segunda-feira, 27 de agosto de 2018

62 Estudo sobre os Pais da Igreja: Vida e Obra Teófilo de Antioquia (†181) Terceiro Livro a Autólico (Capítulo 28 - 30)



62
Estudo sobre os Pais da Igreja: Vida e Obra
Teófilo de Antioquia (†181)
Terceiro Livro a Autólico (Capítulo 28 - 30)


Capítulo XXVIII – Recapitulação
Resumindo então a cronologia desde a criação do mundo, temos: da criação do mundo até o dilúvio, dois mil, duzentos e quarenta e dois anos; do dilúvio ao primeiro filho de Abraão, nosso antepassado, mil, trinta e seis anos; de Isaac, filho de Abraão, até a estada do povo com Moisés no deserto, seiscentos e sessenta anos; da morte de Moisés e do comando de Josué, filho de Nave, até a morte de Davi, nosso antepassado, quatrocentos e noventa e oito anos; da morte de Davi e do reinado de Salomão até a estada do povo na Babilônia, quinhentos e dezoito anos, seis meses e dez dias; do reinado de Ciro até a morte do imperador Aurélio Vero, setecentos e quarenta e um anos. O total de anos, sem contar meses e dias, desde a criação do mundo, é de cinco mil, seiscentos e noventa e cinco anos.

Capítulo XXIX – Conclusão
Tendo reunido o que dissemos sobre a cronologia e tudo o resto, é fácil ver a antiguidade dos textos proféticos e a divindade da nossa doutrina. Esta não é recente, assim como a nossa religião, como pensam alguns, fábula e mentira, ao contrário, mais antiga e mais verdadeira do que a deles. Com efeito, Talo menciona Bel, rei dos assírios, e o Titã Crono, dizendo que Bel lutou com os Titãs contra Zeus e os chamados deuses; aí afirma que Gigos, vencido, fugiu para Tartessos, terra que então se chamava Acté e agora se chama Ática, da qual Gigos era então rei. Não creio ser necessário contar-te de quem as outras terras e cidades receberam seus nomes, pois sobretudo tu conheces suas histórias. É coisa evidente, portanto, que Moisés é mais antigo do que todos os historiadores (e não somente ele, mas a maior parte dos profetas que lhe sucederam), e mais do que Bel e Crono e a guerra de Tróia. De fato, segundo a história de Talo, Bel é anterior à guerra de Tróia em trezentos e vinte e dois anos, e acima expusemos como Moisés é anterior à tomada de Tróia em novecentos ou mil anos. Como Crono e Bel foram contemporâneos, a maior parte não sabe quem é Crono e quem é Bel. Uns culturam Crono e o chamam de Bel ou Bal, sem saber quem é Crono e quem é Bel. Entre os romanos o chamam de Saturno, e também estes não sabem quem dos dois é, se Crono ou Bel. Quanto ao início das Olimpíadas, uns dizem que adquiriam caráter religioso a partir de Ifito; conforme outros, a partir de Limo, que também era chamado de Ilio. Acima expusemos a sucessão dos anos e das Olimpíadas. Por fim, segundo as nossas possibilidades, creio que eu disse exatamente o que se refere à antiguidade de nossas coisas e o número completo dos tempos. Se algum período nos escapou, terá sido, por exemplo, uns cinqüenta, cem ou até duzentos anos; não, porém, dez mil ou mil anos, como disseram Platão, Apolônio e outros que escreveram de forma mentirosa. Talvez também nós não saibamos exatamente o número de todos os anos, porque não se assinalam nas sagradas Escrituras os meses e dias supérfluos. Além disso, está de acordo com o que dissemos sobre essas épocas Beroso, filósofo caldeu, que foi aquele que deu a conhecer aos gregos a literatura caldéia e disse algumas coisas concordes com Moisés, tanto sobre o dilúvio como sobre muitos outros acontecimentos. Em parte, ele está de acordo também com Jeremias e Daniel; por exemplo, no que aconteceu aos judeus sob o rei da Babilônia, que ele chama de Nabopolassar e os hebreus de Nabucodonosor. Ele também menciona a destruição do templo de Jerusalém pelo rei dos caldeus e como, no segundo ano do reinado de Ciro, foram postos os alicerces do novo templo, que foi terminado no segundo ano de Dano.

Capítulo XXX – As verdadeiras razões do incrédulo / Exortação final
Os gregos, porém, não mencionam as histórias verdadeiras. Primeiro, porque só recentemente tiveram conhecimento das letras, coisa que eles mesmos confessam, uns dizendo que foram inventadas pelos caldeus, outros pelos egípcios, outros pelos fenícios; segundo, porque cometeram e continuam cometendo um erro ao não se lembrarem de Deus em seus escritos, mas só assuntos vãos e inúteis. Vê-se como colocam todo seu afã em citar Homero, Hesíodo e outros poetas; sobre a glória do Deus incorruptível e único, porém, não só se esquecem dele, como também o blasfemam. Mais ainda: perseguiram e até hoje continuam perseguindo seus adoradores. Em troca, oferecem prêmios e honras para os que o insultam melodiosamente, mas aos que se esforçam pela virtude e vivem vida santa, eles apedrejam uns, matam outros, e até hoje os submetem a tormentos cruéis. Por isso, necessariamente perderam a sabedoria de Deus e não encontraram a verdade. Portanto, se te agrada, lê cuidadosamente tudo isso, para que encontres aqui um resumo e um penhor da verdade.

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