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SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA
(330-379)
Regra Monástica – Asketikon - As
Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 167-184
Pergunta 169
Como deve agir um irmão mais novo
quando precisar orientar alguém mais velho?
Resposta
Deve agir encarando sua orientação
como uma missão dada por Deus. Ele deve realizá-la com muito cuidado e
seriedade, temendo a advertência bíblica: "Maldito aquele que faz o
trabalho do Senhor com desleixo" (Jeremias 48:10). Além disso, deve
agir com humildade, para não se tornar orgulhoso e acabar caindo na mesma
condenação que o diabo (1 Timóteo 3:6).
Pergunta 170
Devemos tratar da mesma forma
aqueles que agem corretamente e aqueles que não agem tão bem?
Resposta
Acredito que, para tratar de todos,
devemos seguir o que o Senhor ensinou sobre o perdão dos pecados: "Seus
muitos pecados foram perdoados, porque ela demonstrou muito amor. Mas aquele a
quem pouco se perdoa, pouco ama" (Lucas 7:47). Devemos seguir também a
instrução do Apóstolo sobre os líderes da igreja: "Os líderes que
cumprem bem a sua função são dignos de receber honra em dobro, especialmente
aqueles que se dedicam à pregação e ao ensino" (1 Timóteo 5:17).
Portanto, na minha visão, devemos aplicar esse mesmo critério em todas as
situações semelhantes.
Pergunta 171
Como devemos tratar um subordinado
que se sente chateado por alguém mais piedoso ser preferido a ele?
Resposta
Essa atitude é claramente
reprovável por causa da inveja, conforme a parábola do Evangelho, na qual o
Senhor responde àqueles que ficaram tristes porque outros receberam o mesmo
prêmio que eles: "Acaso você está com inveja porque eu sou bom?"
(Mateus 20:15). Deve-se deixar claro para ele e para os que pensam da mesma
forma o que Deus diz através do profeta: "Ele despreza o perverso, mas
honra os que temem ao Senhor" (Salmo 15:4).
Pergunta 172
Com que temor, convicção e atitude
devemos receber o corpo e o sangue de Cristo?
Resposta
Sobre o temor, o Apóstolo nos ensinou ao dizer: "Aquele
que come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe a própria condenação"
(1 Coríntios 11:29).
Sobre a convicção, ela nasce da fé nas palavras do
Senhor, que disse: "Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto
em memória de mim" (Lucas 22:19). Ela vem também do testemunho de
João, que narra a glória de Deus e o modo como ele se tornou homem: "E
o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória..."
(João 1:14). E do Apóstolo, que escreveu sobre Cristo: "Sendo ele de
condição divina, não se apegou a essa igualdade com Deus, mas esvaziou-se a si
mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens"
(Filipenses 2:6-7). Quando a alma acredita nestas palavras, ela compreende a
grandeza da glória de Deus e se admira diante de tanta humildade e obediência.
Ele, sendo tão grande, obedeceu ao Pai até a morte para nos dar a vida.
Sobre a atitude, acredito que a pessoa deve se
aproximar com amor a Deus, o Pai, que "não poupou o seu próprio Filho,
mas o entregou por todos nós" (Romanos 8:32), e com amor ao seu Filho,
que obedeceu até a morte para nossa salvação. Assim, poderá seguir a regra do
Apóstolo: "O amor de Cristo nos impulsiona, considerando que, se um só
morreu por todos, todos morreram. Cristo morreu por todos, para que os que
vivem já não vivam para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e
ressuscitou" (2 Coríntios 5:14-15). Esta é a atitude e a preparação
adequada para quem participa do pão e do cálice.
Pergunta 173
É permitido conversar sobre
assuntos comuns durante o momento da salmodia (oração cantada) em casa?
Resposta
Não convém. A única exceção é para
aqueles que possuem a responsabilidade de organizar as atividades e garantir a
ordem, caso surja uma necessidade urgente. Mesmo assim, isso não deve ser feito
de qualquer jeito, mas com respeito ao local, à disciplina e à reverência,
evitando causar qualquer escândalo. Para todos os outros, o silêncio é
obrigatório. Se, até mesmo durante uma pregação e entre aqueles que têm o dom
de ensinar, o Apóstolo orienta que "se algo for revelado a outro, o
primeiro deve calar-se" (1 Coríntios 14:30), quanto mais o silêncio não é
necessário para todos os demais durante o tempo da salmodia?
Pergunta 174
Como alguém pode praticar os
mandamentos do Senhor com ânimo e grande desejo?
Resposta
Por natureza, nossa alma tende a
desejar aquilo que consideramos agradável, útil ou que esperamos que nos faça
bem. Por isso, para ter esse desejo pelos mandamentos, é preciso primeiro
"odiar a iniquidade" (Salmo 119:163) e purificar-se de todo pecado. O
pecado age como uma doença: assim como um corpo doente perde o apetite e sente
repulsa pela comida, a alma carregada de pecado sente preguiça e lentidão para
cumprir os ensinamentos de Deus. Quando a pessoa se limpa do pecado e se
convence de que os mandamentos de Deus são o caminho para a vida eterna — e que
as promessas de Deus são totalmente confiáveis — ela passa a ter a mesma
atitude daquele que disse: "Os juízos do Senhor são verdadeiros e todos
igualmente justos. São mais desejáveis que o ouro, até mesmo que muito ouro
fino, e são mais doces que o mel, que o puro mel dos favos. Por isso, o vosso
servo os guarda com todo o cuidado" (Salmo 19:9-11).
Pergunta 175
Como podemos demonstrar que amamos
o irmão conforme o mandamento do Senhor, e como podemos saber se não o amamos
desta forma?
Resposta
O amor verdadeiro (caridade) possui
dois sinais principais: preocupar-se e entristecer-se com aquilo que prejudica
a pessoa amada, e alegrar-se com o seu bem-estar, esforçando-se para ajudá-la. É
feliz aquele que chora pelo irmão que peca, pois o seu perigo é grave; e aquele
que se alegra com quem age corretamente, pois a sua recompensa é incomparável,
como está escrito. O Apóstolo Paulo confirma isso ao dizer: "Se um
membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os
membros se alegram com ele" (1 Coríntios 12:26), sempre seguindo o
princípio do amor em Cristo. Quem não possui esse sentimento, certamente não
ama o seu irmão como deveria.
Pergunta 176
Quais inimigos temos o dever de
amar? Como devemos amá-los: apenas ajudando-os ou também com sentimentos? E
isso é possível?
Resposta
O inimigo é, por natureza, alguém
que busca prejudicar e armar ciladas. Qualquer um que cause dano a outro pode
ser considerado um inimigo, especialmente quem vive na prática do pecado, pois
prejudica de diversas formas aqueles que convivem com ele. Como o ser humano é
composto de corpo e alma, devemos amá-los destas duas formas: Quanto à alma:
Amamos ao repreender, aconselhar e fazer de tudo para levá-los à conversão. Quanto
ao corpo: Amamos ao oferecer ajuda e benefícios caso lhes falte o
necessário para viver. O amor verdadeiro depende da disposição do nosso
coração. O Senhor nos mostrou que isso é possível através do seu próprio
exemplo: Ele demonstrou amor e obediência ao Pai ao morrer pelos seus inimigos,
e não apenas pelos seus amigos. Como testemunha o Apóstolo: "Mas Deus
prova o seu amor para conosco, pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo
nós ainda pecadores" (Romanos 5:8-9). Ele nos exorta a fazer o mesmo: "Sejam,
pois, imitadores de Deus, como filhos amados. Vivam em amor, como Cristo que
nos amou e se entregou por nós" (Efésios 5:1-2). Deus, sendo bom e
justo, não nos daria esse mandamento se não fosse possível cumpri-lo; Ele o
tornou parte da nossa própria natureza. Afinal, até os animais amam
naturalmente quem lhes faz o bem. Além disso, que amigo nos daria um benefício
tão grande quanto os nossos inimigos? Eles nos proporcionam a chance de
alcançar a bem-aventurança que o Senhor anunciou: "Bem-aventurados sois
vós, quando vos injuriarem, e vos perseguirem, e disserem todo o mal contra vós
por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos
céus" (Mateus 5:11-12).
Pergunta 177
Como os mais fortes devem
"carregar as fraquezas dos fracos" (Romanos 15:1)?
Resposta
"Carregar" aqui pode ser
entendido no sentido de eliminar e curar. É como está escrito sobre Cristo: "Ele
tomou sobre si as nossas fraquezas e carregou com as nossas dores"
(Isaías 53:4). Isso não significa que Ele tenha assumido essas fraquezas para
si, mas que Ele curou aqueles que estavam doentes. Da mesma forma, esse
ensinamento se aplica ao modo como ajudamos uns aos outros: os mais fortes
devem cuidar dos mais fracos, auxiliando-os no processo de cura e de superação
de suas dificuldades, com paciência e dedicação.
Pergunta 178
O que significa a passagem: "Ajuda-vos
uns aos outros a levar os vossos fardos" (Gálatas 6:2)? E qual lei
cumprimos ao fazer isso?
Resposta
O significado é o mesmo que
explicamos anteriormente. O "fardo" pesado é, na verdade, o pecado,
que arrasta a alma para a perdição. Nós "tiramos" ou
"apagamos" o pecado dos outros quando ajudamos esses pecadores a se
arrependerem e buscarem a conversão. O uso da palavra "levar" no
texto, em vez de "tirar", era uma forma comum de falar entre os
habitantes daquela região. Ao fazer isso, cumprimos a lei de Cristo, que disse:
"Não vim chamar os justos ao arrependimento, mas sim os pecadores"
(Lucas 5:32). Além disso, obedecemos à regra que Ele nos deixou: "Se o
teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir,
ganhaste o teu irmão" (Mateus 18:15).
Pergunta 179
Como é possível que alguém que não
possui o amor verdadeiro (caridade) tenha fé suficiente para mover montanhas,
dê todos os seus bens aos pobres ou até entregue o próprio corpo para ser
queimado?
Resposta
Se lembrarmos do que o Senhor disse
sobre aqueles que fazem boas obras apenas "para serem vistos pelos
homens" (Mateus 6:5), e da resposta que Ele dará aos que disserem: "Senhor,
não profetizamos nós em teu nome, não expulsamos demônios e não fizemos muitos
milagres?" (Mateus 7:22) — quando Ele dirá que não os conhece —
entenderemos facilmente a questão. Eles não mentiram sobre os milagres, mas
usaram os dons de Deus para satisfazer a própria vontade, o que é contrário ao
amor de Deus. Não é de se espantar que alguém indigno receba um dom de Deus.
Como Deus é bom e paciente, Ele faz o sol nascer sobre os bons e sobre os maus
(Mateus 5:45). Muitas vezes, Ele concede esses dons para o bem da própria
pessoa, esperando que, ao ver a bondade de Deus, ela se sinta inspirada a mudar
e a agradá-Lo. Outras vezes, concede para o bem dos outros, como disse o
Apóstolo Paulo: "É verdade que alguns pregam a Cristo por inveja e
discórdia, mas outros fazem isso com boas intenções". E, pouco depois,
acrescenta: "Mas não importa; de qualquer modo, seja por motivos falsos
ou por sinceridade, Cristo está sendo anunciado, e isso me alegra"
(Filipenses 1:15-18).
Pergunta 180
Com que atitude e atenção devemos
ouvir a leitura durante as refeições?
Resposta
Devemos ouvir com um prazer ainda
maior do que aquele que sentimos ao comer e beber. Isso serve para que a nossa
mente não se distraia apenas com o prazer do corpo, mas se delicie com as
palavras do Senhor. Devemos adotar a mesma disposição daquele que escreveu: "Elas
são mais doces que o mel, que o puro mel dos favos" (Salmo 19:10).
Pergunta 181
Se existirem duas comunidades de
irmãos vizinhas, sendo uma muito pobre e a outra tendo condições, mas que
dificilmente ajuda a primeira, como a comunidade pobre deve se comportar?
Resposta
Como é possível que aqueles que
foram instruídos a dar, por amor a Cristo, até a própria vida pelos outros,
sejam tão mesquinhos com as necessidades materiais? É um sinal de que, de certa
forma, esqueceram-se daquele que disse: "Tive fome e não me destes de
comer" (Mateus 25:42). Se isso acontecer, os membros da comunidade
pobre devem suportar a situação com paciência, seguindo o exemplo de Lázaro,
convencidos de que serão consolados na vida futura.
Pergunta 182
Quais sinais demonstram que existe
compaixão real em alguém que repreende um irmão que pecou?
Resposta
Existem dois frutos principais que
comprovam essa compaixão: A solidariedade no sofrimento: Conforme
ensinou o Apóstolo Paulo: "Se um membro sofre, todos os membros sofrem
com ele" (1 Coríntios 12:26) e "Quem tropeça, que eu não me
sinta também atingido?" (2 Coríntios 11:29). A compaixão se manifesta
quando o sofrimento do outro é sentido como próprio. O zelo pela correção:
Manifesta-se quando a pessoa realmente se entristece, angustia-se e lamenta
profundamente ao ver o pecado, seja ele cometido contra si mesma ou contra
outros. Além disso, ao fazer a correção, ela deve agir sempre seguindo o modo e
a tradição que o Senhor nos deixou, sem desvios.
Pergunta 183
Se houver um desentendimento entre
pessoas que vivem em comunidade, é correto concordar com elas apenas para
manter a harmonia (a caridade)?
Resposta
Devemos olhar para o
que o Senhor pediu: "Pai, faze que, assim como eu e tu somos um, também
eles sejam um em nós" (João 17:21). O Apóstolo Paulo também escreveu
sobre ter "uma só alma e os mesmos pensamentos" (Filipenses
2:2), e o livro de Atos descreve que "a multidão dos fiéis era um só
coração e uma só alma" (Atos 4:32). Portanto, aqueles que criam
discórdia e divisões estão agindo contra esses princípios de unidade. A
verdadeira caridade deve ser sensata e baseada na razão, lembrando que "quem
ama, corrige no momento certo" (Provérbios 13:24). Já a caridade que
se afasta da razão — ou seja, aquela que busca apenas agradar pessoas em vez de
buscar a verdade — é condenável. O Senhor foi claro ao dizer: "Quem ama
seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim" (Mateus
10:37). Ou seja, não podemos colocar o agrado humano acima dos mandamentos de
Deus.
Pergunta 184
Como alguém, ao
exortar ou repreender, pode não apenas falar com sabedoria, mas também manter a
atitude correta diante de Deus e das pessoas com quem fala?
Resposta
Se a pessoa se
lembrar do que o Apóstolo Paulo disse: "Os homens devem nos considerar
simples servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus"
(1 Coríntios 4:1), ela não apresentará o conhecimento como se fosse seu ou por
autoridade própria. Pelo contrário, falará com temor e respeito diante de Deus,
como um servo encarregado de cuidar de almas que foram salvas pelo sangue de
Cristo. Isso significa agir conforme o que está escrito: "Falamos não
para agradar aos homens, mas a Deus, que sonda os nossos corações" (1
Tessalonicenses 2:4). E, ao tratar com os ouvintes, deve agir com carinho e
compaixão, seguindo o exemplo dado pelo Apóstolo: "Como uma mãe que
cuida com ternura dos filhos que amamenta, assim, pelo afeto que temos por vós,
desejávamos compartilhar convosco não apenas o Evangelho de Deus, mas até a
nossa própria vida" (1 Tessalonicenses 2:7-8).
1.
O
que você destaca no texto?
2.
Como
serve para a sua espiritualidade?
3.
De
que forma esse texto desafia ou fortalece a nossa missão e os nossos valores
aqui na OESI?
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