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SÃO
BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) Regra Monástica – Asketikon - As Regras
Menos Extensas (313 regras) Interrogações 287-300
INTERROGAÇÃO 287
Quais os dignos
frutos de arrependimento?
Resposta As obras de justiça opostas ao pecado, que o arrependido
deve praticar, conforme está escrito: Frutificando em toda boa obra (Cl 1,10).
INTERROGAÇÃO 288
Quem deseja
confessar os pecados, deve confessá-los a todos? A qualquer pessoa? Ou a quem?
Resposta Evidencia-se como Deus ama os pecadores pelo que está
escrito: Não me comprazo com a morte do pecador, mas antes com a sua conversão,
de modo que tenha a vida (Ez 33,11). Visto que a conversão deve ser
proporcional ao pecado e são exigidos dignos frutos de arrependimento, segundo
o que está escrito: Fazei, portanto, dignos frutos de arrependimento, para não
sobrevirem, por carência de frutos, as ameaças seguintes: Toda árvore que não
der fruto bom será cortada e lançada ao fogo (Lc 3,9), faz-se necessário
confessar os pecados àqueles que têm a seu cargo a administração dos mistérios
de Deus. Assim também agiam junto dos santos os que outrora se convertiam. Pois
está escrito no Evangelho que confessavam seus pecados a João Batista, e, nos
Atos, que confessavam aos apóstolos, os quais igualmente batizavam a todos.
INTERROGAÇÃO 289
Quem se arrepender
de um pecado, mas recair, o que fará?
Resposta Quem se arrependeu e recaiu no mesmo pecado demonstra que
não expurgou a causa primária daquele pecado; dela, como de uma raiz,
germinarão os mesmos pecados. Se alguém cortasse os ramos da árvore, mas
deixasse a raiz, restando apenas esta, novamente brotará a planta. Assim, visto
que alguns pecados não se originam de si mesmos, mas provêm de outros, quem
quiser livrar-se deles deve arrancar as causas primitivas. Por exemplo, a
discórdia ou a inveja não têm em si o próprio princípio, mas brotam da raiz do
amor à glória. O ambicioso de glória diante dos homens disputa com quem tem boa
reputação ou inveja aquele a quem é inferior em renome. Se, pois, alguém se
arrepender da inveja ou das contendas e recair, reconheça que está afetado
intimamente pela ambição de glória, causa primeira da inveja e das contendas, e
cure-se do vício da ambição de glória por meios contrários, isto é, com
exercícios de humildade (é exercício de humildade ocupar-se dos serviços mais
humildes), a fim de, permanecendo na atitude de humildade, não reincidir nas
supracitadas manifestações de ambição de glória. Em cada um dos pecados desta
espécie proceda-se de igual modo.
INTERROGAÇÃO 290
Como alguém
trabalhará sempre e muito na obra do Senhor?
Resposta Quando multiplicar o dom que lhe foi dado para a utilidade
e o progresso dos beneficiados, ou demonstrar maior zelo na obra do Senhor do
que nas questões em que os homens mais se empenham.
INTERROGAÇÃO 291
Que significa a cana
rachada ou a torcida que fumega? E como alguém não quebrará àquela e não
apagará esta?
Resposta Penso que cana rachada é quem pratica o mandamento de
Deus, mas está maldisposto; não se deve quebrá-lo e cortá-lo, porém curá-lo,
como ensinou o Senhor: Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos
homens, para serdes vistos por eles (Mt 6,1). O Apóstolo preceitua: Fazei todas
as coisas sem murmurações e sem hesitações (Fp 2,14). E em outro lugar: Nada
façais por espírito de partido ou vangloria (ibid. 3). Torcida fumegante é
alguém que pratica o mandamento não com um desejo ardente e zelo perfeito, mas
um tanto negligente e frouxamente; não o impeçamos, antes o incitemo-nos com a
lembrança dos juízos de Deus e de suas promessas.
INTERROGAÇÃO 292
Se convém ter na
comunidade dos irmãos uma escola de meninos seculares.
Resposta Tendo dito o Apóstolo: E vós, pais, não provoqueis vossos
filhos à ira, mas educai-os na disciplina e correção segundo o espírito do
Senhor (Ef 6,4), se os que trazem os meninos apresentam-nos com tal finalidade
e os que os recepcionam têm a convicção de que os podem educar na disciplina e
nas instruções do Senhor, observe-se a ordem do Senhor que disse: Deixai vir a
mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o reino dos céus é para aqueles
que se lhes assemelham (Mt 19,14). Sem este propósito e sem esta esperança,
porém, penso que não seria agradável a Deus, nem a nós conveniente, nem
proveitoso.
INTERROGAÇÃO 293
Como proceder com os
que evitam os pecados mais graves, mas cometem, com indiferença, os leves?
Resposta Primeiro, convém saber que no Novo Testamento não se
encontra tal distinção. Uma só é a sentença contra todos os pecados, porque
assegura o Senhor: Todo o homem que se entrega ao pecado é seu escravo (Jo
8,34). E ainda: A palavra que anunciei julgá-lo-á no último dia (Jo 12,48). E
João clama: Quem não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de
Deus (Jo 3,36). A desobediência não é ameaçada por causa da diferença entre os
pecados, mas devido à transgressão. Em resumo, se nos é lícito falar em pecado
pequeno e grande, sem contradição não se pode negar que para alguém é grande
aquele que o domina e pequeno aquele que ele mesmo supera. Entre os atletas, o
vencedor é mais forte e o vencido é mais fraco do que o vitorioso, seja ele
quem for. Portanto, observe-se em relação a todos os pecadores, quaisquer que
sejam os seus pecados, a sentença do Senhor: Se teu irmão tiver pecado contra
ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu
irmão. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a
questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. Se recusar
ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti
como um pagão e um publicano (Mt 18,15-17). Observe-se para com todos eles o
que disse o Apóstolo: Nem tendes manifestado tristeza, para que seja tirado
dentre vós o que cometeu tal ação (1Cor 5,2). Importa, por conseguinte, unir a
paciência e a misericórdia à severidade.
INTERROGAÇÃO 294
Qual o motivo de
perder alguém a contínua lembrança de Deus?
Resposta Se alguém se esquecer dos benefícios de Deus e for ingrato
para com o benfeitor.
INTERROGAÇÃO 295
Por que sinais se
reconhece quem se distrai?
Resposta Quando descuida das coisas que agradam a Deus. Diz o
profeta: Ponho sempre o Senhor diante dos olhos; pois que ele está à minha
direita, não vacilarei (Sl 15,8).
INTERROGAÇÃO 296
Como se persuadirá a
alma de estar purificada dos pecados?
Resposta Se depreender em si a disposição de Davi, que disse: Odeio
o mal, eu o detesto (Sl 118,163), ou verificar que cumpriu em si o preceito do
Apóstolo, que disse: Mortificai, pois, vossos membros no que têm de terreno: a
devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a concupiscência, que é
uma idolatria. Destas coisas provém a ira de Deus (Cl 3,5.6). Daí, estendendo a
todo pecado esta sentença, acrescenta sobre os descrentes, de maneira a poder
afirmar: Terei horror àquele que pratica o mal, não será ele o meu amigo. Longe
de mim o coração perverso. Não quero conhecer o mal (Sl 100,3.4). Reconhecerá
alguém em si tal atitude se tiver contra os pecadores a mesma compaixão
profunda dos santos, conforme diz Davi: Ao ver os prevaricadores, sinto
desgosto, porque eles não observam a vossa palavra (Sl 118,158). E o Apóstolo
afirma: Quem é fraco, que eu também não seja fraco? Quem tropeça, que eu não me
consuma em febre? (2Cor 11,29). Se, pois, em verdade, a alma é superior ao
corpo e vemos a repugnância e o horror que temos de todas as imundícies do
corpo, e que o dilaceramento ou o maltrato produz aflição e tristeza para o
coração, quanto mais justo não será para quem ama a Cristo e os irmãos sentir o
que foi dito acima, acerca dos pecadores, ao ver a alma dos pecadores de certo
modo ferida e corroída por feras, ou purulenta e pútrida? Diz Davi: Porque as
minhas culpas se elevaram acima de minha cabeça, como pesado fardo oprimiram em
demasia. São fétidas e purulentas as chagas que a minha loucura causou. Estou
abatido, extremamente recurvado, todo o dia ando cheio de tristeza (Sl 37,5-7).
Assevera, porém, o Apóstolo: O aguilhão da morte é o pecado (1Cor 15,56).
Quando alguém vir sua alma em tal disposição diante dos pecados, próprios ou
alheios, então pode ter a convicção de estar purificado do pecado.
INTERROGAÇÃO 297
Como deve alguém
arrepender-se dos pecados?
Resposta Imitando a atitude de Davi que, primeiro, disse: Eu vos
confessei o meu pecado e não mais dissimulei a minha culpa. Disse: Sim, vou
confessar ao Senhor a minha iniquidade (Sl 31,5). Depois, manifestando o seu
estado, conforme o salmo 6 e outros, de muitos modos, e de acordo com o
ensinamento do Apóstolo, a atestar o que os coríntios fizeram por causa do
pecado alheio, dizendo: A tristeza segundo Deus produz um arrependimento
salutar para a salvação. Acrescenta as propriedades da tristeza: Vede, pois,
que disposições operou em vós a tristeza segundo Deus! Que escusas! Que
indignação! Que temor! Que ardor! Que zelo! Que severidade! Mostrastes em tudo
que não tínheis culpa neste assunto (2Cor 7,10.11). Daí se torna claro ser
imprescindível não só abandonar o pecado e sofrer de tal modo pelos pecadores,
mas também afastarmo-nos dos pecadores. Davi o declarou, dizendo: Apartai-vos
de mim, vós todos que fazeis o mal (Sl 6,9), e o Apóstolo ordena: Com esse nem
sequer deveis comer (1Cor 5,11).
INTERROGAÇÃO 298
Se a Escritura
permite que alguém faça o bem como lhe apraz.
Resposta Apraz a um homem quem se compraz em si mesmo, porque é ele
também homem. Como, portanto: Maldito o homem que em outro confia, que da carne
faz o seu apoio (Jr 17,5), o que indica confiança em si, acrescenta-se: E cujo
coração vive distante do Senhor. Assim também o que agrada a outrem, ou faz
alguma coisa por autocomplacência, decai em relação à piedade e recai no desejo
do favor dos homens. Fazem, pois, diz o Senhor, para serem vistos pelos homens.
Em verdade eu vos digo, já receberam sua recompensa (Mt 6,5). E o Apóstolo
confessa: Se quisesse ainda agradar aos homens, não seria servo de Cristo (Gl
1,10). As Escrituras divinas trazem ameaças ainda mais terríveis, dizendo: Deus
dissipou os ossos daqueles que procuram agradar aos homens (Sl 52,6).
INTERROGAÇÃO
299
Como a alma estará bem cônscia de que não tem a
ambição da glória?
Resposta: Se obedece ao Senhor, que
disse: “Assim brilhe a vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas
boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16); e ao
Apóstolo, que ordena: “Quer comais, quer bebais ou façais qualquer outra
coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1Cor 10,31). De modo que o homem
temente a Deus, não tendo buscado a glória presente nem a futura, mas tendo
posto o amor de Deus acima de tudo, tenha a confiança de dizer, além do
supracitado, o seguinte: “Nem as coisas presentes, nem as futuras poderão
apartar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, Nosso Senhor” (Rm
8,38-39). Pois diz o próprio Senhor nosso, Jesus Cristo: “Não busco a minha
glória” (Jo 8,50). E ainda: “Quem fala por própria autoridade busca a
própria glória; mas quem busca a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro”
(Jo 7,18).
INTERROGAÇÃO
300
Como se realiza a conversão, sendo ela algo oculto?
Resposta: O modo como se realiza a
conversão foi declarado naquela pergunta que trata de como alguém deve
converter-se dos pecados. Quanto ao fato de ser algo oculto, lembremo-nos do
Senhor, que disse: “Nada há de oculto que não venha a ser descoberto”
(Mt 10,26). E ainda: “A boca fala daquilo de que o coração está cheio”
(Lc 6,45).
1.
O que você destaca no
texto?
2.
Como serve para a sua
espiritualidade?
3.
De que forma esse texto
desafia ou fortalece a nossa missão e os nossos valores aqui na OESI?