deve ser buscado por meio de ações dignas. Ao proibir o trabalho focado apenas na sobrevivência pessoal (alimento perecível), Ele nos ensinou a trabalhar pelo alimento que permanece para a vida eterna. O próprio Jesus revelou isso ao dizer: "Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou" (Jo 4,34). Sendo a vontade de Deus que alimentemos o faminto, que demos de beber ao sedento e que vistamos o que está nu (Mt 25,35-36), devemos imitar o Apóstolo Paulo, que afirmou: "Em tudo vos tenho mostrado que, trabalhando assim, convém acudir aos fracos" (At 20,35). Devemos obedecer ao que ele ensina: "Trabalhe, executando com as próprias mãos o que é bom, para ter com que socorrer os necessitados" (Ef 4,28). Portanto, esta instrução do Senhor, tanto no Evangelho quanto nos ensinamentos dos Apóstolos, nos mostra que é proibido viver preocupado consigo mesmo ou trabalhar apenas para o próprio benefício. Segundo o mandamento do Senhor, devemos trabalhar e nos dedicar às necessidades do próximo. Isso é especialmente importante porque o Senhor considera como feitas a Ele mesmo todas as atenções prestadas aos que sofrem, prometendo, por causa disso, o Reino dos Céus.

 

NTERROGAÇÃO 208

A Ascese do silêncio contínuo é sempre algo bom?

 

Resposta A utilidade do silêncio depende do momento e da pessoa, como aprendemos nas Escrituras. Quanto ao momento: O profeta diz: "Por isso, o prudente se cala neste tempo, porque é tempo mau" (Amós 5,13); e o salmista afirma: "Porei um freio em minha boca enquanto o ímpio estiver diante de mim" (Salmo 39,1). Quanto à pessoa: O Apóstolo orienta que, se alguém estiver falando e outro receber uma revelação, o primeiro deve calar-se (1 Coríntios 14,30). Ele também instrui que as mulheres devem manter-se caladas nas assembleias (1 Coríntios 14,34). Além disso, para aqueles que não conseguem controlar a língua — e, portanto, falham em seguir o mandamento: "Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas apenas palavras boas que sirvam para a edificação da fé" (Efésios 4,29) —, o silêncio total é necessário. Essa prática deve ser mantida até que eles se curem do vício da fala imprudente. Assim, aprenderão, através da abstinência, o momento certo, o conteúdo adequado e a maneira correta de falar, para que suas palavras sejam, de fato, um benefício para quem as ouve.

 

INTERROGAÇÃO 209

Como podemos desenvolver o temor aos juízos de Deus?

 

Resposta O medo surge naturalmente quando esperamos que algo ruim aconteça. É assim que tememos as feras ou os governantes, quando receamos algum dano vindo deles. Da mesma forma, se alguém crê profundamente que as advertências do Senhor são verdadeiras e reflete sobre o que significará vivenciar a severidade dessas promessas, naturalmente temerá os juízos de Deus.

 

INTERROGAÇÃO 210

O que constitui uma vestimenta decente, segundo o ensinamento do Apóstolo?

 

Resposta Para vestir-se de maneira honesta e adequada ao seu propósito de vida, deve-se considerar o contexto: o tempo, o lugar, a pessoa e a necessidade. A própria lógica desaconselha o uso da mesma roupa no inverno e no verão, ou o mesmo hábito para quem está trabalhando e para quem está descansando. Da mesma forma, o vestuário deve ser apropriado conforme a função e a identidade de cada um — seja servo ou senhor, soldado ou civil, homem ou mulher.

 

INTERROGAÇÃO 211

Qual é a medida do amor a Deus?

 

Resposta A medida do amor a Deus é a disposição constante da alma em realizar a vontade dEle, sempre com o máximo esforço — indo além de nossas próprias forças —, tendo como único foco e desejo a Sua glória.

 

INTERROGAÇÃO 212

Como alcançar a verdadeira caridade (amor) para com Deus?

 

Resposta Alcançamos esse amor quando, agindo com prudência e uma consciência reta, nos deixamos tocar pelos benefícios que Ele nos concede. Isso é algo que até os seres irracionais compreendem: observamos que até os cães demonstram afeição por aqueles que lhes garantem o sustento. Aprendemos isso também pela repreensão do profeta Isaías, que diz: "Criei filhos e os enaltecí, mas eles se revoltaram contra mim. O boi conhece o seu dono, e o asno, a manjedoura de quem o alimenta; mas Israel não conhece nada, e o meu povo não tem entendimento" (Isaías 1,2-3). Assim como o boi e o asno sentem, por instinto, afeição por quem os alimenta — por causa do benefício recebido —, da mesma forma, se estivermos atentos e formos prudentes, como não amaríamos a Deus, o autor de tantas e tão grandes bênçãos? Afinal, em uma alma que está saudável, essa disposição de gratidão é algo quase inato, algo que surge naturalmente, mesmo sem que um mestre precise nos ensinar.

 

INTERROGAÇÃO 213

Quais são os sinais da verdadeira caridade (amor) para com Deus?

 

Resposta O próprio Senhor nos ensinou o sinal principal: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos" (João 14,15).

 

INTERROGAÇÃO 214

Qual é a diferença entre benignidade e bondade?

 

Resposta Ao observarmos os Salmos e Jeremias, vemos que o termo "benigno" é usado de forma mais ampla, referindo-se àquele que se compadece e estende ajuda a qualquer pessoa necessitada (cf. Sl 145,9; 112,5). Já a "bondade" parece ser mais específica, aplicada quando alguém age com benevolência guiado por critérios de justiça e retidão (cf. Sl 125,4; Lm 3,25).

 

INTERROGAÇÃO 215

Quem é o "pacífico" que o Senhor chama de bem-aventurado?

 

Resposta É aquele que colabora com a obra de Deus, agindo como embaixador de Cristo para promover a reconciliação entre as pessoas e o Criador (2 Coríntios 5,20). Esse pacífico é aquele que, tendo sido justificado pela fé, vive a verdadeira paz com Deus (Romanos 5,1). Essa paz é diferente da paz que o mundo oferece, pois foi o próprio Cristo quem disse: "Dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá" (João 14,27).

 

INTERROGAÇÃO 216

Em que aspectos devemos nos converter e nos tornar como crianças (Mateus 18,3)?

 

Resposta O próprio Evangelho esclarece o motivo: devemos renunciar à busca por privilégios ou superioridade, reconhecendo a igualdade de natureza entre todos e tratando com simplicidade aqueles que parecem inferiores a nós. As crianças agem assim entre si, enquanto ainda não foram corrompidas pela malícia do convívio social.

 

INTERROGAÇÃO 217

Como receber o Reino de Deus "como uma criança"?

 

Resposta Devemos nos comportar diante da doutrina do Senhor da mesma maneira que as crianças se comportam diante de seus professores: sem contradizer ou discutir as lições, mas recebendo as instruções com fé, docilidade e obediência sincera.

 

INTERROGAÇÃO 218

Que tipo de entendimento devemos pedir a Deus e como nos tornamos dignos de recebê-lo?

 

Resposta Deus mesmo nos ensina pelo profeta o que é o verdadeiro entendimento: "Não se orgulhe o sábio do seu saber, nem o forte de sua força, nem o rico de sua riqueza! Mas quem quiser vangloriar-se, glorie-se de possuir inteligência e de saber que Eu sou o Senhor" (Jeremias 9,23-24). O Apóstolo reforça: "Procurai compreender qual é a vontade de Deus" (Efésios 5,17). Tornamo-nos dignos desse entendimento quando atendemos ao chamado: "Parai e reconhecei que Eu sou Deus" (Salmo 46,10), e quando acreditamos firmemente que toda palavra de Deus é verdadeira, lembrando o que está escrito: "Se não crerdes, não subsistireis" (Isaías 7,9).

 

 

 

INTERROGAÇÃO 219

Quando recebemos um benefício de alguém, como podemos oferecer a Deus uma ação de graças pura, total e equilibrada?

 

Resposta Oferecemos essa gratidão quando estamos convictos de que Deus é a fonte de todo bem e Aquele que o realiza. Devemos reconhecer que a pessoa que nos prestou o serviço é, na verdade, um instrumento, um "ministro" do benefício que Deus nos enviou.

 

INTERROGAÇÃO 220

Deve-se permitir que qualquer pessoa tenha um encontro com as irmãs? Quem, quando e como se deve falar com elas?

 

Resposta Este tema já foi abordado anteriormente: ninguém deve buscar um encontro com outra pessoa por vontade própria, ao acaso ou sem um motivo claro. Deve-se haver um exame prévio para garantir que o encontro seja proveitoso para quem ajuda e para quem é ajudado — e esse cuidado deve ser redobrado quando se trata de um encontro com uma mulher. Aquele que se recorda do aviso do Senhor — "No dia do juízo, os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido" (Mateus 12,36) — teme essa sentença e obedece à orientação apostólica: "Quer comais, ou bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (1 Coríntios 10,31) e "tudo se faça para a edificação" (1 Coríntios 14,26). Portanto, nada deve ser feito de modo ocioso ou inútil.  Quanto ao quem, quando e como: escolha-se sempre um tempo, um lugar e uma companhia que não deem margem a qualquer suspeita. O encontro deve ter como objetivo a edificação da fé e ser realizado com cautela para não causar escândalo. Não é sensato que uma pessoa esteja a sós com outra; a Escritura nos lembra: "Melhor dois do que um" (Eclesiástico 4,9), pois oferecem mais segurança e testemunho. Como diz o mesmo texto: "Ai do que está só, porque, quando cair, não tem quem o levante" (Eclesiástico 4,10).

 

INTERROGAÇÃO 221

Como o Senhor nos ensinou a orar para não cairmos em tentação, devemos pedir especificamente para não sofrermos dores físicas? E, se as dores surgirem, como devemos suportá-las?

 

Resposta O Senhor não especificou quais tipos de tentações devemos evitar, mas deu uma ordem geral: "Orai para que não caiais em tentação" (Lucas 22,40). Por isso, aquele que se encontra diante de uma prova ou dor deve pedir a Deus que lhe conceda um meio de escapar dela, ou, caso não seja possível, que lhe dê forças para suportá-la. O objetivo é cumprir o que está escrito: "Aquele que perseverar até o fim, será salvo" (Mateus 24,13).

 

INTERROGAÇÃO 222

Quem é o nosso "adversário" e de que maneira devemos "concordar" com ele?

 

Resposta Nesta passagem, o Senhor chama de "adversário" aquele que tenta nos retirar algo que consideramos de nosso interesse. Nós "concordamos" com ele quando seguimos o mandamento do Senhor: "Se alguém te levar ao tribunal para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa" (Mateus 5,40). Devemos agir da mesma forma em todas as situações semelhantes.

 

1.         O que você destaca no texto?

2.         Como serve para a sua espiritualidade?

3.         De que forma esse texto desafia ou fortalece a nossa missão e os nossos valores aqui na OESI?

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