segunda-feira, 2 de julho de 2018

54 - Teófilo de Antioquia (†181) Segundo Livro a Autólico (Capítulo 23 - 27)

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54
Estudo sobre os Pais da Igreja: Vida e Obra
Teófilo de Antioquia (†181)
Segundo Livro a Autólico (Capítulo 23 - 27)




Capítulo XXIII – Retomada de Gênesis sobre a tentação e queda de Adão e Eva (cont.)
Portanto, Deus fez o homem no sexto dia, mas sua modelação foi manifestada no sétimo dia, quando fez também o jardim, para que estivesse em lugar melhor e local excelente. Que isso seja verdade, a própria experiência o demonstra. Com efeito, como não considerar a dor que as mulheres sofrem no parto e como logo se esquecem disso, para que se cumpra a palavra de Deus que o gênero humano cresça e se multiplique? O mesmo se diga da condenação da serpente: como nos parece odiosa, arrastando-se sobre o seu próprio ventre e comendo terra, para que também isso seja demonstração do que antes foi dito.

Capítulo XXIV – Retomada de Gênesis sobre a tentação e queda de Adão e Eva (cont.)
Deus ainda fez brotar da terra toda árvore formosa à vista e boa para comer. De fato, no princípio havia apenas o que foi criado no terceiro dia: plantas, sementes e ervas; mas o que havia no jardim nasceu com extrema beleza e formosura, pois se diz que era uma plantação plantada pelo próprio Deus. Quanto ao resto das plantas, no mundo há semelhantes. Todavia, há duas árvores, a da vida e a da ciência, que não existem em nenhuma terra, mas somente no jardim do Éden. Que o jardim seja terra e esteja plantado sobre a terra, a Escritura diz: “E Deus plantou um jardim em Éden, ao Oriente, e colocou aí o homem, e Deus ainda fez brotar da terra toda árvore formosa à vista e boa para comer.” Pelas expressões “ainda da terra” e “para o Oriente”, a divina Escritura claramente nos ensina que o jardim estava sob o nosso céu, assim como o Oriente e a terra. O que se chama Éden em hebraico é traduzido por “delícias”. A Escritura indica que de Éden saía um rio para regar o jardim e que a partir daí se dividia em quatro braços. Dois deles são o Fison e o Geon, que regam as partes orientais, principalmente o Geon, que rega toda a terra da Etiópia e que dizem aparecer no Egito com o nome de Nilo. Quanto aos outros dois rios, os chamados Tigre e Eufrates, são bem conhecidos entre nós, pois correm perto de nossas regiões. Como dissemos acima, Deus colocou o homem no jardim, para que o cultivasse e o guardasse, e mandou que ele comesse de todos os frutos, portanto também da árvore da vida, e mandou que só não experimentasse da árvore da ciência. E Deus o transportou da terra da qual fora criado para ojardim, dando-lhe ocasião de progresso, para que crescendo e chegando a ser perfeito e até declarado deus, subisse então até o céu, possuindo a imortalidade, pois o homem foi criado como ser intermédio, nem completamente mortal nem absolutamente imortal, mas capaz de uma e outra coisa, assim como seu lugar, o jardim, se considerarmos a sua beleza, é lugar intermédio entre o mundo e o céu. Quando a Escritura diz “trabalhar”, não dá a entender outro trabalho, mas a observância do mandamento de Deus, a fim de que o homem, violando-o, não se perca, como efetivamente aconteceu quando se perdeu pelo pecado.

Capítulo XXV – A desobediência expulsa o homem do paraíso
A própria árvore da ciência era boa e bom era também o seu fruto. Não produziu, como pensam alguns, a árvore da morte, pois o que produziu esta foi a desobediência. De fato, em seu fruto não havia outra coisa senão ciência, e a ciência é boa, desde que seja usada devidamente. Acontece que, por sua idade, Adão era uma criança e por isso ainda não podia receber de modo digno a ciência. Quando uma criança nasce, não pode imediatamente comer pão, mas primeiro se alimenta de leite e depois, conforme vai crescendo em idade, usa-se alimento sólido. Algo parecido aconteceu com Adão. Não foi também por inveja, como pensam alguns, que Deus lhe proibiu comer da ciência.
Além disso, Deus queria prová-lo, para ver se era obediente ao seu mandamento, e também queria que o homem permanecesse o mais tempo possível simples e inocente na idade de criança. Com efeito, é coisa santa, não só diante de Deus, mas também diante dos homens, que os filhos se submetam aos pais em simplicidade e inocência. Portanto, se os filhos devem se submeter aos pais, quanto mais o homem a Deus, Pai do universo? Além do mais, não é normal que as crianças pequenas tenham pensamentos acima de sua idade, pois assim como o crescimento em idade acontece ordenadamente, do mesmo modo o entender e o sentir. Por outro lado, quando uma lei manda abster-se de algo e não se obedece, é evidente que não é a lei que nos traz o castigo, mas a transgressão e a desobediência. Com efeito, se um pai manda seu filho abster-se de certas coisas e ele não obedece à ordem do pai, este o açoita e castiga; contudo, não é por isso que se dirá que tais coisas são os açoites, mas que é a desobediência que acarreta o castigo ao desobediente. Assim, foi a desobediência que acarretou ao primeiro homem ser expulso do jardim do Éden; não porque a árvore da ciência tivesse alguma coisa de mau, mas foi por causa de sua desobediência que o homem atraiu trabalho, dor, tristeza e caiu finalmente sob o poder da morte.

Capítulo XXVI – A desobediência expulsa o homem do paraíso (cont.)
Também foi um grande beneficio feito por Deus ao homem que este não permanecesse sempre em pecado, mas, de certo modo, como se tratasse de um desterro, o expulsou do paraíso, para que pagasse por tempo determinado a pena de seu pecado e, assim educado, fosse novamente chamado. Tendo sido o homem formado neste mundo, misteriosamente se escreve no Gênesis como se ele tivesse sido colocado duas vezes no jardim. A primeira vez se realizou quando foi aí colocado; a outra se realizaria depois da ressurreição e do julgamento. Podemos ainda dizer mais. Do mesmo modo como um vaso que depois de fabricado tem algum defeito, é novamente fundido e modelado para que fique novo e inteiro, assim acontece com o homem através da morte: de certo modo se quebra, para que na ressurreição surja sadio, isto é, sem mancha, justo e imortal. Quanto ao fato de Deus chamar e dizer: “Adão, onde estás?”, Deus não o fez como se não soubesse, mas, por causa de sua longanimidade, oferecia ao homem ocasião de penitência e confissão.

Capítulo XXVII – O homem é, por natureza, mortal ou imortal
Poder-se-á dizer: “O homem não foi criado mortal por natureza?” De jeito nenhum. “Então foi criado imortal?” Também não dizemos isso. “Então não foi nada?” Também não dizemos isso. O que afirmamos é que por natureza não foi feito nem mortal, nem imortal. Porque se, desde o princípio, o tivesse criado imortal, o teria feito deus; por outro lado, se o tivesse criado mortal, pareceria que Deus é a causa da morte. Portanto, não o fez mortal, nem imortal, mas, como dissemos antes, capaz de uma coisa e de outra. Assim, se o homem se inclinasse para a imortalidade, guardando o mandamento de Deus, receberia de Deus o galardão da imortalidade e chegaria a ser deus; mas se se voltasse para as coisas da morte, desobedecendo a Deus, seria a causa da morte para si mesmo, porque Deus fez o homem livre e senhor de seus atos. O que o homem atraiu sobre si mesmo por sua negligência e desobediência, agora Deus o presenteou com isso, através de sua benevolência e misericórdia, contanto que o homem lhe obedeça. Do mesmo modo como o homem, desobedecendo, atraiu sobre si a morte, assim também, obedecendo à vontade de Deus que quer, pode adquirir para si a vida eterna. De fato, Deus nos deu lei e mandamentos santos, e todo aquele que os cumpre pode salvar-se e, tendo alcançado a ressurreição, herdar a incorruptibilidade.


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