segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

39 - Militão de Sardes (†177) Homilias


39
Estudo sobre os Pais da Igreja: Vida e Obra
Militão de Sardes (†177)
Homilias

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1. Homilia de Páscoa: «Magoado com a dureza dos seus corações»

É Ele o cordeiro sem voz, é Ele o cordeiro imolado, Ele que nasceu de Maria, a cordeira cheia de graça. Ele é o que foi retirado do rebanho para ser conduzido ao matadouro...
Ele foi conduzido à morte. Onde? No coração de Jerusalém. Porquê ? Porque tinha cuidado dos seus coxos, purificado os seus leprosos, devolvido a luz aos seus cegos e ressuscitado os seus mortos (Lc 7,22). Eis a razão por que sofreu. Está escrito na Lei e nos profetas: “Pagaram-me o mal pelo bem. A minha alma vive o abandono; meditaram o mal contra mim. Prendamos o justo, diziam ele, porque nos é odioso” (Sl 37,21 ; Jr 11,19).
Porque cometeste este crime sem nome? Desonraste aquele que te tinha honrado, humilhaste o que te tinha exaltado, renegaste aquele que te tinha reconhecido, rejeitaste o que te tinha chamado, mataste aquele que te dava a vida... Era preciso que ele sofresse, mas não por ti. Era preciso que fosse julgado, mas não por ti. Era preciso que fosse crucificado, mas não pelas tuas mãos. Porque não rezaste a Deus esta oração: “Ó Senhor, se é preciso que o teu filho sofra, se é essa a tua vontade, que ele sofra, mas não por mim”.

2. Homilia de Páscoa: «O mistério da Páscoa: a novidade do Verbo encarnado»

Sobre a Páscoa
Foi lida a Escritura a respeito do êxodo hebreu, foram explicadas as palavras do mistério: como a ovelha foi imolada e o povo foi salvo.
Compreendei, pois, caríssimos! É assim
novo e antigo,
eterno e temporal,
corruptível e incorruptível,
mortal e imortal
o mistério da Páscoa:
antigo segundo a Lei,
novo segundo o Verbo;
temporal na figura,
eterno na graça;
corruptível pela imolação da ovelha,
incorruptível pela vida do Senhor;
mortal pela sepultura, na terra,
imortal pela ressurreição dentre os mortos.
Antiga a Lei, novo o Verbo;
temporal a figura, eterna a dádiva;
corruptível a ovelha, incorruptível o Senhor,
o qual, imolado como cordeiro, ressurgiu como Deus.
Pois, como a ovelha, foi levado ao matadouro,
mas não era ovelha;
como o cordeiro, não abriu a boca,
mas não era cordeiro.
Passou a figura, persiste a realidade.
Em vez do cordeiro, Deus presente,
em vez da ovelha, um homem,
e neste homem, Cristo,
aquele que sustém todas as coisas.
Assim, o sacrifício da ovelha,
e a solenidade da Páscoa,
e a letra da Lei,
cederam lugar ao Cristo Jesus,
por causa do qual tudo sucedera na antiga Lei,
e muito mais sucede na nova disposição.
Pois a Lei se converteu em Verbo,
o antigo em novo,
ambos saídos de Sião, e de Jerusalém.
O mandamento se converteu em dádiva,
a figura em realidade,
o cordeiro em Filho,
a ovelha em homem,
o homem em Deus.
Com efeito, aquele que nascera como Filho,
e fora conduzido como cordeiro,
sacrificado como ovelha,
sepultado como homem,
ressuscitou dentre os mortos como Deus,
sendo por natureza Deus e homem.
Ele é tudo:
enquanto julga, é lei;
enquanto ensina, Verbo;
enquanto gera, pai;
enquanto sepultado, homem;
enquanto ressurge, Deus;
enquanto gerado, Filho;
enquanto padece, ovelha;
ele, Jesus Cristo,
a quem seja dada a glória pelos séculos. Amém.
Tal é o mistério da Páscoa,
como foi descrito na Lei
e como o acabamos de ler.

3. Homilia: As figuras do Antigo Testamento,
suplantadas pela realidade do Novo.

A salvação do Senhor e a realidade
foram prefiguradas no povo ( judeu),
as prescrições do Evangelho prenunciadas pela Lei.
O povo era como o esboço de um plano,
a Lei como a letra de uma parábola;
mas o Evangelho é a explicação da Lei e seu cumprimento,
e a Igreja o lugar onde isso se realiza.
O que existia como figura era valioso
antes que ocorresse a realidade,
maravilhosa a parábola antes que viesse a explicação.
O povo tinha seu valor antes que se estabelecesse a Igreja,
Lei era admirável antes que refulgisse o Evangelho.
Mas quando surgiu a Igreja e se apresentou o Evangelho,
esvaziou-se a figura, sua força passou para a realidade,
a Lei se cumpriu, transfundiu-se no Evangelho...
O povo perdeu razão de ser quando veio a Igreja,
a imagem se fez abolida quando apareceu o Senhor.
O que antes era valioso perdeu seu valor,
frente à manifestação do que era realmente valioso por natureza.
Valioso era antes o sacrifício da ovelha,
agora perdeu o valor, por causa da vida do Senhor.
Valiosa era a morte da ovelha,
agora perdeu o valor, por causa da salvação do Senhor.
Valioso era o sangue da ovelha,
mas perdeu o valor, por causa do Espírito do Senhor.
Valioso era o cordeiro que não abria a boca,
mas perdeu o valor, por causa do Filho sem mácula.
Valioso era o templo terreno,
mas perdeu o valor, por causa do Cristo celeste.
Valiosa era a Jerusalém de baixo,
mas perdeu o valor, por causa da Jerusalém do alto.
Valiosa era a pequena herança,
mas perdeu o valor por causa da amplitude do dom.
Porque não foi em parte alguma da terra,
em nenhuma faixa estreita da terra
que se estabeleceu a glória de Deus,
e sim por todos os confins se derramou seu dom,
em toda parte armou sua tenda o Deus onipotente.
Por Jesus Cristo,
a quem seja dada glória pelos séculos. Amém.


4. Homilia: O Pecado do Homem
Deus, no princípio,
tendo criado pelo Verbo o céu,
a terra e tudo o que neles se encerra,
modelou do barro o homem
e comunicou-lhe seu sopro.
Colocou-o em seguida num jardim
voltado para o Oriente, o Eden,
para que ali vivesse feliz.
E deu-lhe um mandamento...
Mas o homem,
sendo por natureza capaz do bem e do mal,
como uma porção de terra
capaz de receber sementes boas e más,
escutou ao conselheiro hostil
e, tomando o fruto da árvore,
transgrediu o mandamento,
desobedeceu a Deus.
Por conseguinte,
foi deixado neste mundo,
como numa prisão de condenados.
Após muitos anos
e após gerar numerosa prole,
voltou à terra,
de cuja árvore colhera o fruto,
legando a seus filhos esta herança...
não a pureza, mas a luxúria,
não a imortalidade, mas a corrupção,
não a honra, mas a desonra,
não a liberdade, mas a escravidão,
não a realeza, mas a tirania,
não a vida, mas a morte,
não a salvação, mas a perdição.
Nova e terrível tornou-se a ruína dos homens sobre a terra.
Eis o que lhes aconteceu:
foram tiranizados pelo pecado,
e levados a lugares de concupiscência,
para viverem assaltados por prazeres insaciáveis,
pelo adultério, a fornicação, a impureza,
os maus desejos, a cobiça,
os homicídios, o derramamento de sangue,
a tirania da maldade e da injustiça.
Era o pai lançando a espada contra o filho,
o filho erguendo a mão contra o pai,
o ímpio golpeando a lactante,
o irmão ferindo o seu irmão,
o hospedeiro injuriando o hóspede,
o amigo assassinando seu amigo,
o homem degolando o semelhante.
Todos se transformaram na terra em homicidas,
fratricidas, parricidas, infanticidas...
E com isso exultava o Pecado:
colaborador da Morte,
precedia-a nas almas dos homens
e preparava-lhe como alimento os corpos mortos.
Imprimia em toda alma sua marca,
para fazer morrer os que a traziam.
Toda carne, pois, caiu sob o pecado,
e todo corpo sob a morte.
Toda alma foi arrancada de sua morada de carne
e o que foi tirado da terra se dissolveu na terra,
o que foi dado por Deus se encarcerou no Hades.
Estava destruída a bela harmonia,
desfeito o belo corpo.
O homem dividido sob o poder da morte,
estranha desgraça a aprisioná-la:
Era arrastado como cativo pelas sombras da morte,
jazia abandonada a imagem do Pai.
Eis a razão por que se cumpriu o mistério da Páscoa
no corpo do Senhor.


5. Homilia: O Desígnio Salvador em Cristo
O Senhor havia ordenado de antemão seus próprios padecimentos nos patriarcas, nos profetas e em todo o povo, pondo como seu selo a Lei e os profetas. Pois o que devia realizar-se de modo inaudito e grandioso estava preparado desde muito, a fim de que ao suceder fosse crido, depois de tão vaticinado (...)
Antigo e novo o mistério do Senhor:
antigo na figura, novo no dom.
Se vês a figura,
verás a realidade ao longo de sua atuação.
Se queres contemplar o mistério do Senhor
verás Abel, assassinado como ele,
Isaac, aprisionado como ele,
José, vendido como ele,
Moisés, exposto como ele,
Davi, perseguido como ele,
os profetas padecendo como ele e por causa dele.
Contempla também o cordeiro degolado na terra egípcia,
que abateu o Egito e salvou a Israel por seu sangue (...)
Aquele que veio dos céus à terra por causa do homem que sofria,
e se revestiu do homem nas entranhas de uma Virgem,
aparecendo como homem.
Aquele que assumiu os sofrimentos de quem sofria,
tomando um corpo capaz de sofrer,
aquele que anulou os sofrimentos da carne,
destruindo com seu espírito imortal a morte homicida (...)
Aquele que nos tirou da escravidão para a liberdade,
das trevas para a luz,
da morte para a vida,
da tirania para o reino eterno.
Que fez de nós um sacerdócio novo
e um povo escolhido para sempre,
Ele, a Páscoa de nossa salvação...
Ele, que se encarnou numa Virgem,
se deixou suspender na cruz,
foi sepultado na terra,
ressuscitou dos mortos,
foi arrebatado aos céus.
Ele, o cordeiro emudecido,
o cordeiro imolado,
nascido de Maria, a ovelha bela,
o cordeiro levado do rebanho ao matadouro,
sacrificado à tarde, sepultado à noite.
Não lhe quebraram os ossos no madeiro,
na terra não sofreu a corrupção,
mas ressurgiu dentre os mortos,
ressuscitou o homem das profundezas do sepulcro.
Ele, entregue à morte.
Onde?
No meio de Jerusalém.
Por que?
Porque curou os coxos,
purificou os leprosos,
trouxe a luz aos cegos,
despertou os mortos.
Por isto padeceu...
Por que cometeste, ó Israel, tão grande injustiça,
entregando teu Senhor a tais sofrimentos,
ele, teu amo,
ele, que te plasmou,
te criou,
te honrou,
te chamou Israel?
Não te mostraste" Israel" pois não viste a Deus,
não reconheceste o Senhor,
não soubeste ser ele o primogênito de Deus,
aquele que foi gerado antes da estrela matutina,
aquele que fez brotar a luz,
fez brilhar o dia,
separou as trevas,
firmou o primeiro fundamento,
suspendeu a terra,
secou o abismo,
estendeu o céu,
organizou o mundo,
dispôs no alto os astros,
fez resplandecer as estrelas,
fez os anjos celestiais,
fixou nas alturas os tronos,
modelou na terra o homem!
Ele, o que te escolheu e te guiou de Adão a Noé,
de Noé a Abraão,
de Abraão a Isaac, a Jacó e aos patriarcas;
aquele que te conduziu ao Egito e te protegeu e sustentou,
que iluminou teu caminho com a coluna de fogo,
te ocultou sob a nuvem,
e dividiu o mar Vermelho para atravessares suas águas.
Que dispersou teu inimigo,
te deu o maná do alto,
e a água da pedra.
Que te deu a Lei em Horeb,
e te fez herdar a terra,
que te enviou os profetas.
Verdadeiramente é amarga
conforme está escrito:
"Comereis pães ázimos com ervas amargas".
Amargos para ti os cravos que afiaste,
amarga a língua que aguçaste,
amargas as falsas testemunhas que propuseste,
amargas as cordas que preparaste.
amargos os açoites que descarregaste,
amargo para ti foi Judas, a quem pagaste,
amargo Herodes a quem obedeceste,
amargo Caifás, em quem confiaste,
amargo o fel que ofereceste,
o vinagre que cultivaste,
amargos os espinhos que ajuntaste,
amargas as mãos que ensanguentaste.
Entregaste teu Senhor à morte, no meio de Jerusalém...
O triunfo de Cristo
Ele, o Senhor, revestido do homem,
padecente pelo homem que sofria,
atado pelo homem prisioneiro,
julgado em prol do culpado,
sepultado pelo que jazia na terra,
ressurgiu dentre os mortos e clamou em alta voz:
"Quem se levantará em juízo contra mim?
Venha defrontar-se comigo!
Eu libertei o condenado,
vivifiquei o morto,
reergui o sepultado.
Quem me irá contradizer?
Eu, o Cristo, destruí a morte,
triunfei do inimigo,
esmaguei o inferno,
rnanietei o forte,
arrebatei o homem para as alturas dos céus.
Eu, o Cristo!
Vinde, pois, famílias dos homens manchadas por pecados,
recebei o perdão dos pecados!
Pois sou vosso perdão,
eu, a Páscoa da salvação,
O cordeiro imolado por vós,
a vossa redenção,
a vossa vida,
a vossa ressurreição,
a vossa luz,
a vossa salvação,
o vosso rei.
Eu vos elevarei à sublimidade dos céus,
e vos mostrarei o Pai que existe desde os séculos,
vos ressuscitarei por minha destra".
A Ele, o Cristo,
o Alfa e o Omega,
o Começo e o Fim,
o Inenarrável Começo,
o Incompreensível Fim,
o Rei,
a Ele, Jesus,
o Chefe,
o Senhor,
O que ressurgiu dentre os mortos,
O que está assentado à direita do Pai,
O que conduz ao Pai e é conduzido pelo Pai,
a Ele, glória e poder pelos séculos. Amém.

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Como o texto serviu para sua espiritualidade?


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

38 - Estudo sobre os Pais da Igreja: Vida e Obra Militão de Sardes (†177) Introdução

38
Estudo sobre os Pais da Igreja: Vida e Obra
Militão de Sardes (†177)
Introdução

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No fim do segundo século, conforme mostra a obra História Eclesiástica, de Eusébio de Cesaréia, Polícrates de Éfeso enviou a Roma uma carta na qual defendia a observância da “Páscoa no décimo quarto dia, segundo o evangelho, sem nenhuma transgressão, mas conformando-se à regra da fé”.
De acordo com essa carta, Melito — bispo de Sardes, em Lídia — era um dos que defendia o dia 14 de nisã como a data a ser observada.
A carta afirmava que os contemporâneos de Melito o consideravam um dos ‘grandes luminares que adormeceram na morte’. Polícrates disse que Melito não se casou e “viveu inteiramente sob o Espírito Santo e repousa em Sardes, esperando a visita do Senhor que virá dos céus, quando ressuscitará dos mortos”.
Melito foi um homem corajoso e determinado. De fato, ele escreveu uma Apologia dos cristãos — uma das primeiras de que há registro — dirigida a Marco Aurélio, imperador romano de 161 EC a 180 EC.
Ele não tinha medo de defender o cristianismo e de denunciar homens perversos e gananciosos. Esses homens procuravam obter várias ordens imperiais como desculpa para perseguir e condenar injustamente os cristãos, a fim de roubarem seus bens.
Melito corajosamente escreveu o seguinte ao imperador: “Nós te apresentamos apenas o pedido de tomares conhecimento primeiramente de quais são os invejosos e sentencieis de acordo com o direito se eles são merecedores de morte e suplício ou de salvação e tranquilidade. Se, porém, de ti não se originam essa decisão e esse novo edito, que nem mesmo conviriam contra bárbaros inimigos, postulamos com a maior insistência que não nos deixes entregues a essa pública rapina.”

Melito demonstrava muito interesse no estudo das Escrituras Sagradas. Embora não tenhamos uma lista completa de suas obras, os títulos de algumas delas revelam o interesse que ele tinha em assuntos bíblicos. Estes são alguns dos títulos: Da Maneira de Viver e das Profecias; A Fé do Homem; A Criação; O Batismo; A Verdade, a Fé e o Nascimento de Cristo; A Hospitalidade e a Chave; O Diabo e Apocalipse de João.
Fez questão de viajar para terras bíblicas a fim de pesquisar o número exato de livros das Escrituras Hebraicas. A respeito disso ele escreveu: “Tendo ido, portanto, ao Oriente e tendo estado até mesmo no lugar onde a Escritura foi anunciada e cumprida, tive exato conhecimento acerca dos livros do antigo Testamento. Levantei uma lista, que te envio.”
Essa lista não menciona os livros de Neemias e de Ester, porém, é o mais antigo catálogo dos livros canônicos das Escrituras Hebraicas em obras de professos cristãos.
Durante sua pesquisa, Melito compilou uma série de versículos, tirados das Escrituras Hebraicas, que contêm profecias acerca de Jesus.
A obra de Melito intitulada Éclogas mostra que Jesus era o muito esperado Messias e que a Lei mosaica e os Profetas apontavam para Cristo.

Era notória a forte presença judaica em cidades importantes da Ásia Menor. Os judeus de Sardes, onde Melito vivia, observavam a Páscoa hebraica em 14 de nisã. Melito escreveu um sermão, com o título A Páscoa, que mostrava a legitimidade da Páscoa segundo a Lei mosaica e defendia a observância cristã da Refeição Noturna do Senhor em 14 de nisã.
Depois de fazer comentários sobre o capítulo 12 de Êxodo e de mostrar que a Páscoa prefigurava o sacrifício de Cristo, Melito explicou que, uma vez que Deus já havia abolido a Lei mosaica, não fazia sentido os cristãos observarem a Páscoa.
Depois ele mostrou por que o sacrifício de Cristo era necessário: Deus colocou Adão num paraíso onde ele poderia viver feliz. Mas o primeiro homem desobedeceu à ordem de não comer da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau. Por isso, surgiu a necessidade de um resgate.
Melito reafirmou que Jesus havia sido enviado à Terra e morrido numa cruz para resgatar do pecado e da morte quem acreditasse nele. É interessante que Melito tenha usado a palavra grega xylon, que significa “madeiro”, ao escrever sobre a cruz em que Jesus morreu.
Melito não era conhecido apenas na Ásia Menor. Tertuliano, Clemente de Alexandria e Orígenes conheciam suas obras.
No entanto, o historiador Raniero Cantalamessa declara: “O declínio de Melito, que levou ao desaparecimento gradual das suas obras, começou quando os quartodecimanos (que guardavam o dia 14 de Nisa para comemorar a Páscoa) passaram a ser considerados hereges — depois que o costume de celebrar a Páscoa Dominical ficou estabelecido.”
Por fim, as obras de Melito desapareceram quase por completo.
Melito nos proveu com o que é possivelmente o mais antigo cânon cristão do Antigo Testamento conhecido, tendo viajado por toda a Palestina (e provavelmente à famosa biblioteca de Cesareia Marítima) tentando obter informações sobre este assunto.
O cânon de Melitão era este:
De Moisés, cinco livros: Gênesis, Êxodo, Números, Levítico e Deuteronômio; Josué (filho de Nun), Juízes, Rute; de Reis, quatro livros; de Crônicas, dois; de Salmos de Davi, de Provérbios de Salomão (Sabedoria) também, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Jó; de profetas: Isaías, Jeremias; dos doze profetas menores, um livro; Daniel, Ezequiel e Esdras.

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sábado, 10 de fevereiro de 2018

37 Estudo sobre os Pais da Igreja: Vida e Obra Hipólito de Roma (160 - 235) Obra: Tradição Apostólica Partes 3 e 4

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37
Estudo sobre os Pais da Igreja: Vida e Obra
Hipólito de Roma (160 - 235)
Obra: Tradição Apostólica
Partes 3 e 4

I. A Comunhão dominical
No domingo pela manhã, o bispo distribuirá a comunhão, se puder, a todo o povo com as próprias mãos, cabendo aos diáconos partir do pão. Os presbíteros também poderão parti-lo. Quando o diácono apresentar a eucaristia ao presbítero, estenderá o vaso e o próprio presbítero o tomará e distribuirá ao povo pessoalmente. Nos outros dias, os fiéis receberão a eucaristia de acordo com as ordens do bispo.

II. O jejum
As viúvas e as virgens devem jejuar e orar freqüentemente pela Igreja. Os presbíteros e os leigos podem jejuar quando quiserem. O bispo, porém, não pode jejuar a não ser no dia em que todo o povo o faz, pois é possível que alguém queira levar algo até a igreja, não podendo ele recusar. Pois, se partir o pão, deverá prová-lo.

III. O Ágape
Caso o presbítero não esteja presente, o diácono dará, em casos de urgência, o sinal [signum] aos enfermos com cuidado. Após dar o necessário e receber o que for distribuído, dará graças e aí comerão. Todos aqueles que recebem algo devem dar com cuidado: se alguém receber algo para levar a uma viúva, um doente ou alguém que se dedique à Igreja, devem levá-lo no mesmo dia. Se não o fizer, deve levar no dia seguinte, acrescentando com algo de seu por ter permanecido na sua casa o pão dos pobres.

IV. A lucerna
No início da noite, com a presença do bispo, o diácono trará a lucerna e aquele, de pé no meio de todos os fiéis presentes, dará graças. Primeiramente, fará a saudação, dizendo: ─ O Senhor esteja convosco! O povo responderá: ─ E com o teu espírito! [Dirá:] ─ Demos graças ao Senhor! E responderão: ─ É digno e justo. A Ele convém a grandeza e a exaltação com a glória. Não dirá: "Corações ao alto", porque já o faz no Sacrifício, mas orará da seguinte forma: ─ Graças te damos, Senhor, pelo teu Filho Jesus Cristo Nosso Senhor, pelo qual nos iluminaste, revelando-nos a luz incorruptível. Atingindo agora o fim do dia e chegando a noite, tendo-nos saturado a luz do dia que criaste para nos saciar, e não carecendo agora da luz da tarde pela tua graça, louvamos-te e glorificamos-te, pelo teu Filho Jesus Cristo Nosso Senhor, por quem a ti a glória, o poder e a honra, com o Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém. Responderão todos: ─ Amém. Terminada a Ceia, de pé, todos orarão e os meninos e as virgens entoarão salmos. A seguir, o diácono, ao receber o cálice preparado do sacrifício, entoará um desses salmos que possui a palavra "Aleluia". Se o presbítero ordenar, entoará outro salmo do mesmo tipo. Depois que o bispo oferecer o cálice, dirá um dos que a este se referem, tudo com "Aleluia", e todos repetirão. Recitando-os, repetirão sempre "Aleluia", que significa "louvamos Aquele que é Deus", ou também “Glória e louvor Àquele que criou o Universo somente pelo Verbo”. Concluído o salmo, o bispo abençoará o cálice e distribuirá os pedaços de pão aos fiéis.

V. A Ceia
Os fiéis presentes, durante a Ceia, antes de cortarem o seu próprio pão, receberão das mãos do bispo o pedaço de pão que é uma eulogia, e não a Eucaristia, Corpo do Senhor. É preciso que todos tomem o cálice e rendam graças sobre ele antes de beberem. Portanto, com pureza, comam e bebam. Aos catecúmenos será dado o pão de exorcismo e oferecido um cálice. O catecúmeno não participará da Ceia do Senhor. Durante todo o Sacrifício, aquele que se serve deve ser digno de quem o convidou, pois para isso foi chamado a entrar sob o seu teto. Agora, quando comerdes e beberdes, fazei-o com dignidade e não com irresponsabilidade, para que ninguém fique zombando ou para que aquele que te convidou não se entristeça com a vossa afronta, esperando ser digno que os santos entrassem em sua casa porque, diz “vós sois o sal da terra”. Se alguém oferecer a todos aquilo que se chama em grego “apoforeton”, aceitai a vossa parte. Porém, se fordes convidado a comer, fazei-o de forma a sobrar, para que todos comam o suficiente e para que aquele que vos convidou possa mandar algo a quem quiser, como sobras dos santos, e fique feliz com a vossa atenção. Comendo, sirvam-se em silêncio os convidados, sem discussões, falando somente o que for permitido pelo bispo, respondendo-lhe se perguntar algo. Ao falar o bispo, calem-se todos, com discrição e respeito, até que ele volte a fazer perguntas. Se os fiéis comparecerem à Ceia sem o bispo, com a presença de um presbítero ou um diácono, deverão comer com a mesma dignidade e apressar-se a receber o pão bento da mão do presbítero ou diácono. Também o catecúmeno receba o pão do exorcismo. Reunindo-se leigos, procedam com prudência, pois um leigo não pode conferir o pão bento. Comam todos em nome do Senhor, pois agrada a Deus quando todos, iguais e sóbrios, somos ciosos do nosso comportamento, mesmo entre os gentios. As viúvas convidadas para a ceia devem ser de idade madura e devem ser dispensadas antes do final da tarde. Quem não puder convidá-las por causa do cargo que exercem, deve dispensá-las após dar-lhes alimento e vinho que tomarão em casa da forma que lhes agradar.

VI. Frutos oferecidos ao Bispo
Todos devem se apressar a trazer os primeiros frutos da estação ao bispo. Este irá oferecê-los e abençoá-los e, citando quem os oferece, dirá: ─ Graças te damos, ó Deus, e te oferecemos as primícias dos frutos que nos deste para que os tomemos, nutrindo-os pelo teu Verbo, ordenando à terra que os produza com alegria o alimento dos homens e de todos os animais. Por causa disso tudo, te louvamos, ó Deus, e também por tudo que nos proporcionaste, provendo para nós toda a criação dos mais diversos frutos. Por teu Filho, Jesus Cristo Nosso Senhor, por quem a ti a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

VII. Bênção dos frutos
Os frutos que podem ser abençoados são a uva, o figo, a romã, a azeitona, a pêra, a maçã, a amora, o pêssego, a cereja, a amêndoa e os damascos. Não podem [ser abençoados] a melancia, o melão, os pepinos, a cebola, o alho ou qualquer outro legume. Pode-se oferecer, às vezes, flores: rosas e lírios, mas não outras. E, sobre todas as coisas, os que as recebem deem graças ao santíssimo Deus, para a sua Glória.

VIII. O jejum de Páscoa
Na Páscoa, ninguém coma antes de se fazer o Sacrifício, pois quem assim proceder não terá seu jejum considerado. Se uma mulher estiver grávida ou não se sentir bem, não podendo jejuar durante os dois dias, jejue pelo menos no sábado, já que é necessário; mas será um jejum de pão e água. Se alguém, por algum problema, se esquecer da Páscoa, jejue após a Quinquagésima. A imagem passou, cessando no segundo mês, mas todo aquele que tiver aprendido a Verdade deverá jejuar.

IX. Os diáconos trabalham com o Bispo
Que cada diácono, com seus subdiáconos, executem suas tarefas junto ao bispo. Também lhes serão recomendados os doentes, para que os visitem, caso seja de agrado do bispo, pois o doente sempre se alegra quando o chefe dos sacerdotes dele se lembra.

X. A oração
Os fiéis de Deus devem orar assim que acordarem e levantarem, antes de tocar qualquer coisa. Somente depois disso é que devem sair para o trabalho. Contudo, se houver instrução pela Palavra, que prefiram ouvir a Palavra de Deus, pois esta é o consolo da alma, e se apressem a ir à Igreja, onde o Espírito floresce.

XI. Comunhão diária
Que todo fiel corra a receber a Eucaristia antes de experimentar qualquer outra coisa. Se receber por causa de sua fé, não se prejudicará, mesmo sendo o homem mortal. Todos devem se esforçar para não permitir que o infiel prove a Eucaristia, nem um rato ou outro animal. Deve-se cuidar para que dela não caia uma migalha e se perca, pois ela é o Corpo de Cristo que deve ser comido pelos fiéis e não pode ser negligenciado. Consagrado o cálice em nome de Deus, que recebestes como a imagem do Sangue de Cristo, não queirais derramá-lo. Que o espírito hostil não venha lambê-lo, desprezando-o, pois serias culpado para com o Sangue, como quem despreza o valor pelo qual foi comprado.

XII. Reunião do Clero
Os diáconos e os presbíteros deverão se reunir diariamente no local determinado pelo bispo. Não se deixem de reunir a menos que a doença impeça. Reunindo-se todos, ensinem os que estão na igreja e, após a oração, dirija-se cada um ao seu trabalho.

XIII. Os cemitérios
Que ninguém encontre dificuldades para sepultar o irmão nos cemitérios, já que estes pertencem aos pobres. Porém, pague-se o salário ao coveiro, bem como o preço dos tijolos. O bispo deve sustentar guardas e zeladores para que nenhuma taxa seja cobrada àqueles que procuram os cemitérios.

XIV. A oração (II)
Todo fiel, homem ou mulher, ao acordarem, lavem as mãos e rezem a Deus antes de tocar qualquer coisa. Só após isto, dirijam-se ao trabalho. Havendo instrução da Palavra de Deus, prefiram encaminhar-se ao local recordando que, na verdade, estão ouvindo a Deus na pessoa daquele que prega. Todo aquele que orar na Igreja vencerá a maldade do dia; aquele que teme a Deus considerará um grande mal não ter ido à instrução, principalmente se souber ler ou sabendo que o catequista estava presente. Que nenhum de vós se atrase para ir à igreja, lugar onde se ensina! Ao que fala, será concedido dizer o que é útil a cada um. Ouvirás coisas nas quais não imaginas e tirarás proveito do que o Espírito Santo vos disser pelo catequista. Vossa fé será reforçada com aquilo que ouvirdes. Aí também será dito o que deveis fazer em casa. Por isso, cada um deve se preocupar em ir à Igreja, onde o Espírito Santo floresce. Nos dias em que não houver instrução, cada um em sua casa tome o Santo Livro e leia o que lhe parecer proveitoso. Se estiverdes em casa, orai e bendizei a Deus na hora terceira ( 9 horas). Se estiverdes num outro local, orai a Deus no coração, pois foi nessa hora que Cristo se viu pregado no madeiro. Também por essa razão, a Lei do Antigo Testamento prescreve que se ofereça o pão da proposição, como imagem do Corpo e Sangue de Cristo, e a imolação do Cordeiro, como imagem do Cordeiro perfeito: Cristo é o Pastor e o Pão que desceu do céu. Orai, igualmente, na hora sexta (12 horas) pois, quando Cristo foi pregado na cruz, o dia se dividiu e as trevas surgiram. Nessa hora, todos orarão uma oração fervorosa, imitando a voz Daquele que, ao orar, cobriu de trevas toda a Criação perante os judeus incrédulos. Façam, ainda, uma grande prece exaltando o Senhor por volta da hora nona (15 horas), para sentirem como a alma dos justos glorifica a Deus, que não é mentiroso e lembra dos seus santos, enviando seu Verbo para iluminá-los. Foi nessa hora que Cristo, ferido no lado, verteu água e sangue, e iluminou o resto do dia até o final da tarde. Começando a dormir, Cristo originou o dia seguinte e concluiu a imagem da ressurreição. Orai ainda antes de dormir. Por volta da meia-noite, levantai, lavai as mãos com água e orai. Se vossa mulher estiver presente, ore ambos; se ainda não for batizada, retirai-vos para outro quarto, orai e voltai para a cama. Não hesitai, porém, de orar, pois aquele que se encontra casado não está manchado. Em verdade, os que já tomaram banho não precisam tomar outro pois encontram-se limpos. Fazei o sinal da cruz com o sopro úmido, recolhendo a saliva com a mão, e o vosso corpo será purificado até os pés, pois o dom do Espírito e a água do banho, oferecidos por um coração puro como se saíssem de uma fonte, purificam todo aquele que crê. Assim, é necessário orar nesse momento. Os antigos, que nos deixaram a Tradição, ensinaram-nos que nessa hora toda criatura descansa um momento para louvar o Senhor. Até mesmo as estrelas, as árvores e as águas param por um instante e, com toda a milícia dos anjos que servem a Deus, e junto com as almas dos justos, glorificam a Deus. Por esse motivo, todos os que creem devem se apressar para orar nessa hora. Para dar testemunho disso, assim diz o Senhor: "Eis que por volta da meia noite ouviu-se o clamor dos que diziam: 'Aí vem o Noivo. Saiam ao seu encontro'. E concluiu, dizendo: 'Vigiai, pois não sabeis a hora em que Ele virá'". Quando o galo cantar, levantai e orai, pois nessa hora, ao cantar do galo, os filhos de Israel negaram a Cristo, que conhecemos pela fé, confiantes na esperança da eterna luz da ressurreição dos mortos; temos os olhos fixos nesse dia. Fiéis: procedendo dessa forma, respeitando a Tradição, instruindo-vos mutuamente e exortando os catecúmenos, não sereis tentados nem perecereis, pois o Cristo estará sempre presente na lembrança.

XV. O Sinal da Cruz
Durante a tentação, fazei piedosamente na fronte, o Sinal da Cruz, pois este é o sinal da Paixão, reconhecidamente provado contra o demônio, desde que feito com fé e não para vos exibir diante dos homens, servindo eficazmente como um escudo. O Adversário, vendo quão grande é a força que sai do Coração do homem que serve o Verbo (pois mostra o sinal interior do Verbo projetado no exterior), fugirá imediatamente, repelido pelo Espírito que está no homem. Era isso que o profeta Moisés representava através do cordeiro morto na Páscoa e ensinava ao aspergir o sangue nos batentes das portas: simbolizava a fé que agora se encontra em nós, ou seja, a fé no Cordeiro perfeito. Ora, persignando-nos na fronte e nos olhos com a mão, afastamos tudo aquilo que tenta nos destruir.

PARTE 4: FINAL
Se estes ensinamentos forem recebidos com gratidão e Fé ortodoxa, permitirão a edificação da Igreja e a Vida eterna àqueles que crerem. Aconselho que [estes ensinamentos] sejam guardados por todos que tiverem o coração puro. Se todos ouvirem e seguirem a Tradição dos Apóstolos, nenhum herege (nenhum mesmo!) poderá vos afastar do reto Caminho. Na verdade, muitas heresias se desenvolveram porque os chefes não quiseram aprender a Doutrina dos Apóstolos mas, seguindo a própria fantasia, fizeram o que quiseram, isto é, o que não deveriam fazer. Amados, se omitimos algo, Deus revelará [a Verdade] aos que forem dignos, dirigindo a Igreja para que atraque no porto da Paz.

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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

A Espiritualidade do Natal na Espiritualidade Clássica

A Espiritualidade do Natal
na Espiritualidade Clássica
Texto selecionado pela OESI

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Oração inicial:
            "Deus Onipotente, que nos deste teu unigênito Filho para que tomasse sobre si a nossa natureza, e nascesse neste tempo de uma Virgem; concede que nós, renascidos e feitos teus filhos por adoção e graça, sejamos de dia em dia renovados por teu Santo Espírito; mediante nosso Senhor Jesus Cristo, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém" (Livro de Oração Comum – Século XVI). 

Alegria do Natal
 “Alegremo-nos, irmãos, rejubilem e alegrem-se os povos. Este dia tornou-se para nós santo não devido ao astro solar que vemos, mas devido ao seu Criador invisível, quando se tornou visível para nós, quando o deu à luz a Virgem Mãe” (Agostinho de Hipona – 354-430).

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A Bondade Divina
            “A bondade divina sempre olhou de vários modos e de muitas maneiras pelo bem do gênero humano, e são muitos os dons da sua providência, que na sua clemência concedeu nos séculos passados. Porém, nos últimos tempos superou os limites da sua habitual generosidade, quando, em Cristo, a própria Misericórdia desceu aos pecadores, a própria Verdade veio aos extraviados, e aos mortos veio a Vida. O Verbo, coeterno e igual ao Pai, assumiu a humildade da nossa natureza humana para nos unir à sua divindade, e Deus nascido de Deus, também nasceu de homem fazendo-se homem”. (Leão Magno – 390-461).

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A Manjedoura
 “Ele está deitado numa manjedoura, mas contém o universo inteiro; mama num seio materno, mas é o pão dos anjos; veio em pobres panos, mas reveste-nos de imortalidade; é amamentado, mas é também adorado; não encontrou lugar na estalagem, mas constrói para si um templo no coração dos seus fiéis. Tudo isto para que a fraqueza se tornasse forte e a prepotência se tornasse fraqueza. Por isso, não só não menosprezamos, mas mais admiramos o seu nascimento corporal e reconhecemos neste acontecimento quanto a sua imensa dignidade se humilhou por nós” (Agostinho – 354-430). 

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A Festa
“Esta é a nossa festa. Isto celebramos hoje: a vinda de Deus ao meio dos homens, para que, também nós cheguemos a Deus… celebremos, pois, a festa: não uma festa popular, mas uma festa de Deus, não como o mundo quer, mas como Deus quer; não celebremos as nossas coisas mas as coisas daquele que é nosso Senhor” (Gregório de Nazianzo). 

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A Libertação
“O menino que se encontra na manjedoura … aquele que rompeu o jugo que a todos oprimia”. “Fazendo-se Ele mesmo servo para nos chamar à liberdade”. (Efrém, no século IV).  

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A Lição do Natal
 “Mesmo sem dizer nada, deu-nos uma lição, como se irrompesse num forte grito: que aprendamos a tornar-nos ricos nele que se fez pobre por nós; que busquemos nele a liberdade, tendo Ele mesmo assumido por nós a condição de servo; que entremos na posse do céu, tendo Ele por nós surgido da terra”. (Agostinho de Hipona – 354-430).

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O Dia de Natal em nossa vida
“Reconheçamos o verdadeiro dia e tornemo-nos dia! Éramos, na verdade, noite quando vivíamos sem a fé em Cristo. E uma vez que a falta de fé envolvia, como uma noite, o mundo inteiro, aumentando a fé a noite veio a diminuir. Por isso, com o dia de Natal de Jesus nosso Senhor a noite começa a diminuir e o dia cresce. Por isso, irmãos, festejemos solenemente este dia; mas não como os pagãos que o festejam por causa do astro solar; mas festejemo-lo por causa daquele que criou este sol. Aquele que é o Verbo feito carne, para poder viver, em nosso benefício, sob este sol: sob este sol com o corpo, porque o seu poder continua a dominar o universo inteiro do qual criou também o sol. Por outro lado, Cristo com o seu corpo está acima deste sol que é adorado, pelos cegos de inteligência, no lugar de Deus que não conseguem ver o verdadeiro sol de justiça” (Agostinho de Hipona – 354-430).

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Santo berço do Presépio
“Com crescente alegria brilhe o céu e dê-se parabéns a si a gozosa terra: de novo, passo a passo, sobre o astro do dia aos seus caminhos anteriores… Oh! Santo berço do teu presépio, eterno Rei, para sempre sagrado para todos os povos e pelos próprios animais sem voz reconhecida” (Prudêncio, poeta hispânico do século IV).

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Liturgia da Palavra:
·         Isaías 9.1-7
·         Mateus 1.18-25
·         Lucas 2.1-20
·         Mateus 2.1-11

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A Pregação do Natal
“A virgem deu a luz, quem explicará? O Verbo se fez carne; quem explanará este mistério? Se o verbo de Deus vagiu na boca de uma criança, como poderá falar dele o homem cheio de imperfeição? Mas como a estrela iluminou os magos em busca da luz, assim a palavra do pregador deve dar a conhecer a seus ouvintes o nascimento de Deus, a fim de se regozijarem com o encontro com Cristo e, mais que perscrutarem  seus divinos segredos, honrarem com dádivas  o Menino-Deus.. Orai irmãos meus, para que se digne crescer, pouco a pouco, em minha palavra, aquele que aceitou crescer num corpo como o nosso.” Pedro Crisólogo  (406-450).

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O Sol da Justiça
 “Jesus é o novo sol que atravessa as paredes, invade os infernos, perscruta os corações. Ele é o novo sol que com os seus espíritos faz reviver o que está morto, restaura o que está velho, levanta o que está decadente e purifica ainda, com o seu calor, aquilo que é impuro, aquece o que está frio e consome o que o que não presta” (Máximo, bispo de Turim no século IV).

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Acolher o Natal
“Preparemo-nos pois, irmãos, para acolher o Natal do Senhor, adornemo-nos com vestes puras e elegantes! Falo, claro está, das vestes da alma, não do corpo… Adornemo-nos não com seda, mas com obras boas! Pois as vestes elegantes ornam o corpo, mas não podem adornar a consciência; pois seria muito vergonhoso trazer sob elegantes vestes elegantes, uma consciência contaminada. Procuremos acima de tudo embelezar os nossos afetos íntimos, e poderemos então vestir belas roupas; lavemos as manchas da alma para usarmos dignamente roupas elegantes! Não adianta dar nas vistas pelas vestes se estamos sujos em pecados, porque quanto a consciência está escura, todo o corpo fica nas trevas” (Máximo de Turim - †423).

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Alegria na gruta
“Terra e céu rejubilem juntamente, diante do Emanuel que os profetas anunciaram, tornado criança visível, que dorme num presépio”. “A alegria acaba de nascer numa gruta. Hoje os coros dos anjos unem-se a todas as nações para celebrar.... Hoje toda a humanidade, desde Adão, dança. Bendito seja Deus, recém-nascido” (Romano Melode, poeta siríaco do século VI).

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Nasceu o Salvador
Nasceu hoje, irmãos, o nosso Salvador. Alegremo-nos! Não pode haver tristeza quando nasce a vida; a qual, destruindo o temor da morte, nos enche com a alegria da eternidade prometida. Ninguém está excluído da participação nesta alegria; a causa desta alegria é comum a todos, porque nosso Senhor, aquele que destrói o pecado e a morte, não tendo encontrado ninguém isento de pecado, a todos veio libertar. Exulte o santo porque está próxima a vitória; rejubile o pecador, porque é convidado ao perdão; reanime-se o pagão, porque é chamado à vida… Por isso é que, quando o Senhor nasceu, os anjos cantaram em alegria ‘glória a Deus nas alturas’ e anunciaram ‘paz na terra aos homens...’. Porque veem a Jerusalém celeste ser formada de todas as nações do mundo, obra inexprimível do amor divino, que, se dá tanto gozo aos anjos nas alturas do céu, que alegria não deverá dar aos homens cá na terra?” (Leão Magno – 390-461).

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Nasceu o verdadeiro Sol
 “Hoje nasceu para nós o Salvador. Nasceu, portanto, para todo o mundo o verdadeiro sol. Deus Fez-se homem para que o homem se fizesse Deus. Para que o escravo se tornasse senhor, Deus assumiu a condição de servo. Habitou na terra o morador do céu para que o homem, habitante da terra, pudesse encontrar morada nos céus” (Agostinho – 354-430).  

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O Cristo Menino
“Aquele que estava deitado na manjedoura fez-se frágil, mas não renunciou à sua condição divina; assumiu aquilo que não era, mas permaneceu aquilo que era. Eis que temos diante de nós Cristo menino: cresçamos juntamente com Ele” (Agostinho – 354-430). 

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A Sabedoria de Deus
“Chama-se dia do Natal do Senhor a data em que a Sabedoria de Deus se manifestou como criança e a Palavra de Deus, sem palavras, imitou a voz da carne. A divindade oculta foi anunciada aos pastores pela voz dos anjos e indicada aos magos pelo testemunho do firmamento. Com esta festividade anual celebramos, pois, o dia em que se realizou a profecia: A verdade brotou da terra e a justiça desceu do céu” (Sl 84.12). (Agostinho – 354-430). 

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Oração do Pai Nosso

O que o natal representava para os Pais da Igreja?
O que o Natal representa para você hoje?



quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

36 - Hipólito de Roma (160 - 235) Obra: Tradição Apostólica - Parte 2 (Capítulos 1 ao 7).

36
Estudo sobre os Pais da Igreja: Vida e Obra
Hipólito de Roma (160 - 235)
Obra: Tradição Apostólica
Parte 2  (Capítulos 1 ao 7).



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PARTE 2: CATECUMENATO E LITURGIAS DIVERSAS

1. Os novatos
Aqueles que são trazidos pela primeira vez para escutar a Palavra, sejam direcionados aos catequistas, antes da chegada do povo, e sejam interrogados sobre a razão pela qual resolveram se aproximar da fé. Aqueles que os trouxerem, dêem testemunho deles, informando se estão preparados para ouvir a Palavra. Sejam também interrogados sobre a vida que levam: se possuem esposa, se são escravos... Se algum deles for escravo de um fiel (irmão de fé) e o seu senhor permitir, que escute a Palavra; mas se o seu senhor não der bom testemunho dele, seja recusado. Se o seu senhor for pagão, seja-lhe ensinado a agradar seu senhor, para que se evite a blasfêmia. Se um homem possui mulher ou se uma mulher possui marido, sejam ensinados a se suportarem, o homem com a mulher e a mulher com o marido. Porém, se um homem não vive com a mulher, seja ensinado a não fornicar, recebendo a mulher conforme a Lei ou permanecendo como está. Se alguém estiver possuído pelo demônio, não escute a Palavra doutrinária enquanto não for purificado.

2. Profissões proibidas
Deve-se interrogar, também, a respeito dos trabalhos e ocupações exercidos por aqueles que se apresentam para ser instruídos. Aquele que possui prostíbulo: desista ou seja recusado. O escultor ou pintor: seja ensinado a não produzir ídolos, isto é, cesse ou seja recusado. O ator que representa no teatro: cesse ou seja recusado. O pedagogo: é bom que cesse, ensinando somente se não possuir outra habilitação. O cocheiro competidor e os que freqüentam espetáculos de luta: cessem ou sejam recusados. O gladiador, o treinador de gladiadores, o bestiário e os empresários de lutas gladiatórias: cessem ou sejam recusados. O sacerdote ou guardião de ídolos: abandone-os ou seja recusado. O soldado que recebe o poder de matar: não matará ninguém, mesmo se isto lhe for ordenado, nem prestará juramento. Se não concordar, seja recusado. O que possui poder de gládio e o magistrado da cidade, que se reveste de púrpura: renunciem ou sejam recusados. O catecúmeno e o fiel que desejam se tornar soldados: sejam recusados por desprezarem a Deus. A prostituta, o pervertido, o homossexual e qualquer outro que pratiquem atos indizíveis: sejam recusados por serem impuros. O mágico: não deve ser apresentado para o interrogatório. O feiticeiro, o astrólogo, o adivinho, o intérprete de sonhos, o charlatão, o ilusionista e o fabricante de amuletos: renunciem ou sejam recusados. A concubina, se for escrava do amante, se tiver educado os filhos e se tiver unido apenas a esse homem: pode ouvir a Palavra; caso contrário, seja recusada. Aquele que possuir uma concubina: renuncie a ela e receba uma mulher conforme a Lei; se não o quiser, seja recusado. Se tivermos omitido algo, as próprias ocupações dirão [se são ou não permitidas], pois todos nós temos o Espírito de Deus.

3. Os catecúmenos
Os catecúmenos devem escutar a Palavra por três anos. Se algum deles for dedicado e atencioso, não lhe será considerado o tempo: somente o seu caráter, e nada mais, será julgado. Cessando o catequista a instrução, rezarão os catecúmenos em particular, separados dos fiéis. As mulheres, sejam elas catecúmenas ou fiéis, permanecerão rezando em particular em qualquer parte da igreja. Ao concluírem as orações, ainda não darão a paz porque o seu ósculo ainda não será santo. Os fiéis, porém, saudar-se-ão, reciprocamente: os homens aos homens e as mulheres às mulheres; os homens não deverão saudar as mulheres. Estas devem cobrir a cabeça com um manto que não seja feito de linho, pois este tipo não serve para cobrir [a cabeça]. Após a prece, o catequista imporá as mãos sobre os catecúmenos, rezará e os dispensará. Não importa se é clérigo ou leigo: aquele que prega a doutrina deve assim agir. Se um catecúmeno for preso por causa do nome do Senhor, não deve se desesperar: se sofrer violência e morrer antes de ter recebido o perdão de seus pecados, será justificado por ter experimentado o batismo em seu sangue.

4. Os batizandos
Escolhidos aqueles que receberão o batismo, examinar-se-á suas vidas: se viveram com dignidade durante o catecumenato, se honraram as viúvas, se visitaram os doentes, se praticaram apenas boas obras. Ouvirão o Evangelho se aqueles que os apresentaram testemunharem a seu favor, dizendo que assim agiram. Sejam impostas as mãos diariamente sobre eles a partir do momento em que foram separados e sejam, ao mesmo tempo, exorcizados. Aproximando-se o dia do batismo, o bispo exorcizará cada um deles, para saber se é puro. Se algum deles não for bom ou puro, será colocado à parte, pois não ouviu a Palavra com fé, já que não possível que o estranho se oculte para sempre. Sejam os batizandos instruídos para que se lavem e banhem no quinto dia da semana; se uma mulher estiver menstruada, será posta à parte e receberá o batismo num outro dia. Os que receberão o batismo jejuarão na véspera do sábado e, no sábado, serão todos reunidos num mesmo local designado pelo bispo. Serão ordenados todos aqueles que rezarem e se ajoelharem; impondo as mãos sobre eles, o bispo exorcizará todos os espíritos impuros, para que fujam e não retornem mais. Terminando o exorcismo, soprar-lhe-á em suas faces. Após marcá-los na fronte, nos ouvidos e narinas com o sinal da cruz, ele ordenará que se levantem. Então permanecerão vigilantes durante toda a noite: ler-se-á para eles e também serão instruídos. Os batizandos não devem ter nada em seu poder, exceto o que trouxeram para a eucaristia. O que se tornou digno deve participar do sacrifício na mesma hora.

5. O Batismo
Ao cantar do galo, rezar-se-á, primeiramente, sobre a água. Deve ser água corrente, na fonte ou caindo do alto, exceto em caso de necessidade; se a dificuldade persistir ou se tratar de caso de urgência, deve-se usar a água que encontrar. Os batizandos se despirão e serão batizadas, primeiro, as crianças. Todos os que puderem falar por si próprios, falem. Contudo, os pais ou alguém da família falem por aqueles que não puderem falar por si mesmos. Depois batizem-se os homens e, por último, as mulheres (que deverão estar de cabelos soltos e sem os enfeites de ouro e prata que levaram). Ninguém deve descer às águas portando objetos estranhos. No instante previsto para o batismo, o bispo renderá graças sobre o óleo que será posto em um vaso e será chamado de óleo de ação de graças. Tomará também um outro óleo que exorcizará e será denominado de óleo de exorcismo. Então o diácono trará o óleo de exorcismo e ficará à esquerda do presbítero; outro diácono pegará o óleo de ação de graças e ficará à direita do presbítero. Acolhendo cada um dos que recebem o batismo, manda renunciar, dizendo: ─ Renuncia a ti, Satanás, a todo teu serviço e a todas as tuas obras! Terminada a renúncia de cada um, ungirá com o óleo de exorcismo, dizendo-lhe: ─ Afaste-se de ti todo espírito impuro! E irá entregá-lo nu ao bispo ou ao presbítero que está junto da água, batizando. O diácono também descerá com ele e, ao chegar à água aquele que será batizado, aquele que batiza lhe inquirirá, impondo-lhe as mãos sobre ele: ─ Crês em Deus Pai todo-poderoso?. E aquele que é batizado, responda: ─ Creio! Imediatamente, com a mão pousada sobre a sua cabeça, batize-o uma vez, perguntando-lhe a seguir: ─ Crês em Jesus Cristo, Filho de Deus, nascido do Espírito Santo e da Virgem Maria, que foi crucificado sob Pôncio Pilatos, morrendo e sendo sepultado e, vivo, ressurgiu dos mortos no terceiro dia, subindo aos céus e sentando-se à direita do Pai, donde julgará os vivos e os mortos? Quando responder: "Creio", será batizado pela segunda vez. E lhe perguntará uma vez mais: ─ Crês no Espírito Santo, na Santa Igreja e na ressurreição da carne? Responderá o que está sendo batizado: "Creio", e será batizado pela terceira vez. Depois de subir da água, será ungido com o óleo santificado pelo presbítero, que dirá: ─ Te unjo com o óleo santo em nome de Jesus Cristo. Após isto, cada um se enxugará e se vestirá, entrando, a seguir, na igreja.

6. A Confirmação
Impondo as mãos sobre eles, o bispo fará a invocação, dizendo: ─ Senhor Deus, que os tornaste dignos de merecer a remissão dos pecados pelo banho da regeneração, torna-os dignos de ser repletos do Espírito Santo! Lança sobre eles a tua Graça para que te sirvam conforme a tua Vontade, pois a ti são a glória, ao Pai, ao Filho e com o Espírito Santo na Santa Igreja, pelos séculos dos séculos. Amém. Após isto, derramará o óleo santo nas mãos e dirá, colocando as mãos sobre a cabeça de cada um, a seu turno: ─ Eu te unjo com o óleo santo, no Senhor Pai todo-poderoso e em Jesus Cristo e no Espírito Santo. Marcando-o na fronte com o sinal da cruz, oferecer-lhe-á o ósculo, dizendo: ─ O Senhor esteja contigo! O que foi marcado responderá: ─ E com o teu Espírito. Assim deve proceder com cada um. Em seguida, rezarão com todo o povo, não podendo rezar com os fiéis enquanto não atingirem tudo isso. Após a oração, oferecerão o ósculo da paz.

7. A Primeira Eucaristia
Os diáconos oferecerão o sacrifício ao bispo e este dará graças sobre o pão, como exemplo do Corpo de Cristo, e sobre o cálice do vinho preparado, para imagem do Sangue que foi derramado por amor de todos que creem nele. Fará o mesmo sobre o leite e o mel misturados, recordando a plenitude da promessa feita aos antepassados. Nessa promessa, Deus anunciou a "terra onde correm leite e mel". Por ela, Cristo ofereceu a sua Carne e, assim como crianças, se alimentam os que creem, tornando suave a amargura do coração pela docilidade da Palavra. Da mesma maneira, o bispo renderá graças sobre a água do sacrifício, como representação do batismo, para que o homem interior, isto é, a alma, obtenha os mesmos dons que o corpo. Todos esses fatos devem ser explicados pelo bispo a todos que recebem. Partindo o pão e distribuindo-o em pedaços, dirá: ─ O Pão Celestial em Jesus Cristo. E o que está recebendo responderá: ─ Amém. Se não forem suficientes os presbíteros, peguem os cálices também os diáconos e, com dignidade, coloquem-se em ordem: primeiro o que segura a água; em segundo, o que segura o leite; em terceiro, o que segura o vinho. Os que recebem provem de cada cálice e, aquele que dá, diga três vezes: ─ Em Deus Pai Todo-poderoso. Responda o que recebe: ─ Amém. [O que dá:] ─ E em Nosso Senhor Jesus Cristo. [O que recebe:] ─ Amém". [O que dá:] ─ E no Espírito Santo e na Santa Igreja. E responda: ─ Amém. Assim se procederá com cada um. Após a cerimônia, rapidamente pratiquem o bem, agradem a Deus, vivam corretamente, coloquem-se à disposição da Igreja, praticando o que aprenderam e progredindo na piedade. Isto, de maneira resumida, vos transmito sobre o santo batismo e o Santo Sacrifício, pois já fostes instruídos sobre a ressurreição da carne e tudo o demais, conforme está escrito. Se algo deve ser recordado, diga o bispo secretamente aos que tiverem recebido o batismo, para que os não fiéis não venham a conhecer antes de também receberem. Esta é a ficha branca aludida por João ao dizer: "Um novo nome foi escrito nela e ninguém o conhece a não ser aquele que a receberá".

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