As Regras de São
Pacômio (292 - 348)
A versão latina da
Regra de São Pacômio por São Jerônimo
OS PRECEITOS DE
NOSSO PAI PACÔMIO
Regras 82 a 142
82
Nenhum monge deve ter um estilete próprio para retirar espinhos dos pés. Apenas
o superior da casa e o seu vice podem guardar esse instrumento, que deve ficar
pendurado na janela onde se guardam os manuscritos, à disposição de quem
precisar."
83.
Se um irmão for transferido de uma casa comunitária para outra, não lhe será
permitido levar consigo absolutamente nada, além daqueles poucos objetos de uso
pessoal já permitidos
RPach. 84
: cf. RB 67.7
84.
"Nenhum monge tem o direito de ir aos campos de trabalho, caminhar pelo
mosteiro ou sair de seus muros sem antes pedir e obter a permissão do
Superior."
85.
É necessário ter cuidado para que ninguém leve informações (maledicência) de
casa em casa, nem de mosteiro em mosteiro, nem de mosteiro para o campo, nem do
campo para o mosteiro.
RPach. 86
: cf. RB 67.5
86.
"Se um monge tiver viajado por estrada, navegado ou trabalhado fora do
mosteiro, não deve relatar aos irmãos o que viu ou aconteceu lá fora."
87.
"Ninguém deve dormir deitado em outro lugar que não seja a sua própria
cela designada. Nem mesmo na cela, nem nos locais de repouso noturno contra o
calor, nem nos campos, alguém deve conversar com outra pessoa após o repouso
ter começado. Se acordar durante a noite, deve dedicar-se à oração; e se sentir
sede, mas o dia de jejum estiver próximo, não ouse beber."
88.
"Além do psiátio —
isto é, o colchão de junco ou esteira —, absolutamente nada mais deve ser
colocado na cela para o descanso."
89.
ÉÉ proibido entrar na cela de outro irmão sem antes bater à porta."
90.
"Ninguém deve ir para as refeições sem ser chamado por um toque geral, nem
circular pelo mosteiro antes que o sinal comum seja dado.".
91.
"Ninguém pode caminhar pelo mosteiro, ir coletar ofertas ou participar das
refeições sem o capuz e a pelisse [manto de pele de cabra]."
92.
À noite, para ungir e amaciar as mãos calejadas pelo trabalho com óleo, ninguém
deve ir sozinho, mas sempre acompanhado de outro irmão. No entanto, ninguém
deve ungir o corpo inteiro, exceto em caso de doença; nem deve lavar o corpo nu
com água, a menos que haja uma fraqueza evidente.".
93.
Ninguém pode lavar ou ungir o corpo de outro irmão, a menos que receba uma
ordem expressa para isso."
94.
"Ninguém deve conversar com outro no escuro; ninguém deve deitar-se com
outro na mesma esteira; ninguém deve segurar a mão de outro. Pelo contrário,
seja em pé, caminhando ou sentado, cada um deve manter a distância de um côvado
de qualquer outro irmão."
95.
"Ninguém ouse retirar um espinho do pé de outro irmão, com exceção do
chefe da casa, do segundo em comando ou de alguém expressamente autorizado para
isso."
96.
Ninguém deve rapar ou cortar o cabelo da própria cabeça sem o consentimento do
seu superior."
97 Nenhum monge ouse trocar o que recebeu do
Superior por outro objeto; nem dar uma peça pior para receber uma melhor, ou
vice-versa. Além disso, em suas vestes e hábito não haverá nenhuma novidade ou
vaidade, a menos que seja por evidente necessidade de uso.
98 Todas as peles de abrigo deverão ser atadas e
penduradas nos ombros.
99 Os capuzes de cada monge portarão os símbolos
distintivos do mosteiro e da respectiva casa.
100 Ninguém, ao sair para as refeições ou
tarefas, deixará um livro de ensamentos (códice) desamarrado. À noite,
todos os códices colocados no nicho da janela ficarão sob a responsabilidade do
segundo em comando, que os contará e guardará conforme o costume.
101 Ninguém deve ir para as refeições ou
trabalhos calçando sandálias enfeitadas ("cristas de galo"), nem
portando um xale de linho como adorno, seja dentro do mosteiro ou nos campos.
102 O irmão que deixar suas roupas estendidas ao
sol por mais de meio-dia, enquanto os demais se reúnem para comer, será
repreendido por negligência.
103 E se houver descumprimento de qualquer uma
das disposições acima, o infrator receberá uma repreensão equivalente.
104 Ninguém ousará realizar tarefas miúdas por
conta própria, nem providenciar acréscimos ou mudanças, a menos que essa função
lhe tenha sido explicitamente delegada pelo Superior da casa.
105 Se algum irmão se ferir ou adoecer a ponto de
não poder deitar-se, mas continuar andando debilitado e precisar de algo como
uma túnica, um xale ou outros utensílios, o Superior de sua casa irá buscá-los
com os responsáveis pelo almoxarifado e lhes entregará. Assim que estiver
recuperado, o irmão devolverá os itens sem demora.
RPach.
106 : cf. RB 33.2 ; 54.1
106 Ninguém receberá nada de outro irmão, a menos
que o Superior o tenha expressamente ordenado.
107 Ninguém dormirá em uma cela trancada, nem
terá um aposento que possa ser fechado à chave, a menos que o Abade do mosteiro
tenha concedido essa permissão devido à idade avançada ou à enfermidade de
alguém.
108 Ninguém deve entrar na aldeia a menos que
seja enviado para uma tarefa específica, com exceção dos pastores, criadores de
gado e agricultores no exercício de suas funções.
109 Os irmãos encarregados do transporte não
devem montar dois juntos sobre o dorso nu do animal, nem sentar-se sobre a
cobertura de uma carroça.
110 Se alguém chegar montado em um jumento,
exceto em caso de doença, deverá desmontar antes dos portões do mosteiro e,
conduzindo o animal à frente, guiá-lo pela mão segurando uma corda.
111 Apenas os Superiores devem frequentar as
oficinas das diversas artes e ofícios, para que possam retirar o que for
necessário para a comunidade.
112 Eles também não poderão ir antes do meio-dia
— momento em que os irmãos são chamados para comer —, a menos que surja alguma
urgência; nesse caso, por orientação do Abade do mosteiro, o responsável semanal
enviará alguém para buscar o que for preciso. E absolutamente ninguém ousará
entrar na cela de outro sem a ordem do ancião.
113 Ninguém aceitará nada que lhe seja entregue
ou recomendado por outro irmão, sem a devida autorização.
114.
Ninguém guardará nada em sua cela sem a ordem do Superior, nem mesmo as maçãs
mais baratas e outras coisas semelhantes.
115 Se o Superior de outra casa se ausentar, outro
Superior assumirá a liderança daquela comunidade e cuidará dos irmãos com
diligência, exercendo autoridade e organizando a rotina de tal forma que os
dias de jejum sejam cumpridos adequadamente, tanto pelos que ficam quanto pelos
que chegam.
RPach.
116 : cf. RB 38.7
116 Enquanto estiverem polvilhando a farinha e
sovando a massa, ninguém conversará com outro irmão. Da mesma forma, pela
manhã, quando levarem as tábuas com os pães para os fornos, manterão o mesmo
silêncio, recitando ou cantando apenas trechos dos Salmos e das Escrituras até
a conclusão do trabalho. Caso precisem de algo, não falarão, mas farão um sinal
àqueles que possam trazer o necessário.
117 Quando os irmãos forem convocados para o
preparo da farinha, ninguém permanecerá no local do forno, exceto os encarregados
do cozimento; e, além daqueles a quem foi expressamente ordenado, ninguém mais
ali se sentará.
118 Haverá disciplina semelhante a bordo das
embarcações. Ninguém desatará uma corda em terra nem manuseará o leme sem a
ordem expressa do Superior.
119 Ninguém dormirá na área do porão ou junto à
bomba de esgotamento do navio enquanto os demais irmãos descansam no convés;
tampouco será permitido que pessoas seculares durmam com eles a bordo. Além
disso, as embarcações mais frágeis não navegarão juntas com as demais, a menos
que o Abade do mosteiro tenha determinado.
120 Ninguém ousará acender fogo em sua própria
casa, devendo este ser aceso apenas no espaço comum para todos.
121 Quem chegar atrasado a uma das seis orações
da noite, ou quem murmurar, conversar ou rir durante as orações, cumprirá a
devida penitência conforme a ordem estabelecida.
122 Quando estiverem em suas casas, não lhes será
permitido tratar de assuntos mundanos; contudo, se o Superior tiver ensinado
algo das Escrituras, deverão reunir-se para meditar e compartilhar entre si o
que cada um ouviu e memorizou.
123 Ninguém realizará trabalho algum, nem
carregará recipientes com água, nem mesmo trançará uma corda, a menos que o
Superior o tenha ordenado.
124 Ninguém utilizará juncos ou canas amolecidas
na água para o trabalho manual, a não ser que tenham sido entregues pelo
encarregado da semana.
RPach.
125 : cf. RB 46.2
125 O monge que quebrar um vaso de barro e
umedecer as canas pela terceira vez cumprirá penitência à noite, durante as
seis orações.
126 Terminado o momento das seis orações, quando
todos se retirarem para o descanso, ninguém poderá sair de seu aposento, exceto
em caso de absoluta necessidade.
127 Se um irmão for dormir, toda a comunidade
fará o mesmo. Ninguém permaneça em pé sem a ordem do ancião, nem cante sem que
lhe tenha sido ordenado; tampouco se entoará um salmo atrás do outro sem o
consentimento do Superior.
128 Não cantem dois irmãos com tom lamentoso ao
mesmo tempo, nem se cubram com um manto de linho. Ninguém deixe de responder ao
cantor principal, unindo-se aos demais em uníssono e em voz harmoniosa.
129 O irmão que adoecer durante um funeral terá
um auxiliar para ampará-lo; e, para qualquer lugar aonde os irmãos forem
enviados, haverá sempre acompanhantes escalados semanalmente dentre os
cuidadores de enfermos, caso a doença surja durante a viagem ou no campo.
130 Ninguém caminhe à frente de seu Superior e
guia; ninguém ouse romper a ordem estabelecida na fila ou no caminhar.
RPach.
131 : cf. RB 46.2
131 Se alguém perder algum objeto do mosteiro, será
publicamente repreendido diante do altar. Se o item perdido for parte de seu
próprio vestuário, o monge ficará sem ele por três semanas; somente no dia
seguinte, após cumprir a devida penitência, o objeto lhe será devolvido.
132 Quem encontrar algum objeto perdido deverá
deixá-lo pendurado por três dias no local da reunião dos irmãos, para que o
proprietário, ao reconhecê-lo, possa recuperá-lo.
134 Para todas as repreensões e orientações já
previstas e registradas na Regra, bastará a intervenção do Superior da casa.
Contudo, se surgir alguma falta inédita ou de maior gravidade, esta deverá ser
relatada diretamente ao Superior geral do mosteiro.
135 Ninguém fará suas abluções ou lavagens na
casa sem a presença do Superior; e qualquer situação nova ou omissa nesta Regra
será decidida exclusivamente segundo o critério dele.
136 Toda correção pública deverá ser aplicada de
forma clara e visível para o aprendizado dos demais; os faltosos em cumprimento
de pena permanecerão em local destacado na assembleia dos anciãos e no
refeitório.
RPach.
136 : cf. RB 29.1–2
136 Aquele que se ausentou sem o aviso ou
permissão dos irmãos e que depois cumpriu penitência, não poderá retornar ao
seu lugar habitual na comunidade sem a autorização expressa dos anciãos.
137 Se o superior de uma casa e do dispensário
passar uma noite afastado dos irmãos e, após fazer penitência, retornar à
assembleia, não lhe será permitido entrar na casa nem reassumir o seu posto sem
a ordem do superior geral.
138 Tudo o que ouvirem discutido na assembleia
dos irmãos, especialmente durante os tempos de jejum em que recebem instrução
de seus superiores, todos terão a obrigação de repassar e meditar entre si.
139 Aquele que ingressar no mosteiro sem
instrução prévia será primeiro ensinado sobre o que deve observar; e, quando
concordar com todas as normas, receberá para aprender vinte Salmos, duas
Epístolas do Apóstolo ou parte de outra Escritura. Se não souber ler, deverá
dirigir-se à primeira, à terceira e à sexta hora àquele que lhe foi delegado
para o ensino, permanecendo diante dele para aprender com a máxima diligência e
profunda gratidão.
140 Em seguida, ensinarão a ele as letras, as
sílabas, as palavras e os nomes por escrito. E, mesmo que relute em aprender,
será compelido a isso, de modo que não haja absolutamente ninguém no mosteiro
que não aprenda a ler e a compreender algo das Escrituras, pelo menos até o
Salterio e o Novo Testamento.
141 Para o momento da coleta, do canto dos salmos
e da oração, ninguém invente desculpas ou alegue ocupações de trabalho para
justificar a sua ausência.
RPach.
142 : cf. RB 50.4
142
Esteja ele em um navio, em um mosteiro, no campo, em viagem ou ocupado em
qualquer encargo, jamais deverá deixar de cumprir os momentos estabelecidos
para a oração e o canto dos salmos.
O que destaco no texto?
Como serve para a minha
espiritualidade?
Como aplica-lo aos irmãos da OESI como
monges dispersos?

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