segunda-feira, 20 de março de 2017

7 - Inácio de Antioquia (35-107) - Carta aos Filadélfios

7
Estudo sobre os Pais da Igreja: Vida e Obra
Inácio de Antioquia (35-107)
Carta aos Filadélfios

 Resultado de imagem para São inácio de antioquia


Sobre a obra
Inácio era bispo de Antioquia, na Síria. No ano 107 dC, durante a perseguição de Trajano, foi preso e enviado para Roma. Nas paradas que eram feitas para descanso, aproveitava para escrever às igrejas que o tinham recebido ou mandado alguma visita. Foi martirizado em Roma, segundo o testemunho de Eusébio.
Esta carta, assim como as outras seis reconhecidas, nos chegou em duas versões: uma curta (mais próxima ao original, segundo os pesquisadores) e outra um pouco mais longa. Chamamos especial atenção para o seguinte: quem segue cismáticos não encontrará salvação (v. 3); há apenas uma só Eucaristia verdadeira (v. 4); a Igreja mantém sua unidade ao redor de seu legítimo bispo (vv. 7 e 8); a existência comprovada de Igrejas particulares (dioceses), unidas e não completamente independentes entre si, formando a Igreja Universal (v. 10); observe-se também, no mesmo versículo, a estrutura da Igreja, que permanece a atual: bispos, presbíteros e diáconos.

A Obra

Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo de Filadélfia da Ásia, que encontrou misericórdia e se fortaleceu na união que vem de Deus, cheia de imperturbável alegria na Paixão de Nosso Senhor e plenamente convencida da Ressurreição d’Ele, em toda misericórdia. Saúdo-a no sangue de Jesus Cristo, pois ela é minha perene e constante alegria, sobretudo se continuarem unidos ao Bispo, aos Presbíteros e Diáconos que estão com ele, instituídos segundo o plano de Jesus Cristo, que por Sua própria vontade os fortaleceu no Seu Espírito Santo.

Capítulo I
Sei que não foi por si mesmo, nem por meios humanos, nem tampouco por ambição, mas na caridade de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo, que o Bispo obteve a incumbência de estar a serviço da comunidade. Admiro comovido sua bondade, que, calada, mais ressonância encontra que as invencionices dos faladores. Harmoniza-se ele com os mandamentos, como a cítara com as cordas. Bem por isso, minha alma lhe engrandece a mente voltada para Deus – pois é virtuosa e perfeita – seu caráter firme e manso, tão do agrado do Deus vivo.

Capítulo II
Filhos que sois da luz da verdade, fugi da cisão das más doutrinas. Onde estiver o pastor, segui-o, quais ovelhas. Pois muitos lobos, aparentemente dignos de fé, apanham, através dos maus prazeres, os atletas de Deus. Se porém permanecerdes unidos, não acharão lugar entre vós.
Apartai-vos das ervas daninhas que Jesus Cristo não cultiva, por não serem plantação do Pai.Não que tenha encontrado em vosso meio discórdias, pelo contrário encontrei um povo purificado. Na verdade, o que são propriedade de Deus e de Jesus Cristo estão com o Bispo, e todos os que se converterem e voltarem à unidade da Igreja, pertencerão também a Deus, par terem uma vida segundo Jesus Cristo. Não vos deixeis iludir, meus irmãos. Se alguém seguir a um cismático, não herdará o reino de Deus; se alguém se guiar por doutrina alheia, não se conforma com a Paixão de Cristo.

Capítulo III
Sede solícitos em tomar parte numa só Eucaristia, porquanto uma é a carne de Nosso Senhor Jesus Cristo, um o cálice para a união com Seu sangue; um o altar, assim como também um é o Bispo, junto com seu presbitério e diáconos, aliás meus colegas de serviço. E isso, para fazerdes segundo Deus o que fizerdes.

Capítulo IV
Meus irmãos, transbordo todo de amor para convosco e em meu júbilo procuro confortar-vos. Não eu, mas Jesus Cristo. Estando preso em Seu Nome, temo tanto mais achar-me ainda imperfeito. No entanto, vossa prece me aperfeiçoará para Deus, com o intuito de conseguir a herança na qual obtive misericórdia, buscando refúgio no Evangelho, como na carne de Jesus, e nos Apóstolos como no presbitério da Igreja. Amemos igualmente os Profetas, por terem também eles anunciado o Evangelho, terem esperado n’Ele e O terem aguardado. Foram salvos por Lhe terem dado fé, e, unidos a Jesus Cristo, se tornarem santos dignos do nosso amor e admiração, aprovados pelo testemunho de Jesus Cristo, sendo enumerados no Evangelho da comum esperança.
Se, no entanto, alguém vier com interpretações judaizantes, não lhe deis ouvido. É melhor ouvir doutrina cristã dos lábios de um homem circuncidado do que a judaica de um não-circuncidado. Se porém ambos não falarem de Jesus Cristo, tenha-os em conta de colunas sepulcrais e mesmo de sepulcros, sobre os quais estão escritos apenas nomes de homens. Fugi pois das artimanhas e tramóias do príncipe deste século, para que não venhais a esmorecer no amor, atribulados pela sagacidade dele. Todos vós, porém, uni-vos num só coração indiviso. Agradeço a Deus, porque gozo de consciência tranqüila a vosso respeito e porque não há motivo de ninguém gloriar-se, nem oculta nem publicamente, por lhe ter sido eu um peso em coisa pequena ou grande. Faço votos que todos a quem falei assimilem minhas palavras, não porém em testemunho contra si mesmos.
Capítulo V
Alguns desejaram de fato enganar-me segundo a carne, mas o Espírito, que é de Deus, não se deixa enganar, pois Ele sabe donde vem e para onde vai e revela os segredos. Clamei, quando estive entre vós, e o disse alto e bom som, na voz de Deus: «Apegai-vos ao Bispo, ao Presbitério e aos Diáconos!» Alguns desconfiaram que eu assim falava, porque sabia da separação de diversos deles. No entanto, é-me testemunha Aquele, por quem estou preso, que por intermédio de homem carnal não vim a saber coisa alguma. O Espírito é que mo anunciou: Nada façais sem o Bispo! Guardai vosso corpo como templo de Deus! Amai a união! Fugi das discórdias! Tornai-vos imitadores de Jesus Cristo, como Ele o é do Pai!
Eu por minha parte cumpri o meu dever, agindo como homem destinado a unir. Deus não mora onde houver desunião e ira. A todos porém que se converterem perdoa o Senhor, se voltarem à unidade de Deus e ao senado do Bispo. Confio na graça de Jesus Cristo, pois Ele livrará de toda cadeia. Exorto-vos a nada praticar em espírito de dissenção, mas sim em conformidade com os ensinamentos de Cristo. É que ouvi alguns dizerem: «Se não o encontro nos documentos antigos, não dou fé ao Evangelho». Dizendo eu a eles «Está escrito», responderam-me: «É o que se deve provar! Para mim, documentos antigos são Jesus Cristo; para mim documentos invioláveis constituem a Sua Cruz, Sua Morte, Sua Ressurreição, como também a Fé que nos vem d’Ele! Nisso é que desejo, por vossa oração, ser justificado.

Capítulo VI
Embora fossem honrados também os sacerdotes, coisa melhor porém é o Sumo-sacerdote, responsável pelo santo dos santos, pois só a Ele foram confiados os mistérios de Deus. É Ele a porta para o Pai, pela qual entram Abraão, Isaac e Jacó, os Profetas, os Apóstolos e a Igreja. Tudo isso leva à unidade de Deus. O Evangelho contém porém algo de mais sublime, a saber, a vinda do Salvador e Senhor nosso Jesus Cristo, a Sua Paixão e Ressurreição. A respeito d’Ele vaticinaram os queridos Profetas. O Evangelho constitui mesmo a consumação da imortalidade. Tudo se reveste de grande importância, se confiardes no Amor.

Capítulo VII
Recebi notícia, que graças à oração e à participação íntima que cultivais em Jesus Cristo, a Igreja de Antioquia na Síria recobrou a paz. Convém portanto que vós, como Igreja de Deus, escolhais um diácono para presidir uma embaixada de Deus àquela cidade, e congratular-se com eles, por estarem unidos pelos mesmos vínculos, e glorificar o Nome. Felicito em Jesus Cristo aquele que for achado digno deste ministério; também vós tereis a vossa glória. Se o quiserdes, isso não vos será impossível para a glória de Deus, pois que também as Igrejas mais vizinhas mandaram ou Bispos, ou Presbíteros e Diáconos.
A respeito de Fílon, diácono da Cilícia, posso informar: é homem de prestígio, que ainda agora me serve no ministério da palavra de Deus, juntamente com Reos Agátopos, outro homem de consideração, que me acompanha desde a Síria, com desprezo da própria vida. Também eles dão testemunho de vós. Da mesma forma eu agradeço a Deus por vós, porque os recebestes, como o Senhor vos recebeu. Aqueles que lhes faltaram de respeito encontrem o perdão pela graça de Deus. Saúda-vos a caridade dos irmãos de Trôade, donde também vos escrevo por intermédio de Burrus que, a pedido dos efésios e esmirnenses, me acompanha, como penhor de honra. O Senhor Jesus Cristo honrá-los-á, pois, n’Ele esperam com corpo, alma, espírito, fé, amor e concórdia. Adeus em Jesus Cristo, esperança comum de nós todos.

Pergunta ao Grupo:
1.      Qual o versículo você deseja destacar na carta aos Filadélfios?
2.      Quais contribuições poderemos retirar desta carta para a nossa espiritualidade?



terça-feira, 14 de março de 2017

6 - Inácio de Antioquia (35-107) Carta aos Magnésios

6
Estudo sobre os Pais da Igreja: Vida e Obra
Inácio de Antioquia (35-107)
Carta aos Magnésios

Resultado de imagem para Inácio de antioquia




Inácio de Antioquia (†110) foi o terceiro bispo da importante comunidade de Antioquia, fundada por Pedro. Conheceu pessoalmente Paulo e João. Sob o imperador Trajano, foi preso e conduzido a Roma onde morreu nos dentes dos leões no Coliseu. A caminho de Roma escreveu Cartas às igreja de Éfeso, Magnésia, Trales, Filadélfia, Esmirna e ao bispo S. Policarpo de Esmirna. Na carta aos esmirnenses, aparece pela primeira vez a expressão “Igreja Católica”.

Introdução a Carta aos Magnésios
Esta carta foi escrita em Esmirna onde Policarpo era bispo, aproximadamente em 107 d.C.. Damas, então bispo de Magnésia, vai até Esmirna saudar Inácio, além dos presbíteros Basso e Apolônio e o diácono Zotion. Inácio aproveita a oportunidade para enviar uma carta à comunidade da Magnésia.
Podemos perceber nesta carta que a Igreja já se encontrava organizada em três níveis hieráquicos distintos: bispo, presbíteros e diáconos.
É o mais antigo testemunho da era pós-apotólica da fé na Santíssima Trindade (Magnésios – Saudação). Inácio confessa a sempre existência da pessoa divina de Cristo (Magnésios 6:1) e sua Divindade, apontando-o como inspirador dos Profetas (Magnésios 8:2). Inácio dá testemunho da fé primitiva em um único Deus (Magnésios 8:2), mas composto por três pessoas divinas (Magnésios 13).
O tema central da carta é a Unidade. Inácio exorta toda a comunidade à submissão aos diáconos, e estes aos presbíteros e estes ao bispo. A hierarquia deve ser respeitada como sinal de união com Deus.
A carta revela a importância que o cristianismo primitivo dava ao bispo, que era fundamental na edificação e condução da Igreja, pois representava o próprio Deus (Magnésios 6:1).
Nesta carta observamos que os primeiros cristãos guardavam o domingo como dia santo (Dia do Senhor) em vez do sábado (Magnésios 9:1). E, ainda que observavam como regra de fé o ensinamento da Igreja em vez da Lei de Moisés (Magnésios 8;9;10).

Carta aos Magnésios

Inácio, também chamado Teóforo, à [Igreja] abençoada na graça de Deus Pai, em Jesus Cristo nosso Salvador, com quem eu saúdo a Igreja que está na Magnésia, próxima ao [rio] Meandro, e desejo a ela grande alegria em Deus Pai e em Jesus Cristo.
I. Tendo sido informado sobre o vosso amor devoto e perfeito, alegrei-me profundamente e resolvi comunicar-me convosco na fé em Jesus Cristo. Para aquele que pensa ser digno de portar o mais honrável de todos os nomes, nestas cadeias que ora carrego, louvo as igrejas, nas quais oro pela união entre o corpo e o espírito de Jesus Cristo, fonte constante da nossa vida, da fé e do amor, e para as quais nada pode ser especialmente preferível a Jesus e ao Pai; certamente encontraremos a Deus se resistirmos a todos os assaltos do príncipe deste mundo.

II. Portanto, já que tive a honra de vos ver na pessoa de Damas, vosso ilustre bispo, e de vossos ilustres presbíteros, Basso e Apolônio, bem como do diácono Zótio, meu companheiro de serviço, cuja amizade espero sempre possuir – já que ele é submisso ao bispo como à graça de Deus e ao presbitério como à lei de Jesus Cristo – [passo agora a vos escrever]:
III. Não deveis tratar vosso bispo com tanta familiaridade em razão de sua juventude, mas deveis tratá-lo com toda a reverência, respeitando ao poder de Deus Pai, assim como fazem os santos presbíteros – como fiquei sabendo – que não o julgaram imprudentemente, a partir de sua aparência jovem claramente manifesta, mas, sendo prudentes em Deus, submeteram-se a ele, ou melhor, não a ele, mas ao Pai de Jesus Cristo, que é o Bispo de todos nós. Assim, é adequado a vós, sem qualquer hipocrisia, obedecerdes [ao vosso bispo], em honra dAquele que nos amou tanto, já que [pela falsa conduta] não se tenta enganar ao bispo visível, mas Àquele que é invisível. E, com tal conduta, não se faz referência ao homem, mas a Deus, que conhece todos os segredos.

IV. É adequado, então, não apenas ser chamados “cristãos”, mas sê-lo também de verdade: como alguém reconhece outro com o título de bispo e depois faz todas as coisas sem ele? Tais pessoas parecem-me desprovidas de boa consciência, visto que se reúnem em desconformidade com o mandamento.

V. Visto, então, que todas as coisas têm um fim, estas duas coistas são simultaneamente à nossa frente: a morte e a vida; todos encontrarão seu próprio lugar. É como se fossem dois tipos de moedas: a de Deus e a do mundo, cada qual com suas próprias características estampadas nelas. O descrente é deste mundo, mas o crente tem, no amor, a característica de Deus Pai, por Jesus Cristo; se não estivermos prontos para morrer em Sua Paixão, Sua vida não estará em nós.

VI. Nas pessoas acima mencionadas, pude observar, na fé e no amor, toda a vossa comunidade; assim, exorto-vos a estudarem todas as coisas com divina harmonia, tendo vosso bispo presidindo no lugar de Deus e vossos presbíteros no lugar da assembléia dos apóstolos, junto com seus diáconos – que são muito queridos para mim – aos quais foi confiado o serviço de Jesus Cristo, que estava com o Pai antes do início dos tempos e que por fim se manifestou. Fazei tudo, então, imitando a mesma conduta divina, mantendo o respeito uns pelos outros, não olhando para o seu próximo segundo a carne, mas amando-o continuamente em Jesus Cristo. Que nada exista entre vós causando divisão, mas sejais unidos ao vosso bispo e àqueles que vos presidem, como um sinal evidente da vossa imortalidade.
VII. Assim como o Senhor nada fez sem o Pai, ainda que estivesse unido a Ele, nem por si mesmo e nem pelos apóstolos, também vós não deveis fazer nada sem o bispo e os presbíteros. Nem deveis tentar fazer com que algo pareça razoável e justo para vós mesmos; mas, reunindo-vos num mesmo lugar, orai uma única prece, fazei uma única súplica, tenham uma única mente e esperança, no amor e na alegria imaculada. Há um só Jesus Cristo e nada é melhor que Ele. Então, correi todos juntos ao único templo de Deus, ao único altar, ao único Jesus Cristo, que procede do único Pai, está com Ele e a Ele retornou.

VIII. Não sejais enganados por doutrinas estranhas, nem por velhas fábulas, as quais são inúteis, pois se ainda vivemos segundo a Lei dos judeus, devemos reconhecer que não recebemos a graça. 2Ora, os diviníssimos profetas viveram segundo Cristo Jesus e, por isso, acabaram sendo perseguidos, pois eram inspirados por Sua graça a convencerem plenamente os descrentes de que existe apenas um Deus, que Se manifestou por Jesus Cristo, Seu Filho, o qual é o Seu Verbo eterno – não procedendo do silêncio – e que em todas as coisas agradou Aquele que O enviou.

IX. Se, então, aqueles que eram educados na antiga ordem das coisas se apossaram da nova esperança, não mais observando o sábado, mas observando o Dia do Senhor, no qual também a nossa vida foi libertada por Ele e por Sua morte – alguns negam que por tal mistério obtemos a fé e nele perseveramos para que ser contados como discípulos de Jesus Cristo, nosso único Mestre – 2como seremos capazes de viver longe Dele, cujos discípulos e os próprios profetas esperaram no Espírito para que Ele fosse o Instrutor deles? Era Ele que certamente esperavam, pois vindo, os libertou da morte.

X. Assim, não sejamos insensíveis à Sua bondade. Se Ele nos recompensasse conforme as nossas obras, certamente deixaríamos de existir. Porém, por termos tornado Seus discípulos, devemos aprender a viver de acordo com os princípios do Cristianismo. Quem é chamado por outro nome além deste não é de Deus. Abandonando, contudo, o mal, o passado, as más influências, estais vós sendo chamados a mudar de comportamento, o qual é de Jesus Cristo. Sede temperados Nele, para que ninguém entre vós seja corrompido, já que por vosso sabor próprio seríeis condenados. É absurdo professar Cristo Jesus e judaizar. O Cristianismo não precisa abraçar o Judaísmo, mas o Judaísmo deve abraçar o Cristianismo, para que toda língua possa professar a companhia de Deus.
XI. Amados: estas coisas [que vos escrevo] – não que eu saiba algo sobre o vosso comportamento, mas por ser inferior a vós – tem por objetivo previni-los para que não sejais fisgados pelos anzóis da vã doutrina, mas para que possais conquistar a segurança plena a respeito do nascimento, paixão e ressurreição que ocorreram na época do governo de Pôncio Pilatos, sendo verdadeiro e certo que tais eventos foram efetuados por Jesus Cristo, nossa esperança, de quem jamais possais ser afastados.

XII. Que eu possa alegrar-me convosco em todas as coisas, se o merecer! Mesmo acorrentado, não sou digno de ser comparado a qualquer de vós que estais em liberdade. Sei que vós não estais inchados de orgulho. já que possuis Jesus Cristo em vós mesmos. E tudo o mais que louvo em vós, sei que guardais com modéstia de espírito; como está escrito: “O homem justo é seu próprio acusador”.

XIII. Portanto, estudai para manter-vos na doutrina do Senhor e dos apóstolos, para que todas as coisas que fizerdes possam prosperar tanto na carne quanto no espírito, na fé e no amor, no Filho e no Pai e no Espírito, no princípio e no fim; unidos com o vosso admirável bispo, com toda a preciosa coroa espiritual do vosso presbitério e com os diáconos que estão em conformidade com Deus. Sejais submissos ao bispo e uns aos outros, como Jesus Cristo é com o Pai, segundo a carne, e os apóstolos com Cristo, o Pai e o Espírito. Que haja assim uma união entre a carne e o espírito.

XIV. Sei que estais repletos de Deus e, por isso, exortei-vos brevemente. Lembrai-vos de mim em vossas orações, para que eu possa alcançar a Deus. E [lembrai-vos também] da Igreja que está na Síria, já que não sou digno de portá-la em meu nome. Necessito da vossa oração unida em Deus e do vosso amor, para que a Igreja da Síria seja considerada digna de ser refrescada pela vossa Igreja.
XV. Os efésios que habitam em Esmirna – de onde eu vos escrevo – estão aqui para a glória de Deus, como vós também fizestes; eles me reconfortam e vos saúdam juntamente com Policarpo, bispo dos esmirnicenses. As demais igrejas, em honra de Jesus Cristo, também vos saúdam. Ficai bem na harmonia de Deus, vós que obtivestes o Espírito inseparável que é Jesus Cristo.

Pergunta ao Grupo:
1.      Qual o versículo você deseja destacar na carta aos magnésios?

2.      Quais contribuições poderemos retirar desta carta para a nossa espiritualidade? 

segunda-feira, 6 de março de 2017

5º Estudo da OFSE - Biografia de Francisco de Assis Tomás de Celano - Capítulos 16 a 19.

Biografia de Francisco de Assis
Tomás de Celano
1Celano  - Capítulos 16 a 19.

Imagem relacionada



CAPÍTULO 16. A estadia em Rivotorto e a guarda da pobreza.

São Francisco e os outros recolheram-se em um lugar perto de Assis, chamado Rivotorto. Havia ali uma cabana abandonada, onde viveram aqueles homens, que não faziam questão de casas grandes e bonitas, e lá se defendiam da chuva. "Pois, como diz um santo, de uma cabana vai-se mais depressa para o céu do que de um palácio".
Os filhos e irmãos viviam nesse lugar com o bem-aventurado pai, trabalhando bastante e sofrendo escassez de tudo. Faltou-lhes muitas vezes até o pão, precisando contentar-se com os nabos penosamente mendigados pela planície de Assis. Sua casa era tão apertada que mal podiam sentar-se ou descansar. Mas não se ouviam queixas ou murmurações: calmos e alegres, mantinham a paciência.
Todo dia, para não dizer sempre, São Francisco examinava diligentemente a si mesmo e aos seus, sem permitir neles falha alguma, e afastando toda negligência de seus corações. Era
constante sua vigilância sobre si mesmo e rígida sua disciplina. Se tinha alguma tentação, como acontece, mergulhava durante o inverno num buraco cheio de gelo e lá ficava até passar toda rebelião da carne. E os outros seguiam com fervor todo esse exemplo de mortificação.
Ensinava-os não só a mortificar as paixões e a reprimir os impulsos da carne, mas até os sentidos exteriores, pelos quais a morte entra na alma. Passou por ali, naquele tempo, o imperador
Otão, para receber a coroa do império terreno. Apesar do enorme ruído e pompa, o santo pai e seus companheiros, cuja cabana ficava à beira do caminho, nem saiu para vê-lo, nem permitiu que ninguém olhasse, a não ser um, a quem mandou para anunciar-lhe repetidamente que sua glória ia durar pouco.
Pois o glorioso santo permanecia recolhido em si mesmo, passeando pelo espaço de seu coração, onde preparava uma habitação digna de Deus. Por isso seus ouvidos não se deixavam levar pelo clamor de fora, e voz alguma podia distraí-lo ou interromper sua importante ocupação. Sentia-se investido de autoridade apostólica e por isso se recusava absolutamente a bajular reis e príncipes.
Agia sempre com santa simplicidade e não permitia que o aperto do lugar lhe prejudicasse a amplidão do coração. Por isso escreveu o nome dos irmãos nos caibros da cabana, para que cada um soubesse seu lugar quando quisesse orar ou repousar, e não se perturbasse o silêncio espiritual pela estreiteza do ambiente.
Ainda moravam nesse lugar no dia em que apareceu um homem conduzindo um jumento, na porta da cabana em que o homem de Deus estava com os seus companheiros. Temendo ser rejeitado, instigava o animal a entrar, dizendo: "Entra, que vamos melhorar este lugar". Ouvindo isso, São Francisco ficou muito chocado, pois entendeu a intenção do homem: pensava que os frades queriam morar naquele lugar para promovê-lo e construir casas. São Francisco saiu imediatamente dali, abandonando a cabana por causa da palavra do camponês. Transferiu-se para outro lugar, não muito afastado, chamado Porciúncula, onde, como dissemos, tinha reparado tempos atrás a igreja de Nossa Senhora.
Não queria ter propriedade nenhuma, para poder possuir tudo no Senhor em maior plenitude.

CAPÍTULO 17. São Francisco ensina os irmãos a orar. Obediência e simplicidade dos frades.

Rogaram-lhe os frades, nesse tempo, que os ensinasse a orar, porque, vivendo na simplicidade, ainda não conheciam o ofício eclesiástico. Respondeu-lhes: "Quando orardes, dizei: 'Pai nosso' e 'Nós vos adoramos, ó Cristo, em todas as vossas igrejas que estão pelo mundo inteiro, e vos bendizemos, porque por vossa santa cruz remistes o mundo'".
Discípulos do piedoso mestre, os frades procuravam observar tudo com a maior diligência, porque tratavam de cumprir com exatidão não só o que o bem-aventurado pai Francisco lhes dizia quando dava conselhos ou ordens, mas até o que ele estava pensando ou planejando, se conseguiam saber o que era.

Dizia-lhes também o santo pai que a verdadeira obediência devia ser até descoberta antes de manifestada e desejada antes de imposta.
Isto é: "Se um irmão que é súdito não só ouvir a voz mas até perceber a vontade de seu superior, deve tratar de obedecer imediatamente e de fazer o que, por algum indício, adivinhou que ele quer".
Em qualquer lugar onde houvesse uma igreja, mesmo que não estivessem presentes, contanto que a pudessem ver de longe, prostravam-se por terra na sua direção e, inclinados de corpo e alma, adoravam o Todo-Poderoso, dizendo: "Nós vos adoramos, ó Cristo, em todas as vossas igrejas", como lhes ensinara o santo pai.
E, o que não é menos para se admirar, faziam o mesmo onde quer que vissem uma cruz ou seu sinal, no chão, numa parede, nas árvores ou nas cercas do caminho.
A tal ponto tinham-se enchido de simplicidade, aprendido a inocência e conseguido a pureza de coração, que detestavam toda falsidade e, como tinham a mesma fé, tinham também o mesmo espírito, uma só vontade, um só amor. Eram sempre coerentes, procediam de acordo, cultivavam as virtudes, procuravam ter as
mesmas opiniões e ser igualmente generosos no que faziam.
Confessavam-se frequentemente com um padre diocesano, que tinha muito má fama e merecia o desprezo pela enormidade de seus pecados. Muita gente chamou a atenção deles para a maldade do padre, mas não quiseram acreditar de maneira nenhuma e nem por isso deixaram de confessar-se como de costume, nem lhe perderam
o respeito.
Uma vez, esse ou um outro sacerdote disse a um dos frades: "Irmão, não sejas hipócrita!" O frade, por ser a palavra de um sacerdote, logo ficou pensando que era mesmo um hipócrita. Lamentava-se por isso dia e noite, muito penalizado. Perguntaram-lhe, então, os frades por que estava tão triste e donde lhe vinha esse abatimento incomum, e ele respondeu: "Um padre me disse que sou hipócrita, e isso me doeu tanto que nem consigo pensar noutra coisa". Para o consolar, os irmãos disseram que não devia acreditar nisso. Mas ele respondeu: "Que estais dizendo? Foi um padre que me disse isso, e um padre não pode mentir, por isso precisamos acreditar no que ele disse". Permaneceu muito tempo nessa simplicidade, acalmando-se afinal pela palavra do santo pai, que lhe explicou melhor o que o padre tinha dito e desculpou sabiamente sua intenção.
Dificilmente podia algum frade ficar tão perturbado que sua palavra ardente não lhe afastasse qualquer dúvida e não lhe devolvesse a serenidade.

CAPÍTULO 18. O carro de fogo. Conhecimento das coisas ausentes

Porque caminhavam com simplicidade diante de Deus e com segurança diante dos homens, nessa ocasião mereceram os frades a alegria de uma revelação divina. Certa noite, inflamados pelo Espírito Santo, estavam cantando suplicantes o pai-nosso sobre uma melodia religiosa (pois não rezavam só nas horas marcadas mas em qualquer hora, uma vez que não tinham preocupações terrenas), quando o bem-aventurado pai se ausentou corporalmente deles. Lá pela meia-noite, quando alguns frades descansavam e outros rezavam em silêncio com devoção,entrou pela pequena porta um rutilante carro de fogo, deu duas ou três voltas para cá e para lá na casa, tendo sobre ele um globo enorme, que era parecido com o sol e iluminou a noite. Os que estavam acordados se espantaram e os que estavam dormindo se assustaram, pois sentiram uma claridade não só corporal mas também interior.
Reuniram-se e começaram a discutir entre si o que seria aquilo: por força e graça de toda aquela luz, cada um enxergava a consciência do outro. Compreenderam afinal que a alma do santo pai brilhava com tamanho fulgor que, sobretudo por sua pureza e por seu zeloso cuidado pelos filhos, tinha conseguido de Deus a graça desse enorme benefício.
Muitas outras vezes tinham comprovado, por sinais manifestos, que os segredos de seus corações não eram desconhecidos por seu santo pai. Quantas vezes, sem que ninguém dissesse, mas por revelação do Espírito Santo, soube o que estavam fazendo frades ausentes, manifestou segredos de seus corações e penetrou as consciências! A quantos aconselhou em sonhos, dizendo o que deviam fazer ou deixar de fazer! A quantos, que estavam manifestamente bem no presente, previu males no futuro! Da mesma maneira, previu para muitos o fim de seus pecados e lhes anunciou a graça da salvação. Houve até um que, distinguido por especial espírito de pureza e simplicidade, pôde ter a consolação de contemplá-lo de maneira especial, não dada aos outros.
Vou contar um caso entre os muitos que soube por testemunhas de confiança. No tempo em que Frei João de Florença foi feito por São Francisco ministro dos frades da Provença e estava celebrando o capítulo dos frades daquela Província, o Senhor Deus lhe abriu a boca para falar com a piedade costumeira e fez todos os frades ouvirem com benévola atenção. Havia entre eles um irmão sacerdote, célebre pela fama e mais ainda pela vida. Chamava-se Monaldo e sua virtude, fundamentada na humildade e auxiliada pela oração frequente, era protegida pelo escudo da paciência. Estava participando do capítulo também Frei Antônio, a quem o Senhor abrira a inteligência para compreender as Escrituras, e que falava de Jesus a todo o povo com palavras mais doces que o mel. Enquanto Frei Antônio estava pregando com fervor e devoção aos frades sobre as palavras: "Jesus Nazareno, Rei dos Judeus", o referido Frei Monaldo olhou para a porta da casa em que os frades estavam reunidos e viu com seus próprios olhos o bem-aventurado Francisco elevado no ar, com as mãos abertas em cruz, abençoando os frades.
Sentiam-se todos cheios de consolação do Espírito Santo e de gozo salutar, e por isso acreditaram quando ouviram falar da presença e
da visão do glorioso pai.
Para confirmar que conhecia os segredos dos corações, vou escolher, entre muitos, um caso que está acima de qualquer dúvida. Um frade, chamado Ricério, nobre de nascimento e mais ainda por sua vida, que amava a Deus e fazia pouco de si mesmo, queria piedosa e ardentemente conseguir todo afeto do santo pai Francisco e por isso tinha muito medo de que o santo deixasse de gostar dele por algum motivo oculto, privando-o assim do seu afeto. Muito timorato, julgava o frade que aquele a quem São Francisco muito amasse seria digno de merecer a graça de Deus. Pelo contrário, achava que mereceria o castigo do juiz eterno aquele que não merecesse sua benevolência e atenção. Estava sempre pensando nisso, e até falava consigo mesmo em silêncio, sem revelar a ninguém o seu segredo.
Um dia, quando o santo pai estava rezando em sua cela e o referido frade apareceu por ali, perturbado pelo pensamento de sempre, o santo de Deus teve conhecimento tanto de sua chegada como de sua preocupação. Imediatamente mandou chamá-lo e lhe disse: "Filho, não te deixes perturbar por nenhuma tentação.
Nenhum pensamento te angustie. Eu gosto muito de ti, e podes ficar sabendo que estás entre os que mais estimo e és digno de minha amizade. Podes vir aqui quando quiseres, e falar comigo com toda a confiança".
O frade ficou admiradíssimo e aumentou sua veneração: começou a crescer com confiança ainda maior na misericórdia de Deus na medida em que cresceu na amizade do santo pai.
Como deve ser duro suportar tua ausência, pai santo, por quem já desanimou de encontrar outro igual a ti nesta terra! Rogamos que ajudes com tua intercessão os que vês envolvidos nos laços do pecado. Estavas cheio do espírito de todos os justos, previas o futuro e conhecias o presente. Apesar disso, sempre te destacavas pela simplicidade, para fugir da vanglória.
Mas, voltemos atrás, para retomar a ordem histórica.

CAPÍTULO 19. Cuidado pelos irmãos. Desprezo de si mesmo e verdadeira humildade.

São Francisco voltou materialmente ao convívio dos seus frades, embora espiritualmente jamais se tivesse afastado, como dissemos.
Interessava-se continuamente pelos seus, procurando saber com prudência e atenção o que todos estavam fazendo,e não deixava de repreendê-los por alguma coisa errada que descobrisse. Olhava primeiro os defeitos espirituais, depois os exteriores, e por último tratava de remover todas as ocasiões que costumam abrir as portas aos pecados.
Com todo o cuidado e especial solicitude cuidava da santa senhora pobreza. Para impedir que se chegasse a ter coisas supérfluas, não permitia que tivessem em casa a menor vasilha, se fosse possível passar sem ela sem cair na extrema necessidade. Dizia que era impossível satisfazer a necessidade sem condescender com o prazer.
Nunca ou raramente admitiu pratos cozidos. Se os aceitava, muitas vezes misturava-lhes cinza ou lhes tirava o tempero com água fria.
Quantas vezes, andando pelo mundo a pregar o Evangelho de Deus, foi convidado para almoçar com importantes príncipes que tinham toda admiração e veneração por ele, e apenas provava os pratos de carne para observar o santo Evangelho, mas ia guardando o resto dentro da roupa, embora parecesse estar comendo. E punha a mão na frente da boca,para que ninguém percebesse o que estava fazendo.
Quanto a tomar vinho, que poderei dizer, se até quando estava morto de sede não admitia beber a água que bastasse?
Onde quer que se hospedasse, não permitia que sua cama tivesse colchão e cobertas: era o chão nu que recebia seu corpo despido, em cima da túnica. Nas poucas vezes que permitia a seu frágil corpo o favor do sono, era quase sempre sentado e sem se encostar, usando no lugar do travesseiro algum tronco ou pedra.
Quando, como é natural, tinha desejo de comer, só a custo se permitia satisfazê-lo. Uma vez, estando doente, comeu um bocado de carne de galinha. Logo que recuperou as forças foi até Assis.
Chegando à porta da cidade, mandou ao frade que o acompanhava que lhe amarrasse uma corda no pescoço e o conduzisse assim, feito um ladrão, por toda a cidade, clamando como um pregoeiro: "Vejam o comilão que engordou com carne de galinha, que comeu sem vocês saberem".
Muita gente correu para ver o estranho espetáculo e se pôs a chorar e a gemer dizendo: "Pobres de nós, que passamos nossa vida cometendo crimes e que saciamos o coração e o corpo com luxúrias e bebedeiras!" E assim, de coração compungido, foram chamados a uma vida melhor por tão grande exemplo.
Tinha atitudes dessas com muita freqüência, tanto para desprezar-se com perfeição como para convidar os outros a uma honra que não se acaba. Julgava-se desprezível, sem temor nem preocupação pelo corpo, que expunha valentemente aos maus tratos, para não ser levado por seu amor a cobiçar alguma coisa terrena Verdadeiro desprezador de si mesmo, sabia ensinar os outros a se desprezarem também, falando e dando exemplo. Resultado: era exaltado por todos e todo mundo o tinha em alta conta, pois só ele mesmo se julgava o mais vil e só ele se desprezava com ardor.
Muitas vezes sentia uma dor imensa quando era venerado por todos e, para se livrar da consideração humana, encarregava alguém de o insultar. Também chamava algum irmão e lhe dizia: "Mando-te por obediência que me injuries com dureza e que digas a verdade contra a mentira dessa gente". E quando o irmão, contra a vontade, o chamava de vilão, mercenário e parasita, respondia sorrindo e aplaudindo bastante: "O Senhor te abençoe porque estás falando as coisas mais verdadeiras. É isso que o filho de Pedro Bernardone precisa ouvir!" Dizia isso para lembrar sua origem humilde.
Para mostrar quanto era desprezível e para dar aos outros um exemplo de confissão sincera, quando cometia alguma falta, não se envergonhava de confessá-la na pregação, diante de todo o povo.
Até mais: se tinha algum pensamento desfavorável sobre alguém, ou por acaso tivesse dito alguma palavra mais dura, confessava na mesma hora e humildemente o pecado à própria pessoa de quem tinha pensado ou dito mal, e lhe pedia perdão. Mesmo que não pudesse fazer a si mesmo nenhuma censura, pela solicitude com que se guardava, sua consciência não lhe dava descanso enquanto não conseguia curar com bondade a ferida espiritual.
Gostava de progredir em todo tipo de empreendimentos,mas não queria aparecer, fugindo à admiração por todos os meios, para não cair na vaidade.
Pobres de nós, que te perdemos, pai digno e exemplo de toda bondade e humildade. Foi merecidamente que te perdemos, porque quando te possuíamos não nos preocupamos em te conhecer!

1.      O que você deseja destacar neste texto?
2.      Como este texto auxilia em sua espiritualidade?


 Imagem relacionada







terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

4 - Inácio de Antioquia (35-107) Carta a Esmirna

4
Estudo sobre os Pais da Igreja: Vida e Obra
Inácio de Antioquia (35-107)
Carta a Esmirna

Imagem relacionada



Inácio de Antioquia (†110) foi o terceiro bispo da importante comunidade de Antioquia, fundada por Pedro. Conheceu pessoalmente Paulo e João. Sob o imperador Trajano, foi preso e conduzido a Roma onde morreu nos dentes dos leões no Coliseu. A caminho de Roma escreveu Cartas às igreja de Éfeso, Magnésia, Trales, Filadélfia, Esmirna e ao bispo S. Policarpo de Esmirna. Na carta aos esmirnenses, aparece pela primeira vez a expressão “Igreja Católica”.

Carta aos Esmirnenses
Esta carta foi escrita em Trôade, aproximadamente em 107 d.C. e foi destinada aos cristãos de Esmirna.
É o texto mais antigo que se tem notícia que utiliza a expressão “Igreja católica” (Esmirniotas 8:2).
Nesta carta Inácio combate a heresia do docetismo, que negava a realidade carnal de Cristo (Esmirniotas 4;5;6).
Como em todas suas cartas, o tema central é a unidade. Inácio exorta para a obediência e submissão ao bispo, mostrando que aquele que não está em comunhão com a hierarquia legitimamente instituída, não está em comunhão com Deus (Esmirniotas 8;9).

Carta aos Cristãos de Esmirna
Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja de Deus Pai e de Jesus Cristo amado, Igreja que encontrou misericórdia em todo dom da graça, repleta de fé e amor, sem que lhe falte dom algum, agradabilíssima a Deus e portadora de santidade, situada em Esmirna, na Ásia. Cordiais saudações em espírito irrepreensível e na pa­lavra de Deus.
I. Glorifico a Jesus Cristo, Deus, que vos fez tão sábios. Cheguei a saber efetivamente que estais aparelhados com fé inabalável, como que pregados de corpo e alma na Cruz do Senhor Jesus Cristo, confirmados na caridade no Sangue de Cristo, cheios de fé em Nosso Senhor, que é de fato da linhagem de Davi, segundo a carne, Filho de Deus porém consoante a vontade e o poder de Deus, de fato nascido de uma Virgem e batizado por João, a fim de que se cumpra n’Ele toda a justiça. Sob Pôncio Pilatos, e o tetrarca Herodes foi também de fato pregado (na Cruz), em carne, por nossa causa – fruto pelo qual temos a vida, pela Sua Paixão bendita em Deus – a fim de que Ele por Sua ressurreição levantasse Seu sinal para os séculos em beneficio de Seus santos fiéis, tanto judeus, como gentios, no único corpo de Sua Igreja.

II. Tudo isso padeceu por nossa causa, para obtermos salvação. Padeceu de fato, como também de fato ressuscitou a Si próprio, não padecendo só aparente­mente, como afirmam alguns infiéis. Eles é que só vivem aparentemente, e, conforme pensam, também lhes sucederá: não terão corpo e se assemelharão aos demônios.

III. Eu porém sei e dou fé que Ele, mesmo depois da ressurreição, permanece em Sua carne. Quando se apresentou também aos companheiros de Pedro, disse-lhes: Tocai em mim, apalpai-me e vede que não sou espírito sem corpo. De pronto n’Ele tocaram e creram, entrando em contato com Seu Corpo e com Seu espírito. Por isso, desprezaram também a morte e a ela se sobrepuseram. Após a ressurreição, comeu e bebeu com eles, como alguém que tem corpo, ainda que es­tivesse unido espiritualmente ao Pai.

IV. Encareço tais verdades junto a vós, caríssimos, embora saiba que também vós assim pensais. Quero prevenir-vos contra os animais ferozes em forma humana. Não só não deveis recebê-los, mas, quanto possível, não vos encontreis com eles. Só haveis de rezar por eles, para que, quem sabe, se convertam, coisa por certo difícil. Sobre eles, no entanto, tem poder Jesus Cristo, nossa verdadeira vida. Pois, se nosso Senhor só realizou as obras na aparência, então também eu estou preso só aparentemente. Por que então me entreguei a mim mesmo, à morte, ao fogo, à espada, às feras? Mas estar perto da espada é estar perto de Deus; encontrar-se em meio às feras é encontrar-se junto a Deus, unicamente, porém, quando em nome de Jesus Cristo. Para padecer junto com Ele, tudo suporto, confortado por Ele, que se tornou perfeito homem.

V. Alguns O negam, por ignorância, ou melhor, foram renegados por Ele, por serem antes advogados da morte do que da verdade. A estes não conseguiram converter as profecias, nem a lei de Moisés, nem mesmo até hoje o Evangelho e as torturas de cada um de nos. Pois sobre nós professam eles a mesma opinião. De que me vale um homem – ainda que me louve – se blasfema contra meu Senhor, não confessando que Ele assumiu carne? Quem não o professa negou-O por completo e carrega consigo seu cadáver. Os nomes deles, uma vez que são infiéis, não me pareceu necessário escrevê-los; preferiria até nem lembrar-me deles, enquanto se não converterem à Paixão, que é a nossa Ressurreição.

VI. Ninguém se iluda: mesmo os poderes celestes e a glória dos anjos, até os arcontes – visíveis e in­visíveis hão de sentir o juízo, caso não crerem no sangue de Cristo. Compreenda-o quem for capaz de o compreender. Ninguém se ufane de sua posição, pois o essencial é a fé e o amor, e nada se lhes prefira. Considerai bem como se opõem ao pensamento de Deus os que se prendem a doutrinas heterodoxas a respeito da graça de Jesus Cristo, vinda a nós. Não lhes importa o dever de caridade, nem fazem caso da viúva e do órfão, nem do oprimido, nem do prisioneiro ou do liberto, nem do que padece fome ou sede.

 VII. Abstêm-se eles da Eucaristia e da oração, por­que não reconhecem que a Eucaristia é a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, carne que padeceu por nos­sos pecados e que o Pai, em Sua bondade, ressuscitou. Os que recusam o dom de Deus, morrem disputando. Ser-lhes-ia bem mais útil praticarem a caridade, para também ressuscitarem. Convém, pois, manter-se longe de tais pessoas, deixar de falar delas em particular e em público, e passar toda a atenção aos Profetas, especialmente ao Evangelho, pelo qual se nos patenteou a Paixão e se consumou a Ressurreição. Fugi das dissensões, fonte de misérias.

VIII. Sigam todos ao bispo, como Jesus Cristo ao Pai; sigam ao presbitério como aos apóstolos. Acatem os diáconos, como à lei de Deus. Ninguém faça sem o bispo coisa alguma que diga respeito à Igreja. Por legítima seja tida tão-somente a Eucaristia, feita sob a presidência do bispo ou por delegado seu. Onde quer que se apresente o bispo, ali também esteja a comunidade, assim como a presença de Cristo Jesus também nos assegura a presença da Igreja católica. Sem o bispo, não é permitido nem batizar nem celebrar o ágape. Tudo, porém, o que ele aprovar será também agradável a Deus, para que tudo quanto se fizer seja seguro e legítimo.

IX. No mais, é razoável voltarmos ao bom-senso, e convertermo-nos a Deus, enquanto ainda for tempo. Bom é tomarmos conhecimento de Deus e do bispo. Quem honra o bispo será também honrado por Deus; quem faz algo às ocultas do bispo presta culto ao diabo. Que tudo redunde em graça a vosso favor, pois bem o mereceis. Vós me confortastes de toda maneira e Jesus Cristo a vós. As provas de carinho me seguiram, presente estivesse eu ou ausente. Que Deus seja a paga, por cujo amor tudo suportais, pelo que também haveis de chegar a possuí-lo.

X. Fizestes bem em receber, como diáconos de Cristo-Deus, a Fílon e Reos Agátopos – que pela causa de Deus me seguiram. Agradecem eles ao Senhor por vós, porque os confortastes de toda a sorte. Nada disso se perderá para vós. Dou-vos como preço de resgate meu espírito e minhas algemas que vós não desprezastes e de que também não vos envergonhastes. Jesus Cristo também de vós não se envergonhará, Ele que é a fé perfeita.

XI. Vossa oração aproveitou à Igreja de Antioquia na Síria, de onde vim preso com grilhões, tão do agrado de Deus, e donde a todos saúdo, embora não seja digno de ser de lá, eu, o menor dentre eles. Mas, pela vontade de Deus, fui tido por digno, não pelo julgamento de minha consciência, mas sim pela graça de Deus. Desejo que ela me seja concedida em sua perfeição, a fim de que eu, por meio de vossa oração, encontre a Deus. No entanto, para que vossa obra seja per­feita, tanto na terra como no céu, cumpre que a Vossa Igreja, para honra de Deus, escolha um seu legado que vá até a Síria, para se congratular com eles, porque gozam novamente de paz, readquiriram sua grandeza e lhes foi restaurado o corpo. É a meu ver de fato obra digna enviardes um legado de vosso meio, com uma carta, a fim de celebrar com eles a paz que lhes foi con­cedida, consoante a vontade de Deus, pois já chegaram ao porto, graças à vossa oração. Sendo perfeitos, pensai também no que é perfeito, pois se tencionais agir bem, Deus está igualmente disposto a vo-lo conceder.

XII. Saúda-vos a caridade dos irmãos de Trôade, donde vos escrevo por intermédio de Burrus, a quem enviastes juntamente com os efésios, vossos irmãos, para me fazer companhia. Animou-me em todo sentido. Todos deveriam imitá-lo como exemplo no serviço de Deus. A graça o recompensará em todo sentido. Saudações ao bispo, digno de Deus, a vosso presbitério tão agradável a Deus, aos diáconos, meus companheiros de serviço a cada um em particular e a todos em geral, em nome de Jesus Cristo, na Sua carne e no Seu sangue, na Paixão e na Ressurreição, em corpo e alma, na unidade de Deus e na vossa. Para vós a graça, a misericórdia, a paz, e a paciência para todo sempre.

XIII. Saudações às famílias de meus irmãos, com suas esposas e filhos e com as virgens, chamadas viúvas. Passar bem na força do Pai. Saudações da parte de Fílon que está comigo. Meus cumprimentos à família de Tavia, a quem desejo se robusteça na fé e na caridade, tanto corporal como espiritual. Saudações a Alceu, nome tão querido, a Dafnos o incomparável e a Eutecno. Enfim, a todos nominalmente. Passar bem na graça de Deus.



Pergunta ao Grupo:
1.      Qual o versículo você deseja destacar na carta a Esmirna?

2.      Quais contribuições poderemos retirar desta carta para a nossa espiritualidade? 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

3 - Santo Inácio de Antioquia (35-107) - Carta à Policarpo

3
Estudo sobre os Pais da Igreja: Vida e Obra
Santo Inácio de Antioquia (35-107)
Carta a Policarpo



Patrologia: Vida do Pai da Igreja
Inácio (35-98 ou 107) foi bispo de Antioquia da Síria entre 68 e 107, discípulo do apóstolo João, e que também conheceu o apóstolo Paulo.
Segundo Eusébio de Cesareia (263-339), em seu livro História Eclesiástica, Inácio foi o terceiro bispo de Antioquia da Síria. Com a perseguição da Igreja, Inácio foi detido pelas autoridades e transportado para Roma, onde foi condenado à morte no Coliseu, e foi martirizado por leões.
As autoridades romanas esperavam fazer dele um exemplo e, assim, desencorajar o cristianismo, porém sua viagem a Roma ofereceu-lhe a oportunidade de conhecer e ensinar os conceitos cristãos, e no seu percurso, Inácio escreveu seis cartas para as igrejas da região e uma para um colega bispo, Policarpo. Ao falar sobre sua execução, Inácio disse a famosa expressão: "Trigo de Cristo, moído nos dentes das feras".
Inácio escreveu sete cartas, as chamadas Epístolas de Inácio:
·         Epístola a Policarpo,
·         Epístola aos Efésios,
·         Epístola aos Esmirniotas,
·         Epístola aos Filadélfos,
·         Epístola aos Magnésios,
·         Epístola aos Romanos
·         Epístola aos Trálios.

Inácio orientou a Igreja sobre vários assuntos doutrinários principalmente sobre o respeito ao Bispo, ao Presbítero e ao Diácono, sobre a Trindade, sobre a Eucaristia e o Culto Cristão.
Sobre o dia de Culto, Inácio declara que os cristãos herdeiros da Nova Aliança não guardam mais o sábado, mas se reúnem no dia do Senhor (o domingo).
            Eusébio diz que Inácio escreveu à igreja de Roma uma carta em que expõe sua súplica para que não intercedam por ele, para não privá-lo do martírio, sua sonhada esperança:
            "Oxalá pudesse eu usufruir das feras que me estão preparadas! Espero encontrá-las bem ligeiras para comigo. Chegarei até a adulá-las para que me devorem rapidamente e não me façam o que fizeram a alguns, que por temor não tocaram, e se fazem de preguiçosas e não querem, eu mesmo as forçarei. Perdoai-me. Eu sei o que me convém. Agora estou começando a ser discí­pulo. Que nenhuma coisa visível ou invisível tenha ciúme de que eu alcance a Jesus Cristo. Fogo, cruz e manadas de feras, dispersão de ossos, destroçamento de membros, trituração do corpo todo e tormentos do diabo venham sobre mim, contanto somente que eu alcance a Jesus Cristo." (História Eclesiástica – Livro II – 26.6-9).

Patrística: Escrito do Pai da Igreja

Carta a Policarpo
Esta carta foi escrita em Trôade, proximadamente em 107 d.C..
Esta carta Inácio destina a Policarpo, discípulo do Apóstolo São João e bispo de Esmirna.
A carta trata de recomendações quanto à direção da Igreja e ao combate aos hereges. Através dela podemos notar que Policarpo era muito mais jovem que Inácio e possui pouca experiência no episcopado.
Como em todas suas cartas, Inácio também recomenda à comunidade a união com a hierarquia da Igreja, para a glória de Deus (Carta a Policarpo 6) e confessa a fé na divindade de Jesus Cristo (Carta a Policarpo 8:3).

A Carta de Inácio de Antioquia a Policarpo
Inácio, também chamado Teóforo, a Policarpo, bispo da Igreja dos Esmirnianos, que, antes, tem por bispo Deus Pai e o Senhor Jesus Cristo, muitas saudações

I 1. Saudando o teu caráter firmado em Deus, como sobre uma pedra irremovível, considero muitíssimo, és digno da tua imagem irrepreensível, em que me agrado em Deus. 2. Exorto-te, na graça em que estás revestido, a cuidar da tua corrida e exortar todos, a fim de que se salvem. Defende o teu lugar com todo cuidado carnal e espiritual. Pensa na união, de que não há nada melhor. Sustenta todos, como também o Senhor a ti. Suporta todos em amor, assim como também fazes. 3. Entrega-te a orações incessantes. Pede mais inteligência do que tens. Mantém desperto o espírito adquirido. Fala aos que são segundo o homem e aos que são segundo o caráter de Deus. Sustenta as doenças de todos, como um atleta perfeito. Onde há muito trabalho, há muito ganho.

II 1. Se amas discípulos bons, não há graça em ti. Antes, submete os mais contaminados em mansidão. Nem todo ferimento é tratado com o mesmo emplastro. Faz cessar as agitações provocadas pelas fomentações. 2. Torna-te prudente como a serpente em tudo e puro para sempre como a pomba. Por isso és carnal e espiritual, para que cultives as coisas reveladas à tua pessoa. Pede para que as coisas invisíveis te sejam reveladas, de modo que nada abandones e superabundes em toda graça. 3. A época te chama – como o piloto, os ventos e o agitado pela tempestade, um porto – para fazer a vontade de Deus. Sê sóbrio, como um atleta de Deus; o prêmio é a incorruptibilidade e a vida eterna, a respeito das quais estás convencido. Em todas as coisas, eu e as minhas cadeias, que tu amas, somos a tua garantia.

III 1. Não te espantem os que parecem dignos de confiança e têm outro ensino. Coloca-te firme como uma bigorna golpeada. Ser castigado e vencer é próprio do grande atleta. Principalmente, é-nos preciso suportar todas as coisas por causa de Deus, a fim de que Ele também nos suporte. 2. Torna-te mais dedicado do que és. Entende os tempos. Aguarda o que está acima do tempo, atemporal, invisível, por nós visível, impalpável, o que nada sofre, por nós sofredor, o que por nós suporta tudo, de todas as maneiras.

IV 1. As viúvas não sejam negligenciadas. Depois do Senhor, sê tu o cuidador delas. Nada seja feito sem o teu conhecimento, nem tu faças algo sem o conhecimento de Deus, como não fazes. Mantém-te firme. 2. As reuniões sejam feitas com freqüência. Busca todos pelo nome. 3. Não trata escravos e escravas com arrogância; mas eles não sejam cheios de orgulho, mas sirvam mais, para a glória de Deus, a fim de que obtenham de Deus maior liberdade. Não amem ser libertados do comum, a fim de que não sejam achados escravos da lascívia.

V 1 Foge das más obras, antes, dá instrução sobre elas. Conversa com minhas irmãs, para amar o Senhor e estar satisfeitas com os maridos, na carne e no espírito. Semelhantemente, ordena também aos meus irmãos amar as esposas como o Senhor, a igreja. 2. Se alguém pode permanecer em castidade para honra da carne do Senhor, permaneça sem se vangloriar. Se se vangloriar, perdeu-se, e se vier a ser mais do que o bispo, está corrompido. Convém aos que casam e às que casam fazer a união com o conhecimento do bispo, a fim de que o casamento seja segundo o Senhor e não segundo a paixão. Todas as coisas se tornem para a honra de Deus.

VI 1. Aproximai-vos do bispo, para que também Deus se aproxime de vós. Eu sou a garantia dos que se submetem ao bispo, presbíteros e diáconos. E com eles a minha parte possa se fazer ter em Deus. Trabalhai uns com os outros, combatei juntos, correi juntos, sofrei juntos, dormi juntos, despertai juntos, como administradores, assistentes e servidores de Deus. 2. Agradai aquele por quem estais combatendo, de quem também recebeis o soldo. Nenhum de vós seja encontrado como desertor. O vosso batismo permaneça como armas, a fé, como elmos, o amor, como lança, a perseverança, como armadura. As vossas obras são o vosso depósito, para que recebais os vossos dignos pagamentos. Portanto, tende longanimidade uns para com os outros em mansidão, como Deus tem convosco. Que eu possa me agradar de vós em tudo.

VII 1. Uma vez que a igreja em Antioquia da Síria vive em paz, como me foi mostrado, por vossa oração, também eu me torno mais alegre na segurança em Deus, contanto que, através do sofrer de Deus, eu alcance o desejado para ser-me encontrado vosso discípulo na ressurreição. 2. Convém, Policarpo mais que bem-aventurado de Deus, conduzir uma assembleia mais conveniente a Deus e eleger alguém, que vós tendes como muito amado e diligente, que poderá ser chamado de corredor de Deus. Decida isso, para que passes para a Síria. 3. O cristão não tem poder dele mesmo, mas descansa em Deus. Essa é a obra de Deus e vossa, quando a cumpres. Confio na graça em que estais dispostos a avançar para fazer a boa obra de Deus. Conhecendo a vossa diligência pela verdade, exorto-vos por poucas letras.

VIII 1. Uma vez que não foi possível escrever a todas as igrejas devido ao meu súbito navegar de Trôade para Neápolis, como a vontade ordena, escreve às igrejas em frente, como conhecimento adquirido de Deus, para também elas fazer o mesmo (os que podem enviar andarilhos, outros, epístolas, através dos enviados por ti, a fim de que estejais decididos pela obra eterna), como sendo digno. 2. Saúdo todos pelo nome e a mulher de Epitropo, junto com toda a casa dela e as crianças. Saúdo Átalo, o meu querido. Saúdo o que está para ser declarado digno de ir para a Síria. A graça estará com ele em tudo e com o que o envia, Policarpo. 3. Oro para vos fortalecer em tudo no nosso Deus Jesus Cristo, em quem permaneceis na unidade de Deus e no bispo. Saúdo Alceu, meu nome querido. Andai no Senhor.

Pergunta ao Grupo:
A Vida de Inácio de Antioquia é um desafio para a nossa espiritualidade? Por quê?
Qual o versículo você deseja destacar na carta a Policarpo?

Quais contribuições poderemos retirar desta carta para a nossa espiritualidade?