quarta-feira, 3 de junho de 2026

314 SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379) - Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) - Interrogações 121-137

 


314

SÃO BASÍLIO MAGNO, ou de CESAREIA (330-379)

Regra Monástica – Asketikon - As Regras Menos Extensas (313 regras) Interrogações 121-137

 

Pergunta 121

É permitido ou aceitável recusar os trabalhos mais pesados e difíceis?

 

Resposta

Quem ama a Deus de verdade e confia plenamente na recompensa divina nunca se dá por satisfeito com o que já alcançou; pelo contrário, busca sempre ir além e deseja fazer mais. Mesmo que essa pessoa pareça estar trabalhando um pouco acima de suas forças, ela não se acomoda como se já tivesse cumprido sua meta. Ela se mantém sempre zelosa, como se tivesse feito menos do que deveria, guardando no coração a ordem do Senhor: "Depois de terdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos apenas o que devíamos fazer" (Lc17.10). Essa é a mesma postura do Apóstolo Paulo, para quem o mundo estava crucificado (e ele para o mundo) (Gl 6,14), e que não teve vergonha de dizer: "Não julgo que já o tenha alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (Fl 3,13-14). Além disso, embora Paulo tivesse o direito de viver do Evangelho por pregá-lo (1 Cor 9,14), ele afirmou: "Trabalhamos dia e noite com esforço e fadiga... não porque não tivéssemos esse direito, mas para vos dar em nós mesmos um modelo a imitar" (2 Ts 3,8-9). Diante disso, quem seria tão insensível ou sem fé a ponto de se contentar com o que já fez, ou de rejeitar um trabalho só por ser mais pesado e trabalhoso?

 

INTERROGAÇÃO 122

Deve-se permitir a recusa da eulógia (grego: abençoado) a alguém que disser: Se não receber a eulógia não como?

 

Resposta

Se o pecado merece o castigo de ser ele excluído da refeição, julgue-o quem impôs a pena. Se alguém for julgado indigno somente da eulógia e tenha licença de comer, mas recuse, seja considerado desobediente, amante de disputas. Conheça-se a si mesmo e simultaneamente entenda que, ao proceder assim, não obtém a cura, mas acrescenta pecado a pecado.

 

INTERROGAÇÃO 123

Se alguém se entristece porque não lhe permitem fazer aquilo que não é capaz de fazer, isto deve ser tolerado?

 

Resposta

Em vários lugares foi dito que, geralmente, seguir a própria vontade ou agir ao próprio arbítrio é contrário à reta razão, e não se submeter ao juízo de muitos é incorrer no perigo de desobediência e de contradição.

 

INTERROGAÇÃO 124

Se deve alguém que se encontrou com hereges ou gentios comer com eles ou saudá-los.

 

Resposta

O Senhor não proibiu a saudação comum, ao dizer: Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? (Mt 5,47). Quanto a comer à mesma mesa, temos o preceito do Apóstolo de que se deve evitá-lo, quando diz: Na minha carta vos escrevi que não tivésseis comunicação com os impudicos. Mas não se tratava de um modo absoluto de todos os impudicos deste mundo, ou os avarentos e ladrões, ou os idólatras, pois neste caso deveríeis sair deste mundo. Mas eu simplesmente quis dizer-vos que não tenhais comunicação com aquele que, chamando-se irmão, é impudico ou avarento, ou idólatra, ou difamador, ou bêbado, ou ladrão; com esse nem sequer deveis comer (I Cor 5,9-11).

 

INTERROGAÇÃO 125

Se alguém a quem foi confiado um trabalho e sem avisar fizer algo aquém da ordem ou além do prescrito, deve ser mantido no trabalho?

 

Resposta

De modo geral, desagrada a Deus o que alguém assume por si mesmo; e isto não convém, nem é proveitoso aos que têm empenho de conservar o vínculo da paz. Se continuar a ser

precipitado, é útil retirá-lo do trabalho. Pois não observa o preceito daquele que disse: Irmãos, cada um permaneça diante de Deus na condição em que estava quando (Deus) o chamou (Icor 7,24), e o que é ainda mais convincente: Não façam de si próprios uma opinião maior do que convém, mas um conceito razoavelmente modesto, de acordo com o grau de fé que Deus lhe distribuiu (Rm 12,3).

 

Pergunta 126

Como podemos evitar ser dominados ou vencidos pelo prazer da comida?

 

Resposta

A regra é decidir que a utilidade real e a necessidade do corpo sejam sempre as guias e mestras na hora de se alimentar, independentemente de a comida ser agradável ao paladar ou não.

 

INTERROGAÇÃO 127

Dizem alguns ser impossível ao homem não se irar.

 

Resposta

Mesmo se fosse possível ao soldado irar-se diante dos olhos do rei, nem assim seria razoável tal afirmação. Se o olhar de um homem, igual por natureza, reprime o mal, devido à preeminência da dignidade, quanto mais não o fará a convicção de ter a Deus por observador de seus sentimentos? Deus, que perscruta os corações e as entranhas, vê muito melhor os atos da alma do que o homem contempla o que está diante de si.

 

INTERROGAÇÃO 128

Se é lícito permitir a quem quiser fazer abstinência além de suas forças, de modo a ficar tolhido de praticar o mandamento que lhe é proposto.

 

Resposta

Esta pergunta não me parece bem feita. A abstinência não consiste numa abstenção de alimentos indiferentes, a qual teria como consequência aquela aflição do corpo condenada pelo Apóstolo (Cl 2,23), e sim, no perfeito abandono das próprias vontades. Evidencia-se das palavras do Apóstolo quão perigoso é apartar-se do mandamento do Senhor, por causa da própria vontade, quando diz: Fazendo a vontade da carne e da concupiscência, éramos, por natureza, objetos da ira (Ef 2,3).

 

Pergunta 129

Se alguém faz um jejum muito rigoroso e, por causa disso, não consegue comer o que é servido na mesa comum da comunidade, o que é mais recomendável? Que essa pessoa jejue junto com os irmãos e coma a mesma refeição que eles, ou que, devido ao seu jejum extremo, precise de alimentos especiais na hora de comer?

 

Resposta

O momento e a prática do jejum não devem ser decididos pelo desejo ou vontade de cada um. O jejum deve seguir o que é necessário para o culto e o serviço a Deus, como vemos nos relatos dos Atos dos Apóstolos e no exemplo do rei Davi ($At\ 13,2\text{-}3$; $Sl\ 34,13$). Se alguém jejua com esse propósito correto, Deus também lhe dará as condições físicas para suportá-lo, pois aquele que fez a promessa é fiel ($Hb\ 10,23$).

 

INTERROGAÇÃO 130

Como se deve jejuar, quando for preciso jejuar por motivo de piedade? Por obrigação? Ou de boa vontade?

 

Resposta

Se o Senhor diz: Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça (Mt 5,6), tudo o que se faz por causa da piedade, se não for realizado de boa vontade e com empenho, é perigoso. Quem jejua, mas de má vontade, não está seguro. Visto que é necessário jejuar no tempo em que é prescrito o jejum, o Apóstolo o enumera entre outras boas ações suas, para nosso ensinamento: com frequentes jejuns (2Cor 11,27).

 

Pergunta 131

Está correto alguém recusar a refeição que é servida quando os irmãos estão comendo e, em vez disso, ir procurar outros alimentos por conta própria?

 

Resposta

De modo geral, andar à procura de alimentos especiais vai contra o mandamento do Senhor, que disse: "Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber, e não andeis com preocupações vãs" ($Lc\ 12,29$). E Ele ainda acrescenta um alerta importante: "Porque os pagãos do mundo é que se preocupam com todas essas coisas" ($Lc\ 12,30$). Por outro lado, cabe ao responsável pela comunidade cumprir com dedicação a palavra da Escritura: "Repartia-se, então, a cada um conforme a sua necessidade" ($At\ 4,35$).

 

Pergunta 132

O que devemos pensar daquele que diz: "Isto me faz mal", e fica profundamente chateado ou ressentido se não lhe derem outra opção de comida?

 

Resposta

Essa atitude demonstra que a pessoa não possui a paciência e a esperança que o pobre Lázaro teve, e que também não reconhece o amor e o zelo daquele que foi encarregado de cuidar de todos. De modo geral, não se deve permitir que cada indivíduo decida por si mesmo o que lhe faz bem ou mal. Em vez disso, deve-se confiar ao responsável a tarefa de avaliar as reais necessidades de cada um. O encarregado, por sua vez, deve priorizar o bem da alma e, em segundo lugar, distribuir o que é necessário para o corpo, sempre de acordo com a vontade de Deus.

 

 

INTERROGAÇÃO 133

Se alguém murmurar por causa da comida.

 

Resposta

Sofrerá o juízo dos que murmuraram no deserto (Nm 11,1). Diz o Apóstolo: Não murmureis como murmuraram alguns deles, e foram mortos pelo exterminador (ICor 10,10).

 

INTERROGAÇÃO 134

Se alguém, irado, se recusar a tomar o necessário.

 

Resposta

Merece não receber, mesmo se depois o pedir, até que o superior julgue curado o vício, ou antes os vícios.

 

Pergunta 135

É correto que alguém, por realizar um trabalho muito cansativo ou pesado, peça ou procure receber algo a mais além do que já é oferecido habitualmente a todos?

 

Resposta

Se essa pessoa assumiu o cansaço do trabalho de olho na recompensa que vem de Deus, ela não deve ficar buscando privilégios ou alívios por conta própria. Em vez disso, deve focar na recompensa do Senhor, sabendo que receberá de Deus — que ama a humanidade — a justa retribuição pelo seu esforço e o consolo pelo seu desgaste. Por outro lado, o responsável por colocar em prática a palavra da Escritura — "Repartia-se a cada um conforme a sua necessidade" ($At\ 4,35$) — tem a obrigação de conhecer bem a realidade de cada trabalhador e cuidar de suas necessidades físicas de maneira adequada.

 

INTERROGAÇÃO 136

Se é de obrigação reunirem-se todos à hora do almoço; e como receberemos o que estiver ausente e chegar depois do almoço?

 

Resposta

Se esteve ausente por necessidade, devido ao lugar ou ao trabalho, observando a ordem daquele que disse: Irmãos, cada um permaneça diante de Deus na condição em que estava quando (Deus) o chamou (ICor 7,24), o responsável pela disciplina comum, tendo examinado o caso, desculpe-o; se, porém, podia chegar com os outros e não se apressou, reconhecida a culpa da negligência, permaneça em jejum até à hora determinada do dia

seguinte.

 

INTERROGAÇÃO 137

Se é bom que alguém decida, por exemplo, por algum tempo, abster-se de alguma coisa na comida ou na bebida.

 

Resposta

Como diz o Senhor: Não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou (Jo 6,38), qualquer juízo por própria vontade não é seguro. Ciente disto, dizia Davi: Faço juramento e determino guardar os vossos justos decretos (SI 118,106) e não as minhas vontades.

 

O que você destaca no texto?

Como serve para sua vida espiritual?

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