sábado, 27 de junho de 2026

317 - SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 167-184

 

 

317

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 167-184

 

Pergunta 169

Como deve agir um irmão mais novo quando precisar orientar alguém mais velho?

Resposta

Deve agir encarando sua orientação como uma missão dada por Deus. Ele deve realizá-la com muito cuidado e seriedade, temendo a advertência bíblica: "Maldito aquele que faz o trabalho do Senhor com desleixo" (Jeremias 48:10). Além disso, deve agir com humildade, para não se tornar orgulhoso e acabar caindo na mesma condenação que o diabo (1 Timóteo 3:6).

 

Pergunta 170

Devemos tratar da mesma forma aqueles que agem corretamente e aqueles que não agem tão bem?

Resposta

Acredito que, para tratar de todos, devemos seguir o que o Senhor ensinou sobre o perdão dos pecados: "Seus muitos pecados foram perdoados, porque ela demonstrou muito amor. Mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama" (Lucas 7:47). Devemos seguir também a instrução do Apóstolo sobre os líderes da igreja: "Os líderes que cumprem bem a sua função são dignos de receber honra em dobro, especialmente aqueles que se dedicam à pregação e ao ensino" (1 Timóteo 5:17). Portanto, na minha visão, devemos aplicar esse mesmo critério em todas as situações semelhantes.

 

Pergunta 171

Como devemos tratar um subordinado que se sente chateado por alguém mais piedoso ser preferido a ele?

Resposta

Essa atitude é claramente reprovável por causa da inveja, conforme a parábola do Evangelho, na qual o Senhor responde àqueles que ficaram tristes porque outros receberam o mesmo prêmio que eles: "Acaso você está com inveja porque eu sou bom?" (Mateus 20:15). Deve-se deixar claro para ele e para os que pensam da mesma forma o que Deus diz através do profeta: "Ele despreza o perverso, mas honra os que temem ao Senhor" (Salmo 15:4).

 

Pergunta 172

Com que temor, convicção e atitude devemos receber o corpo e o sangue de Cristo?

Resposta

Sobre o temor, o Apóstolo nos ensinou ao dizer: "Aquele que come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe a própria condenação" (1 Coríntios 11:29).

Sobre a convicção, ela nasce da fé nas palavras do Senhor, que disse: "Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim" (Lucas 22:19). Ela vem também do testemunho de João, que narra a glória de Deus e o modo como ele se tornou homem: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória..." (João 1:14). E do Apóstolo, que escreveu sobre Cristo: "Sendo ele de condição divina, não se apegou a essa igualdade com Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens" (Filipenses 2:6-7). Quando a alma acredita nestas palavras, ela compreende a grandeza da glória de Deus e se admira diante de tanta humildade e obediência. Ele, sendo tão grande, obedeceu ao Pai até a morte para nos dar a vida.

Sobre a atitude, acredito que a pessoa deve se aproximar com amor a Deus, o Pai, que "não poupou o seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós" (Romanos 8:32), e com amor ao seu Filho, que obedeceu até a morte para nossa salvação. Assim, poderá seguir a regra do Apóstolo: "O amor de Cristo nos impulsiona, considerando que, se um só morreu por todos, todos morreram. Cristo morreu por todos, para que os que vivem já não vivam para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou" (2 Coríntios 5:14-15). Esta é a atitude e a preparação adequada para quem participa do pão e do cálice.

 

Pergunta 173

É permitido conversar sobre assuntos comuns durante o momento da salmodia (oração cantada) em casa?

Resposta

Não convém. A única exceção é para aqueles que possuem a responsabilidade de organizar as atividades e garantir a ordem, caso surja uma necessidade urgente. Mesmo assim, isso não deve ser feito de qualquer jeito, mas com respeito ao local, à disciplina e à reverência, evitando causar qualquer escândalo. Para todos os outros, o silêncio é obrigatório. Se, até mesmo durante uma pregação e entre aqueles que têm o dom de ensinar, o Apóstolo orienta que "se algo for revelado a outro, o primeiro deve calar-se" (1 Coríntios 14:30), quanto mais o silêncio não é necessário para todos os demais durante o tempo da salmodia?

 

Pergunta 174

Como alguém pode praticar os mandamentos do Senhor com ânimo e grande desejo?

Resposta

Por natureza, nossa alma tende a desejar aquilo que consideramos agradável, útil ou que esperamos que nos faça bem. Por isso, para ter esse desejo pelos mandamentos, é preciso primeiro "odiar a iniquidade" (Salmo 119:163) e purificar-se de todo pecado. O pecado age como uma doença: assim como um corpo doente perde o apetite e sente repulsa pela comida, a alma carregada de pecado sente preguiça e lentidão para cumprir os ensinamentos de Deus. Quando a pessoa se limpa do pecado e se convence de que os mandamentos de Deus são o caminho para a vida eterna — e que as promessas de Deus são totalmente confiáveis — ela passa a ter a mesma atitude daquele que disse: "Os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente justos. São mais desejáveis que o ouro, até mesmo que muito ouro fino, e são mais doces que o mel, que o puro mel dos favos. Por isso, o vosso servo os guarda com todo o cuidado" (Salmo 19:9-11).

 

Pergunta 175

Como podemos demonstrar que amamos o irmão conforme o mandamento do Senhor, e como podemos saber se não o amamos desta forma?

Resposta

O amor verdadeiro (caridade) possui dois sinais principais: preocupar-se e entristecer-se com aquilo que prejudica a pessoa amada, e alegrar-se com o seu bem-estar, esforçando-se para ajudá-la. É feliz aquele que chora pelo irmão que peca, pois o seu perigo é grave; e aquele que se alegra com quem age corretamente, pois a sua recompensa é incomparável, como está escrito. O Apóstolo Paulo confirma isso ao dizer: "Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os membros se alegram com ele" (1 Coríntios 12:26), sempre seguindo o princípio do amor em Cristo. Quem não possui esse sentimento, certamente não ama o seu irmão como deveria.

 

Pergunta 176

Quais inimigos temos o dever de amar? Como devemos amá-los: apenas ajudando-os ou também com sentimentos? E isso é possível?

Resposta

O inimigo é, por natureza, alguém que busca prejudicar e armar ciladas. Qualquer um que cause dano a outro pode ser considerado um inimigo, especialmente quem vive na prática do pecado, pois prejudica de diversas formas aqueles que convivem com ele. Como o ser humano é composto de corpo e alma, devemos amá-los destas duas formas: Quanto à alma: Amamos ao repreender, aconselhar e fazer de tudo para levá-los à conversão. Quanto ao corpo: Amamos ao oferecer ajuda e benefícios caso lhes falte o necessário para viver. O amor verdadeiro depende da disposição do nosso coração. O Senhor nos mostrou que isso é possível através do seu próprio exemplo: Ele demonstrou amor e obediência ao Pai ao morrer pelos seus inimigos, e não apenas pelos seus amigos. Como testemunha o Apóstolo: "Mas Deus prova o seu amor para conosco, pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5:8-9). Ele nos exorta a fazer o mesmo: "Sejam, pois, imitadores de Deus, como filhos amados. Vivam em amor, como Cristo que nos amou e se entregou por nós" (Efésios 5:1-2). Deus, sendo bom e justo, não nos daria esse mandamento se não fosse possível cumpri-lo; Ele o tornou parte da nossa própria natureza. Afinal, até os animais amam naturalmente quem lhes faz o bem. Além disso, que amigo nos daria um benefício tão grande quanto os nossos inimigos? Eles nos proporcionam a chance de alcançar a bem-aventurança que o Senhor anunciou: "Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem, e vos perseguirem, e disserem todo o mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus" (Mateus 5:11-12).

 

Pergunta 177

Como os mais fortes devem "carregar as fraquezas dos fracos" (Romanos 15:1)?

Resposta

"Carregar" aqui pode ser entendido no sentido de eliminar e curar. É como está escrito sobre Cristo: "Ele tomou sobre si as nossas fraquezas e carregou com as nossas dores" (Isaías 53:4). Isso não significa que Ele tenha assumido essas fraquezas para si, mas que Ele curou aqueles que estavam doentes. Da mesma forma, esse ensinamento se aplica ao modo como ajudamos uns aos outros: os mais fortes devem cuidar dos mais fracos, auxiliando-os no processo de cura e de superação de suas dificuldades, com paciência e dedicação.

 

Pergunta 178

O que significa a passagem: "Ajuda-vos uns aos outros a levar os vossos fardos" (Gálatas 6:2)? E qual lei cumprimos ao fazer isso?

Resposta

O significado é o mesmo que explicamos anteriormente. O "fardo" pesado é, na verdade, o pecado, que arrasta a alma para a perdição. Nós "tiramos" ou "apagamos" o pecado dos outros quando ajudamos esses pecadores a se arrependerem e buscarem a conversão. O uso da palavra "levar" no texto, em vez de "tirar", era uma forma comum de falar entre os habitantes daquela região. Ao fazer isso, cumprimos a lei de Cristo, que disse: "Não vim chamar os justos ao arrependimento, mas sim os pecadores" (Lucas 5:32). Além disso, obedecemos à regra que Ele nos deixou: "Se o teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste o teu irmão" (Mateus 18:15).

 

Pergunta 179

Como é possível que alguém que não possui o amor verdadeiro (caridade) tenha fé suficiente para mover montanhas, dê todos os seus bens aos pobres ou até entregue o próprio corpo para ser queimado?

Resposta

Se lembrarmos do que o Senhor disse sobre aqueles que fazem boas obras apenas "para serem vistos pelos homens" (Mateus 6:5), e da resposta que Ele dará aos que disserem: "Senhor, não profetizamos nós em teu nome, não expulsamos demônios e não fizemos muitos milagres?" (Mateus 7:22) — quando Ele dirá que não os conhece — entenderemos facilmente a questão. Eles não mentiram sobre os milagres, mas usaram os dons de Deus para satisfazer a própria vontade, o que é contrário ao amor de Deus. Não é de se espantar que alguém indigno receba um dom de Deus. Como Deus é bom e paciente, Ele faz o sol nascer sobre os bons e sobre os maus (Mateus 5:45). Muitas vezes, Ele concede esses dons para o bem da própria pessoa, esperando que, ao ver a bondade de Deus, ela se sinta inspirada a mudar e a agradá-Lo. Outras vezes, concede para o bem dos outros, como disse o Apóstolo Paulo: "É verdade que alguns pregam a Cristo por inveja e discórdia, mas outros fazem isso com boas intenções". E, pouco depois, acrescenta: "Mas não importa; de qualquer modo, seja por motivos falsos ou por sinceridade, Cristo está sendo anunciado, e isso me alegra" (Filipenses 1:15-18).

 

Pergunta 180

Com que atitude e atenção devemos ouvir a leitura durante as refeições?

Resposta

Devemos ouvir com um prazer ainda maior do que aquele que sentimos ao comer e beber. Isso serve para que a nossa mente não se distraia apenas com o prazer do corpo, mas se delicie com as palavras do Senhor. Devemos adotar a mesma disposição daquele que escreveu: "Elas são mais doces que o mel, que o puro mel dos favos" (Salmo 19:10).

 

Pergunta 181

Se existirem duas comunidades de irmãos vizinhas, sendo uma muito pobre e a outra tendo condições, mas que dificilmente ajuda a primeira, como a comunidade pobre deve se comportar?

Resposta

Como é possível que aqueles que foram instruídos a dar, por amor a Cristo, até a própria vida pelos outros, sejam tão mesquinhos com as necessidades materiais? É um sinal de que, de certa forma, esqueceram-se daquele que disse: "Tive fome e não me destes de comer" (Mateus 25:42). Se isso acontecer, os membros da comunidade pobre devem suportar a situação com paciência, seguindo o exemplo de Lázaro, convencidos de que serão consolados na vida futura.

 

Pergunta 182

Quais sinais demonstram que existe compaixão real em alguém que repreende um irmão que pecou?

Resposta

Existem dois frutos principais que comprovam essa compaixão: A solidariedade no sofrimento: Conforme ensinou o Apóstolo Paulo: "Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele" (1 Coríntios 12:26) e "Quem tropeça, que eu não me sinta também atingido?" (2 Coríntios 11:29). A compaixão se manifesta quando o sofrimento do outro é sentido como próprio. O zelo pela correção: Manifesta-se quando a pessoa realmente se entristece, angustia-se e lamenta profundamente ao ver o pecado, seja ele cometido contra si mesma ou contra outros. Além disso, ao fazer a correção, ela deve agir sempre seguindo o modo e a tradição que o Senhor nos deixou, sem desvios.

 

Pergunta 183

Se houver um desentendimento entre pessoas que vivem em comunidade, é correto concordar com elas apenas para manter a harmonia (a caridade)?

Resposta

Devemos olhar para o que o Senhor pediu: "Pai, faze que, assim como eu e tu somos um, também eles sejam um em nós" (João 17:21). O Apóstolo Paulo também escreveu sobre ter "uma só alma e os mesmos pensamentos" (Filipenses 2:2), e o livro de Atos descreve que "a multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma" (Atos 4:32). Portanto, aqueles que criam discórdia e divisões estão agindo contra esses princípios de unidade. A verdadeira caridade deve ser sensata e baseada na razão, lembrando que "quem ama, corrige no momento certo" (Provérbios 13:24). Já a caridade que se afasta da razão — ou seja, aquela que busca apenas agradar pessoas em vez de buscar a verdade — é condenável. O Senhor foi claro ao dizer: "Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim" (Mateus 10:37). Ou seja, não podemos colocar o agrado humano acima dos mandamentos de Deus.

 

Pergunta 184

Como alguém, ao exortar ou repreender, pode não apenas falar com sabedoria, mas também manter a atitude correta diante de Deus e das pessoas com quem fala?

Resposta

Se a pessoa se lembrar do que o Apóstolo Paulo disse: "Os homens devem nos considerar simples servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus" (1 Coríntios 4:1), ela não apresentará o conhecimento como se fosse seu ou por autoridade própria. Pelo contrário, falará com temor e respeito diante de Deus, como um servo encarregado de cuidar de almas que foram salvas pelo sangue de Cristo. Isso significa agir conforme o que está escrito: "Falamos não para agradar aos homens, mas a Deus, que sonda os nossos corações" (1 Tessalonicenses 2:4). E, ao tratar com os ouvintes, deve agir com carinho e compaixão, seguindo o exemplo dado pelo Apóstolo: "Como uma mãe que cuida com ternura dos filhos que amamenta, assim, pelo afeto que temos por vós, desejávamos compartilhar convosco não apenas o Evangelho de Deus, mas até a nossa própria vida" (1 Tessalonicenses 2:7-8).

 

1.      O que você destaca no texto?

2.      Como serve para a sua espiritualidade?

3.      De que forma esse texto desafia ou fortalece a nossa missão e os nossos valores aqui na OESI?

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