terça-feira, 23 de junho de 2026

316 SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras)- Interrogações 149-168




316

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 149-168

 

PERGUNTA 149 Qual é a punição para o administrador que agir com favoritismo ou por espírito de discórdia?

Resposta Assim como o Apóstolo ora determina que nada seja feito por preferência pessoal (1Tm 5,21), ora afirma: "Se alguém quiser criar discórdia, nós não temos esse costume, e nem as igrejas de Deus" (1Cor 11,16), quem agir de tal forma deve ser declarado contrário à Igreja de Deus até que se corrija. Deve-se avaliar, com muito critério e cuidado, a competência de cada pessoa antes de lhe confiar qualquer tarefa. Isso evita que aqueles que delegam a função a alguém incapaz sejam condenados como maus gestores das almas e do mandamento do Senhor. Da mesma forma, evita que os escolhidos tentem encontrar desculpas para os seus erros.

PERGUNTA 150 Se alguém, por negligência, deixar de dar a um irmão o que lhe é necessário.

Resposta O seu julgamento revela-se nas palavras do Senhor: "Afastem-se de mim, malditos! Vão para o fogo eterno preparado para o diabo e para os seus anjos. Porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber" (Mt 25,41-42). E ainda: "Maldito aquele que faz com negligência a obra do Senhor" (Jr 48,10).

PERGUNTA 151 Se é permitido falar em voz mais alta durante o trabalho.

Resposta A necessidade de quem escuta é o que determina a intensidade da voz. Se for muito baixa e fraca, assemelha-se a um sussurro e deve ser evitada. Por outro lado, se for mais alta do que o necessário — quando o ouvinte poderia muito bem escutar quem fala em tom moderado —, torna-se uma gritaria reprovável (Ef 4,31). A menos, é claro, que a falta de atenção do ouvinte nos obrigue a falar mais alto para, de certa forma, despertá-lo de seu torpor. Narra-se que o Senhor também agiu assim, como diz o evangelista: "Jesus exclamou em alta voz: Aquele que crê em mim, crê não em mim, mas naquele que me enviou" (Jo 12,44).

PERGUNTA 152 Se alguém, ao chegar a sua vez de servir na cozinha, trabalhar além de suas forças a ponto de ficar impossibilitado de trabalhar habitualmente por alguns dias, convém impor-lhe essa função?

Resposta Já foi dito que o responsável por distribuir as tarefas deve dar as ordens considerando a habilidade e os limites de quem trabalha, para que não se aplique o ditado: "Aquele que cria dificuldades sob a aparência de lei" (Sl 93,20). Por outro lado, quem recebe a ordem não deve contestar, porque o dever da obediência estende-se até a morte.

PERGUNTA 153 Como a encarregada das lãs deve guardá-las, e de que maneira atenderá as que trabalham?

Resposta Ela deve guardar as lãs como se estivesse cuidando de um bem confiado por Deus. Deve também organizar e distribuir o trabalho de cada irmã sem rivalidade nem favoritismo.

PERGUNTA 154 Se os irmãos forem poucos e tiverem que servir a muitas irmãs, de modo que precisem se separar para dividir o trabalho, haverá perigo?

Resposta Se esse serviço é fundamentado no mandamento do Senhor e realizado segundo a vontade de Deus, cada um dos que se dedicam à sua própria tarefa agrada a Deus. A união mútua entre eles consiste em estarem todos unidos no mesmo propósito e em plena harmonia, cumprindo a palavra do Apóstolo: "Porque, embora esteja ausente no corpo, estou presente convosco em espírito" (Cl 2,5).

PERGUNTA 155 Aprendemos que devemos servir aos doentes no hospital como a irmãos do Senhor; mas se aquele que é servido não agir como tal, como devemos tratá-lo?

Resposta O Senhor disse: "Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe" (Mt 12,50). Se alguém não se enquadra nisso, mas se mostra um pecador obstinado, aplicando-se a ele a sentença: "Todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo" (Jo 8,34), essa pessoa precisa, primeiro, receber uma advertência e orientação do superior. Se ela persistir nos mesmos vícios, fica evidente que recai sobre ela a outra frase do Senhor: "O escravo não fica na casa para sempre" (Jo 8,35), bem como a ordem do Apóstolo que determina: "Tirai o perverso do vosso meio" (1Cor 5,13). Dessa forma, quem serve não terá dúvidas sobre como agir e todos os que vivem juntos se sentirão em segurança.

PERGUNTA 156 Se o responsável pelo celeiro ou por uma função semelhante deve ser mantido no cargo, ou se seria bom substituí-lo.

Resposta Se ele demonstra conhecimento das normas e integridade no cumprimento da regra, não há motivo para trocá-lo. Fazer isso seria, na verdade, desgastante e difícil. O ideal é que ele tenha um auxiliar que aprenda a função aos poucos para que, se uma mudança for realmente necessária, não sejamos pegos de surpresa pela falta de um sucessor. Isso evita que sejamos obrigados a colocar alguém despreparado à frente do trabalho que, por falta de experiência, acabe desrespeitando as regras e prejudicando a disciplina.

PERGUNTA 157 Com que atitude se deve servir a Deus; e o que é, em resumo, essa atitude?

Resposta Considero que a atitude correta é a intenção de agradar a Deus de forma intensa, constante, firme e inabalável. Isso se alcança por meio da reflexão consciente e frequente sobre a grandeza da glória de Deus, acompanhada por pensamentos de gratidão e pela lembrança contínua dos bens que Ele nos concedeu. Dessa forma, nasce na alma o amor: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças" (Mc 12,30), como bem disse aquele que escreveu: "Como a corça anseia pelas águas correntes, assim a minha alma suspira por vós, ó Deus" (Sl 41,1). Deus deve ser servido com uma disposição de espírito tamanha que se cumpra a palavra do Apóstolo: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada?" (Rm 8,35).

PERGUNTA 158 Com que atitude se deve receber uma punição?

Resposta Com a mesma atitude de um filho doente e em perigo de vida para com o pai ou o médico que o trata. Mesmo que o remédio seja amargo e doloroso, ele deve estar convencido do amor e da competência de quem o corrige, movido pelo profundo desejo de recuperar a saúde.

PERGUNTA 159 O que se deve pensar de quem fica ressentido com a pessoa que o repreende?

Resposta Essa pessoa não compreende o perigo do pecado, especialmente diante de Deus, nem o valor do arrependimento. Ela não acredita naquele que disse: "Quem ama, corrige" (Pr 13,24) e deixa de receber o benefício desejado por aquele que afirmou: "Se o justo me bate, é um favor; se ele me repreende..." (Sl 140,5). Além disso, ela se torna prejudicial para a comunidade, pois faz com que aqueles que se dedicam a ajudar os outros desanimem de sua missão.

PERGUNTA 160 Com que atitude devemos servir aos irmãos?

Resposta Com a atitude de quem presta serviço ao próprio Senhor, que disse: "Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequenos, foi a mim mesmo que o fizestes" (Mt 25,40). Se as pessoas que recebem essa atenção agirem de forma correta, essa atitude se torna mais fácil. Por isso, os superiores devem cuidar com zelo para que os irmãos não se tornem escravos da gula e dos prazeres, como aqueles que apenas mimam o próprio corpo. Pelo contrário, como amigos de Deus e de Cristo, por meio de uma paciência perfeita à semelhança do justo Jó, eles devem se tornar uma glorificação do Senhor, para a vergonha e derrota do diabo.

PERGUNTA 161 Com que humildade se deve receber um serviço prestado por um irmão?

Resposta Com a mesma humildade com que um servo recebe o serviço de seu senhor, e com a atitude demonstrada por Pedro quando o Senhor o servia; exemplo pelo qual aprendemos também o grave perigo em que incorrem aqueles que se recusam a aceitar um serviço.

PERGUNTA 162 Como deve ser o amor e a caridade para com os outros?

Resposta Conforme o Senhor mostrou e ensinou quando disse: "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei" (Jo 15,12). "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos" (Jo 15,13). Se devemos estar prontos para dar até a nossa própria vida, quanto mais precisamos demonstrar boa vontade e disposição nas pequenas coisas do dia a dia; não por obrigação humana, mas com o objetivo de agradar a Deus e promover o bem de todos.

PERGUNTA 163 De que modo alguém deve praticar o amor e a caridade para com o próximo?

Resposta Primeiro, se tiver temor ao julgamento daqueles que desobedecem ao mandamento do Senhor, que disse: "Quem não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus" (Jo 3,36). Segundo, se estiver em busca da vida eterna, pois: "O seu mandamento é a vida eterna" (Jo 12,50). "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças. Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 22,37-39).

Depois, se desejar parecer-se com o Senhor, que disse: "Dou-vos um novo mandamento: Que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei" (Jo 13,34).

Finalmente, se guardar os seguintes pensamentos: se o nosso irmão nos faz o bem, devemos a ele — até por uma questão de humanidade — aquele amor que os próprios pagãos praticam, conforme a afirmação do Senhor no Evangelho: "Se amais os que vos amam, que recompensa mereceis? Também os pecadores amam aqueles que os amam" (Lc 6,32). Por outro lado, se ele nos faz o mal, ainda assim devemos amá-lo; não apenas por causa do mandamento, mas porque ele se torna um benfeitor ainda maior para nós, caso acreditemos no Senhor, que disse: "Bem-aventurados sois vós quando vos caluniarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos céus" (Mt 5,11-12).

PERGUNTA 164 O que quer dizer: "Não julgueis e não sereis julgados" (Lc 6,37)?

Resposta Como o Senhor disse: "Não julgueis e não sereis julgados", mas também ordena que se julgue "segundo a reta justiça" (Jo 7,24), Ele não proíbe inteiramente o julgamento, mas nos ensina a distinguir entre os diferentes tipos de juízo. O Apóstolo nos ensinou claramente o que convém e o que não convém julgar. Quanto àquilo que está no poder de escolha de cada um e não foi prescrito na Escritura, ele diz: "Por que julgas o teu irmão?" (Rm 14,10), e ainda: "Cessemos, pois, de julgar uns aos outros" (Rm 14,13). No entanto, relativamente àquilo que desagrada a Deus, o Apóstolo condena os que não julgam e apresenta-lhes o seu próprio julgamento: "Pois eu, em verdade, ainda que ausente em corpo, mas presente em espírito, já julguei, como se estivesse presente, aquele que assim se comportou. Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo — reunidos vós e o meu espírito com o poder de Nosso Senhor Jesus —, seja este homem entregue a Satanás para a destruição de sua carne, a fim de que o seu espírito seja salvo no dia de Nosso Senhor Jesus" (1Cor 5,3-5).

Portanto, se alguma coisa depende do arbítrio de cada um ou, por vezes, é incerta, não devemos julgar o irmão por isso, conforme o que o Apóstolo diz a respeito do que se ignora: "Não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. Ele trará à luz o que está escondido nas trevas e manifestará as intenções dos corações" (1Cor 4,5). Por outro lado, é de absoluta necessidade defender os julgamentos de Deus, para que aquele que se cala não fique sujeito à ira divina; a não ser que a pessoa, por praticar o mesmo erro que censura no outro, não tenha coerência para julgar o irmão, ouvindo o Senhor que diz: "Tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão" (Mt 7,5).

PERGUNTA 165

Como pode alguém saber se é por zelo de Deus que se irrita contra o irmão que pecou, ou por ira?

 

Resposta

Se sentir contra qualquer pecado aquilo que foi escrito: Sinto-me esgotado pelo zelo ao ver meus inimigos esquecerem vossas palavras (Sl 118,139), é claro que possui o zelo de Deus. Mas também aqui é necessária uma inteligente sabedoria, para a construção da fé. Se não houver previamente esta disposição que mova o coração, suas atitudes serão inconstantes e não se alcançará o objetivo da devoção.

 

PERGUNTA 166

Com que postura se deve ouvir quem pede com insistência para obedecermos ao mandamento?

 

Resposta

Com a mesma pressa com que o menino com fome obedece a quem o chama para comer; e como o homem que procura o seu sustento atende a quem lhe oferece o alimento; e muito mais ainda, já que a vida eterna vale mais do que a vida de agora. Pois o mandamento de Deus, diz o Senhor, é vida eterna (Jo 12,50). O que o comer representa para o pão, a prática da boa ação representa para o mandamento, conforme o que diz o Senhor: Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou, o Pai (Jo 4,34)

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PERGUNTA 167

Como deve ser o coração de quem for considerado digno de trabalhar na obra de Deus?

 

Resposta

Deve ser como o de quem dizia: Quem sou eu, ó meu Senhor, e qual é a minha família, para que me ame tanto? (2Sm 7,18). Deve viver o que foi escrito: Agradeçam ao Pai, que nos tornou capazes de participar da herança dos santos na luz. Ele nos arrancou do poder das trevas e nos transferiu para o reino de seu Filho muito amado (Cl 1,12-13).

 

PERGUNTA 168

Com que atitude deve ser recebida o hábito (a roupa) e o calçado, sejam quais forem?

 

Resposta

Se o tamanho for maior ou menor, explique a sua necessidade com educação e equilíbrio. Se, porém, você não gostar da roupa pela má qualidade ou por não ser nova, lembre-se do Senhor que disse: O trabalhador — e não qualquer pessoa de fora — merece o seu sustento (Mt 10,10). Examine-se a si mesmo se você tem feito algo à altura dos mandamentos do Senhor ou de Suas promessas. Assim, você não reclamará de nada; pelo contrário, ficará sem graça com o que receber, achando que está ganhando mais do que merece. Como regra geral, para todas as necessidades do corpo, vale o mesmo que já foi ensinado sobre a alimentação.

1. Qual ensinamento ou frase desse texto mais chamou a sua atenção e por quê?

2. Como você pode colocar essa mensagem em prática na sua vida espiritual?

3. De que forma esse texto desafia ou fortalece a nossa missão e os nossos valores aqui na OESI?

 


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