quarta-feira, 17 de junho de 2026

315 SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 138-148

 

Frei Leopoldo, Kris, Luiz, Genisson, Edson e Marisa


315

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 138-148

 

PERGUNTA 138 Se na comunidade será permitido a alguém jejuar ou fazer vigílias mais do que os outros, por iniciativa própria.

 

Resposta Tendo dito o Senhor: "Desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou, o Pai" (Jo 6,38), tudo o que alguém fizer por vontade própria, sendo uma escolha isolada de quem o faz, é contrário à devoção; essa pessoa deve temer ouvir de Deus o seguinte: "Teus desejos se voltarão para ti e tu os dominarás" (Gn 3,16).

Querer fazer mais do que os outros, mesmo nas coisas boas, é uma rivalidade prejudicial que nasce da vaidade. O Apóstolo mostra que isso é proibido ao dizer: "Não ousamos nos comparar com alguns que elogiam a si mesmos" (2Cor 10,12). Por isso, deixando de lado as próprias vontades e o desejo de parecer que fazemos melhor do que os outros, devemos obedecer ao Apóstolo, que aconselha e diz: "Quer comais, quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (1Cor 10,31).

A disputa, a vaidade e o orgulho próprio são absolutamente contrários aos que lutam honestamente o bom combate. Por isso, a Escritura diz: "Não sejamos cheios de vaidade" (Gl 5,26) ou: "Se alguém quiser criar polêmica, nós não temos esse costume, nem as igrejas de Deus" (1Cor 11,16) e, em outro lugar: "Não devemos procurar agradar a nós mesmos" (Rm 15,1), acrescentando palavras ainda mais impactantes: "Cristo não buscou o próprio agrado" (Rm 15,3).

Se alguém notar que precisa ser mais rigoroso em relação ao jejum, às vigílias ou a qualquer outra prática, revele aos responsáveis pelo cuidado de todos o motivo que o leva a pensar que precisa de mais rigor, e siga o que eles aprovarem. Muitas vezes, é melhor atender à necessidade dessa pessoa de uma maneira diferente.

 

PERGUNTA 139 Se intensificamos o jejum, tornamo-nos mais fracos para o trabalho. O que é preferível? Prejudicar o trabalho por causa do jejum ou negligenciar este último por causa do trabalho?

Resposta É preciso jejuar e comer com um equilíbrio voltado à devoção. Assim, se o maior dever for cumprir o mandamento de Deus pelo jejum, jejuemos; quando, porém, o mandamento de Deus exigir que nos alimentemos para fortalecer o corpo, comamos — não como pessoas gulosas, mas como trabalhadores de Deus. Guarde-se o ensinamento do Apóstolo: "Quer comais, quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (1Cor 10,31).

 

PERGUNTA 140 Se alguém não se privar dos alimentos que lhe fazem mal e, comendo-os em excesso, ficar doente, deve ser tratado?

Resposta A falta de controle é um mal reconhecido. Em primeiro lugar, é necessário preocupar-se em curar esse vício. Deus, que ama os seres humanos, querendo mostrar a gravidade do mal da falta de domínio próprio, permite muitas vezes que a pessoa caia no vício do descontrole, consumindo o que é prejudicial ao corpo, a fim de que possa, pela doença física decorrente da gula, perceber o próprio prejuízo e ser levada ao equilíbrio em todas as coisas.

Quanto ao tratamento do corpo dos que adoeceram devido à gula, é sensato e bondoso aplicá-lo imediatamente, mas não de forma impensada, e sim com atenção cuidadosa, para não acontecer que, cuidando do corpo, deixemos a alma sem o devido remédio.

Se percebermos que a pessoa aprende com bom senso durante o tratamento do corpo e cuida da alma que estava mergulhada no vício, devem ser aplicados os cuidados físicos. Se houver a certeza de que, cuidando do corpo, ela deixa de lado a alma, é melhor deixar com suas dores aquele que sofre por causa do seu próprio descontrole. Isso porque, talvez com o tempo, ao ganhar consciência de si mesmo e dos castigos eternos, ele possa cuidar do bem de sua alma. Afinal, quando somos julgados pelo Senhor, ele nos corrige para não sermos condenados com este mundo (1Cor 11,32).

 

PERGUNTA 141 Se é correto que fiquem hóspedes nas oficinas, ou que alguns membros da casa saiam dos seus próprios lugares de trabalho.

Resposta Exceto o responsável por supervisionar os trabalhadores ou por distribuir as tarefas, quem for flagrado agindo dessa forma — como alguém que atrapalha a boa ordem e a harmonia entre os membros — deve ser proibido até mesmo das saídas autorizadas. Essa pessoa deve se sentar no local considerado adequado para a sua correção e realizar, com dedicação, uma tarefa mais pesada do que o costume, até que aprenda a guardar a palavra do Apóstolo: "Cada um permaneça na condição em que estava quando Deus o chamou" (1Cor 7,24).

 

PERGUNTA 142 Se os artesãos devem aceitar alguma encomenda sem o conhecimento do responsável por esses trabalhos.

Resposta Sujeita-se à mesma condenação de um ladrão, ou de quem é cúmplice de um ladrão, tanto quem faz a encomenda quanto quem a aceita.

 

PERGUNTA 143 De que modo os que trabalham devem cuidar das ferramentas sob sua responsabilidade?

Resposta Primeiro, considerando-as como objetos dedicados e consagrados a Deus; em seguida, como algo sem o qual não se pode demonstrar um esforço dedicado, como é necessário.

 

PERGUNTA 144 Se alguém perder alguma coisa por descuido, ou fizer mau uso dela com desprezo.

Resposta Quem fizer mau uso de algo deve ser considerado culpado de sacrilégio; quem perder, deve ser julgado como o causador do sacrilégio, pois todas as coisas são dedicadas e consagradas a Deus.

 

PERGUNTA 145 Se alguém, por conta própria, emprestar ou pegar algo emprestado.

Resposta Seja considerado imprudente e desobediente. Essas decisões cabem ao responsável por cuidar dos objetos e da sua distribuição.

 

PERGUNTA 146 Se, por necessidade urgente, o responsável pela comunidade lhe pedir uma ferramenta, mas a pessoa se recusar a entregar.

Resposta Quem entregou a si mesmo e a suas próprias forças para o bem dos outros, no amor de Cristo, como poderá discutir por causa desses objetos com o responsável, a quem compete também o cuidado das ferramentas?

 

PERGUNTA 147 Quem estiver ocupado no celeiro, na cozinha ou em atividade semelhante, se não comparecer no momento dos salmos e da oração, sofrerá prejuízo espiritual?

Resposta Cada um, em seu trabalho, seguirá, como um membro do corpo, a regra que é própria da sua função. Se deixar de lado o que lhe foi ordenado, sofrerá ele próprio o prejuízo. O perigo será ainda maior se criar armadilhas para a comunidade. Portanto, cumpra, de acordo com o sentido exato das palavras, o que está escrito: "Cantando e louvando ao Senhor em vossos corações" (Ef 5,19). Se não puder comparecer fisicamente com os demais, não se preocupe, mas coloque em prática a palavra: "Cada um permaneça na condição em que estava quando Deus o chamou" (1Cor 7,24).

É preciso cuidado, porém, para não acontecer que alguém, tendo condições de terminar a tempo o que lhe foi mandado e dar aos outros um bom exemplo, use o trabalho como pretexto ou desculpa, servindo de tropeço para os demais, e assim receba a condenação dos que são negligentes.

 

PERGUNTA 148 Qual é o limite da autoridade do responsável pelo celeiro?

Resposta Em relação ao superior que o avaliou e lhe confiou essa tarefa, lembre-se do Senhor, que disse: "De mim mesmo não posso fazer coisa alguma" (Jo 5,30). Já em relação aos que dependem de sua gestão, leve em consideração o que cada um precisa, pois está escrito: "Repartia-se a cada um deles, conforme a sua necessidade" (At 4,35). Esse mesmo critério deve ser seguido por todos os responsáveis por funções semelhantes.

 

1. Qual ensinamento ou frase desse texto mais chamou a sua atenção e por quê?

2. Como você pode colocar essa mensagem em prática na sua vida espiritual?

3. De que forma esse texto desafia ou fortalece a nossa missão e os nossos valores aqui na OESI?

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